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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 23 de julho de 2017

Coisas da República

Para procurador, Brasil tem ‘tendência de esculhambação’
Júlio Marcelo de Oliveira, responsável por atestar as 'pedaladas fiscais' que condenaram Dilma, endurece o jogo contra o governo e as concessionárias

Fonte: revista VEJA

 O procurador Júlio Marcelo de Oliveira em 2016, quando depôs no Senado Federal durante o impeachment de Dilma Rousseff (Geraldo Magela/Agência Senado)


Contrário a alterações no contrato de concessão das rodovias federais, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, que deu parecer contrário às pedaladas fiscais do governo Dilma, entrou em rota de colisão com o governo federal e as empresas do setor. Taxado como “algoz”, o representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) defende o cumprimento dos acordos já assinados e rebate as críticas. Ele afirmou que sua função é evitar irregularidades: “A tendência é a esculhambação no Brasil”.

Para o procurador, as empresas concessionárias “estão o tempo todo pleiteando alterações para melhorar sua rentabilidade, diminuir ônus e adiar investimentos”, o que segundo ele “passa à sociedade a mensagem de que o Brasil não é um país sério”. Júlio Marcelo rebate a tese de que os contratos são malfeitos, que segundo ele apenas é a busca “por uma flexibilidade que não existe em lugar algum no mundo”.

O procurador, que atua representando o MP na análise das contas feitas pelo TCU, ressalta que “não é obrigação do poder público garantir a lucratividade da empresa”. “Não queremos que nenhuma empresa vá à falência, mas é claro que ela tem de correr risco”, conclui.

Oliveira se disse “aberto” a analisar a situação de contratos malfeitos que exijam novas obras, mesmo que caras, no entanto observou que o novo modelo das concessões, que funciona por demanda, é deficitário. Ele alega que a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) não mede a atividade das estradas, se baseando unicamente nos dados informados pelas próprias concessionárias, ao justificarem pedidos de revisões e aditivos aos contratos firmados com o poder público.

Júlio Marcelo de Oliveira foi uma das principais testemunhas de acusação contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) durante o processo de impeachment. Na posição de procurador de contas, ele atestou a existência das “pedaladas fiscais”.

Coisas do sertão, assinação de carneiros - Por Antônio Morais


João Pedro.

Assinar carneiros significa marcá-los nas orelhas para que se saiba a quem o animal pertence. Cada pessoa tem uma marca. Caso a animal seja capturado em outra propriedade olha-se na orelha e sabe-se quem é seu dono.

Neste fim de semana estivemos na fazenda Pitombeira no município do Assaré, propriedade do agro pecuarista Raimundo Menezes para realizar a assinação dos carneiros nascidos  no último semestre.

Vejam João Pedro na captura de um.

video

Dr. Menezes Filho.

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR ANTÔNIO DANTAS.




FOTO DA CACHOEIRA DANTAS

O Souza

O Souza era outro fenômeno da minha época de criança. Conheci-o muito bem porque ele morava nas terras do meu avô, perto da nossa casa no Baixio Dantas. Ele era alegre, muito brincalhão e de uma memória prodigiosa, decorava tudo que ouvia. Certa vez, eu o vi rodeado de pessoas na feira de Várzea Alegre.

Eu tinha oito anos de idade e sabia ler, e procurava pessoas que soubessem ler também. Admirei aquela cena e fiquei curioso ao ver aquela multidão ao redor do Souza, especialmente com desenvoltura com que ele lia aquele conto em voz alta.

Avancei pra bem perto; ele lia o Pavão Misterioso numa banca que vendia livretos de cordel. Naquele momento, ouvi uma das pessoas gritar – eita caba danado, esse ai lê até de cabeça pra baixo! Meu pai depois me explicou o resto da história e pude conferir que existem analfabetos que sabem ler, mas só em Várzea Alegre.

Professor Antonio Dantas.

Cafajestada ou malfeito - Postagem do Antonio Morais.


Projetar Brasília para os Políticos que vocês colocaram lá, foi como criar um lindo vaso de flores para vocês usarem como pinico.

Hoje eu vejo, tristemente, que Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião, mas sim de Camburão.

Oscar Niemayer.

A Lula o que é de Lula - O Estado de S.Paulo.

Líder petista tenta desvirtuar os fatos como se não tivesse qualquer relação com a crise.

O sr. Lula da Silva tem dito que quer ser candidato à Presidência da República nas eleições de 2018. Seu desejo de voltar ao Palácio do Planalto enfrenta, no entanto, algumas dificuldades. A primeira é com a Justiça, já que foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relativo ao triplex do Guarujá. Se o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4.ª Região mantiver a condenação, o líder petista estará inelegível, por força da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010).

A dificuldade com a Justiça não é uma possibilidade remota, já que o histórico do TRF da 4.ª Região mostra que a Corte, além de ser célere, não costuma reformar as sentenças de Moro. E nos raros casos em que os desembargadores modificaram condenações da 13.ª Vara Federal de Curitiba, a alteração, em geral, aumentou a pena. É uma possibilidade real, portanto, que a Lei da Ficha Limpa se imponha contra as pretensões presidenciais do líder petista.

A questão jurídica não é, porém, o único obstáculo para que o sr. Lula da Silva volte ao Palácio do Planalto. Outra grave fragilidade de sua pretensa candidatura é a herança maldita que Lula da Silva deixou ao País. Recentemente, ele mesmo mencionou a triste situação que causou. “O Brasil que era o País da moda há um tempo atrás, o mais badalado, (...) virou essa vergonha de mentiras, de destruição, de desemprego e de fechamento de empresas”, disse Lula da Silva, em entrevista à Rádio Capital. Malandramente, ele não se reconheceu como responsável pelo desastre, relatando a situação nacional como se ele fosse mero espectador.

O fato de Lula da Silva não assumir a culpa que lhe corresponde não modifica, no entanto, sua responsabilidade sobre a história recente do País. Foi o sr. Lula da Silva quem abriu as portas do Estado brasileiro para o aparelhamento petista. Foi em seu governo que houve a gestação do maior escândalo de corrupção da história, o petrolão, e que se deu a perversão do regime democrático com a compra de parlamentares, o mensalão. Foi o sr. Lula da Silva quem escolheu, bancou e elegeu a presidente Dilma Rousseff, que viria a gerar a maior recessão da história, uma recessão que, como os brasileiros atestam diariamente, custa tanto a ir embora.

Ciente do seu papel na lambança, o líder petista tenta, desde já, desvirtuar os fatos, como se ele não tivesse qualquer relação com a crise nacional. Com a esperteza que lhe é própria, Lula da Silva atribui a responsabilidade pela situação atual ao presidente Michel Temer, há pouco mais de um ano no cargo. Ora, não é segredo para ninguém que a crise econômica, política, social e moral vem dos tempos petistas no governo.

Oriundas dessa mesma esperteza são as críticas que Lula da Silva faz agora à gestão da presidente Dilma Rousseff. Ante a absoluta impossibilidade de defender os desastrosos anos de Dilma na Presidência da República – soberba, ignorância e voluntarismo são apenas alguns de seus atributos –, Lula da Silva opta por reclamar da sua sucessora, na inverossímil expectativa de que o povo não lembre quem foi o criador da desastrada criatura.

Diante de tanta corrupção e podridão na esfera pública – com a direta participação de parte do setor privado –, alguns discorrem sobre a necessidade de refundar o País. Essas pessoas defendem a ideia de que as atuais instituições seriam incapazes de recolocar o Brasil nos trilhos. Certamente, são necessárias algumas reformas legislativas profundas, que abram espaço para o desenvolvimento econômico e social. No entanto, o principal óbice para o interesse público não são, no momento, as instituições. É uma pessoa, Lula da Silva, a grande responsável pela crise que está aí, cujo descaramento habitual ainda faz com que se apresente como solução. Basta que a população reconheça o papel único de Lula da Silva na atual situação brasileira, para que se elimine qualquer possibilidade de ele voltar à Presidência. De pronto, abrir-se-á ao País um novo horizonte de esperança e otimismo.

sábado, 22 de julho de 2017

Aqui se faz, aqui se paga - Por JORNAL DA CIDADE


Se a expressão popular ‘aqui se faz, aqui se paga’ tem algum fundo de verdade, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está vivenciando-a em sua plenitude.

Lula, sem qualquer dúvida, vive o momento mais problemático e conflituoso de sua vida. A boca pequena, nas rodas petistas mais graduadas, todos sabem e comentam que Lula não está bem e tem sofrido muito. O petista nunca foi tão exigido quanto agora e o tormento da possibilidade de uma prisão tem lhe provocado um enorme desgaste físico e emocional.

São inúmeros compromissos diários, idas a órgãos do Poder Judiciário, audiências judiciais, reuniões constantes com advogados, eventos com a militância e intermináveis conflitos familiares, que lhe tem tomado tempo e trazido enormes e profundas preocupações. É o que pior poderia acontecer neste momento, divergências entre filhos e entre filho e nora.

O filho Fábio Luís, o Lulinha, e a nora Renata estão vivendo de mera aparência. Os bens adquiridos na era PT impedem a separação. Renata não suporta mais o marido e a recíproca parece ser verdadeira, mas o momento é absolutamente inapropriado para uma discussão sobre uma eventual divisão de bens, ou uma compensação pelo tempo que ela viveu em união estável com o marido.

Por outro lado, os bens deixados por Marisa Letícia tem colocado em pé de guerra Marcos Cláudio, que é enteado de Lula, contra Lulinha, Luís Claudio e Sandro. No inventário foi dado 60 dias de prazo para que os quatro herdeiros cheguem num acordo.

Em meio a tudo isto, a condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, por mais que fosse esperada, foi um golpe extremamente dolorido. Lula não é bobo, continua entoando um discurso de inocência, mas sabe da difícil situação jurídica em que se encontra. A luta agora é tentar evitar a confirmação da condenação em 2ª instância, o que poderia representar inelegibilidade e cadeia.

Porém, o tempo parece conspirar contra o petista. No mês que vem o seu processo chega a Porto Alegre e sua idade avançada será fundamental para colocá-lo na frente da fila. Há quem diga que a decisão sai ainda este ano

No valor de depósito em conta corrente, Lula venceu o dono do Itaú -- por Augusto Nunes (*)


Olavo Setúbal, dono do Itaú, tinha meio milhão de reais no banco. Perdeu para o ex-presidente por 100 mil
“Quanto o Olavão costuma manter na conta pessoal?, perguntei a um amigo íntimo de Olavo Setúbal, dono do Banco Itaú. “Uns quinhentos mil reais”, ouvi de volta. Nesta quarta-feira, graças ao bloqueio determinado pelo juiz Sergio Moro, o Brasil ficou sabendo que a soma dos depósitos de Lula em quatro contas correntes ultrapassa a marca dos R$600 mil. Mais de meio milhão. O ex-metalúrgico fantasiado de pai dos pobres derrotou por uma diferença de 100 mil reais o maior banqueiro do pais.

Na quinta-feira, enquanto incontáveis brasileiros continuavam espantados com o tamanho das reservas bancárias do chefão, foram bloqueados 9 milhões de reais aplicados em dois planos de previdência privada. É um tipo de investimento estranho para quem já chegou aos 71 anos. Mas foi esse o destino de parte da fortuna presenteada a Lula pelas empreiteiras às quais serviu como camelô, despachante e facilitador de negócios. Aí tem.

Condenado a 9 anos e meio de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, o chefão caprichou mais ainda de de vítima de um juiz que o persegue por motivos políticos e da elite indignada com um ex-presidente que acabou com os pobres. A vigarice foi novamente à lona com o confisco determinado por Moro. Só se livraram davida modesta que conheceram no século passado o próprio Lula, filhos, netos, alguns sobrinhos e outros tantos agregados.

O patriarca desfrutou da vida de ricaço até o aparecimento da Lava Jato. As palestras de 2 mil dólares sumiram, os patrocinadores foram engaiolados, as negociatas no exterior entraram em recesso. Até secar abruptamente, a fonte que irrigou com dólares os bolsos de Lula foi tão caudalosa que o palestrante sem convites desde dezembro de 2015 tem alguns milhões guardados. O confisco judicial talvez o ajude a preparar-se para as durezas da vida na cadeia.

(*) Augusto Nunes é jornalista.

"Agora ou nunca" - Por Antônio Mourão Cavalcante (*)

Desde criança aprendi a amar meu país. Cantava de peito aberto o Hino Nacional, acreditando que éramos um gigante adormecido. Na adolescência, fui entusiasmado com Juscelino. Criou Brasília, o novo símbolo dessa pátria, orgulho mundial. Os candangos foram homens e famílias que deixaram suas terras para construir essa esperança. E deu certo. No coração do Brasil. A pátria do futuro.

Mas agora ando meio sufocado. Uma revolta profunda com tudo o que acontece. Fomos traídos. A Constituição Cidadã, tão sonhada por Ulisses e outros grandes democratas, foi transformada numa colcha de retalhos. Aliás, o Brasil foi repartido por grupos econômicos que manipulam a classe política. Estes fazem tudo que aqueles determinam.

É um sistema de pilhagem sofisticado, que vai sugando, gota a gota, o que ainda temos de riqueza.

Há um sentimento de profunda frustração, sem remendo possível.

Perdemos o rumo. Ninguém se importa em criar veredas de oportunidades. Virou um salve-se quem puder. O exercício de um mandato não traduz a vontade do eleitor. Resulta mais em um arranjo entre amigos, valendo o leilão do “quem dá mais?”.

As manchetes anunciam – todos os dias – a descoberta de novas falcatruas. O Brasil sangra. Até quando vamos suportar? E não é mais figura de retórica. É real, no real.

Qual a saída? Só uma: povo na rua, mostrando indignação e revolta.

Pelos canais institucionais há um esvaziamento, um desmantelamento das perspectivas. A nossa indignação tem que assumir o tom que o momento exige. Uma pena que instituições pilares da sociedade brasileira estejam caladas. Refiro-me à CNBB, às universidades públicas, às escolas, à UNE, à OAB... No momento atual, esse silêncio é criminoso. E não adianta sair com notas oficiais, análises conjunturais, que induzem a uma passividade cavilosa. Isto é, não mudam. Tão nem aí.

Para finalizar: o aumento de impostos determinado nesta semana pela dupla Meirelles/Temer é um imenso escárnio ao povo brasileiro. Não há ânimo para mexer nos privilégios. Estamos condenados a pagar a fatura da farra. Vamos esperar até quando? Vamos reagir antes que acabem com o resto.

(*) Antonio Mourão Cavalcante, médico e antropólogo; professor universitário.

 E-Mail: a_mourao@hotmail.com

Coisas da República: "A saída de sempre: aumento de impostos"

Editorial do jornal O POVO, 22-07-2017.

A elevação tributária é a medida à qual os governos sempre recorrem ao primeiro aperto

É difícil apresentar uma proposta mais antipática do que o aumento de impostos. Mas é justamente isso que o governo de Michel Temer, que não prima pela popularidade, vai fazer, como anunciou o seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O aumento se dará nos tributos que incidem sobre os combustíveis, o que provocará reflexo em todos os segmentos da economia. A medida tem o objetivo de garantir o cumprimento da meta fiscal.

O Palácio do Planalto tinha à frente duas opções: revisar a meta ou aumentar impostos. Como o governo temia que a revisão da meta pudesse sugerir fraqueza frente a crise política, resolveu pelo aumento de impostos, depois de fracassar as tentativas de criar um novos Refis (programa de regularização tributária) e de reonerar da folha de pagamento. Com o Refis, o governo abriria mão de uma parte das receitas para garantir a entrada de dinheiro; a reoneração teria o mesmo efeito, fazendo impostos, de alguns segmentos da economia, retornarem a seus patamares originais.

Se temia parecer fraco se revisasse a meta fiscal, será ainda precisoavaliar quais consequências políticas a elevação de impostos trará para o governo entre o empresariado. Todos os setores empresariais que estiveram a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff - Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) à frente -,rejeitavam o aumento de impostos e criticavam com veemência qualquer iniciativa nesse sentido. Quanto aos consumidores, o Planalto avalia que o impacto nos bolsos será pequeno, talvez dez centavos, o que não provocaria reações negativas. No entanto, a média dos aumentos está passando dos 40 centavos por litro de gasolina. E é preciso recordar que os protestos de 2013 começaram pelo aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus.

É necessário lembrar ainda que o presidente Michel Temer sempre manifestou-se contra o aumento de impostos, mas deu o aval para a elevação tributária. A realidade dos fatos é que aumentar impostos é a medida à qual os governos sempre recorrem ao primeiro aperto, pois é a saída mais fácil - mesmo sendo a menos criativa - com o agravante de os prejudicados serem a economia e a população, que não tem como se defender.

Uma palavra amiga - Postagem do Antônio Morais.


O homem interior antepõe o cuidado de si a todos os outros cuidados e, quem se ocupa de si com diligência facilmente deixa de falar dos outros.

Se de ti só e de Deus cuidares, pouco te moverá o que se passa por fora. Onde estás, quando não estás contigo?

E, depois de tudo percorrido, que ganhaste se esqueceste de ti mesmo?

Se queres ter paz e verdadeiro sossego, é preciso que tudo mais dispenses, e só tenhas a ti mesmo, diante dos olhos.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Temer dá mais um tiro no pé - Por Ricardo Noblat

Com popularidade de um dígito e acuado por denúncias de corrupção, o presidente Michel Temer deu-se ao luxo de protagonizar mais um fiasco – o de reunir, ontem, seis ministros, toda a cúpula da segurança pública do governo federal, o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o governador Luiz Fernando Pezão para nada anunciar de concreto a respeito do estado de violência em que vive o Rio de Janeiro.

Poucas horas antes do ato de pura propaganda do governo e de absoluta perda de tempo, a Linha Vermelha, via que liga o centro do Rio a diversos municípios, havia sido interditada pela 15ª vez somente este ano devido a tiroteios nas vizinhanças. E quatro bandidos armados assaltaram pacientes que aguardavam numa fila atendimento à porta do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), cujo laboratório não funciona.

Não foi por falta de aviso que Temer fez o que fez. Ministros o aconselharam a deixar para outra data o anúncio de socorro ao Rio e o detalhamento do Plano Nacional de Segurança que ainda não saiu do papel. Primeiro porque os militares não estão mais dispostos a serem usados como policiais no patrulhamento de ruas. Segundo porque medidas eficazes de segurança exigem sigilo e não alarde.

Os órgãos de inteligência das Forças Armadas e mais a Polícia Federal já trabalham há mais de um mês no Rio sem que se tenha feito nenhum escarcéu em torno disso porque seria contraproducente. Em breve, algumas operações ostensivas serão deflagradas. Quanto mais segredo se guardar a respeito, menor o risco de vazamento de informações e de insucesso. Temer sabia disso, mas não resistiu a atirar no próprio pé.

O valor da leitura - Postagem do Antônio Morais.


Um casal sai de férias para um hotel-fazenda. O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler. Numa manhã, o marido volta de horas pescando e resolve tirar uma soneca.

Apesar de não conhecer bem a lagoa, a mulher decide pegar o barco do marido e ler no lago. Ela navega um pouco, ancora e continua lendo seu livro.

Chega um sargento da guarda ambiental do parque em seu barco, pára ao lado da mulher e fala: Bom dia madame. O que está fazendo? Lendo um livro, responde. Pensando: será que não é óbvio?

A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida, informa. Sinto muito sargento, mas não estou pescando, estou lendo.

Sim, mas, a senhora tem todo o equipamento de pesca. Pelo que sei a senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí imediatamente terei de multá-la e processá-la.

Se o senhor fizer isso terei que acusá-lo de assédio sexual. Mas eu nem sequer a toquei! Diz o sargento da guarda ambiental.

É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode começar a qualquer momento!

Tenha um bom dia madame - diz ele e vai embora.

Moral da história:

Nunca discuta com uma mulher que lê, pois certamente, ela pensa!

Desembargadores do TRF-4 dobram pena de Moro e aplicam a maior sentença da Lava Jato.


Lula acaba de receber um péssimo presságio.  Ocorre que dois desembargadores do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) definiram hoje aquela que pode vir a ser a maior pena já aplicada na Operação Lava Jato.

Conforme a Folha, eles condenaram o ex-vice-presidente da empreiteira Mendes Jr., Sérgio Cunha Mendes, a 47 anos e 3 meses de prisão. Moro havia determinado uma pena bem menor: 19 anos e 4 meses, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A matéria lembra: “O julgamento foi suspenso por um pedido de vista do desembargador Victor Luiz dos Santos Laus. Caso os outros dois juízes não mudem futuramente seus votos, no entanto, o placar já está definido. O caso está sendo julgado pela 8ª Turma do TRF-4, da qual fazem parte o desembargador Laus e também os magistrados João Pedro Gebran Neto e Leandro Paulsen. Eles são os responsáveis por apreciar todos os recursos de condenados da Lava Jato. Os três é que vão julgar, por exemplo, os recursos de Lula na Lava Jato, decidindo se mantém, anulam ou revisam, para cima ou para baixo, a sentença de Sérgio Moro contra o petista, de 9 anos e seis meses de prisão”.

Gebran Neto deu o primeiro voto contra Sérgio Cunha Mendes, aumentando a pena do executivo. Foi acompanhado logo em seguida por Paulsen. Ambos também condenaram, no mesmo processo, Rogério Cunha Pereira, ex-diretor de Óleo e Gás da empresa. A pena dele ficou em 32 anos e 8 meses de prisão. Alberto Elísio Vilaça Gomes, antecessor de Cunha Pereira no cargo, foi condenado pelos mesmos juízes a 33 anos e seis meses.

Marcelo Leonardo, advogado da empreiteira, disse: “Entendemos que a decisão é injusta e não exclui a interposição de recursos, nem a possibilidade de a empresa continuar negociando colaboração”.

Clínica São Raimundo - Cuidando da Saúde de Várzea-Alegre !


O Blog do Crato ( E agora o Blog do Sanharol ) tem o prazer de fazer a publicidade da Clínica São Raimundo, da cidade de Várzea Alegre - CE, que acredita no nosso trabalho como meio de buscar a integração regional. A Clínica São Raimundo é uma empresa conceituada. Comandada pelos renomados médico Dr. Menezes Filho e Fisioterapeuta Dra. Ana Micaely de Morais Meneses. Especializada em pediatria, ultrassonografia, fisioterapia geral e especializada ( RPG , neurológica e  uroginecológica) .

Eis algumas fotos da nossa empresa/parceira que fazemos questão de divulgar:

Acima: A Logomarca oficial da Clínica São Raimundo, em Várzea Alegre.



Acima: O Médico, Dr. Menezes Filho em atividade.



Acima: Dra. Ana Micaely de Morais Menezes



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Rua Dep. Luis Otacilio Correia 129 Centro Várzea-Alegre Ce. Fone (088) 3541-1467.
Especialidade em Pediatria , ultrassonografia , fisioterapia geral e especializada( RPG , neurológica e uroginecológica).

"Cuidando com carinho da saúde do povo de Várzea Alegre !"

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Visite e conheça em Várzea-Alegre.


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CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR ANTÔNIO DANTAS

Foto de José Alves Feitosa, Dudau, o tabelião citado no Conto. Era primo legitimo e irmão da segunda esposa do Pedro Tenente.

PEDRO TENENTE.


A história de Várzea Alegre é pontilhada de fatos curiosos. Lembro-me muito bem do Pedro Tenente e do Souza. O primeiro era um historiador que não sabia escrever. O segundo, era uma analfabeto que sabia ler.

Pedro Tenente, tinha esse apelido porque o pai dele fora tenente da polícia militar do Ceará e viajava pelo estado todo. Pedro o acompanhava e procurava saber quem era quem nas localidades onde passavam. Ele não sabia escrever, mas ditava as histórias das famílias do Ceará para o tabelião de Várzea Alegre que escrevia pra ele. O tabelião publicava uns livretos, eram simples e fáceis de ler. Meu pai comprava esses livretos na feira e eu lia em voz alta para o pessoal que trabalhava no engenho do meu avo. Eu adorava ouvi o pessoal dizendo – esse menino é inteligente!

Curiosamente, anos depois, lendo a história da família Feitosa, escrito por Chandler, um historiador americano que escreveu também o livro – Lampião, o Rei do Cangaço – pude conferir como Pedro tinha uma memória invejável. As pesquisas do Chandler batiam com a historia dele.

Dizem que certa vez, o finado José Correia pediu a Pedro pra escrever a historia da família dele, e Pedro respondeu – Coronel, esse negócio de família pode dá na cozinha ou no mato!

Professor  Antonio Dantas.

Morre Marco Aurélio Garcia - O Antagonista.


Marco Aurélio Garcia, o chanceler do B de Lula, morreu há pouco de um infarto fulminante.

O ex-assessor internacional do PT ficou famoso ao ser flagrado pela TV Globo supostamente comemorando conteúdo da reportagem do Jornal Nacional que falava de possível defeito técnico da aeronave da TAM (voo 3054) que se acidentou durante pouso em Congonhas.

O acidente que matou 199 pessoas completou dez anos há três dias.

É dando que se recebe - Por Ricardo Noblat

Nada mais natural e ao mesmo tempo moralmente indefensável do que a distribuição de cargos e a liberação de verbas para obras em troca de votos de deputados e senadores.

É o que o governo Michel Temer faz desde o seu primeiro dia quando ainda era um governo provisório. Foi o que fizeram todos os governos que o antecederam. É o que os próximos governos farão, infelizmente.

Seria inimaginável que um presidente em qualquer lugar montasse seu governo com a escalação de adversários para ajudá-lo a governar, desprezando os aliados. Não ficaria de pé por muito tempo.

Mas aqui e em outras partes o que ocorre é outra coisa. Cargos e verbas públicas são usados para que parlamentares abdiquem de suas convicções e traiam seus eleitores. E os cargos servem para que eles façam dinheiro.

Os presidentes não loteiam os cargos com o propósito explícito de que  sejam usados para roubar. Mas sabem que haverá tal uso, discreto ou explícito. É por isso que o sistema político brasileiro apodreceu.

Raros são os políticos que gastam do próprio bolso para se eleger. Pagam suas contas e forram seus bolsos com o dinheiro do fundo do partidário e com o que arrecadam via afilhados bem empregados no serviço público.

É à base do toma-lá-me-dá-cá que são produzidas as mais tenebrosas transações. E ao final quem arca com tudo é o distinto público que paga impostos e continua sendo mal tratado pelo Estado.

É por isso que com frequência governos impopulares como o atual conseguem sobreviver às mais precárias situações. Podem ser fracos da porta da rua para fora. Mas são fortes da porta do Congresso para dentro.

SE EU MORRER ANTES DE VOCÊ - Por Chico Xavier.

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.

Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, esqueça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: "Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!" Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.

E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu... Ser seu amigo... já é um pedaço dele.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Você sabe o que é capitão? - Por Antonio Morais.


Dona Anunciada reuniu as filhas e anunciou : Vejam o que o pai de vocês anda fazendo com o dinheiro da aposentadoria dele e da minha, está faltando mantimentos  na despensa.

As filhas ficaram inhetas, num pé e noutro, foi um afregelo. Esperaram o dia combinado do pagamento no banco.

No dia Belisário acordou cedo, botou roupa nova, espremeu um frasco de perfume mistral no sovaco, colocou chapéu na cabeça e fez finca pé pra cidade. As filhas acompanharam sempre  medindo uma certa distância para que o velho não desconfiasse e caisse na esparrela armada por elas. 

Belisário saiu do banco  e rumou  para o puteiro de Antônia de Canela. De longe as filhas viram o velho todo fiota acomodado numa mesa cometendo pecado  com duas "quenguinhas" no colo tomando cerveja num copo só. 

Belarmina  já queria fazer um barraco ali mesmo, mas, foi impedida pelas irmãs. Calma, espere ele chegar em casa.

Belisário chegou em casa mais desconfiado  que esses bandidos da Lava Jato quando vão a Curitiba falar com o Juiz Sérgio Moro. 

Começou o fuzuê, um cu de boi da muzenga. Belisário nada dizia e as filhas revoltadas de pauta com o diaba.

Por fim,  a caçula olhou para o velho e lascou : Papai eu só queria saber o que o senhor  com 80 anos faz com aquelas quengas?

O velho Belisário respondeu de forma quase teatral : Eu boto pra fazer "capitão".

Fé - Postagem do Antonio Morais.

Uma vez um homem estava sendo perseguido por vários malfeitores que queriam matá-lo. O homem, correndo, virou em um atalho que saía da estrada e entrava pelo meio do mato e, no desespero, elevou uma oração a Deus da seguinte maneira:
"Deus Todo Poderoso fazei com que dois anjos venham do céu e tapem a entrada da trilha para que os bandidos não me matem!"

Nesse momento escutou que os homens se aproximavam da trilha onde ele se escondia e viu que na entrada da trilha apareceu uma minúscula aranha. A aranha começou a tecer uma teia na entrada da trilha. O homem se pôs a fazer outra oração cada vez mais angustiado: "Senhor, eu vos pedi anjos, não uma aranha. Senhor, por favor, com Tua mão poderosa coloca um muro forte na entrada desta trilha, para que os homens não possam entrar e me matar."

Abriu os olhos esperando ver um muro tapando a entrada e viu apenas a aranha tecendo a teia. Estavam os malfeitores entrando na trilha, na qual ele se encontrava esperando apenas a morte. Quando passaram em frente da trilha o homem escutou: "Vamos, entremos nesta trilha!" "Não, não está vendo que tem até teia de aranha? Nada entrou por aqui. Continuemos procurando nas próximas trilhas".
Fé é crer no que não se vê, é perseverar diante do impossível.
Às vezes pedimos muros para estarmos seguros, mas Deus pede que tenhamos confiança n'Ele para deixar que Sua glória se manifeste e faça algo como uma teia, que nos dá a mesma proteção de uma muralha. Que possamos entender as coisas de Deus e o que Ele tem feito em nossas vidas!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Contos varzealegrenses - Por Professor Antônio Dantas


Obrigado por lembrar do meu tio, Luiz Dantas. Aquele foi grande batalhador que deixou saudades muito cedo. Lembro-me da última vez que o visitei, lá pelos idos de 67. Eu estava no penúltimo ano da Universidade e havia casado há pouco tempo. Todas férias eu lecionava português numa universidade vizinha, mas naquele ano, por causa do casamento não pude me deslocar. Assim mesmo, ganhei um bom dinheiro trabalhando durante o dia como salva-vida numa praia de um rio e a noite carregando caminhão de uma empresa transportadora de encomendas. Com a grana na mão, achei que estava na hora de visitar os parentes.

Minha mãe, que nunca deixou de visitar os parentes todos os anos, já estava em Várzea Alegre me esperando. Quando cheguei lá, Luiz foi de um gentileza que ainda tenho saudade daquela bondade dele. Eu queria visitar meu tio Marcelino, de saudosa lembrança, que morava no recanto a beira do Riacho da Fortuna. Luiz se ofereceu para me levar até o Recanto, onde meu tio Marcelino morava.

Quando chegamos ao Recanto, o alvoroço das primas e da família inteira foi tão grande que as abelhas africanas não aguentaram e partiram para o ataque. Não deu nem tempo abraçar todos. A ferocidade das abelhas foi tão grande que tivemos que correr por dentro uma plantação de milho para nos livrar das ferroadas.

Meu tio, que nunca teve medo de nada, não quis brincadeira. Preparou um facho de fogo e foi direto as colmeias e, sem proteção alguma, destruiu tudo com a mesma vontade das abelhas. As colmeias eram do filho dele que estava fazendo uma experiencia com as africanas. Fiquei devendo o mel ao primo!

Na volta pra Várzea Alegre tivemos dificuldades atravessa o Riacho do Machado e ficamos um bom tempo esperando um caminhão abri caminho. Finalmente, chegamos tarde da noite e no dia seguinte fomos visitar os parentes no Baixio. Cada visita era um momento de grande satisfação. Não posso esquecer!

A viagem foi cheia de surpresa. Quando voltei para o Crato, fui até o correio enviar um telegrama avisando meu irmão que chegaria em Fortaleza lá pelas 4 horas da tarde. A moça que me atendeu no correio foi muito esperta e perguntou – mas o senhor não viaja nesse avião da tarde? – Sim, respondi. Ela olhou pra mim um pouco decepcionada e disse – então não mande esse telegrama, não. Ele vai no mesmo avião.

Ontem o tema dos comentários sobre o conto que você postou foi a saudade. Hoje, você avivou as minhas falando do tio Luiz. Quando lembro das minhas visitas e as saudades apertam. Infelizmente, atualmente no Baixio, existem poucos pra serem visitados, apenas dois tios e a viúva do tio Luiz. Essa é a parte mais triste de toda essas andanças minhas. Quando estamos ausente da terra, temos aquela esperança de que ao voltarmos vamos encontrar todos e tudo do mesmo jeito. A volta não mata a saudades, mas sempre traz alguma tristeza e decepção. Ms precisamos voltar para não ser enganados pelo tempo. Voltar ao Baixio e não encontrar meu avô, Luiz e Zé Carlos é a parte mais dolorosa da viagem. Mas ela é necessária para confirmar e tirar todas as dúvidas.

Certa vez aqui, nos Estados Unidos, reclamei para um amigo das saudades que tinha de minha terra. No dia seguinte, ele chegou lá em casa e me presenteou com um livro, cujo título é: You Can't Go Back Home (Você não pode voltar pra casa). Li o livro e discordei. Lembranças do que é bom não é uma questão de lógica, mas de sentimentos. É isso que nos torna humanos. 
Obrigado, 

Antonio Dantas

"Wilson Gonçalves: cajazeirense que brilhou no Ceará" - Por José Antônio Albuquerque.


“Nasci paraibano sem querer”, afirmava Wilson Gonçalves, cajazeirense nascido em 6 de outubro de 1914, filho de Zacarias Gonçalves da Silva e Adília Gonçalves Cavalcante, que perseguidos por jagunços foram obrigados a fugir do Crato para Cajazeiras.

O conheci em uma de suas visitas a Cajazeiras no armazém de meu pai, a quem visitava para abraçar e conversar sobre política, a coisa que Wilson fazia muito bem e com prazer redobrado. Era irônico, bem informado e inteligente.

Vivia só para a política. Não vendia nem comprava. Não possuía empresas. Não enriqueceu na vida pública e de conduta inatacável e na cidade do Crato, durante as campanhas eleitorais, a única restrição que lhe faziam, residia no fato de ter nascido em Cajazeiras, tangido pela rebelião que derrubou o Presidente Franco Rabelo. Os seus adversários diziam: “porque votar num paraibano, se há tanto cearense candidato!”

Quando faleceu, em 14 de novembro de 2000, todo o estado do Ceará e em especial o Cariri cearense lamentou a morte dele. Foi sepultado em Fortaleza.

Foi advogado, professor, jurista, jornalista, político e ministro do antigo Tribunal Federal de Recursos. Bacharel em Direito, em 1937, pela Universidade Federal do Ceará, tendo exercido a advocacia no Ceará, Paraíba e Pernambuco, até fixar residência em Crato, onde foi secretário-geral da prefeitura e depois prefeito (1943-1945), pelas mãos do interventor Menezes Pimentel. Ingressou no PSD sendo eleito deputado estadual em 1947, período da redemocratização, e em 1951 (pleito extemporâneo) e 1954. Foi ainda vice-governador, em 1958, na chapa de Parsifal Barroso. Eleito senador em 1962, migrou para a ARENA após a deposição de João Goulart, sendo reeleito em 1970. Em 22 de novembro de 1978 foi nomeado para o Tribunal Federal de Recursos pelo presidente Ernesto Geisel.

Tenho tentado encontrar mais fontes sobre a passagem dos pais de Wilson Gonçalves por Cajazeiras, mas no ano de 1914 não havia ainda nenhum jornal na cidade que pudesse registrar este fato. Não temos também informações porque seus pais preferiram a cidade de Cajazeiras para se refugiar, talvez porque já teria sido escolhida para ser sede de Diocese, ou pela proeminência histórica do Padre Rolim ou ainda por ter familiares em Cajazeiras.

Não sei quando e em que tempo a cidade de Cajazeiras vai ter um gestor com sensibilidade e acima de tudo, com devoção e amor e que tenha a capacidade de entender da importância da preservação do nosso riquíssimo “arquivo público e histórico” e um dia talvez, destine um teto para guarda e conservação, para que os futuros pesquisadores possam escrever a nossa história baseada em fontes documentais e que não se repita o “desastre” de 1954, quando da transferência para a nova prefeitura, quando os documentos “velhos” foram incendiados.

Wilson Gonçalves faz parte da galeria dos cajazeirenses ilustres, mas infelizmente esquecido e ignorado, mas que precisamos resgatar a sua história e vinculá-la a de nossa cidade.

Ainda dá para salvar a República? Na crise, parlamentarismo volta ao debate

Fonte: jornal "Folha de S.Paulo", 18-07-2017.
Para Roberto Freire, a resistência ao sistema se deve ao 'atraso de se imaginar um salvador da pátria'

O parlamentarismo voltou ao debate político como resposta à crise, ainda que a viabilidade de implementação desperte ceticismo inclusive entre entusiastas.

Na semana passada, o senador José Serra (PSDB-SP) conversou com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), sobre a instalação de uma nova comissão especial sobre sistema de governo.

Segundo Eunício, a comissão será instalada em agosto.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tratou do tema com o presidente Michel Temer há poucos dias e os dois ficaram de retomá-lo em breve.

"Tem de haver uma redução dessa multiplicidade de partidos para que o sistema se consolide. O nosso presidencialismo esgarçou-se demais", observou Gilmar.

"Dos quatro presidentes pós-1988, só dois terminaram os mandatos. Há algo de patológico. Eu quero contribuir para a discussão."

O Brasil, como os EUA, é presidencialista, sistema no qual o presidente é chefe de Estado e de governo. No parlamentarismo, adotado em países como Reino Unido, Portugal e Itália, o governo é comandado por um primeiro-ministro escolhido pelo Poder Legislativo, que pode trocá-lo a qualquer tempo.

A ideia de Serra é colocar em tramitação um projeto de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), senador licenciado e hoje ministro de Relações Exteriores, para implementar o parlamentarismo a partir de 2022.

"Meu plano é que, no próximo mandato, se faça a transição, o que não significa misturar, fazer algum tipo de 'semi', mas é reestruturar as carreiras", diz Serra.

Os cerca de 20 mil cargos de confiança teriam de ser extintos, afirmou, senão, quando houver mudança de primeiro-ministro, será necessário trocar todo o pessoal.

O ministro Mendonça Filho (Educação), um dos articuladores da reestruturação do DEM, que tem o parlamentarismo como bandeira, afirmou que o novo sistema "consagraria maior nível de governabilidade".

Atalho
Se quisesse, o Congresso poderia dar ares mais palpáveis à discussão, que gira em círculos há décadas no país. Uma PEC (proposta de emenda à Constituição) da Câmara já foi aprovada em comissões e está pronta para ser votada em plenário.

De autoria do ex-deputado Eduardo Jorge, à época no PT, com substitutivo de André Franco Montoro (PSDB-SP) e Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), data de 1995, foi questionada no STF e hoje mofa em alguma gaveta na Câmara.

"Passada essa crise e Michel Temer continuando no poder, a questão pode ter alguma vitória", disse Andrada.

Para o deputado Roberto Freire (PPS-SP), o debate não se concretiza "porque as pessoas defendem com receio de que não tenha viabilidade, e aí fica apenas no ideal".

A resistência se deve, segundo ele, "ao nosso atraso de ficar imaginando que vai se ter um salvador da pátria. Quem se posicionou contra na Constituinte? O PDT, que imaginava eleger Brizola, e PT, que imaginava Lula".

Mendonça Filho acrescenta ao rol de dificuldades a "antipatia natural da opinião pública, que confunde parlamentarismo com Parlamento e suas mazelas".

Mas, ele nota, o sistema "tem uma vacina muito importante : o primeiro-ministro não precisa fazer concessão ao populismo para governar", já que é eleito por parlamentares.

Um dos argumentos contrários é a instabilidade se houvesse trocas frequentes de primeiro-ministro.

Freire rebate. "Em Portugal, chamam até de geringonça, porque é um arranjo de maioria. Se o partido que não faz parte do governo não votar a favor, cai o governo, então ele é muito mais responsável, mais estável."

Em 1993, o parlamentarismo foi rejeitado em plebiscito.

Temer declara guerra à Rede Globo e executa dívidas da emissora com a União - Por Jornal O Dia.


O presidente Michel Temer enviou o ministro Moreira Franco para conversar com a cúpula da TV Globo há dois meses, numa tentativa de trégua. 

Mas foi em vão. Temer então declarou guerra. E passou a ordenar a execução de eventuais dívidas da emissora com a União, de impostos e de financiamentos no BNDES.

No contra-ataque, a emissora determinou a aproximação de seus principais executivos com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na tentativa de fazê-lo presidente da República. Mesmo que seja por um ano, até a eleição direta.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Retrato de um corrupto - Por Ricardo Noblat


Lula é corrupto. É o que ele é até sentença em contrário. Continuará a ser caso a Justiça em segunda instância confirme a decisão do juiz Sérgio Moro que o condenou a nove anos e seis meses de prisão.

Então ficará impedido de assumir cargos públicos por sete anos. No caso do tríplex do Guarujá, Lula incorreu em dois crimes: corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É réu em mais quatro processos.

Lula insiste em dizer que somente o povo tem o direito de julgá-lo. Como se o exercício do voto em uma democracia dispensasse a existência da Justiça. Prega o desrespeito às leis uma vez chancelado pelo povo.

Se não reconhece que o mensalão existiu, por que admitir os crimes de que o acusam? Mente sem pejo. Na política, a verdade é tudo aquilo o que os políticos querem vender como tal.

Getúlio Vargas chamou de “Estado Novo” o regime autoritário que comandou entre 1937 e 1946. Jânio Quadros morreu repetindo que renunciara à presidência devido à ação de “forças terríveis”. Fê-lo para voltar com poderes ilimitados.

Ao golpe militar de 1964, responsável pela morte e o desaparecimento de 434 pessoas, os militares deram o nome de “revolução” e ainda hoje o festejam assim.

Para tentar sobreviver, Lula jamais abdicará do papel de vítima. Foi vítima do destino ao nascer de mãe analfabeta e de pai mulherengo que a deixou com oito filhos; da seca do Nordeste que o fez embarcar em um pau-de-arara com destino ao sul do país; da miséria na periferia da capital de São Paulo; do torno mecânico que lhe amputou um dedo; da ditadura que o perseguiu; e por fim do preconceito das elites.

É inocente dos seus atos. De não ter estudado por alegada falta de tempo; de não ter-se preparado para entrar na vida pública confiando na própria intuição; do seu primeiro governo ter pagado propinas a deputados; de o seu segundo governo ter parido o maior escândalo de corrupção da história do país; de ter elegido um poste que acabou no chão; e de ter construído uma fortuna à base de obséquios.

Valeu-se da esquerda para alcançar o poder. Governou com a direita, os 300 picaretas que identificou no Congresso, e outros tantos que ajudou a criar.

Emparedado pela Justiça tirou a fantasia de Lulinha Paz e Amor, autor da Carta aos Brasileiros, para vestir a da jararaca venenosa, de volta ao regaço da esquerda. Se ela ensaiava refletir sobre seus erros, o ensaio foi adiado. É refém dele. Seguirá refém.

A condenação de Lula por Moro imobiliza o PT e seus parceiros e unifica os políticos alvejados pela Lava Jato. Todos torcem para que Lula seja bem-sucedido porque isso lhes abriria as portas para que também escapem da punição da Justiça e dos eleitores.

A próxima eleição presidencial se dará mais uma vez à sombra de Lula, como a primeira depois de 21 anos de ditadura e como as posteriores.

Se ele não puder disputá-la, seu apoio ainda valerá ouro para políticos carentes de votos (alô, alô, Renan Calheiros!).

Se ele um dia defendeu José Sarney como “um homem incomum”, a merecer reverências, o mínimo que espera é ser tratado como o mais incomum dos homens, seja pela Justiça ou pelos crentes nas urdiduras do destino. Há que reconhecermos: Lula é de fato um homem especial.

Poderia ter entrado para a História com a maior aprovação popular conferida a um governante. Preferiu entrar como o primeiro ex-presidente da República do Brasil condenado por corrupção.

Prepotência - Por Paloma Amado.



Paloma Amado, psicóloga e filha do escritor Jorge Amado.


Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente, participava da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz.

De repente uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig para Salvador.

Mamãe juntou tudo que mais gostava no apartamento onde não mais votara e colocou nas malas.

Empurrando a cadeira de rodas de papai ela o levou para sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fia da primeira classe. Em seguida chegou um casal que logo conheci, era um politico do Sul, senador ou governador, já foi tantas vezes os dois que fica difícil lembrar. A mulher parecia uma árvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouro, berloques, o jegue na Festa do Senhor do Bonfim. É claro que eu estava de Jeans, e tenis, absolutamente exausta. De repente a senhora bate no meu ombro e diz: moça esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo. Me armei de paciência e respondi: Sim, senhora, eu sei.

Queria ter dito que eu pagaria minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso. De repente, o senhor disse a mulher, bem alto para que eu escutasse: Até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos. Eu só sorrir. Terminei o check in e fui encontrar meus pais. Pouco depois bateram a porta, era casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a puta que pariu, apesar de desejar fazê-lo. Educadamente disse não. Hoje, quando vi na TV o senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou o seu chip, fiquei muito arretada. Me deu uma crise de mariasampaismo, e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada.

O safado se chama Roberto Requião.

Paloma Amado - Pscologa, filha do escritor Jorge Amado.

A República sobreviverá? Partidos fazem campanha antecipada para Lula

Fonte: Estado de Minas, 17-07-2017.
Depois da primeira condenação do ex-presidente Lula, os partidos iniciam os movimentos para a eleição presidencial do ano que vem. A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última quarta-feira antecipou as análises de cenários dos partidos para as eleições de 2018.

Esquerda e direita, embora em plena articulação de bastidores, se esquivam de apontar saídas seguras para o próximo pleito de 2018.

As controvérsias que envolvem os atuais líderes da pesquisa – o próprio Lula e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) – podem abrir caminho para nomes novos, que ainda poderão surgir na complicada disputa à Presidência.

A possibilidade de Lula não participar da corrida dá fôlego aos outros partidos, que começam a costurar nomes que possam ter força para, mas gera dúvidas no PT. O desafio do partido, se o principal representante, de fato, se tornar inelegível, é encontrar um nome para entrar na disputa.

O discurso da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), é que não há plano B, mas isso deve ser desconstruído ao longo dos próximos meses, acredita o coordenador de análise política da consultoria Prospectiva, Thiago Vidal.

Caso o PT pretenda se manter entre as opções, ele precisa de tempo hábil para construir um candidato alternativo a tempo de conquistar apoios. “Se Lula sair da disputa, o PT terá que fazer o que já devia ter começado há algum tempo: pensar em uma alternativa. Mas dificilmente fará isso de forma pública”, pondera Vidal.

Nesse cenário, entra o nome de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, muito cotado por analistas e parlamentares, mas ainda uma dúvida no partido. Na capital paulista, Haddad foi eleito em 2012, mas ficou de fora do segundo turno em 2016.

Petistas citam ainda o ex-ministro da Justiça e advogado da ex-presidente Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, e Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul. Outro nome que tem sido citado nos bastidores para representar a esquerda, embora de forma mais tímida, é Jaques Wagner, que foi governador da Bahia e ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

“O PT não tem um candidato a nível nacional que seja trabalhável. Dificilmente Lula conseguirá passar para esses candidatos os votos que seriam para ele. Seria uma participação simbólica”, pontuou Vidal. “No fundo, a campanha vai ser em torno Lula sendo transferidor de votos. O PT indicará um candidato com boa condição de desempenho, mas que talvez não chegue nem ao segundo turno. Ele conseguiu eleger Dilma no auge do sucesso, mas, da segunda vez, já foi difícil”, avaliou o advogado Murillo de Aragão, cientista político da Arko Advice Pesquisas.

A outra opção do PT, caso Lula não possa se candidatar e o partido não queira um novo nome, é apoiar outro candidato da esquerda, como Ciro Gomes, opção mais forte do PDT, e montar uma coalizão de centro-esquerda. Mas o mais provável é que o PT busque um nome próprio, acredita Aragão. “É um partido muito hegemônico. Dificilmente aceitaria apoiar um candidato de fora, salvo uma crise”, comentou o especialista. Na avaliação de Vidal, se Lula não perder os direitos políticos, dificilmente Ciro será candidato, porque isso dividiria os votos da esquerda. “Provavelmente, ele seria candidato a vice ou algo assim. É difícil disputarem a mesma base de votos, porque seria ruim para os dois.”

Renovação

Vidal lembra que a eleição do ano que vem será de “renovação”. “Qualquer figura política associada ao atual governo dificilmente terá chances de se reeleger, seja deputado, governador ou presidente. Isso abre espaço para os partidos que não estão colados a este governo, sobretudo os mais novos”, disse Vidal.

O deputado Major Olímpio (SD-SP) também se diz descrente de vencedores que sejam conhecidos, na atual conjuntura. “Acho muito precoce qualquer discussão sobre 2018. Talvez quem vá disputar, ganhe a eleição por W.O. Acho que os brancos e nulos é que terão maioria”, disse. O deputado apostou em novos nomes, como Joaquim Barbosa, Sérgio Moro e, quem sabe, o apresentador Luciano Hulk. “Seja quem for, terá uma chance enorme. O pior cenário são os atuais. Seria o ruim contra o pior”, declarou o deputado.

Nesse núcleo de “renovação”, também entram candidatos de centro-direita, como João Doria, atual prefeito de São Paulo e um dos nomes mais cotados para disputar a presidência pelo PSDB em 2018. O tucano, no entanto, é uma opção muito mais viável caso Lula não seja impedido de ser candidato, avalia Vidal. Ele é visto como uma figura “anti-Lula”, mas não como um candidato individualmente forte, a não ser que tenha amplo apoio do PMDB e do DEM. “Ele teria chances, porque assim teria uma força partidária boa. Essa é a equação: candidato forte com estrutura forte”, disse Aragão.

A outra opção do PSDB seria o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que, no entanto, pouco tem a ver com renovação. Ele disputou as eleições presidenciais de 2006 e perdeu, mas continua com nome forte dentro do partido, especialmente entre os integrantes mais antigos. “Hoje, ele é a opção mais viável do partido. Se o PT começar a discutir publicamente uma alternativa a Lula, o Doria não seria o candidato ideal. Já o Alckmin tem agido, está se movimentando para barrar a oposição interna”, argumentou Vidal. O deputado Major Olímpio destacou que as apostas do PSDB ou estão envolvidas em escândalos, ou sendo processadas. Doria está limpo, mas vai ter que lutar contra o próprio criador (Alckmin). “Para Lula, é questão de andamento do processo. Tem que ser preso. Bolsonaro tem 15% ou 25% do eleitorado. Não chega a 50% mais um dos votos. Marina Silva também não passa dos 20%”, pontuou.

Para os eleitores e aliados de Bolsonaro, a vitória é certa se Lula não for preso. Torcem, inclusive, para que o líder do PT só seja condenado após o pleito de 2018. A situação para o militar só se complicaria se outros entrarem na disputa. Para o deputado Capitão Augusto (PR-SP), que circula de farda pela Câmara, a sociedade não terá dúvidas em tirar o ex-presidente da República. “Com Lula, Bolsonaro vai para o segundo turno e ganha. Ele leva vantagem pela rejeição do oponente”, disse. O Delegado Éder Mauro (PSB-PA) lembrou que Bolsonaro já encostou em Lula na corrida presidencial. “Lula só tem os 30% da esquerda. Pelo Brasil, perdeu força. Ao contrário do Jair que está crescendo. A única coisa que precisamos é que todos os outros partidos venham a se unir a nós. Bolsonaro ainda não tem coligações”, disse.

Brasilidade - Postagem do Antônio Morais.


Nos grupos escolares de épocas passadas, duas matérias eram consideradas de grande importância na formação do estudante.

Organização social politica do Brasil e educação moral e cívica. Os intelectuais do ministério da educação, atual, acharam que tudo era bobagem e elas sumirão dos programas educacionais.

No nosso país, não se hasteia mais a Bandeira brasileira, nem nos quarteis, que passaram a ser administrados como simples órgãos civis. 

Em alguns países os cidadãos amam o símbolo  maior de sua pátria, a Bandeira, fazem questão de ostentá-la frequentemente.

O PAÍS DAS ALMAS - Dr. Napoleão Tavares Neves.

“O Saco é o país das almas. Lá todo mundo vê alma”, Napoleão explica antes de contar a mais estranha de todas as histórias que ele presenciou,.

“A única vez que eu vi darem uma surra num defunto foi lá”. O fato aconteceu enquanto ele acompanhava o carregamento do corpo de um homem que morreu empurrando lenha no talhado do engenho. “Eles vinham descendo com o defunto em uma rede, até que um deles reclamou: ‘o defunto tá pesando’. Aí o mais sabido gritou: ‘Para, para, para! Isso é porque o diabo não quer que a gente leve ele pra igreja. Aí se escancha em cima da rede e faz pesar’. Eu fiquei todo arrepiado quando ele disse isso. Depois entrou no mato, tirou um galho de pau e deu uma pisa no morto. Enquanto ele dava, os outros descansaram”, contou. Quando testaram o efeito da surra, alguém elogiou: “Ah, agora tá manêro”.

Aos 12 anos, acompanhando o aboio de 200 reses de uma fazenda a outra, Napoleão viu outro acontecimento, no mínimo mágico, digno de passagem em livro de Guimarães Rosa. A caravana se deparou com a caveira de um boi morto na estrada e, em vez de seguir caminho, todas os bois se puseram em torno do corpo do bicho e choraram. “Uma coisa que eu nunca vi na minha vida. A coisa mais linda. Os bois cavando em torno do irmão e urrando. Todo o gado, sem faltar um. Os vaqueiros então tiraram o chapéu, puseram no peito e baixaram a cabeça”. Maravilhado com o Cariri, o menino Napoleão começou a desconfiar que havia muita história a ser contada. Ele então adquiriu os hábitos que definiram sua personalidade e serviram para resgatar memórias dos caririenses: ele aprendeu a perguntar e a ouvir. Em sua biblioteca, uma estante que vai do chão ao teto guarda quase duas mil crônicas que já foram lidas em rádios de Barbalha e Crato, contando o que ele escutou ou viu em seus 86 anos de vida.

Se Napoleão não conseguia dormir, amedrontado pelos cangaceiros, não haveria como fugir: a sua avó materna, Ana Pereira Neves, a Donana, foi madrinha de Luiz Padre, o famoso cangaceiro de Serra Talhada. Para completar, o Saco era passagem de quem ia para Juazeiro do Norte através da Chapada. O caminho de Lampião no Cariri era sempre o mesmo: ele entrava por Macapá (atual Jati), ia direto para a Fazenda Piçarra (onde morava o amigo Antônio Teixeira Leite), subia a serra pela Ladeira da Salva Terra (entre Brejo Santo e Porteiras, onde Napoleão morava), até chegar na Serra do Mato (entre Barbalha e Missão Velha). Para entender a peregrinação do rei do cangaço e seus cabras, Napoleão recorria ao mapa sempre que ouvia as histórias da avó.

“Donana me contava muita coisa e eu fui gravando tudo na cabeça”, recorda. Devota do Padre Cícero, ela se comunicava com o sacerdote por cartas. Uma correspondência em particular, Napoleão se recorda. Donana escreveu se lamentando: “Meu padrim, não posso subir ladeira, que me sinto cansada”. Ao que Cícero respondeu: “Isso é anemia. Vá em Porteiras e compre ferro em pó”. O doutor pondera: “Ele era muito prático, muito inteligente – pra a época e pra onde vivíamos”.

A terra encantada do Saco, em Porteiras, onde Napoleão viveu a infância.