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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 31 de outubro de 2009

Crato, quem foste e quem és - Por Dr.Mozart Cardoso de Alencar


Tempo houve em que se alimentava um desentendimento e concorrência entre Juazeiro e Crato. O Dr. Mozart Cardoso de Alencar sendo provocado reagiu aos insultos com um verso que passarei a postar a partir de amanhã. Faço para mostrar quanto tempo se perdeu pensando na individualidade das cidades e não em um conjunto regional.
A.Morais

“A noite do dia 20 do mês de Agosto deste ano de 1969, as ruas do Crato foram confetizadas por pedacinhos brancos de papel, em que liam os versos insultuosos e de pé quebrados, abaixo transcritos”:

Se estatua fosse tanque
E muriçoca avião
Se “corno” fosse soldado
E chifre munição
Juazeiro estava preparado
Para defender a Nação!

Zé Povinho.

Já se tornou proverbial: O Crato não se cansa de subestimar as coisas do Juazeiro. Escolheu desta vez o dia 20 para propalar mais uma das suas zombarias com o intuito visível de enxovalhar a memória do grande Patriarca do nordeste Padre Cícero Romão Batista.
É que no dia 20 de Julho de 1934, faleceu o padre Cícero, e, deste tempo até hoje, mensalmente, no dia 20, milhares de fies, muitos trajados de luto, em torno da capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, onde repousam os seus restos mortais, para ali assistirem piedosamente o santo sacrifício da missa celebrada em sufrágio de sua alma.
Esquecem os cratenses, ingratos concidadãos do grande sacerdote, de que igual a dureza do concreto armado que sustenta a sua gigantesca estatua na Colina do Horto, petrifica-se a veneração e respeito dos juazeirenses ao grande líder e catequista dos sertões nordestinos, que despertou nossa grande fé em Deus, o amor ao trabalho e o respeito as leis da pátria.
Com essas armas é que o Juazeiro levanta o vou do seu progresso e se prepara para defender a nação.
De hoje em diante não suportaremos mais pacificamente como vínhamos, as difamações assacadas contra a nossa honra de povo humilde, pacato e laborioso. E para comprovar a resolução tomada, aí vai o primeiro revide:

Dr.Mozart Cardoso de Alencar.

Acompanhe as próximas postagens.

FALÊNCIA COLETIVA - Por Mundim do Vale

Potes para armazenamento de aluá - Manuel Balbino
No tempo da corrida do ouro da Fortuna. Em Várzea Alegre, foram criadas algumas micro-empresas por conta do entusiasmo dos empreendedores.
Pedro Severino alugou uma casa na Betânia e comprou todos os chifres da matança para fabricação de tabaqueiros. Colocou o nome da empresa de: Chama Viva.
Alexandre Cabeleira alugou um prédio no mercado velho e contratou dois funcionários para o trabalho de moer sal que na época só existia em pedra. Colocou o nome de: Salpilado do Alex.
Manoel Balbino alugou uma casa na rua do puxado para a fabricação de aluá de cascas de abacaxi, estocou quarenta potes do produto e pôs o nome da empresa de: Aluá do Balbino.
Vicente David se estabeleceu na rua do juazeiro. Picava fumo de rolo enrolava em papelim ou palha de milho e vendia já fechados. Pôs o nome da empresa de: Cheiro de Tabaco.
Inácio do Doce comprou toda a produção de coco catolé da Serra dos Cavalos e montou no alto da prefeitura uma fábrica de rosários de cocos. Colocou o nome da firma de: Rosário Bento. E dizia ainda que a fábrica tinha sido benta por Frei Damião.
Com a frustração do ouro da Fortuna e a chegada de alguns produtos novos na cidade, as micro-empresas sofreram uma crise financeira, por falta de mercado para seus produtos.
De início chegaram os revolucionários isqueiros sete lapadas
e a empresa Chama Viva ficou com o estoque de tabaqueiros todos encalhados, o que causou falência total.
Ao mesmo tempo chegou na cidade o sal pilado em pacotes de quilos, O que fez com que a empresa Salpilado do Alex entrasse em falência.
Em seguida chegaram os refrigerantes Crush e Grapete, que invadiram o mercado fazendo com que todo o estoque de aluá ficasse estragado, causando assim a falência também da: Aluá do Balbino.
Depois foi a vez da chegada dos cigarros BB e Globo para invadir o mercado do Cheiro de Tabaco.
Só quem resistiu a crise foi a Rosário Bento, que trocou a atividade de rosário de coco para quebra queixo.
* Tabaqueiro, na linguagem popular é a mesma coisa de artifício. Que funciona como isqueiro.

Mundim do Vale

1º de novembro: aniversário de Dom Newton Holanda Gurgel


Dom Newton Holanda Gurgel nasceu em Acopiara, Ceará no dia 1º de novembro de 1923, filho de Francisco Gurgel Valente e Aurélia Holanda Gurgel. Ele completa hoje 86 anos de idade. E no próximo dia 17 de dezembro completará 60 anos de ordenação sacerdotal.
Em 27 de maio último, Dom Newton comemorou 30 anos de ordenação episcopal.
Ele foi nomeado bispo - auxiliar de Crato em 27 de maio de 1979. Com a renúncia do 3º bispo, Dom Vicente Matos, o Vaticano nomeou Dom Newton Holanda Gurgel como 4º bispo de Crato em 17 de novembro de 1993.
Nesta função ele permaneceu até 29 de junho de 2001, em face de ter renunciado ao bispado por ter atingido 75 anos em 1º de novembro de 1998. Foi substituído pelo atual bispo diocesano, Dom Fernando Panico.
Conhecido como o "Bispo da Simplicidade", Dom Newton receberá muitos cumprimentos nesta 1º de novembro dos seus muitos amigos do Crato e do Cariri.
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

Bacalhau - Por Dr. Mozart Cardoso de Alencar


Quinta-feira Santa – “Puma Supermercado de Juazeiro do Norte” – Compra de bacalhau:

Fui ao “Puma”, certa vez,
E perguntei, não de mau:
Meninas, qual de vocês
Vende o melhor bacalhau?

E ao pé do balcão do “Puma”,
Rindo de modo brejeiro:
Todas vendemos, disse uma
Do bom, só não presta o cheiro!

Eis que logo, trazendo,
Fungando, ao cheiro do bicho,
Ao chegar, foi me dizendo:
Coma, não bote no lixo!

No almoço... mulher... que sina!
E que semelhança - pau!
Eu pensava na menina
E comia o bacalhau!

Postado por A. Morais

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

UM CLÁSSICO DA CANTORIA - Por Mundim do Vale

Manoel Chudu, cantava com o genial Canhotinho, em Carpina – Pernambuco, para o senhor celestino. Canhotinho embeveceu-se com a beleza da filha do casal e terminou uma sextilha com a seguinte deixa:

A filha de Celestino
Vale mais do que tesouro.

Chudu, mergulhando na fonte do lirismo, reforçou as palavras do colega:

Celestino vale ouro
Sua esposa vale prata!
E, desse digno casal,
Nasceu tão linda mulata:
Que a morte vindo matá-la,
Volta chorando e não mata!

Canhotinho cantava, sempre, observando as coisas da natureza:

Admiro a invernada
E a voz rouca do trovão!

Chudu ampliou mais o campo das observações:

Eu admiro um pião,
Quando ele sai da ponteira:
Fura um buraco no chão,
Forma nuvem de poeira,
Com tanta velocidade,
Que muda a cor da madeira.

Doutra feita Chudu cantava com João Silveira em Mossoró, quando um dos ouvintes ofereceu uma cerveja insistentemente a Chudu,que esperava o término do baião para tomá-la, foi convidado a fazê-lo pelo próprio companheiro:

Chudu, recebe a cerveja,
Que te manda o cidadão.

Sem contrariar a pessoa que de tão bom gosto ofertava-lhe a bebida, encerrou o baião, com os aplausos de todos:

Quero pedir permissão
Pra terminar a peleja:
Pois eu não posso tocar,
Cantar e beber cerveja;
Três gostos só pra cachorro
Que corre, late e fareja!
Mundim do Vale

Vendeu até a canga - Por A. Morais

Panorama do Vale do Machado - Arrozais em Varzea-Alegre.

Dedico este achado ao amigo Enio Menezes. Ele não conheceu os personagens e por esta razão o caso se torna mais interessante. O poeta Jose Pequeno e Raimundo de Souza do sitio Varzinha e Alencar do sitio Chico eram parentes entre si - Tio, cunhado, sobrinho ou coisa que o valha. Raimundo de Sousa tinha uma porca muito ladrona, vivia a invadir as roças alheias, desde o sitio Varzinha, do Chico de Baixo até a casa do Joaquim Fiúza já na divisa com o Roçado de Dentro. Nada dava jeito. Cambão, tamanca, canga, nada impedia a porca de comer onde bem entendesse.
Para alivio da vizinhança Raimundo de Souza resolveu vender a porca e conseguiu uma boa oferta - 200 cruzeiros. O poeta Zé Pequeno quando soube da noticia da venda disse para os amigos: vamos fazer uma poesia: Eu faço o primeiro verso, o Raimundo faz o segundo e Alencar termina: Assim ficou combinado e assim se deu:

José Pequeno - Raimundo vendeu a porca por 200 cruzeiros!
Raimundo - E fiquei morto de alegre porque peguei no dinheiro!
Alencar - Vendeu até a canga!

Isso é o que chamo de poeta rimador.

Postado por A. Morais

MALA BEM APLICADA - Por mundim do Vale

Certa vez o músico Pedro Souza, tocava uma festinha de São João no Grupo Escolar José Correia Lima e os participantes eram: Eu, João Piau, Antônio Almeida, Paruara e outros. As garotas eram: Maria Onelma, Socorro Lemos, Maria Ivone, Rita Maria e outras. Eu me sentei com Paruara do lado dos cavalheiros e mais a frente sentou João Piau e Antônio Almeida. Do outro lado estavam as damas. E tome forró com o Mestre Pedro.
Uma hora lá Socorro Lemos partiu na nossa direção com a elegância de quem estava numa passarela. Paruara olhou e disse: - Eu vou chamar Socorro pra dançar. Quando Socorro chegou mais perto ele levantou-se e disse: - Socorro vamos dançar! Socorro disse um não bem categórico e deu uma rabissaca tão grande que o cabelo deu três voltas em torno da cabeça. O cordão do rosário partiu, não houve mais quem encontrasse uma única conta. Em seguida ela pôs as duas mãos no ombro de João Piau e disse:- Joãozinho vamos
dançar. Depois disso ficaram muito tempo rodando na nossa frente não sei se
por provocação.
Paruara que naquela noite estava quebrando a tigela de uma camisa Banlon, sentiu-se ofendido e disse: - Isso é uma desfeita, vamos tomar umas canas lá no bar de André que na volta eu resolvo esse assunto. Fomos até bar onde tomamos cada um duas lapadas e voltamos para o grupo. No caminho ele levantou a blusa e mostrou o cabo de uma faca, dizendo: - quando chegar lá eu vou mostrar quem é Paruara.
Eu fiquei preocupado com o que pudesse acontecer e tentei evitar com muito papo:
- Paruara deixa isso pra lá, guarda essa faca. Ou tu tá achando que Socorro Lemos vai querer brigar contigo?
– Ela pode até não querer brigar comigo, mas se for com Joãozinho Piau eu garanto que ela quer.
Graças a minha intervenção, terminou tudo em paz. A única baixa que houve foi das contas do rosário de Socorro Lemos.
Por A. Morais

Gratidão aos amigos do Blog do Sanharol

Pela amizade que você me devota,
por meus defeitos que você nem nota...

Por meus valores que você aumenta,
por minha fé que você alimenta...

Por esta paz que nós nos transmitimos,
por este pão de amor que repartimos...

Pelo silêncio que diz quase tudo,
por este olhar que me reprova mudo...

Pela pureza dos seus sentimentos,
pela presença em todos os momentos...

Por ser presente, mesmo quando ausente,
por ser feliz quando me vê contente...

Por este olhar que me diz:"Amigo, vá em frente!"
Por ficar triste, quando estou tristonho,

por rir comigo quando estou risonho...
Por repreender-me quando estou errado,

Por me apontar pra Deus a todo o instante,
por esse amor fraterno tão constante...

Por tudo isso e muito mais eu digo:
"Deus te abençoe, meu querido amigo!"

Gratidão pelo Amigo - Blog do Sanharol

Eu precisava tanto conversar com Deus - Antonio Marcos.

Em 1970, Antonio Marcos cantava: Eu precisava tanto conversar com Deus. Musica de muita sucesso e de grande mensagem. Hoje, mais do que aquela epoca estamos a precisar de falar com Deus. Ouça e recorde.

Postado por A.Morais

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

S A U D A D E - Por Antônio Pereira

Antônio Pereira, natural de São José do Egito, ficou nacionalmente conhecido, graças à definição que deu de saudade:

Saudade é um parafuso,
Que, na rosca, quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque, batendo, não vai;
E, se enferrujar por dentro,
Pode quebrar, mas não sai!

Saudade é a borboleta,
Que não conhece a idade;
Voando vai, lá, vem cá,
Misteriosa, à vontade;
Soltando pelo da asas,
Cegando a humanidade!

Saudade é como cobreiro
Desses que dão na cintura!
Saudade é como lanceta,
No peito da criatura;
Tocou no gume, se corta;
Tocou na ponta se fura!

Saudade é como o enxerco
Desses de pé de aroeira;
Não se planta, nasce e cresce
Entranhado na madeira!
É rosa, mas, ninguém sabe
Quem seja a mãe da roseira!

Quem quiser plantar saudade,
Primeiro, escalde a semente;
Depois plante, em lugar seco,
Onde bata o sol mais quente;
Pois, se plantar no molhado,
Quando nascer mata gente!
Mundim do Vale.

ELE TEM AQUILO ROXO - Por Mundim do Vale

Zé Negão, um preto muito disposto, chegou a jogar de goleiro na seleção de Várzea Alegre. Além de ser um excelente profissional no ofício de confecções de telhas, tinha ainda a fama de ser o melhor armador de fojos para capturar preás. Mas como não há bom sem defeito, ele apreciava a água do demônio, como dizia o Coronel Dirceu de carvalho Pimpim.
Teve um período em que ele trabalhava com Bizim fazendo telhas, mas quando recebia o pagamento passava várias semanas sem trabalhar, só bebendo cachaça.
Certo dia na hora de fazer o pagamento. Bizim chamou ele de lado e começou a dá uns conselhos: Zé! Arrume sua vida, deixe essas cachaças, você passa vários dias trabalhando e quando recebe o dinheiro fica estragando com bebidas. Isso não é vida para um homem não. Faça uma poupança no BEC. Pense no seu futuro.
Zé Negão aproveitando os conselhos do patrão resolveu mudar de vida. Abriu uma poupança no banco e começou a depositar dinheiro, ficando apenas com alguns trocados para pequenas despesas.
Quando alguém chamava para tomar uma ele dizia: Não Sinhor! Eu laiguei a cachaça. Eu agora tou é ajuntando dinheiro no banco. Eu já tem mais dinheiro lá, do que Ontônia Canela.
Foi nessa mesma época que Collor de Melo assumiu a presidência da república e confiscou as poupanças deixando muita gente revoltada. A notícia foi a gota dágua para Zé Negão voltar a beber. Teve um dia que ele chegou na bodega de Alberto mais indignado do que Filó, quando alguém passava uma nota de duas cabeças.
Revoltado e embriagado ele falou:
Mais cuma é qui pode Oberto? Eu passei esse tempo todim trabaiando na olaria de Seu Bizim prumode ajuntar essa mincharia, quando acabar vem esse tal de Cola de Melo lá da caixa prego e mete meu dinheiro no rabo. Se eu pegasse aquele infiliz lá na minha olaria, eu ifiava ele dento do barreiro pra ele ver o qui é bom pra tosse.
Alberto tentando acalmá-lo falou: Mas Zé Negão o homem é o presidente da república. E o que qui tem? Eu num me meto nos negoço dele. Ele divia tombém num se meter nos meu.
Mas Zé! Ele tem aquilo roxo. Grande merda! Eu tombém tem aquilo roxo e só tem seivintia prumode arriar a massa nas moita.

Mundim do Vale

FLAGRANTES INESQUECÍVEIS - Por Vicente Almeida

Este é mais um episídio da serie de fatos, que marcou o entrelaçamento de nossas famílias nos últimos trinta anos.

Na década de oitenta as nossas fazendas em Assaré, eram próximas, entre uma e outra dava a uns trinta quilômetros. A minha ficava no Vale do Pilar, depois de Assaré e a dele em Aratama, antes de Assaré.

Sempre íamos juntos e em Aratama fazia o meu desvio costumeiro e ia com ele visitar o seu pai, senhor José André (de saudosa lembrança).

Ocorre que num dia invernoso, lá chegamos e os açudes estavam transbordando, não havia passagem para veículos até a fazenda dele. Pois bem, deixamos os carros na pista e fomos a pé.

A distância era de quatro quilômetros, e a estrada estava dividida em vários pequenos córregos que precisávamos vencê-los aos saltos.

No meio do caminho, comecei a cansar. O Morais saltava facilmente todos os obstáculos, atleta, jogador de futebol, (no futebol ele até quebrou a perna de um pedreiro meu, mas isto é tema para outra matéria)

Era um ás no pulo e vencia sem dificuldades a distancia entre a água corrente e o outro lado da estrada. Claro, não é que ele soubesse pular tão bem, é que em nossa altura, havia uma diferençazinha de uns trinta centímetros ou mais. Dá para concluir o tamanho da sua passada!

O fato é que depois de quase quarenta minutos de chôto atrás dele, chegamos à sua fazenda. Estava me sentindo bastante cansado.

De longe avistamos no alpendre o seu pai, senhor José André. Sentado na mureta, mãos cruzadas sobre um dos joelhos e feliz da vida, olhando para o roçado e o açude que transbordava.

Fui chegando, arfando e dizendo: Seu Zé André, arf... Eu tenho uma seria reclamação a lhe fazer, e ele olhou sério para mim e disse, pois faça home:

- Então falei: o senhor fez Morais com as pernas longas demais, cansei para acompanhá-lo até aqui.

- Ai ele saiu com essa: Pois Vicente, você se dirigiu a pessoa errada, essa reclamação você devia fazer a seu pai, que lhe fez com as pernas curtas.

Não é que ele tinha razão!

Fiquei sem argumentos.
Vicente Almeida

Pensamento - Cora Coralina


"O saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes".


Cora Coralina

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ADEUS ATÉ OUTRO DIA - Manoel Chudu

Despediam-se de tudo – Dos donos da moradia, dos assentos, do telhado da casa acolhedora etc. Chudu, sempre atento às ocorrências que viessem destacar suas estrofes, é de repente surpreendido por uma: Um rato,caindo da parte mais alta da casa, é atacado por um gato que, por ali, se encontrava. Sem perder a oportunidade, descreveu o quadro jamais percebido em ocasião alguma de sua cantoria:

Agora, caiu um rato,
Coitado dele, coitado!
Correndo muito apertado,
Na frente daquele gato;
O rato correu pro mato,
E o gato, atrás dele, ia...
Quando o rato, o gato, via,
Temendo o golpe tirano,
Dizia para o bichano:
- “ Adeus, até outro dia!”


E por falar em gato e rato, tem um mote da minha autoria que eu falo assim:

Num buraco tem um rato
Com direito adquirido,
Mas vem sendo perseguido
Pelo danado do gato.
O rato acha muito chato
Viver na perseguição,
Mas o gato faz questão
De manter sua postura.
TUDO QUE A GENTE PROCURA
TEM NAS CASAS DO SERTÃO.

Mundim do Vale

O MENDIGO

Escrito por Vicente Almeida

Certa vez, um jovem barbeiro, de uma pequena cidade, aparentando uns trinta anos de idade, costumava abrir a porta da sua barbearia e lá se deparar com um mendigo. Aquilo virou rotina, todo dia lá estava ele, cabeludo e muito barbado parecia um homem de 80 anos.

Penalizado, o barbeiro resolveu aliviá-lo daquele estado e um dia, convidou o mendigo a sentar-se em sua cadeira. Cortou seu cabelo, fez a sua barba, perfumou-o e apareceu um jovem de idade não superior a 40 anos, e de belas feições.

Talvez por respeito, não lhe perguntou o que o levou aquela situação nem procurou saber seu nome e ainda lhe deu algumas moedas e uma velha roupa dizendo, é para você dar novo rumo a sua vida. E esqueceu completamente o episódio.

O Barbeiro continou a vida. Passaram-se os anos, dez, vinte, trinta, quarenta anos e nunca mais se ouviu falar do mendigo.

Após quarenta e cinco anos, o barbeiro recebeu uma notificação para comparecer diante de um juiz em data e dia certos.

E lá foi ele, tremendo de medo, passando pela sua cabeça um turbilhão de interrogações! Meu Deus, o que fiz? Sempre fui correto, nunca enganei ninguém, só ajudei. Por que agora que tenho setenta e cinco anos um juiz me intima?

Chegando ao tribunal apresentou-se ao Juiz que o interrogou: O Senhor é fulano de tal, barbeiro há quarenta e cinco anos na rua tal, numero tal?
- Sou sim Senhor Juiz, e tremendo perguntou: de que me acusam?
- De nada, disse o Juiz, mas, aqui há um testamento de um senhor falecido que o indicou como seu herdeiro, e o senhor receberá o equivalente a cinqüenta por cento da sua fortuna.
- Há uma coisa que não entendi, disse o Juiz: Ele informa aqui no testamento que as suas moedas se multiplicaram aos milhões, que ele foi muito feliz e nunca o esqueceu.

Da infância à adolescência - Glória Pinheiro

Vizinha à esquina, a penúltima casa do primeiro quarteirão da rua Leandro Bezerra, havia uma casa até onde meus olhos alcançam, era uma casa com muitas portas ao invés de uma porta com uma ou mais janelas...
Naquela casa moravam o Sr. José Conrado, a esposa Lindalva e os filhos que estavam chegando, inclusive um que atualmente é presidente da AFAC - Associação dos Filhos e Amigos do Crato, nosso amigo Wilton Dedê.
Na mesma rua do lado oposto, moravam os franceses. Até meus 7 anos de idade incompletos, sabia da existência dos franceses por um motivo muito especial, quando Dona Janine passava em frente da nossa casa dirigindo uma monareta. Naquele momento sempre havia um garoto maior e atento que falava: "- Olhem, lá vem a francesa!" Interrompíamos nossas brincadeiras e todos corriam para observar a motociclista. Para nós crianças uma novidade aquele transporte e uma mulher conduzindo-o, melhor ainda!
Pois bem, o Sr. José Conrado foi Pracinha na II Guerra Mundial, tendo ido à Itália pela FEB - Força Expedicionária Brasileira. Por isso ele, Sr. Hubert e Dona Janine eram bastante amigos. Por volta de 1959, as duas famílias se mudaram para a Rua Dr. Irineu Pinheiro, minha família chegou poucos meses antes deles. Não sei se por coincidência ou pela amizade que tinham, assim que os franceses chegaram, em seguida chegou a família do Sr. José Conrado. Os três tinham algo em comum participaram efetivamente da Segunda Grande Guerra.
O Sr José Conrado tinha um filho do primeiro matrimônio, era órfão de mãe, foi criado pela avó costumava aparecer por lá de vez em quando. Do segundo casamento, eram quatro ou cinco filhos, a mais velha de nome Josélia, Dadim, Wilton Dedê, seguidos de uma ou duas irmãs mais novas.
Continuando, houve uma época em que Dominique e eu costumávamos ir quase todas as tardes ler as revistas Capricho e outras do gênero, na casa de Lindalva. Ela possuia uma pilha de quase um metro de altura daquelas revistas de fotonovelas expostas em sua sala de visitas. Sentávamos lá e Dominique parecia que fazia leitura dinâmica de tão rápido que lia. Enquanto eu lia uma revista ela lia duas ou três! Talvez porque eu me prendia as fotos...
Lindalva costumava sair de casa e apesar das crianças o silêncio reinava, pareciam crianças tranquilas. Mas quando retornava Lindalva quase sempre aplicava uma surra nos filhos. Sempre aparecia um motivo, uma vez escutei ela perguntar: "Quem comeu os biscoitos?!?" No outro dia: "Quem comeu deste bolo?!?!" E castigava as crianças, era severa não admitia que os filhos comessem fora da hora pré-estabelecida por ela. Dominique e eu só escutava a gritaria das crianças e o barulho das repreensões e chineladas que vinham lá da cozinha. De certa forma isto me tirava o embalo na leitura pois aquelas revistas profanas eram determinantemente proibidas por meu pai.
Algumas vezes pedia emprestada uma ou duas revistas para ler em casa escondida no meu quarto. Toda vez que escutava os passos de papai, assustada, escondia a revista debaixo do travesseiro. Essa fase de curiosidade para saber dos dramalhões fotográficos ou "coisas do amor" foi por volta de meus 13 a 14 anos de idade. Durou pouco, porque passei a ser mais seletiva lendo as crônicas e poemas de Vinicius de Moraes.
Por Gloria Pinheiro

DE GAVIÃO A ANDORINHA - Por Mundim do Vale


De atacante a atacado
O PT perde o roteiro
A cada crime apurado
Vai caindo um companheiro.
Se a imprensa divulgar,
Eles querem processar
Para esconder a sujeira.
Genoino que era puro
Tá mais sujo que monturo
Que fica perto de feira.

O partido acostumado
A fazer oposição
Tá com o traseiro sentado
Na maior corrupção.
Um diz que é fantasia,
Outro diz que não sabia
Para abortar CPI.
A verdade é que o partido
Tá muito mais encardido
Do que luva de gari.

Apoiei na eleição
O PT Como mudança
Mas vi que a corrupção
Já venceu a esperança.
Eu votei nesse partido
Mas fiquei arrependido
Quando ouvi o comentário.
Zé Dirceu na dianteira
Vai juntando mais sujeira
Do que cordão de rosário.

José Nobre sem nobreza
Pra segurar a peteca.
O barbudo com certeza
Tinha dólares na cueca.
Se não foi do mensalão,
Não é venda de limão
Que vai convencer alguém.
O assessor e o dito cujo
Ficaram muito mais sujo
Do que banheiro de trem.

O PT foi como um gato
Nascido pra perseguir
Mas hoje está como um rato
Sem moral pra reagir.
Tem companheiro afastado,
Tem companheiro cassado
E companheiro envolvido.
Tem companheiro negando,
Tem companheiro chorando
E companheiro escondido.

O partido lutador
Ganhou o poder com a raça
Mas de grande caçador
Acabou virando caça.
PT da democracia,
Partido que não devia
Nem centavo a companheiro.
Agora só tem conversa
Tá devendo até promessa
Que nem baiano romeiro.

Quando os jornais denunciam
Caixa dois e mensalão,
Alegam que não sabiam
De nada daquilo não.
A prisão de um companheiro,
Com a cueca de dinheiro
Foi o fio da meada.
Sem contar com aquela grana
Vinda da ilha cubana
Pra campanha da bancada.

O PT que defendia
Transparência e austeridade
Tá vivendo hoje em dia
Faltando com a verdade.
Metido com cambalacho
O partido anda mais baixo
Que roda-pé de quartinha.
Com tanta corrupção,
O PT de gavião
Passou a ser andorinha.

Dedico esse verso as Glórias do
Blog do Sanharol.

Mundim do Vale

Decoro fora de uso - Por A. Morais

Por este Senado da Republica já passaram Pinheiro Machado, Moura Andrade, Salgado Filho, Jose Americo de Almeida, Daniel Kriger, Fernandes Tavora, Tancredo Neves, Afonso Arinos, Franco Montoro, Paulo Brosard, Petronio Portela etc.

A qualidade da representação é proporcional a qualificação do representado. Chegamos ao fundo do poço - Senado e povo. Não há mais respeito nem entre seus membros:

Postado Por A.Morais

Video - Blog do Eliomar de Lima.

Feliz acaso - Por Dr. Mozart Cardoso de Alencar


Uma mulher bonita, cujo marido, alcoólatra impernitente, maltratava-a, espezinhava-a e, o pior, negava-lhe o amor.
Ela chorando, confessou tudo isto ao poeta, e ele logo depois entregou-lhe pessoalmente esses versos:


Oh! Tu, mulher bonita, como és
Infeliz, a sofrer, no casamento!
Vem esquecer o mal desse tormento
Que este amor que quer beijar-te os pés!


Há de ficar por terminado, assim,
O motivo cruel da tua dor
E jamais saberá do nosso amor
Essa sociedade falsa e ruim!


Amor sofrido, que não tenhas medo!
Nenhum de nós revele o nosso drama!
Só o mudo lençol da nossa cama
Vai saber e guardar nosso segredo.

Daí, então, quanta felicidade!
Quanta alegria tu iras ter na vida!
E, eu, que te direi, minha querida?
Sou o homem mais feliz da humanidade!


Postado por A. Morais

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SACO SECO - por Mundim do Vale

Manoel Vicente da Silva ( Totô ). Fez um roçado certa vez no sítio Baixio do Exu, em Várzea Alegre. Contratou alguns trabalhadores entre eles Chico de Elói. Chico era pálido, franzino e desnutrido. Chegando no roçado os outros roceiros começaram logo a trabalhar e Chico não saiu do canto.
Quando seu Totô notou falou logo:
- Vamos Chico que moleza é essa? Os outros já estão no meio do eito e você nem começou. O que é que está havendo?
- Chico olhou com uma certa tristeza para o patrão e foi logo dizendo:
- Sabe o que é Seu Totô? É pruquê saco seco num fica em pé.
O patrão entendeu e mandou um recado para a esposa fazer para Chico um prato diferenciado no almoço. Dona Vicência caprichou e mandou numa bacia.
Chico comeu tudo que tinha na bacia e ainda tomou uma cabaça de água, depois ficou deitado na sombra de uma moita enquanto os outros já estavam no trabalho.
O patrão chegou perto e falou com ele: Chico eu não estou entendendo. De manhã você estava com moleza porque tinha fome. Agora que já comeu bastante continua do mesmo jeito o que é que está acontecendo?
- Sabe o que é Seu Totô? É pruquê saco chei num droba.
Por Mundim do Vale.

Pra que serve verador - Por A. Morais

Em 1912, o prefeito de Várzea-Alegre Cel Antonio Correia Lima perguntou ao Tabeleão Jose Alves Feitosa, o conhecido Dudau: Pra que serve verador? Sim não houve erro de digitação não, é verador mesmo. Dudau andou explicando: para criar leis, ajudar na fiscalização da aplicação dos recursos etc. Ora mais essa, disse o Coronel prefeito, eu preciso lá de verador para dizer o que devo fazer com o dinheiro que administro!
Um século depois, desta celebre pergunta, eu me pergunto: Pra que serve uma câmara de vereadores manipuláveis e subservientes. Nem pra dar nomes a ruas serve mais.
Li ontem, no Blog do Crato, um texto do Historiador Armando Rafael, no qual ele narra com precisão uma aberração da Câmara de Vereadores do Crato. Rua cuja denominação a historia registra, sendo rebatizada com uma outra personalidade. Maior absurdo três ruas com o mesmo homenageado. Diante destas aberrações repito a frase do Coronel Antonio Correia Lima: Pra que serve verador? E querem aumentar ! Vixe.

A. Morais

domingo, 25 de outubro de 2009

Lúcio Alcântara, o homem



Estive presente, na noite do último sábado, à posse do intelectual Lúcio Alcântara como Sócio-Efetivo Acadêmico do Instituto Cultural do Cariri. Solenidade bonita que contou com a presença do que o Cariri tem de melhor na área da Cultura.
O Coral da Sociedade de Cultura Artística de Crato–SCAC foi um show à parte. Seus componentes – sob o comando da maestrina Divani Cabral – espontaneamente ali compareceram para, num gesto tocante e raro, entoarem um cântico de gratidão pelo apoio recebido do Dr. Lúcio (o político mais culto do Ceará na atualidade) quando este foi governador do Estado.
Mas não é sobre o político Lúcio Alcântara que vou falar. Todo o Ceará já conhece as qualidades da sua fecunda vida pública. Gostaria de me ater apenas às qualidades pessoais do homem Lúcio Alcântara.
Um intelectual de qualidade. Dizem que até para definir sua formação profissional (ele é médico vocacionado) foi necessária a leitura – ainda na adolescência – de toda a obra de Cronin.
Sempre lhano e cortês, aberto e simples, Lúcio Gonçalo de Alcântara é uma pessoa digna, decente, leal e que serve de referência tanto na serenidade, quanto na ética de que é dotado. Um homem visceralmente honesto em todas as atividades que exerceu.
Talvez resida nisso tudo a credibilidade de que ele é possuidor no pobre cenário político brasileiro dos dias atuais.
Armando Lopes Rafael

GUERREIRO DO MAR - Por Mundim do Vale

Eu falo a pura verdade
Sou pescador sem engano
De noite estou na cidade
De dia no oceano.
Cumpro bem o meu dever
Nada me faz esquecer
Minha hora de voltar,
A pescaria se encerra
Mas quando eu estou na terra
Sinto saudade do mar.

Não queira saber patrão
Como sofre o jangadeiro
No mar não tem produção
Na terra não tem dinheiro.
Se o patrão quiser um dia
Ir comigo à pescaria
Não precisa se acanhar.
Mas se achar muito ruim
Eu traga um camurupim
Pro doutor apreciar.

Para o mar eu vou com Deus
Minha melhor companhia
Na terra os filhos meus
Deixo com a Virgem Maria.
A mulher fica rezando
Meus filhos ficam brincando
Até a minha chegada.
Na hora que vou descendo
Já vejo eles correndo
Arrodeando a jangada.

Na terra sou homem ordeiro
Tenho bom comportamento
Mas no mar sou um guerreiro
Na busca do alimento.
Minha arma é a jangada
A vitória é a chegada
E o sol é a minha luz.
Eu sei pescar e tratar
Só não sei multiplicar
Do jeito que fez JESUS.
Mundim do Vale

sábado, 24 de outubro de 2009

FLAGRANTES INESQUECÍVEIS

muita coisa que não conseguimos esquecer e é gostoso lembrar
Esta é mais uma recordação, das tantas resultantes do nosso convívio familiar.


Na década de 90, durante muito tempo, quase todas as noites nos visitávamos. Quando o Morais e a Nair não vinham a nossa casa, nós íamos a casa deles só pra jogar buraco. Naquele tempo era muito divertido.

No Jogo, Morais e Nair eram estradados, e eu e a Valdênia éramos ainda ingênuos. A sorte era que as duplas eram assim formadas: Morais e eu. Nair e Valdênia. Às vezes arranjávamos companhia. Normalmente só encerrávamos o jogo quando a briga passava a dominar, pois a Nair ou a Valdênia quando estavam perdendo feio, espalhavam as cartas e acabavam o jogo. Mas era só briga de jogo. No outro dia estava tudo bem e começávamos de novo.

Como residimos no sitio era natural que tivéssemos alguns produtos da nossa agricultura.

Certo dia a Valdênia disse: hoje à noite, vamos à casa do Morais levar este prato de canjica para eles.

Dito e feito. Quando foi a noite, lá estávamos nós em frente a sua casa descendo do carro. A Valdênia toda contente, saiu antes de mim e adentrou a casa com o prato de canjica. Foi direto para a sala de jantar.

Qual não foi a sua surpresa ao chegar lá e dar com a mesa coalhada de pratos de canjica. Decepcionada e surpresa, deu meia volta e Morais perguntou: o que é isso comadre, e ela meio encabulada disse: era uma canjiquinha que estava trazendo para vocês mais cheguei tarde!

Ele olhou, sentiu o cheiro e disse, nem pense em levar de volta e começou a comer. Aí a Nair ficou uma arara, pois ele preferiu a canjica feita por Valdênia.

Nas vezes seguintes, quando levávamos alguma coisa para eles saborearem, a Valdênia dizia: primeiro eu vou lá dentro ver se a mesa não está cheia disto aqui.


Vicente Almeida

ANIMAIS - Por Mundim do Vale

Como observador das cousas, Catôta é incomparável. Num animado baião com o saudoso Agostinho Lopes, descreveu, com vivas cores, os quadros naturais.

Acho bonito um macaco,
Ser um bicho inteligente!
Para não ver seu filhinho,
Ficar sofrendo inocente:
Bota no ombro e carrega
Do mesmo jeito da gente.

Eu admiro, demais,
O trabalho duma aranha,
No seu tear inocente,
Tanta beleza acompanha,
Um lençol da cor de neve,
No coração da montanha.

Eu admiro o cancão
Lá dentro dos matagais,
Apresenta duas cores,
Branco adiante e preto atrás:
O preto indicando luto,
E o branco indicando paz!
Mundim do Vale

MÃE DE POETA- Por Mundim do Vale

No aniversário de oitenta anos de sua genitora, Catôta cantava com seu irmão Cícero, num ambiente do mais puro aconchego familiar. As auras benfazejas da inspiração favoreceram-no, com a força inelutável do improviso. Qual o mais belo? A doçura dos versos partidos dos corações filiais, ou a candura da atenção materna ouvindo-os atentamente? É impossível sabermos! Em homenagem aquela sagrada efeméride, foram colhidas estas
Primorosas sextilhas de Catôta.

Minha mãe é parecida
Com uma pombinha mansa,
Já cansada da viajem,
Em toda sombra descansa;
Depois dos oitenta anos,
Mamãe parece criança.

Estão vendo essa velhinha
Toda envolvida num manto,
Com os olhos rasos d’água,
Tomando banho em seu pranto?
Cantava quando eu chorava,
Hoje chora quando eu canto!

Quando, pra mamãe, eu canto,
Sempre, sempre me comovo;
Quando ela ri para mim,
Parece dizer ao povo:
- Depois dos oitenta anos
Tornei-me nova de novo!
Mundim do Vale.

Semana Santa - Varzea-Alegre - Por A.Morais


Em 1969, o meu pai alugou uma casa a Rua Cel Raimundo Lobo numero 62, Bairro São Miguel – Crato e nos mandou para o Crato. Viemos Eu, Pedro meu irmão, os primos Jose Raimundo de Menezes Neto, Jose Batista Rolim, Jose Bastos Bitu e Expedito Alves de Morais. Dividíamos as despesas em partes iguais e assim iniciamos a difícil tarefa de fazer o segundo grau, o conhecido cientifico aquela época.
Na semana santa arribamos todos para Várzea-Alegre. Foi uma semana de alegria, revendo os parentes, fartura de alimentos, banhos nos riachos, em fim foi uma volta aos velhos costumes e tempos.
Nesta época o único meio de transporte existente entre as duas cidades era o ônibus de seu Totô, que fazia o percurso, que hoje se faz em uma hora, em dez horas ou mais. Alem de gente o ônibus transportava porco, galinha, bode, ovos etc.
O Expedito Morais era um verdadeiro anarquista. Durante a semana de tudo comeu além da conta: Cajarana, batata doce, milho assado, coalhada com jerimum, na hora da volta estava com uma bomba atômica na barriga. Conseguiu uma cadeira no meio do ônibus e nela acomodou-se de propósito. Chovia muito e as portas do carro foram fechadas para não molhar os passageiros.
Expedito caprichou e soltou à primeira. Quando o carro parava para descer ou subir alguém a catinga passava para frente, quando o carro arrancava fazia o percurso contrario, voltava. Quando chegamos em Farias Brito todos desceram do carro para tomar um pouco de ar puro.
Depois de todos acomodados, nos seus devidos espaços, a viagem foi reiniciada e uma senhora com uns 75 anos, mais ou menos, disse: Oh meu Deus, será que o cagão ficou?
O carro andou uns trezentos metros e Expedito mandou a segunda. Foi quando a senhora falou desesperada: valha-me nossa Senhora da Conceição, o cagão continua!
Por A. Morais

A chegada de George Gardner a Crato - por Armando Lopes Rafael

Crato, 1859 - aquarela de José Reis, acervo do Museu de Artes de Crato.

Dois anos fazia que George Gardner viajava pelo Império do Brasil, pois aqui aportou em 22 de julho de 1836.
Ele chegou ao Ceará, ao meio dia de 22 de julho – na data que completava dois anos do seu desembarque no Rio de Janeiro. Certamente, foi com alívio e alegria que o Botânico inglês contemplou a foz do Rio Jaguaribe, emoldurada pelas areias brancas do litoral cearense, ponto final da travessia. Mas só no dia seguinte, 23 de julho, utilizando um bote, ele desceu pelo rio, até atingir, a pouca distância, a vila de Aracati.

Gardner não demonstrou interesse em conhecer a vila de Fortaleza que, desde 1810 era a capital do Ceará. Optou por percorrer outras povoações do interior. No Ceará, o roteiro traçado pelo pesquisador incluiu, além de Aracati – porto por onde se exportava o couro e o charque produzidos na Província – a vila de Icó, importante entreposto comercial, em pleno sertão. Seu destino final, na Província do Ceará, era a vila de Crato, menor e mais atrasada que as duas acima citadas e localizada ao sopé da Chapada do Araripe.
As redondezas de Crato eram dotadas de exuberante vegetação – com boa variedade de fauna e flora nativas – possuindo dezenas de fontes naturais, além de depósitos de fósseis do período Cretáceo Inferior. Era isso que atraía o interesse do intelectual inglês. Gardner demorou cerca de 12 dias em Aracati. No dia 3 de agosto, sob forte chuva, rumou, com seus ajudantes e algumas malas, em busca de Icó, onde faria uma parada antes de atingir Crato.
Ao final da tarde do dia 9 de setembro de 1838, após ter cavalgado sobre terra plana e arenosa, de ter contemplado grandes plantações de cana, onde sentiu o cheiro do mel vindo dos engenhos de rapadura, a invadir a atmosfera com seu aroma adocicado, avistou Crato. Extasiado com a beleza da localidade, ele escreveu as linhas abaixo:

"Impossível descrever o deleite que senti, ao entrar neste distrito, comparativamente rico e risonho, depois de marchar mais de trezentas milhas através de uma região que, naquela estação, era pouco melhor que um deserto.

A tarde era das mais belas que me lembra ter visto, com o sol a sumir-se em grande esplendor por trás da Serra do Araripe, longa cadeia de montanhas, a cerca de uma légua para Oeste da Vila, e o frescor da região parece tirar aos seus raios o ardor que pouco antes do poente é tão opressivo ao viajante, nas terras baixas.

A beleza da noite, a doçura revigorante da atmosfera, a riqueza da paisagem, tão diferente de quanto, havia pouco, houvera visto, tudo tendia a gerar uma exultação de espírito, que só experimenta o amante da natureza e que, em vão eu desejava fosse duradoura, porque me sentia não só em harmonia comigo mesmo, mas “em paz com tudo em torno".
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

João Grilo - Por Mundim do Vale.

Mas não tem problema não
Eu espero outro momento,
Um dia ele me aparece
E eu mato esse elemento.
Vou enfiar esse pau
No anel desse jumento.

Passado um ano de fato
O garoto adoeceu,
Por falta de assistência
João Grilo muito sofreu.
Sem ter leite nem maisena,
Sem ninguém chorar com pena
O menino Faleceu.

Na saída do caixão
O pai tirou o chapéu,
Disse: Adeus filho querido
O seu lugar é no céu.
Porem se não conseguir,
Sua historia vai surgir
Como tema de cordel.

Quando João Grilo chegou no céu
São Pedro mandou entrar,
Mas na hora do cadastro
Começou a bagunçar.
Arranjou lá uma cruz,
Deu ao menino Jesus
E botou pra carregar.

Quando saiu da triagem
Foi bater lá no portão,
São Pedro tinha saído
Ficou Cosme e Damião.
E ele pra variar,
Inventou de encrencar
Com o guarda de plantão.

Cosme tava na guarita
Damião tava no muro,
João Grilo deu um tabefe
Aproveitando o escuro.
Damião na escuridão,
Chamou logo seu irmão
De vigia sem futuro.

Mundim do Vale

CNBB responde a declaração infeliz de Lula






Em recente entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – em meio as suas costumeiras reflexões – saiu-se com esta pérola:
"Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
Usando de sóbria e moderada declaração, o secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Dimas Lara Barbosa, rebateu a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de fazer alianças. O representante da CNBB ainda analisou a declaração do presidente:
"Para governar o Brasil? Estamos tão mal assim? Queria dizer que, sem dúvida Judas foi discípulo de Cristo, mas Cristo conhece o coração das pessoas e reconhece a liberdade de cada um. Cristo não fez alianças com fariseus. Pelo contrário, teve palavras duras para com eles. Deus conhece o coração das pessoas", afirmou.
Questionado se os fariseus nesse caso poderiam ser representados pelo PMDB, dom Dimas disse que não avalia alianças políticas e acrescentou:
"PMDB? Não. Não estou entrando em detalhes de partido nenhum. Não estou me referindo a nenhum partido. Tem gente de bem em todas as áreas", afirmou.
Sem querer polemizar, dom Dimas cobrou do Congresso a análise do projeto de iniciativa popular que estabelece a "ficha limpa" para os candidatos que disputam cargos públicos. O movimento reuniu 1,3 milhão de assinaturas de brasileiros favoráveis à proposta e impede que candidatos com problemas na Justiça participem da disputa eleitoral.
"Temos que lutar pela ética na política e levar adiante esse projeto de fichas limpas. Estamos tendo dificuldades, mas tenho certeza que, com a vontade popular se manifestando, faremos o projeto chegar lá na frente. O trabalho com o bem comum exige o mínimo de ética e por isso queremos que pessoas com pendências não possam ser candidatos", disse.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O OVO DO PADROEIRO -recebido via imail

Quando aconteciam as campanhas de arrecadação de donativos para São Raimundo Nonato, todos os fiéis se empenhavam no trabalho. Um exemplo disso era Maria de Fátima Bezerra e e sua amiga Cândida, que faziam esse trabalho no Canindezinho, Juazeirinho e Sanharol. Foi no Sanharol que uma vez elas conseguiram arroz, feijão, fava e outras coisas mais, além de uma franga de galinha.
A promessa de Antônia era pra que São Raimundo mandasse de volta o seu Buda que tinha desaparecido igual a suspiro em boca de criança. O propósito de Fátima era que o padre Otávio benzesse três santinhos para ela colocar na capa do caderno para mostrar a sua educadora Eliza.
Na volta já cansadas ouviram a pinta cantar e em seguida botar um ovo azul, nesse momento Antônia falou: - Neguinha esse ovo você pode ficar com ele porque você já ficou muito cansada tirando esmola, Fátima ainda quis rejeitar dizendo que o ovo era de São Raimundo, mas ela não aceitou e acrescentou: - Não senhora é seu São Raimundo fica só com a pinta. Mas quando Fátima começou a vibrar ela recuou:- Não mulher devolva o ovo do padroeiro se não ele não traz meu Buda.
Depois das contradições elas notaram que o ovo estava quebrado. Quando chegaram na praça o pintor Bentevi disse:- Essa duas já quebraram o ovo de São Raimundo e se ele não se cuidar não vai ver nem as penas da pinta dele. Depois foi a vez de Antônio de Felinto falar: Pois vão ser castigadas nem São Raimundo vai trazer Buda nem o padre Otávio vai benzer os santos de Maria de Fátima.

Fonte de informação desse causo: Maria de Fátima Bezerra.

OU CIDADE BOA PRA TIBÚRCIO - Por Mundim do Vale

Uma vez Luís Fiúsa fazia um vool noturno com João Morais de Manaus a Fortaleza. Quando sobrevoavam uma pequena cidade, Luís viu aquele claro e perguntou a Morais:
- Morais aquilo é um fogo de coivaras?
- É não Luís, aquilo é o claro da cidade tal. No estado do Amazonas as cidades são pequenas, aquela lá só tem seis mil habitantes.
Luís perguntou:
- E é?
-É.
- Pois ou cidade boa pra Tibúrcio Bezerra se candidatar a prefeito.
Por Mundim do Vale.

Recorda Nanum - Por A. Morais

Esta musica vai levar o Mundim do Vale de volta a um sábado qualquer da década de 1960 em Várzea-Alegre.
Oito horas da manha, depois do café, tomava chegada do Bar de Zé de Zuza, marcava o tempo no velho relógio da parede e começava uma partida de sinuca: talvez com o Balá ou Zé Bezerra, Ze Gatinha, Pundurú ou quem sabe Nego Rui.
Dez horas, o Valdefranci entrava no ar com sua amplificadora tocando Coração de Papel e anunciando para a noitinha o filme do dia.

Antes de voltar para o almoço, passava no Bar do Nego de Aninha e tomava uma gelada com um tira gosto preparado por Sôta.
Depois do meio dia dormia um pouco, que ninguém é de ferro, a noitinha depois do cinema ia ao Creva, desta feita ouvir musicas e dançar ao som do Pedro Souza.
Já pelas quatro da madrugada tomava uma canja de galinha no café do Pereirinha para recuperar as energias.
No domingo, Nanum já estava pronto para participar do pic nic na Vazante, do jogo do Sanharol e do reisado do Roçado Dentro.

Postado por A. Morais

Xico Bizerra - Por A. Morais.

Professor Zuza Bizerra - avô do Xico Bizerra.

Vejam como são as coisas. Como o mundo é pequeno. Outro dia postei a musica "Se tu quiser" da autoria do Xico Bizerra na interpretação de Santana neste Blog. Hoje me encontrei com o amigo, parente e camarada Carlos Alberto Bezerra de Brito - Bebeto e ele me apresentou o Xico Bizerra. Depois de um lero chegamos a conclusão que somos parentes muito proximo. O meu avô Pedro Alves de Morais era tio legitimo de Zuza Bizerra avô do Xico. Daí por diante basta fazer a conta para saber o grau de parentesco.
Prezado Xico, Deus lhe deu uma inteligencia privilegiada, você nasceu com o DNA do velho Zuza. Parabens.
A. Morais

Traços biográficos de Agostinho Balmes Odísio - por Armando Lopes Rafael




Nascido em 1881, em Turim, Norte da Itália, Agostinho Odísio formou-se pela Escola de Belas Artes daquela cidade. Na infância, foi aluno da Escola Profissional Domingos Sávio, mantida por São João Bosco. Uma curiosidade: Agostinho assistiu – com sete anos de idade – ao enterro de Dom Bosco, falecido em 31 de janeiro de 1888. Em 1912, ele esculpiu um busto do Rei da Itália, Vito Emanuel II, conquistando o 1º lugar numa disputa por uma bolsa de estudo em Paris. Na capital francesa, foi discípulo de August Rodin, considerado, ainda hoje, o maior escultor contemporâneo. Em 1913, com 32 anos de idade, Agostinho Odísio resolveu emigrar para a Argentina, onde residia um irmão seu. Entretanto, por motivos ignorados, desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo. De lá seguiu para Minas Gerais, onde conheceu Dosolina Frateschi (filha de italianos) por quem se apaixonou e casou, decidindo ficar no Brasil.

Durante 20 anos, produziu dezenas de obras de arte nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1934, devido a problemas de saúde, foi aconselhado a residir no Nordeste, por causa do clima quente da região. Por acaso, leu na imprensa sobre a morte do Padre Cícero, e, vislumbrando oportunidade de negócios – por conta da religiosidade da cidade – veio para Juazeiro do Norte, onde residiu até 1940. Transferiu-se, em seguida, para a capital cearense, onde veio a falecer, em 1948, deixando para a posteridade diversos trabalhos que imortalizam seu nome, em mais de trinta cidades do Ceará, dentre as quais: Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Missão Velha, Barbalha, Viçosa do Ceará, Acaraú, Sobral, Baturité, Ubajara, Canindé, Bela Cruz, Quixadá, Senador Pompeu, Várzea Alegre, Iguatu, Granja e Guaramiranga.

Não padece dúvida de que, na sua passagem pelo Sul do Ceará, Agostinho Balmes Odísio desempenhou o papel de um civilizador, nesta vasta área do interior nordestino.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Major Teles - Por A. Morais.


Todos conhecem as historias do seu Eloi Teles, poeta, prosador, radialista, locutor e uma das pessoas que mais contribuiu com a cultura popular de toda região. Pois bem, seu Eloi tinha um irmão militar, o Major Teles. A vida de militar não é fácil. Nunca pára, vive cidade abaixo e cidade acima dependendo muitas vezes da vontade dos outros. Assim era o Major Teles.
Certa feita ainda com a patente de cabo, foi destacado para o municipio de Chaval, cidade localizada na divisa do Ceará com o Piauí, um pouco adiante do lugar onde o Judas perdeu as botas. Cidade do tamanho de um ovo, quente pela hora da morte, felizmente muito calma o que facilitava a atividade de policial, oferecendo tempo para dedicar-se ao baralho e ao dominó.
Ao chegar à cidade Major Teles foi advertido pelo delegado com algumas recomendações e advertências tais como: A Kombi dirigida pela freira nem olhe pra ela, pertence à igreja e o padre desta cidade é a maior autoridade que existe por essas bandas, o governador faz tudo que ele quer. Major Teles vislumbrou, nesse detalhe, a oportunidade de ir embora para qualquer outra localidade. O que menos queria era permanecer em Chaval.
No outro dia cedinho lá vem a Irmã na Kombi, o Major Teles, mandou parar no acostamento se aproximou e pediu os documentos da condutora e do carro. Como não tinha, nenhum nem outro, tirou a chave da ignição e colocou no bolso. Cinco minutos foi o tempo que demorou para o padre chegar virado num teteu, brabo que só Mundoca Jucá quando pedia uma musica e o sanfoneiro não tocava de imediato: Quem você pensa que é? Vamos, responda seu policial de merda! Com quem você pensa que está falando? Disse o vigário. O Major Teles fechou a mão e mediu um murro no pé da lata do padre que rodou feito um peru antes de cair nestesiado num sono profundo. O resto do destacamento carregou o Major Teles escondido no bagageiro de um carro até a cidade mais próxima e de lá ele foi se apresentar no batalhão em Fortaleza e nunca mais pisou no Chaval.
Por A. Morais

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

João Grilo - Por Mundim do Vale

Uma criança nasceu
Pesando somente um quilo,
Com três anos de idade
Tinha o corpo de um esquilo,
De tanto que passou fome,
Alguém sugeriu o nome
E foi botado João Grilo.

Brincando com camaradas
Sempre levava a melhor
Quando iam furtar frutas
Ficava com a maior,
Mas pra ir na capoeira
Buscar lenha de aroeira
O pau dele era o menor.

João Grilo tava brincando
De bila com a galera,
Lúcifer apareceu
Virado na besta fera,
João Grilo não se assustou
Pegou um pau e gritou:
Esse demônio já era.

Lúcifer por sua vez
Tratou logo de correr,
Era o cacete comendo
E ele a se maldizer:
Vou tomar uma providencia
Inventando uma ciência
Pra que possa me esconder.

Fez um esforço profundo
E entrou no marmeleiro,
Transformou-se num jumento
Num feitiço bem ligeiro.
Depois ficou simulando,
Que estava cochilando
Na sombra de um Juazeiro.

João Grilo quando notou
Que o cão tinha escapado,
Ficou segurando o pau
Gritando desesperado:
Há infeliz pra ter sorte,
Eu ia bater mais forte
No lombo do condenado.

Mundim do Vale


O Cariri à época da chegada de Agostino Balmes Odísio

Monumento ao Cristo-Rei, projeto e escultura de Agostinho Balmes Odísio.
por Armando Lopes Rafael

Tempos tranqüilos e difíceis, aqueles do final da década 30 do século XX...
Os dias corriam devagar. A inexistência dos meios de comunicação, como os existentes hoje, aliada à precariedade das estradas carroçáveis, contribuía para as populações do hinterland cearense só tomar conhecimento dos acontecimentos, ocorridos alhures, vários dias depois de suas ocorrências. Os jornais de Fortaleza, por exemplo, chegavam ao Cariri com um atraso de dois dias, pois eram transportados nos barulhentos trens da Rede de Viação Cearense, puxados pela “Maria Fumaça” (assim denominado pela população o vagão da caldeira a vapor, alimentada por carvão ou lenha) que faziam o percurso Fortaleza-Crato, e vice-versa, em dias alternados da semana.
A edição do jornal O Nordeste, órgão oficial da Arquidiocese de Fortaleza, editado numa terça-feira, 28 de novembro de 1939, chegou, certamente, atrasado a Crato. E desta vez veio com uma longa e pouco elucidativa manchete: Imitando o Cardeal de Paris, no seu programa de “estaleiros” para igrejas. Abaixo da manchete, em letras menores, o complemento explicativo: “O grande surto renovador das matrizes da Diocese do Crato”.
Ilustraram a reportagem, na primeira página, duas fotos: uma de Dom Francisco de Assis Pires, bispo diocesano de Crato, a outra, da fachada do novo Palácio Episcopal, recém construído. Perdido na vasta matéria este pequeno trecho: Graças ao espírito iluminado do virtuoso prelado que governa os destinos da Diocese de Crato, as velhas matrizes vem se remodelando em belos e majestosos templos. E depois de citar as igrejas dotadas de “embelezamento”, descrevendo as melhorias nelas introduzidas, “O Nordeste” explicou: “Sua Excia. Revdma. o Sr. Dom Francisco e os Revdmos. Vigários encontraram na pessoa do professor Agostinho Balmes Odisio, o complexo de aptidões para a realização dos trabalhos acima descritos”
Tempos tranqüilos aqueles...
Mas, quem era esse Agostinho Balmes Odísio, no qual os vigários encontraram um “complexo de aptidões”? Tratava-se, na verdade, de talentoso artista, nascido na Itália, escultor, arquiteto, autor de peças teatrais e que, nas horas vagas, gostava de escrever e fotografar. Ele viveu apenas seis anos no Cariri, entre 1934 e 1940. Neste curto espaço de tempo, foi autor de bom número de obras de arte, fincadas no Sul do Ceará, sendo a mais conhecida a Coluna da Hora, com 29 metros de altura, encimada pela estátua do Cristo Redentor, com 6 metros – totalizando 35 metros – ainda hoje considerada o ícone da cidade de Crato e o cartão-postal mais conhecido da Princesa do Cariri. O monumento está localizado na Praça Francisco Sá, também projetada pelo escultor italiano.
Quando chegou ao Cariri, Agostinho encontrou uma região promissora, mas atrasada “ano-luz” em relação ao Sudeste brasileiro, onde ele vivera os últimos vinte anos. Em Juazeiro do Norte, onde se fixou, a quase totalidade das casas não dispunha de energia elétrica, e a iluminação noturna era proporcionada por candeeiros com pavios, alimentados a querosene. Não havia água encanada nas residências. As famílias utilizavam grandes potes de barro para armazenar o líquido, que era transportado no lombo de jumentos. A maioria das casas era de taipa e chão batido. E mesmo as construídas com tijolo possuíam cômodos escuros, com pouca ventilação. Além disso, as residências eram destituídas de instalações sanitárias. As mais aquinhoadas possuíam, no quintal, uma “sentina”, a latrina, com um buraco aberto no chão para as necessidades fisiológicas dos seus habitantes. O mau cheiro dali exalado, vez por outra, invadia o ambiente domiciliar. Banhos? Só os “de cuia” , como eram conhecidos os asseios corporais, feitos com a água contida num balde de flandre, cujo líquido era tirado por meio de um pequeno caneco de alumínio.
Não existiam hospitais no Cariri. Além do mais, a região possuía um dos maiores focos de “tracoma” do Brasil, ou seja, a doença da inflamação da conjuntiva (o revestimento delgado e resistente que reveste a parte posterior da pálpebra) causada por vírus e bactérias, que penalizou com a cegueira a muita gente no Cariri.
Tempos difíceis, aqueles...
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

João Grilo - Por Mundim do Vale

Amigos do Blog do Sanharol.

O Mundim do Vale vem se destacando como grande colaborador do nosso Blog. Grandes postagens de muita qualidade e valor historico. Alem de suas postagens interessantes eu tenho encontrado alguns achados e faço as publicações com sua devida autorização. É o caso do cordel - João Grilo que passarei a postar a partir de amnhã.
Obrigado Mundim.
Abraços.
A. Morais

Confissão de caboco - Por Ze da Luz


A CARTA
Seu Chico: Chã da Cutia.
Digo a vossa senhoria
Que só lhe escrevo essa carta
Pru senhor ficar sabendo
Que eu não sou a mulher
Que o senhor tá entendendo.
Se o senhor continuar
Com os seus disbiques atrevidos
O jeito que tem é contar
Tudo, tudo a meu marido.
O senhor fique sabendo
Que com seu discaramento,
Não faz nunca eu quebrar
O sagrado juramento
Que eu jurei nos pés do altar,
No dia do casamento.
Se o senhor é inxirido,
Encontrou u’a mulher forte,
O nome do meu marido
Eu honro até minha morte!
”Sou de vossa senhoria,
Sua criada.MARIA.”
Doutô! Doutô mi arresponda
O qui é qui eu tô ouvindo?
Vosmicê leu a carta,
Ou num leu, ta mi inludindo?
Doutô! Meu Deus! Seu doutô,
Maria tava inucente?
Me arresponda pru favo!
Inocente! Sim, senhor!
Matei Maria inucente!
Pru que, seu doutô, pru que?
Matei Maria somente
Pruque num aprendi a lê!
Infiliz de quem num leu
Uma carta de ABC.
Magine agora o doutô,
Quanto é grande o meu sofrê!
Sou duas veiz criminoso,
Qui castigo, seu doutô!
Qui mizera! Qui horrô!
Qui crime num sabê lê!

Zé da Luz.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

VAMOS DEIXAR PRA LÁ - Por Mundim do vale

Antes da Mudanças Confiança, Otacílio Correia montou a Agência Nordestina que funcionava na rua Senador Pompeu próximo ao jornal o povo. Além de pequenas mudanças a agência funcionava também como transportadora de frutas dos sítios próximos a Fortaleza.
No mesmo período, Jósio Araripe, Jussiê Soares e Jackson Teixeira estudavam em Fortaleza e nas horas vagas freqüentavam a agência para mexer nas frutas e paquerar com a secretária Elvira Saldanha, funcionária muito bela e simpática. Essa segunda atividade dos estudantes preocupava Luís Carlos porque também paquerava a secretária. Otacílio começou a receber reclamações dos clientes, dizendo que a quantidade de frutas que chegavam não correspondia com a remetida. Depois de tantas reclamações Otacílio resolveu botar cadeados em todos os cestões das frutas. Mesmo assim os estudantes descobriram um jeito de abrir os cadeados, e continuaram a mexer nas frutas, e o pior, comiam as bananas, deixavam as cascas dentroe fechavam novamente os cestões.
Um dia pela manhã Otacílio tomava café quando chegou seu amigo Chico Luís com o jornal onde tinha estampada na manchete da capa:
“ AGÊNCIA NORDESTINA É IRRESPONSÁVEL “
Chico logo que passou da grade, mostrou a capa do jornal e disse:
- Otacílio você já viu isso?
- Não.
- Pois leia a matéria.
Otacílio leu a matéria na íntegra, onde um coronel do exército deixava a Nordestina mas irresponsável do que jogador de baralho que casa com viúva Rica.
Chico Luís perguntou:
- E aí o que foi que você achou?
- Achei que o coronel tá zangado.
- Você vai responder a matéria?
- Não.
- Porque?
- Veja bem. Chico. A metade dos leitores de Fortaleza leu isso aqui. Se eu responder a outra metade vai ler e fica todo mundo sabendo. ENTÃO VAMOS DEIXAR PRA LÁ.
Mundim do Vale.

DOSE DUPLA - Por Mundim do Vale

Meus irmãos Marcos e Ricardo, o primeiro com sete anos e o segundo com seis, além da grande semelhança, tinham a mesma altura. Uma vez eles contraíram aquelas doenças de crianças e a minha mãe consultou o Dr. José Iran Costa que prescreveu um medicamento injetável para os dois.
para aplicar veio Seu Nelinho que conhecia os dois, mas já estava com a visão desgastada. Os meninos já foram ficando um pouco desconfiados, Marcos que era mais esperto tratou logo de fugir enquanto o enfermeiro desinfetava o material. Quando terminou o seu trabalho, Seu Nelinho foi até Ricardo e começou a fazer aquele ritual de tortura expulsando aquelas duas gotinhas da siringa.( Que pra mim maltrata mais do que a picada ) Em seguida aplicou a injeção e Ricardo foi chorar em outro cômodo da casa.
Seu Nelinho preparou o material para a segunda injeção e saiu a procura de Marcos que já devia tá do Sanharol pra lá, como não encontrou o menino foi voltando quando viu Ricardo chorando falou:
- Deixe de ser mole, cabra frouxo! O outro já tomou a dele e nem chorou, já ganhou foi mundo. Depois dessa conversa, fez o mesmo ritual e aplicou a injeção em Ricardo no mesmo braço.
Depois dessa, toda vez que Ricardo via Seu Nelinho apontar na esquina, com aquela maletinha de metal, corria gritando:
- NÃO. DE NOVO, NÃO!
Por Mundim do Vale

Confissão de caboco - Por Ze da Luz.

Maria mi atraiçuô!
Essa muié qui um dia,
Juêiada nos pé do artá
Jurou im nome de Deus
Qui inquanto tivesse vida,
Haverá de mim honrá
E mim amá cum todo amô.
Cum perdão do seu doutô.
Quando eu vi o miserave
Na iscurideza da noite
Dos meu oio se iscondê
Sem dêxá nem sombra inté
Entrei pra dentro de casa
Pra mi vingá da muié.
Douto, qui hora minguada!
Maria tava ajuêiada,
Chorando, cum as mão posta
Cumo quem faz oração.
Oiando pra eu pedia,
Pelo cali, pela osta,
Pru Jesus crucificado,
Pelo amo qui eu li amava
Qui num fizesse isso não.
Eu tava, doutô, eu tava
Cego de raiva e paixão.
Sem dizê uma palavra,
Agarrei nas suas mão,
Levantei ela pra riba
E interrei inté o cabo,
O ferro da parnaíba
Pru riba do coração!
Sarvei a honra, doutô,
Sarvei a honra, apois não!
Dispois qui vi a Maria
Caí sem vida no chão,
Vim fala cum vosmicê,
Vim cunfessá o meu crime
E mim intregá as prisão.
Se o sinhô num acredita
Se eu sô criminoso ou não,
Tá aqui a faca assarcina
E o sangue nas minhas mão.
Cumo prova da traição,
Tá aqui a carta, doutô.
Li peço um grande favô:
Ante de vossa-sinhuria
Mi mandá lá para prisão
Me lêia aqui essa carta
Pr’eu sabê cumo Maria
Perparava essa treição!
Postado por A. Morais

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Confissão de Caboco - Ze da Luz

Meia noite, mais ou meno,
Se dispidino do povo
Disse: – Adeus, qui eu já vô.
Quando ele se arritirô,
Eu tombem me arritirei
Atraiz dele, sim sinhô.

Ele na frente, eu atrais.
Se o cabra andava ligêro,
Eu andava munto mais!

Noite iscura qui nem breu!
Nem eu avistava o cabra,
Nem o cabra via eu!

Sempre andando, sempre andando.
Ele na frente, eu atrais.
Já nem se iscutava mais
A voz do fole tocando

Na casa do mestre Duda!
A noite tava mais preta
Qui a cunciênça de Judá!

Sempre andando, sempre andando.
Eu fui vendo, seu doutô,
Qui o marvado ia tumando
Direção da minha casa!
Minha casa!... Sim sinhô!

Já pertinho, no terrero
Eu mim iscundí pru detraiz
De um pé de trapiazêro.

Abaixadim, iscundido,
Prendi a suspiração,
Abri os óio, os ouvido,
Pra mió vê e ouvi
Qua era a sua intenção.

Seu doutô, repare bem:
O cabra oiando pra traiz,
Do mermo jeito, qui faiz
Um ladrão pra vê arguém,

Num tendo visto ninguém,
Na minha porta bateu!
De lá de dentro uma voiz
Bem baixim arrispondeu...

Ele entonce, cá de fora:–
Quem ta bateno sou eu!
De repente abriu-se a porta!
Aí seu doutô, nessa hora
A isperança tava morta,
Tava morto o meu amô...
No iscuro uma voiz falô:–

Taqui, seu Chico, essa carta,
Qui a tempo tinha iscrivido
Pra mandá pra voismicê.
Pru favô num leia agora,
Vá simbora, vá simbora,
Qui quando chegá im casa
Tem munto tempo pra lê.

Quando minhas oiça ouviu,
As palavra qui Maria
Dizia pru disgraçado,
Eu fiquei amalucado,

Fiquei quage cuma loco,
Ou mio, cumo um cabôco
Quando ta chêi de isprito!

Dum sarto, cumo um cabrito,
Eu tava nos pés do cabra
sem querer dei um grito:–

Miserave! E arrastei
Minha faca da cintura.
Naquela hora dotô,
Eu vi o Chico Faria,
Na bêra da sipurtura!

Mas o cabra têve sorte.
Sempre nessas circunstança
Os home foge da morte.

Correu o cabra, dotô
Tão vexado, qui dêxou
A carta caí no chão!
Dei de garra do papé,
O portadô da traição!

Machuquei nas minha mão,
A honra, douto, a honra
Daquela farsa muié!
Dispois oiando pra carta
Tive pena, pode crer,
De num tê prindido a lê.

Nas letra alí iscrivida
O qui dizia Maria
Pru marvado traidô.

Mas, qui haverá de fazê
Se eu nunca prindí a lê?

Postado Por A.Morais

domingo, 18 de outubro de 2009

O Coral de Zaquiel - Por Mundim do Vale


O Sr. Ezequiel da Costa Siebra, agricultor do sítio Varas no município de Várzea Alegre, cultivava uma plantação de amendoins junto com seus oito filhos. No período da semeação recomendou aos filhos para que colocassem seis grãos em cada cova. Mas quando o amendoim nascia era apenas com dois pés. A princípio ele pensou que fosse os pássaros ou a qualidade da semente. Descartadas essas hipóteses ele descobriu que os filhos estavam semeando dois na cova e quatro na barriga. Quando foi fazer um novo plantio reuniu os filhos e disse: - Olhem! O padre Otávio disse na missa que para o amendoim produzir muito, é preciso que os semeadores façam o trabalho cantando o hino de são Raimundo o mais alto que puderem. E assim eles fizeram.
Raimundo de Souzão passava pela estrada quando ouviu a cantarola, subiu na cancela para ver o que era. Nesse momento vinha passando Maurício Fiúza que perguntou A Raimundo: - O que é aquilo? Já tão pedindo esmola para São Raimundo agora é direto na roça?
- É não Maurício. Aquilo é o coral de Zaquiel.
Depois disso a produção aumentou, mas quando foi na debulha Ezequiel notou que o amendoim não estava correspondendo a colheita da roça. Foi quando ele reuniu novamente os filhos e falou:
- Olhem. Prestem atenção! O frei Damião disse que para o amendoim render mais ainda, é preciso que na hora da debulha todos os debulhadores cantem Hino de louvores para santo Antônio, o mais alto possível. Depois de aplicadas essas medidas, Ezequiel ficou sendo o maior produtor de amendoins da região.
Miguel Mandu quando passava perto da casa de Ezequiel dizia:
Essa família de Zaquiel é muito católica. De dia canta o bendito de São Raimundo na roça. E de noite canta o de santo Antônio em casa.

Postado Por Mundim do Vale

TAREFA DE CASA - Por Mundim do vale

Joaquim Fiúsa, vereador de Várzea Alegre ensinava a tarefa de casa ao seu filho Expedito, quando o filho perguntou se ele podia explicar as definições de algumas palavras.
O pai concordou e assim se deu:
O que é tabaco?
- Tabaco é a mesma coisa de fumo. Quem carrega tabaco leva fumo.
- E estelionato?
- Estelionato é quem engana. Assim como quem deita galinha com ovo de pata.
- Brega o que é?
- Brega é uma coisa deselegante. Assim como botar cela e arreios em jegue.
- E ridículo?
- Ridículo é fiota. Assim como o porco de Zuza Freire dormindo na cama.
- O que venha a ser óbito?
- Óbito é morte. Assim como uma rês entrega o couro as varas.
- E violência?
- Violência é malvadeza. Assim como capar gato fechando o portão.
- Pois me diga o que é falência?
- Falência é quebradeira. Como aconteceu com Manoel da sapataria quando quebrou que apartou.
- E recheio?
- Recheio .é tudo aquilo que não tem nos pastéis de Maria Lopes. .
- Pai! E contínuo o que é?
- Contínuo é uma coisa continuada. Assim como os discursos de Zé Félix.
- E gigolô?
- Gigolô. É o sujeito que casa com viúva rica e só leva o pau como batedor de arroz.
- E permuta pai sabe o que é?
- Permuta é uma troca. Assim como trocar uma vaca parida por uma máquina de costurar.
- E constrangimento?
- Constrangimento. É o que aconteceu com Valeriano quando o cabo Feitosa tomou o revólver de brinquedo que ela andava atirando na rua.
- E angústia?
- Angústia é agonia A gente sente quando vai pedalando em pé numa bicicleta e a corrente quebra.
- Cortesia o que é?
- Cortesia é doar. È como fez a macaca do circo quando invadiu o bar de Joaquim Orelha e distribuiu coca-cola pra meninada.
- E revolução?
- Revolução é uma revolta popular. Como aconteceu quando Zé de Ginu mandou fechar o beco.
- O que é trégua?
- Trégua é descanso. Assim como quando uma mulher morde a língua e a vida alheia passa três dias descansada.
- E vacilo o que é?
Vacilo é descuido. É o que faz uma barata quando entra num chiqueiro da galinhas.
- E arrependimento?
- Arrependimento é assim: Você tem um par de alpercatas e perde a do pé esquerdo. Procura, procura e nada. Fica com raiva joga a do pé direito no mato. Depois de uns dias você encontra a do pé esquerdo e fica arrependido.
- E tortura o que é?
- Tortura é judiação. Foi o que Severino Vieira fez com o cachorro Joli quando amarrou no poste da praça da igreja mesmo na hora que Chico Carrim foi soltar as bombas da salva.
- Pai! Pra terminar me diga o que é sincronismo.
- Sincronismo é assim: Você tá pensando em me pedir dinheiro e eu tou pensando em dizer que não tenho.
Postado por Mundim do Vale

Blog humor - Desabafo de um bom marido

a - Minha esposa e eu sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.
b - No começo Deus criou o mundo e descansou. Então, Ele criou o homem e descansou. Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o Homem, nem o Mundo tiveram mais descanso.
c - Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu deveria consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim. Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.
Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa. Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dente e lhe entreguei.
- Quando você terminar de cortar a grama, eu disse, "você pode também varrer a calçada". Depois disso não me lembro de mais nada... Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida.
Postado Por . A. Morais

Confissão de caboco - Por Ze da Luz

Puralí, discunfiado
Como quem qué e não qué,
Eu fui vendo qui o marvado
Tentava a minha muié.

Ou tentação ou engano,
Eu fui vendo a coisa feia!
Pru derradêro eu já tava
C’a mosca detrás da uréia.

Os tempo foi se passando
E o meu arriceiamento
Cada vez ia omentano.

Seu dotô, vá iscutano:
Onte, já de tardezinha
O meu cumpade, Quinca Arruda,
Mi chamô pra nós dança
Num samba – lá na Varginha,

Na casa do mestre Duda.
Mestre Duda é um cabôco,
Um tocado de premêra.
É o imboladô de côco
Mió daquela rebêra.

Entonce Rosa Maria,
Sempre gostou de samba,
Mas, porém, de tardezinha
Me disse discunfiada,
Qui pru samba ela não ia,

Qui tava munto infadada,
Percisava se deita...

Eu fiquei discunfiado
Cum a preposta da muié!
Dispois qui tomei café,
Cuage puro sem mistura,
Cum a faca na cintura
Fui pru samba, fui sambá.

Cheguei no samba, dotô.
Repare agora, o sinhô,
Quem era qui tava lá?

O cabra Chico Faria.
Qui quano foi me avistando,
Foi logo mi preguntando:–
Cadê siá dona Maria,
Num veio não, pra dançá?–

Não sinhô. Ficô im casa.
Pru cabôco arrispondí.
Senti, entonce uma brasa
Queimano meu coração,
Nunca mais pude tirá
As palavra desse cabra
Da minha maginação.

Perdí o gosto da festa
E dançá num pude não.
O cabra, pru sua vez
Num dançava, seu doutô.
De vez im quando me oiva
Cum um oiá de traidô.

Ze da Luz.

sábado, 17 de outubro de 2009

ELEVADOR DO BAIRRO DO SEMINÁRIO EM CRATO-CE

LEIA-SE NO DESENHO DO PROJETO A ESQUERDA E ACIMA:

PLANO URBANÍSTICO DO BAIRRO DO SEMINÁRIO E DO VALE DO GRANGEIRO
Administração: Alexandre Arrais de Alencar
Colaboração: Júlio Saraiva Leão
Projeto e desenho: Arlindo Alves Mota.

Cada projeto tem a sua história, e este, mostra a intenção ousada do seu idealizador há mais de sessenta anos. Naquele tempo distante, se viajarmos pelo pensamento até o inicio da década de 1940, encontraremos o Prefeito Alexandre Arrais de Alencar pensativo e debruçado em suas arrojadas idéias de como projetar o Crato do amanhã.

Se estacionarmos o nosso veículo temporal e nos demorarmos observando bem, veremos o Prefeito em reuniões, buscando na opinião pública, apoio para suas projeções mentais que se transformavam em idéias surpreendentes, possíveis e benéficas. Dentre elas destacamos: A estátua do Cristo Ressuscitado (ou Cristo Rei) na Praça Francisco Sá, em uma coluna de 35 m de altura, tendo na sua base a inscrição “Sede Bem Vindo, Nesta Terra Há Lugar Para Todos as Pessoas de Boa Vontade”; Inaugurou a encanação de água nas primeiras casas do Crato e Instalou a primeira fonte geradora de luz elétrica movida à água.

Finalmente o projeto mais ousado: Alexandre Arrais desejava construir um elevador que integrasse com beleza e suavidade o Crato e o seu bairro mais populoso, o Bairro do Seminário. Seria ligar à cidade baixa a cidade alta. Entretanto, faleceu antes de concluir o seu mandato de seis anos. Mas o projeto foi levantado em várias gestões, não morreu.
Este Elevador é um sonho do passado, necessidade do presente, realização possível no futuro. ABRACE ESTA IDÉIA.

Hoje o bairro do Seminário tem uma população de quase ou mais de 30.000 habitantes. O Ceará possui 184 municípios, e destes, 123 têm população com menos de 25.000 habitantes.

Recentemente o bairro do Seminário foi contemplado com recursos do BID no Projeto de Revitalização da Encosta do Seminário. Desconheço se algo foi comentado sobre o nosso elevador. Mas, tudo pode acontecer na gestão do Dr. Samuel Araripe, primeiro prefeito reeleito na história do Crato, pode inclusive vir à tona o Projeto do Elevador do Bairro do Seminário.

Samuel tem se preocupado muito com o bem estar social cultural e nutricional dos seus munícipes e está promovendo uma arrancada no desenvolvimento da nossa terra, como não se via há dezenas de anos.

Muitas já são as obras de vulto viabilizadas e concretizadas, cujos benefícios são inquestionáveis para a população. A Revitalização da Encosta do Seminário, será um marco histórico. A sua passagem pela administração municipal ficará registrada nas mentes do povo cratense. Por onde a gente passa, há uma obra em andamento, tempos depois, assistimos a sua inauguração.

Sabemos que não é fácil lidar com um Município sem representação direta nas esferas estadual e federal.

Alguém ai pode dizer alguma coisa?

Vicente Almeida

Cangagay - Parada gay em Serra Talhada - terra de Lampião.

Seu sanfaneiro,
Por favor pare este xote
Se não esse molecote
Vai levar um bofetão.

O assanhado,
Foi lá na cidade grande
E aprendeu não sei adonde
A rebolar que nem pião.
Vixe!

Essa doença,
Tem por nome androginia
É pior que catapora
E não aceita valentia
O caba fica,
Com os oios mei cabrero
Com a voz de travesseiro
E com o nome de Maria

Vote!
Sai-te egua.
Te dana,
Tras aqui esse fulero
Eu vou dar-lhe uma pisa
Com rama de cansanção.

O sem vergonha,
Pediu pra pará o xote,
E falou:
Me toque um rock
Com guitarra e distorção
Cês já pensaro,
Se tivesse nesta festa
Ze Corisco, Vorta Seca
E Virgulino Lampião!

Zé Sete morte,
Um jagunço de respeito
Me chegou com uns trejeito
Que não tem explicação
Já imaginaro,
Se essa doença pega
Vai haver epidemia
Com os jagunços do sertão.


Antonio Carlos e Jocafi.

AONDE É QUE ESSE MUNDO VAI PARAR? - Por Vicente Almeida


De tanto ver triunfar as nulidades;
De tanto ver prosperar a desonra;
De tanto ver crescer a injustiça;
De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus;
O homem chega a desanimar da virtude;
A rir-se da honra;
A ter vergonha de ser honesto.

Eu não troco a justiça pela soberba;
Eu não deixo o direito pela força;
Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância;
Eu não substituo a fé pela superstição;
A realidade pelo ídolo;
Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado.
Se os fracos não têm a força das armas, que se armem com a força do seu direito.

Ruy Babosa de Oliveira



Vemos pelo texto inicial, que o estadista Ruy Barbosa de Oliveira era um idealista. Tanto é assim, que foi um dos conspiradores para a derrubada da monarquia do Brasil no dia 15 de novembro de 1.889. Foi também o autor do primeiro decreto do Governo Provisório e o primeiro Ministro da Fazenda.

Ruy Barbosa na sua concepção de estadista, republicano convicto, achava que esse regime seria o melhor para o Brasil.

120 anos depois, Se vivo fosse, perceberia que a sua luta ainda não logrou êxito. Pois a República Presidencialista, que somos hoje, continua voltada para interesses espúrios ao invés de defender os direitos do povo.

Esta postagem é apenas para os leitores pensarem um pouco na qualidade de representantes que tínhamos no século XIX e observarem o que temos hoje no Brasil. Sem nenhum ideal, sem nenhum escrúpulo.

Os políticos de hoje, (não todos, mas a maioria) querem apenas e tão somente deter o poder de mandar e desmandar, aliado ao poder econômico. Com um agravante: Votam o financiamento do crime com dinheiro público e levam pessoas de bem ao desespero, ao vêm suas pesquisas e o seu trabalho destruídos.

Afinal de contas, aonde é que esse mundo vai parar?

Vicente Almeida