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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

IDIOMA SEM NAÇÃO - Por Mundim do Vale


Reprisado para; Lourival Manga Murcha e Zé Pimpim

Quando os nossos conterrâneos que estavam em São Bernardo, vinham de férias a V. Alegre, era aquela festa, Chegavam ricos e falando num idioma sem nação, como dizia o saudoso Zé Clementino.
Uma vez chegou Pedro de Raimundo Leandro vestindo calça boca de sino, calçando um sapato cavalo de aço, um gravador a tiracolo e um relógio oriente.
No sábado pela manhã foi dar uma volta na cidade, acompanhado de algumas garotas. Passou pela feira onde Renato de Zé Sobrinho vendia frutas e aproximou-se da banca. Abriu a mão e bateu forte numa melancia dizendo:
- Oh meu. Quanto que é o cocômero?
Renato respondeu:
- Inteira é 5,00 e uma banda é 3,00.
Com a mão sobre a melancia Pedro disse:
- Corta essa. Bicho!
Renato passou a faca na melancia e dividiu em duas bandas, pegou uma das bandas e foi entregando a Pedro.
Pedro rejeitou dizendo:
- Qualé malandro? Eu não quero isso não.
Renato com a banda da melancia numa mão e a faca na outra falou:
- Você tem que levar. Tá pensando o que? Chegou aqui falando ingrês, me chamando de bicho e fez eu cortar a tamboroca agora vai levar.
Pedro vendo a raiva explícita do vendedor e a faca pingando aquele suco vermelho, deu uma nota de 5,00 e saiu sem nem olhar pra traz.
Taveirinha que tinha acompanhado tudo gritou:
- Ei Pedro! Tu num vai levar a cocom não.

BlogHumor - Importante para Casados...

--- Verdadeiramente Profundo...

Ontem, minha esposa e eu estávamos sentados na sala, falando das muitas coisas da vida.
Falávamos de viver ou morrer. Então, eu lhe disse:
-Nunca me deixe viver em estado vegetativo, dependendo somente de uma máquina e líquidos. Se você me vir nesse estado, desligue tudo o que me mantém vivo, por favor!
Ela se levantou, desligou a televisão, o computador , o ventilador e jogou minha cerveja fora.

Não é uma filha duma égua?
(Autor desconhecido)


QUADRAS LIMEIRADAS - Por Mundim do Vale

O Brasil foi descoberto
A mais de quinhentos anos,
Mas hoje vive coberto
Pelas asas dos tucanos.

Bruaca é bolo de caco
E lama se chama argila,
Onde pobre tem sovaco
O rico tem axila.

Valei-me meu Padim ciço
Me acuda seu Lampião,
Hoje eu ví um reboliço
De bicudo no algodão.

A banda não toca nada
Quem tá dizendo é Limeira,
Só escuto essa danada
Depois que tiver inteira.

Gato come no abrigo
E porco come no coxo,
Quem quiser cantar comigo
Tem que ter aquilo roxo.

Carro de mão não tem breque
Meu braço esquerdo é canhoto,
Filho de pobre é moleque
Filho de rico é garoto.

Mestre de obra é feitor
Fundo de açude é porão,
Matuto só tem valor
No dia da eleição.

Governo vive é de taxa
De imposto não esquece,
Mulher que muito se agacha
O seu bumbum aparece.

Sou cantador do Tauá
Parente de Lampião,
Só ensino o b-a-bá
Com a palmatória na maão.

Já cruzei uma barata
Com um cavalo do cão,
Nasceu Fernando da Gata
Pregado com lampião.

Na práia da Parnaíba
Pedalei de bicicleta,
No sertão da Paraíba
Tem muita cruz de poeta.

A mulher tem que saber
Onde é lugar dela,
Ou vai ter que devolver
Depressa a minha costela.

Já dizia a velha Diva
Quem tem bouca vai a Roma,
Vou pedir a Patativa
Que assine o meu diploma.

Lá vem Luís Cassundé
Na garupa do jumento,
A moça que tem chulé
Não arruma casamento.

Porco pequeno é leitão
Toda catinga é inhaca,
Poço fundo é cacimbão
Dança de frejo é fuzaca.

Pitomba boa é do Crato
Rapadura é do Exu,
Galinha que põe no mato
É pra engordar teú.

Não canto mais na vazante
Porque só faço o que posso,
Velório de protestante
Não se reza padre nosso.

Bom dia Zaca Furtado
Boa tarde Coronel Bento,
Lampião morreu capado
Diz o novo testamento.

Cangaço já acabou-se
Com Limeira ninguém bole,
Porque rapadura é doce
Mas não pense, que é mole.

A polócia já chegou
No final de toda trama,
O Chupa Cabras matou
P.C. farias na cama.

Quem vem, cantar com Limeira
Ao invés de cantar resmunga,
Toda mulher fiadeira
É prevenida de sunga.

A cangaceira Dadá
Levou peia no cedém,
Quem tem medo de imbuá
Corre quando vê o trem.

Do Chupa Cabas me escondo
Seja de noite ou de dia.
Em casa de maribondo
Macaco não dar bom dia.

Panela, texto e colher
Galinha, pinto capado,
Homem apanha da mulher
E não dar parte ao delegado.

Com a lei da doação
os meus órgãos eu vou doar
Porém eu faço questão
Com quem é que vai ficar.

Vou doar meu coração
Ao poeta da ribeira,
Quero vê se o sertão
Vai esquecer Zé Limeira.

Minha verve inreverente
Vou doar a Hélder França,
Pra ele no seu repente
Provocar minha lembrança.

Para o poeta Bidinho
Vou doar minha moral,
Pois ele sabe o caminho
Da justiça social.

Para Sávio eu vou doar
O meu dom da poesia,
Para um dia ele ganhar
Cadeira na academia.

Pro vate Mundim do vale
Vou doar inspiração,
Pra que ele não se cale
E lembre sempre o sertão.

Patativa do Assareé
Não precisa doação,
Pois já é cabeça e pé
Da cultura do sertão.

Solicitação aos escritores do Blog do Sanharol - Dihelson Mendonça

Prezados escritores do Blog do Sanharol,
Isso é muito Importante !!!

Peço a todos que sigam as regras de saber postar no Blog. Muita gente estava redigindo artigos no WORD e trazendo diretamente para cá, isso é completamente errado. Por causa disso, so estava aparecendo umas 5 postagens na página principal.

O correto é escrever o texto na própria janela de postagem. NUNCA escrever no WORD e trazer. NUNCA. Se escrever no Word, primeiro precisa passar para o Bloco de notas do Windows, para eliminar todos os códigos supérfluos ( lixo HTML ). As fotos, precisa salvar primeiro no computador da pessoa, e na hora de postar, trazer as fotos do computador para a janela de postagem. Com isso, o código da postagem fica magrinho, e cabem mais postagens na página principal. Olha, o código HTML da página principal estava tão cheio de lixo, que so cabia 5 postagens mais ou menos. Está sendo preciso eu reescrever quase todas as postagens da página principal para resolver o problema.

Peço a todos os escritores que escrevam suas mensagens na própria janela do Blog. Nunca tragam pronta de outro lugar, porque causa esse e outros problemas.

Ao trazer textos de outros sites, copiem para o BLOCO DE NOTAS do Windows. Isso elimina toda a formatação. Depois copiar do Bloco de Notas para a janela de postagem. O caminho correto é mais espinhoso, mas é o melhor modo de que nossas postagens não prejudiquem as postagens dos colegas.

Se todo mundo fizer o correto, cabem umas 35 postagens simples na página principal e umas 20 com fotos. Da forma que estava nao caberia nem 5. Entrei e tive que modificar e reescrever quase todas as postagens. E olha só, agora cabem 21. vamos seguir essas regrinhas, pois isso é bom para todos.

Abraços,

Dihelson Mendonça
Manutenção

Fazendo manutenção... - Dihelson Mendonça

Estou tentando solucionar o problema do Blog do Sanharol nesta manhã...

Abraços,

Dihelson Mendonça

domingo, 30 de janeiro de 2011

COCOROTE-DE-PÉ-DE-POTE

Dedico a Dr. Rolim
Hoje, Trinta de Janeiro,
É o Dia da Saudade,
Que relembra a mocidade
Num ataque verdadeiro.
Acendendo o candeeiro
Fui ao tempo vasculhar.
De forma espetacular
Eu busquei um belo dia,
E encontrei na fantasia
Uma história pra contar.

Quando eu era ainda criança
De cavalinho, brincava,
E, com sede, meditava,
Isto eu guardo na lembrança.
Eu detinha a esperança
De o meu copo tibungar
E, no pote, mergulhar
O sobejo, que eu trazia
Porém, minha avó sabia
Ficando a me vigiar.

No palco do pé do pote
Ao constatar a ação
Bem fechava a sua mão
E me dava um cocorote.
Eu sentia no cangote
O peso da rebeldia.
Gosto de sangue, existia,
Na boca da vadiagem
Dando-me uma miragem
Do cascudo, que doía.

UM SÁBADO COM AMIGOS...

O dia amanhceu ensolarado. Cedo recebi uma comunicação de Vicente Almeida. Era a confirmação do convite feito anteriormente. Às 11 horas segui para o "esconderijo" do casal: Vicente e Valdênia. Gente finíssima de uma simplicidade cativante.

O lugar foi acolhedor e agradou-me sobretudo pelo verde, pelas flores, pelo cheiro de serra. Logo estava eu explorando os arredores da casa na companhia de Raquel e Lilo (o coelho). Foi um momento de pureza e espontaneidade.
A casa exala paz e harmonia. Cada recanto guarda espaço para uma beleza ímpar.
Numa pequena latada a sombra acolhedora para uma boa prosa.  Dr. Savio e Fran foram motivos de descontraída conversa recheada de risadas.
Morais e seus causos nos levou a gargalhadas. Foi o maior consumidor de mungunzá com pequi. Também pudera, esse mungunzá estava um manjar dos deuses.
 Chegaram Dihelson e Ninha e a prosa foi sendo registrada pelas fotos. Fotógrafo não aparece a menos que seja flagrado, né?

Pois sim, podem crer, o sábado foi espetacular. E para completar Mundim do Vale nos ligou na hora do almoço enchendo-nos de alegria com seu bom humor e engrossando a lista de amigos reunidos ali para esse momento de integração e amizade.

O lugar é idílico. Creio que todos ali saíram em estado de graça.

Claude Bloc

Sóis Quentes - Por Xico Bizerra - ( no norte e no sul o sol é igual ).

Juntou os bregueços, botou o pé na estrada e tome léguas... Para trás, um sol escaldante, um roçado infértil, uma mulher fértil e cinco filhos pequenos. Todo ano vinha aquela vontade, mas agora era pra valer. O Sudeste maravilha o esperava, a sorte estava lançada. Seus planos, sua vida, tudo mal cabia em sua cabeça, num sentimento só misturado com a saudade. Seus santos o protegeriam na terra distante e desconhecida. Tinha fé. O futuro? A Deus pertence, desde cedo aprendera. E tome léguas... Em São Paulo, sem roçado, sem mulher, sem filhos, apenas com a saudade preenchendo a alma, fazia um sol danado de quente. Um sol de saudade.

sábado, 29 de janeiro de 2011

PROVOCANDO POETAS E POETISAS - Por Mundim do Vale

Já lacei Sávio Pinheiro
Com um laço de cigano,
Israel passou um ano
Sem achar o meu roteiro.
Vicente fugiu primeiro
E Claude fugiu também.
Não sei se Lisboa tem
Coragem de me encarar.
TOU CANSADO DE RIMAR
SEM PERDER PARA NINGUÉM.

Aldenísio é reservado
Tá no seu canto quieto,
Cláudio botando boneco
Já perdeu o rebolado.
Francisco fica calado
E Klébia eu sei que não vem.
Flor do Chico disse bem:
- Morais vai só escutar.
TOU CANSADO DE RIMAR
SEM PERDER PARA NINGUÉM.

Eu rimo a semana santa
A salva do meio dia,
O ônibus de cacaria
E a folhagem da planta.
Rimo o galo quando canta
Rimo o pinto no xerém,
Rimo o canoto do vem vem
E o peixe a desovar.
TOU CANSADO DE RIMAR
SEM PERDER PARA NINGÉM.

Rimei piau e traíra
Rimei o caldo da cana,
O Alfinim de Santana
E o Beco de Gobira.
Rimei corda de imbira
Rimei o mar do Pecém,
As matas de Santarém
E barbinha e Alencar.
TOU CANSADO DE RIMAR
SEM PERDER PARA NINGUÉM.

Eu já rimei com Bidim
Com Dideus e Dedé França,
João Bitu é uma criança
Pra rimar perto de mim.
Quem não quiser levar fim
Reze um terço e diga amém,
Que, esse vai, mas não vem
Só faz é me perturbar.
TOU CANSADO DE RIMAR
SEM PERDER PARA NINGUÉM.

Não tive aqui intenção
De a ninguém ofender,
Se alguém não entender
Que aceite o meu perdão.
Quem faz verso tem noção
Do que o poeta escreveu,
O que é seu, não é meu
E nem eu posso tomar.
TOU CANSADO DE RIMAR
COM QUEM RIMA MAIS QUE EU.

QUANDO A NATUREZA RESPONDE - Por Claude Bloc


CRATO

Lembro-me quando adolescente, rio secando e poluição de menos, ia em bando com uma turma de amigas do Pimenta, andar pelo leito largo do Rio Granjeiro que chamávamos "Rio das Piabas" . Levávamos violão, merenda e um espírito aventureiro andando rio acima, por entre grandes blocos de pedra, até chegarmos ao matadouro.

Hoje de madrugada, a chuva ameaçou umas 3 ou 4 vezes. De repente, a força da água começou a encher as calhas e do teto, filetes de água deram início a cachoeiras ou bicas, dependendo do cômodo da casa. Foi um transtorno. Não adiantava apelar para o rodo, a coisa ia se alastrando e o que se podia fazer, era salvar o que estivesse no chão.

Certa hora, quando a chuva parecia começar a amainar, uma água fétida e cheia de gravetos invadiu a rua e as casas. Logo se imaginou que o canal tivesse estourado. Ele que fora feito com intenção de conter e direcionar as águas do rio.

Quando amanhceu, saí com a intenção de ver os estragos. O choque foi enorme. Sobretudo .na altura da Igreja Nossa Senhora de Fátima, no Pimenta.

Ruas e mais ruas que davam acesso à avenida que beira o canal, davam agora para o vazio e para uma indomável correnteza.

Descendo para o centro a tragédia não era menor. Havia carros à beira do canal, postes deitados pela força das águas, uma camada de lama de mais de meio metro, e estabelecimentos cheios de barro, com as portas pelo chão propiciando saques e desespero dos proprietários...

Eis a resposta da natureza à ação impensada do homem e contra a qual nos quedamos impotentes, juntando hoje nossos caquinhos, quando ainda restam alguns.

Claude Bloc



Canal - Madrugada de 28/01/2011
A força das águas
Uma reação à ação do homem
Força impossível de conter
Depois da chuva
Na Prefeitura


Na Caixa Econômica


Interior de um carro à beira do Canal
Esquina da Rua Santos Dumont

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A natureza reage quando é agredida - Por A. Morais

Rua Coronel Luiz Teixeira - Centro do Crato.

Igreja de Nossa Senhora de Fatima - Pimenta.



Colegio Objetivo - Centro
Rua Coronel Luiz Teixeira - Centro




Ponte do Tiro de Guerra.

A voz do Rio Grangeiro - Por José Alves de Figeuiredo.

Este rio que passa aqui gemendo,
E vem da serra envolto em mil cipós,
Anda a gemer desde que me entendo,
Desde que se entenderam os meus avós.

É um rio de amor que vem trazendo
O cristal que regala a todos nós,
Seu gemido, é segredo que eu desvendo,
Pois nele fala o Crato em terna voz.

Cantem outros, o encanto de outros rios,
Como fez com o Tejo o vate luso,
Que eu cantarei em doces murmurios.

Do Grangeiro esta voz que eu sempre acuso
Como um lamento, um canto de amavios
Uma harmonia de deuses que eu traduzo.

Esta foi a reação do Rio Grangeiro a ação do Homem. A natureza reage quando é agredida.

A. Morais

Historia da UNE - Por Aldenisio Correia.

O povo sente opressão

Da força da Ditadura

E a vida fica mais dura

Sem existir solução

Aumentando a inflação

Toda hora todo dia

O povo sente agonia

O salário nunca dá

Não pode se conformar

Com miséria e caristia

.

Foi criada uma entidade

Pra defender nosso povo

Que ela surgindo de novo

Lutará contra a maldade

Sem ter medo da verdade

De maneira mais brilhante

Combatendo a todo instante

A repressão em geral

Num encontro nacional

Na força dos estudantes

.

Em trinta e sete foi o ano

Do nascimento da UNE

Que a força do tirano

Oprime, persegue e pune

Ma ela ficou imune

Em 47, foi mais forte

Resistindo até a morte

Numa campanha bacana

Contra as bases americanas

No Rio Grande do Norte

.

E chega sessenta e sete

A Universidade vai mal

Sem pesquisas, sem Slide

O Brasil se compromete

No acordo MEC-USAID

Na importação do Know-How

E o produto nacional

Só por falta de pesquisa

Lá fora não tem divisas

E tem preço desigual

.

Setenta e sete chegando

Até o Geisel estremece

O quarto encontro acontece

Traz a UNE reformando

E os estudantes lutando

Sem ninguém ficar a sós

É você e somos nós

Assumindo o compromisso

Pois a UNE é tudo isso

“Nossa Força e Nossa Voz”

João Dino e Banda - no Itaytera Clube - Crato

Não percam Domingo a tarde - No Itaytera Clube. Vamos nessa.

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

REVOLTA GERAL EM VÁRZEA ALEGRE
Dedico ao meu pai Chiquinho de Louso (in memoriam)

Estando, eu, longe da serenidade sertaneja, numa praia de areias finas, num litoral revolto por ondas gigantes de um movimentado carnaval, jamais poderia imaginar o que ora vos apresento nesta crônica. A aura carnavalesca impetrada em mim, no carnaval de Beberibe, deslocava os meus pensamentos para as belas praias do sol nascente, obrigando-me a imaginar que o carnaval interiorano havia se rendido à exuberância dos eventos litorâneos. Ledo engano.

Numa casa, junto à afrodisíaca Praia das Fontes, após banho de mar pela manhã, churrasco à tarde e folia dançante à noite, movimentada por monumentais bandas de sucesso, acordava, sem o menor desejo de despertar, para iniciar um novo ciclo. De repente, o telefone toca. No outro lado da linha, a minha mãe Maria Dalva.

- É você, meu filho? – Sim!... - Tu não imaginas o que aconteceu, aqui em Várzea Alegre, no desfile da Escola de Samba, de ontem à tarde.

Várzea alegre, desde 1963, exporta para todo o Brasil a exuberância do seu carnaval através da Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro – a ESURD, e também da já tradicional Mocidade Independente do Sanharol – a MIS. Disputas, à parte, cada uma quer levar o melhor carnaval para a avenida, criando e inovando os seus enredos com novidades e modernidades. Pois bem.

- Meu filho, metade da cidade ficou revoltada com o que aconteceu durante o desfile da Escola de Samba do Sanharol. Duas passistas, numa demonstração de modernidade, desfilaram totalmente nuas, ornamentadas apenas com tinturas pelo corpo, iguaiszinhas à Globeleza. Foi um comentário geral, principalmente quando a tinta derreteu. Paulo Danúbio disse, que até o dentinho de alho apareceu. Eu fiquei horrorizada.

Meu saudoso pai, seu Chiquinho de Louso, carnavalesco de longas datas e componente de carteirinha da Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro, a contragosto, teve que se ausentar da cidade por algumas horas para resolver um problema logístico na sua fazenda, no município de Granjeiro, só sabendo da novidade um dia depois do fato ter sido consumado. Ao chegar, de imediato liga para mim.

– É o Sávio? – Sim!... – Você já soube da novidade do carnaval? – A minha mãe me contou! Disse-me que metade da cidade ficou revoltada com a falta de compostura das passistas da escola de samba desfilando nuas, apenas com os corpos pintados. – Pois ela não falou toda a verdade, não! Eu também estou revoltado, mas é porque não vi! Que azar o meu, de viajar exatamente, ontem, e perder um negócio desses!

Sem meias palavras, concluí: – Então, fechou-se a estatística. Metade da população revoltada com o que viu e a outra metade revoltada porque não viu.

MOMENTO DA POESIA - Por Claude Bloc

Por favor

- Claude Bloc -


Por favor,não cante meus versos
Meu doce incenso
Tão simples,( complexos).
Fale-os baixinho,
Na noite aberta
Sussurre-os, afague-os
Ao som da viola... 

Se eu chorar
Abafe a poesia
Dentro do peito
E deixe o sereno da noite apagar.

Depois, só depois,
seque minhas lágrimas
e segure esse passo
Escreva um poema
No meu caderno
E bem cedinho
Empurre a porta
E abra a janela
E lace o tempo
E deite a poesia
Nas ondas do mar.

Claude Bloc

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ESCOLINHA DO MEU TÍO RAIMUNDO - Por Mundim do Vale

A escolinha do Professor Raimundo da rede globo, com certeza foi inspirada na escolinha do meu tio Raimundo Piau.
O meu tio preocupado com a educação dos seus filhos, uma vez implantou uma escolinha noturna na sala de sua casa, para ensinar aos seus filhos: Antônia, Geraldo, José, Nilo, Socorro e alguns vizinhos que não pagavam nada. Paulo ainda criança inventou de estudar também.
A escolinha ia muito bem até que um dia deram um livro a Paulo, para que ele se sentisse um estudante e deixasse os outros aprenderem.
Uma hora lá um dos vizinhos disse: - Eita que Palo com esse livrão tá parecendo um Nafabeto! Os alunos começaram a rir e alguém não sei se intencional, deu um sopro e apagou a lamparina.
No escuro a bagunça foi geral, quando acenderam a lamparina, não tinha mais nada no lugar.
O educador aborrecido Falou: -
Esse foi o último dia da escolinha. O meu salário é muito pequeno Para tolerar essa bagunça.
O professor era o pai da educadora Socorro Martins Morais.
Dedicado a prima Socorro e a paparazzi Claude Bloc.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AQUECIMENTO GLOBAL - Por Mundim do vale

Lendo o excelente poema ECOLOGIA, do poeta conterrâneo Aldenísio Correia, resolví mostrar essse trabalho.

Meu caro amigo leitor
Eu peço atenção total,
Vou rimar nesse cordel
A causa de um grande mal.
A doença do planeta
E o aquecimento global.

É notório a nossa gente
Se queixando do calor,
O mar muito revoltado
Distribuindo o terror.
Só pode ser represália
Contra o homem predador.

Deus não fez o ser humano
Desprovido de noção,
Deu a ele inteligência
Para ser um bom cristão.
Mas ele desobedece
Causando a poluição.

Peço perdão ao leitor
Por também contribuir,
Pois o cigarro que fumo
Sei que chega a poluir.
Mas eu pretendo deixar
Se meu bom Deus permitir.

Deus cultivou a floresta
Adubando com amor,
Agora vem qualquer um
Especulando o valor.
Por isso eu digo que o homem
É o maior predador.

O problema permanece
Em cada esgoto entupido,
Na chaminé fumaçando
E no rio poluído.
No lixo sobre as lagoas,

No mangue sendo invadido.
A derrubada de árvores
A indústria de carvão,
A queimada de florestas
E o cano de escapação.
São responsáveis diretos
Precisam de contenção.

Agressão ambiental
É um fato em evidência,
O cidadão mais humilde
Agride na inocência.
Mas tem especulador
Que age com consciência.

Eu já rimei o problema
Vou rimar a solução,
Só finda o aquecimento
Parando a poluição.
Conservando os animais
Mantendo a vegetação.

Para um futuro feliz
Precisamos nos unir,
Estruturando o presente
Para aguardar o porvir.
Se acontecer o contrário
O planeta vai sumir.

Se o meu cordel alcançar
Gente de bom coração,
Vou ficar muito feliz
Pela contribuição,
Pedindo a Deus que ajude
Na busca da solução.

Se o verso ofender alguém
Me desculpe o proceder,
Não tive aqui intenção
De a ninguém ofender.
Só apontei solução
Pra terra sobreviver.

No cordel dei meu recado
Espero que alguém mais fale,
Pra defender o planeta
Não há ninguém que me cale.
Por isto eu assino embaixo
Poeta: MUNDIM DO VALE.

Dedicado a Balbina Correia, para que ele repasse para Aldenísio.

Coisas do Sr. Pedro Felicio Cavalcante - Por Jose Ronald Brito

Foto - Pedro Felicio Cavalcante.

Quando o Coronel Adauto Bezerra assumiu o governo do Ceará em 1976, não ficou pregando aos quatro cantos as dívidas herdadas. Se os administradores que entregam o poder, sempre deixam, o Estado devendo, roubando ou não! Aqueles que os sucedem ficam só falando em pagar dividas, passam os quatro anos e não fazem nada.

Apesar das diferenças políticas, mas reconhecendo a respeitabilidade de um adversário político, o Cel Adauto solicitou o comparecimento do Sr. Pedro Felício, prefeito eleito do Crato a Fortaleza para uma audiência.

Á época eu trabalhava no gabinete do governador e quando o Sr. Pedro Felício chegou logo me reconheceu, pois eu morei grande parte da minha vida adolescência na casa de tio Vicente Bezerra, que foi a vida toda funcionário do Banco do político, o Caixeiral do Crato.

Acompanhei o Sr. Pedro até o governador, o assunto eu já sabia! O governador como político experiente já sabia das dificuldades que os novos gestores dos municípios iriam encontrar, então mandou o Banco do Estado do Ceará, criar uma linha de credito a juros módicos e pagável em dez anos.

Quando o Sr. Pedro Felício saiu da audiência, eu perguntei:

E aí Sr. Pedro, deu tudo certo?

E ele:

Com o Adauto sim, mas com o Banco não! Eu não vou fazer dividas para os outros pagarem.

Dedicado ao Dr. Antonio André Luciano Pinheiro.

Convite lançamento - Xico Bizerra

Prezados amigos.

Hoje, 26 de Janeiro de 2011, o nosso querido e estimado amigo Xico Bizerra estará fazendo o lançamento de mais um projeto - " CANDEEIROS E NEONS", o nono. Desejamos muito sucesso e que Deus ilumine e dê felicidades, paz e saude ao Xico e toda sua familia.

Clic na foto e leia o conteudo do convite.

Abraços de todos do Sanharol.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Recordações do Sanharol - Por: Dihelson Mendonça


E
m 2009, no dia 24 de Abril estive no Sanharol, a convite do Morais. Lá, fiz algumas fotos inesquecíveis. Tempo de chuva, como este. Voltei lá em 24 de maio de 2010, quando pude realizar mais algumas fotos e uma filmagem. E o baião de dois tava bom ? tava bom demais! Então, inaugurando a nova largura de página do Blog Sanharol, trago aqui algumas poucas das muitas fotos que fiz nestas datas. Dedicadas ao bom amigo Antonio Morais, à sua filha Ana Micaely e a todo mundo do Sanharol.

Fotografias

O Lugar é muito aprazível. Sente-se a plena comunhão com a natureza e com nossos ancestrais. Quantas vezes o Morais já não deve ter visto essa cena ?

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Dr. Menezes Filho. Um grande parceiro do Blog do Crato e do Sanharol

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A casa que deu início a tudo no Sanharol

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E aí está a mãe do nosso amigo A. Morais. Uma Senhora muito gentil, simpática e cheia de vitalidade.

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O local perfeito para se repousar nessas redes maravilhosas:

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Olha só que delícia!

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Aqui, uma visão da lateral da residência:

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E esses netinhos do Morais ? Menininho sapeca e inteligente! Esse é dos bons!

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A turminha da Banda de Música.

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A descontração na varanda...

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O Homem contempla a Natureza:

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E que Várzea mais Alegre !

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Fotos: Dihelson Mendonça

É Tempo de Renovar no Blog do Sanharol !


http://3.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/TT9IfQ6s5LI/AAAAAAAAU7A/c0R1MUTgKw4/s1600/Morais%2Be%2BNeto.jpg


Com o aniversário do Blog do Sanharol, Eu e o Morais pensamos em fazer algumas mudanças no Layout do Sanharol. Nos próximos dias, estarei mudando algumas vezes o layout do Sanharol, para que nossos leitores possam depois escolher aquele que mais gostaram. O layout antigo é muito estreito, e não permite que se poste fotos grandes, e os textos ficavam confinados em uma tira muito estreita. Com esses novos modelos, agora poderemos escrever textos melhor diagramados, e postar galerias de fotos mais significativas. A questão das cores pode ser alterada depois, a gosto dos administradores e dos usuários.

Abraços,

Dihelson Mendonça
Manutenção

Apologia a - Uma prece para os homens sem Deus - Por João Dino.

Diante da proliferação demasiada de igrejas, pastores, credos, crenças, salvadores da pátria e da alma, o cantor e compositor João Dino metrificou os versinhos a seguir:

"Em cada esquina uma Igreja
Em cada igreja um pastor
Cada um defende um Deus
Sob os interesses seus
Como um grande salvador


Entre os irmãos tem espertos
Tem bôbos, têm inocentes
Os verbos são colocados
Já medidos e pesados
De forma muito eloqüentes


Mas, Deus só existe um
Não importa a religião
Ele não tem escultura
Não faz milagre nem cura
Em radio e televisão".

MAMÃE EU QUERO - Por Mundim do Vale.

No ano de 1966, foi formado um bloco de índios, que era composto: Por Homero Proto, Antônio Almeida, João Morais, Antônio Ulisses e esse contador de causos. Chico Pão era o cacique e o segurança do bloco.
O carnaval de rua era fraco e o baile noturno funcionava no bar de Nêgo De Aninha.
No domingo o nosso bloco deu uma volta pela antiga rua Major Joaquim Alves, ( Que ainda devia ser ) E à noite foi para o baile.
Ednólia Correia Diniz, tinha trazido uma fantasia indígena de Fortaleza e passou um tempinho junto ao bloco, fazendo com que o grupo ganhasse mais beleza e prestígio.
Chica do Rato ficou na porta e não tirava os olhos da gente.
Na manhã seguinte Xixica chegou para sua mãe Samaria e falou:
- Mãe! Vigia aí esse saco de pena, qui é prumode eu apregar na minha sáia, pra fazer uma fantasia de índia, pra eu ir vadiar no carnaval no bar de Nego de Aninha.
Samaria tinha pouco juízo também, mas as vezes dava uma dentro.
Notando que a pretensão da filha não tinha futuro advirtiu;
- Francisca. Larga mão de ser besta, qui tu é pobe e carnaval é coisa de gente rico.
- E Cuma foi qui eu vi Ednólia vistida de índia lá?
- Mais muié. Ednólia é neta de Quinco Honoro e de Jusué Diniz.
- Basta! E Chico pão? Ele tombém é neto De seu Quinco e de seu Zizué? Apois ele tombém tava lá, qui eu vi.
- Francisca. Tu vai cuidar dos teu pioi, qui é muito mais mió.
- Apois eu vou fazer minha fantasia e vou sair de índia aqui na rua dos piru.
E assim aconteceu. Na segunda feira ela desfilou do motor do coronel Dirceu, até o Ingém Véi acompanhada de mais de 60 meninos, cantando “ Mamãe eu quero. “
Aquele dia Várzea Alegre teve o seu melhor carnaval de rua.


Dedicado a Ednólia Correia e Odalice Leandro. As inimigas da informática.

UMA MENINA DE VÁRZEA ALEGRE...

Socorro (Piau) Martins e Claude

A vida da gente tem cilclos. Um dia crescemos. Outro dia estudamos. Depois damos rumo à nossa vida. E um belo dia, lá na frente, percebemos que temos que dar uma guinada em tudo e passamos, nesse momento, a querer realizar pendências, sonhos que passaram pela tangente ou fugiram de nossas mãos...E, então, chega o dia de começar tudo de novo. E lá se vai mais um ciclo...

É isso que estou tentando fazer agora. Para voltar ao Crato, tenho que recomeçar. Para recomeçar, tenho que pavimentar minha estrada com novas camadas de "asfalto" para que a caminhada transcorra em paz,  produtiva, linear e renovada.


Parte da Turma de Especilização em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Africana - URCA

O curso de Especialização em Língua e Literatura que estou fazendo na URCA, me conduz a isto. A -  uma renovação concreta, e além de tudo, me trouxe também um belo presente: conhecer uma varzealegrense que, com sua doçura, cativou a turma e, que, com simplicidade, trouxe a luz de sua sabedoria para todos que fizeram parte desse curso sob sua orientação.

Socorro Martins (Piau) é tudo isso e muito mais. É prima de Mundim do Vale e também de Morais a quem enviou um abraço.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

UM RECADO DE FAFÁ BITU...


Hoje recebi uma ligação de Fafá. Saudosa do Blog do Sanharol e dos amigos que fez  e reencontrou aqui, Fafá me pede para avisar a todos que o computador dela deu problema sério o que a manterá ausente (afastada ) por alguns dias.

Amigos aqui eu fiz
Amigos aqui ganhei
Quando me ausento daqui
Sinto saudade, eu sei

***

Mas eu sei que volto logo
Basta o tempo passar
Mas fico esperando, com pressa
Pra esse dia chegar...

Um abraço meu e outro de Fafá para todos do Sanharol

Claude Bloc

A CIÊNCIA DOS MIRINS - Por Vicente Almeida

Cientistas mirins fazem vulcão entrar em erupção no Brasil.

Se desejar, tecle duas vezes sobre o vídeo para ampliar.

João Dino - Por A. Morais

Prezados Amigos.

Tenho a honra de ser amigo do João Dino Neto há mais de 20 anos. Bancário aposentado do bando do Brasil, musico, compositor, apresentador de programas de radio, amigo, camarada e o maior seresteiro do nordeste da atualidade. João Dino presa pela qualidade, é muito exigente, a sua banda é composta por músicos de grande expressão. Hoje em conversa por telefone recebi a informação do próprio que vai prestigiar o Blog do Sanharol com alguns de seus causos e proezas. João Dino é um grande contador de causos.

Este vídeo mostra um ensaio do seu grupo. A musica “Uma prece para os homens sem Deus” composição do Waldeck Artur de Macedo, o grande Gordurinha.

Abraços amigo.


OS VILÕES DA CULTURA POPULAR - Por Mundim do Vale

Eu digito este texto com saudades das coisas que me acompanharam, no longo de todos esses anos. Se algum colega quiser questionar, eu estou aberto para o debate, na área de comentários.
Vejamos:

. A boneca bárbie atropelou as bonecas feitas de sabugos ou de flor de mandacaru.
. O axé baiano atingiu as marchinas carnavalescas e ficou mandando no carnaval.
. Os vídios games tiraram os meninos do artesanato de barro e as meninas das cantigas de rodas.
. O autêntico forró de pé de serra perdeu seu espaço para as bandas de forró de litoral.
. As máquinas colhedoras de arroz, liquidaram com os adjuntos das apanhas.
. Os bispos estão pouco-a-pouco acabando com os leilões e quermesses.
. A divisão da religião, acaba a cada dia com os penitentes.
. A sentinela mundou o nome para velório, já já o finado vai para o cemitério sozinho.
. A primeira comunhão já estão chamando de primeira eucaristia, só falta mesmo todo mundo morrer

Aldenisio Correia - Por A. Morais

Autoridades de Varzea-Alegre. Ao centro Jose Odmar Correia, presidente da Camara Municipal de vereadores dando posse ao prefeito e vice: Antonio Diniz e Carlos Renir.

Mensagem para um amigo.

Prezado conterrâneo amigo, camarada e poeta Aldenisio. Rebuscar o passado não é tarefa fácil. Precisa-se ter uma memória prodigiosa, ter muita paciência e não se importar de ser chamado de chato. Na verdade ninguém quer saber do passado. Esta tarefa está em desuso.

Hoje, voltei aos velhos tempos da rua Major Joaquim Alves, Educandário Santa Inês da sempre lembrada e exaltada Elisa Gomes Correia. Da turma lembro todos, mas vamos falar de poucos, afinal a historia é pra você. A professora era eclética, ensinava na mesma sala a alunos do primeiro, segundo, terceiro e quarto anos primários. Eu e o Pedro meu irmão de saudosa memória, você e a Maria Célia sua irmã também de muitas saudades, fazíamos parte de uma turma bem aplicada e disciplinada.

Você um garoto franzino, calmo, super-inteligente e também meio sonso, lembra, não se aborreça nem se zangue. Você sempre fugia para o lado da cozinha e ficava enrolando por lá e quando saia trazia o baldinho de alumínio do leite. Dona Elisa tinha uma roça de milho e feijão no quintal da casa, lembra? Um dia ela me chamou e disse: Antonio, você conhece quando o milho está no ponto de se cozinhar? Porque se abrir a espiga pra ver os morcegos e os pássaros destroem o milho depois. Se você conhece vá quebrar umas espigas. Conheço, respondi na maior cara de pau. Então ela disse: vá e reze para São Bento. Bateu a preocupação: será que São Bento é o santo que descobre mentiras? Se for tô lascado. Depois descobri que nossa professora estava preocupada com as cobras.

Trouxe o milho verde que foi cozido num caldeirão e como o milho era pouco e os alunos eram muito, nós ficamos de fora da comelança. Prezado amigo, muito bom e prazeroso bater esse papo com você. Visite o Blog rapaz, e, permita que as meninas postem seus belos poemas. Um grande abraço e que Deus abençoe o amigo e toda sua família.

Clic na foto para ampliar.

Chegada de Dercy Gonçalves no Ceu.

Iniciar a semana rindo - Enviado por Rodrigo Bezerra Bitu.

Porra, tá frio aqui em cima.

O céu não tem temperatura, minha senhora? Pondera um porteiro
celestial de plantão.

Não tem o cacête. Tá frio sim senhor? Insiste Dercy.

Prefere o inferno? Lá é mais quentinho!

Manda tua mãe pra lá. Cadê o Pedro?

Pedro só atende aos purificados.E eu tô suja por acaso?
Tô cagada, mijada?

Você primeiro tem que passar pelo purgatório,
ajustar umas continhas?

Não devo nada a viado nenhum.

Você foi muito sapeca lá por baixo.

Como é que você sabe? Andava escondido debaixo das
minhas saias?

Dercy, daqui de cima a gente vê tudo.

Vê porra nenhuma. Vê a pobreza, a violência,
meninas de 4 anos sendo

estupradas pelos pais, político metendo a mão
no dinheiro dos pobres,

carinha cheirando até bosta pra ficar doidão?
O que vocês vêem? Só me

viam?

Você fala muito palavrão.

Eu sempre disse que o palavrão estava
na cabeça de quem escutava.

Palavrão é a fome, a falta de moral destes
caras que pensam que o
mundo é deles.

Esses goelas grandes e seus assessores
laranjas,
tangerinas
e o cacête!

Está vendo? Outro palavrão.

Cacête é palavrão, seu porteiro de merda?
Palavrão é a

Puta que o Pariu!

(Silêncio por alguns segundos)

Seja bem vinda Dercy. Sou Pedro. Pode entrar.

Merda! Não é que eu morri mesmo? E o purgatório?

Você já passou 101 anos por ele, lá no Brasil.

Venha descansar!

domingo, 23 de janeiro de 2011

DUELO DE TITÃS, NO SANHAROL - Por Vicente Almeida

Peleja de Dr. Sávio Pinheiro com Mundim do Vale

Esta peleja durou três dias e três noites lá no Sanharol, na casa de D. Tonha, e terminou no dia 22/01/2011, as 10hs11min.

Reproduzo aqui somente a apresentação.

Mundim

PENSANDO NA EDUCAÇÃO;
ASCENDO MAIS UMA VELA;
Que era a proposta dela;
Gerada do coração;
Tinha a orientação;
Quem quisesse aprender;
Com relação ao saber;
Mas mamãe era exigente;
Só porque fui displicente;
Eu não aprendi a ler.

Sávio

PENSANDO NA EDUCAÇÃO;
ESCREVENDO UMA NOVELA;
Como Jesus, se nivela;
Pois, sendo ele, um cristão;
A sua religião;
Eu gostaria de ter;
O seu bonito escrever;
Porém, a gente cativa;
Como disse o Patativa;
Ele diz não saber ler.

Mundim

PENSANDO NA EDUCAÇÃO;
ASCENDO MAIS UMA VELA;
Que o estudo revela;
Pra ter a qualificação;
É aprender a lição;
Sei que é o caminho correto;
Nem o primário completo;
Pois não cheguei a fazer;
Porque não quis aprender;
Eu sou semi-analfabeto;

Sávio

PENSANDO NA EDUCAÇÃO;
ESCREVENDO UMA NOVELA;
Mundim do Vale revela;
Reabrindo o coração;
Desenvolve a nobre ação;
De forma muito completa;
No aguardo de sua meta;
Ficando em meu camarote;
Para glosar este mote;
Solicitei ao poeta;

Mundim

PENSANDO NA EDUCAÇÃO;
ASCENDO MAIS UMA VELA;
De lousa, giz e flanela;
De livro de admissão;
De ponto de união;
Seu verso tem o valor;
Como um bom professor;
Pensa na pedagogia;
Zé Sávio da academia;
O bom poeta doutor.

O apresentador:

Isto é somente uma amostra;
Desta peleja medonha;
Na casa de D. Tonha;
E não se teve a resposta;
É disto que o povo gosta;
Pois ninguém foi derrotado;
E fica aqui registrado;
Mundim do Vale não venceu;
Dr. Sávio não perdeu;
Ficou tudo confirmado;

Também é uma brincadeira;
Pois troquei todas as linhas;
O Mote passou pra cima
Na minha história brejeira;
Foi coisa muito maneira;
Que achei no Sanharol;
E em plena luz do sol;
Troquei os versos dos home;
Essa culpa me consome;
Neste domingo de escol.

Este sentido reverso;
Este trocadilho meu;
Vejam o que sucedeu;
Trocando as linhas do verso;
Na história não houve inverso;
Ficando o mesmo sentido;
Não precisa de alarido;
Pois nada aqui se perdeu;
Continuam filhos seus;
Não fiquem aborrecidos;

Os versos da peleja, fôram coletados aqui no Blog, na postagem de Mundim do Vale - dia 22. Os últimos, são deste apresentador.

Vicente Almeida