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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 11 de junho de 2017

066 - O Crato de Antigamente - Por Antônio Morais.


Dedicado ao Dr. Mario Correia.

Posto Regente fundado por Mário Oliveira e depois transformado em Posto Crato, em sociedade com o Audisio Brizeno, resiste até nossos dias, instalado na gloriosa Praça Siqueira Campos – Crato. O Audisio era compositor e tinha uma bronca com o Rei do Baião Luiz Gonzaga porque o entregou uma musica pronta para ser gravada, e, a letra foi modificada para agradar um fazendeiro rico de São Paulo alem do Luiz aparecer como có-autor. Estes fatos tornaram o Audisio mais raivoso do que a falta do recebimento de qualquer direito autoral. A musica dizia assim:

Meia noite o pinto pinica o galo
O galo pinica o pinto
O pinto quiri quiqui.

Meia noite, é o berrado do bode
É o roncado do porco
Que ninguém pode dormir.

Deixando de fora a bronca do Audisio, que foi um grande amigo meu, peço permissão para contar uma historinha dos tempos do Crato antigo. A vida social da cidade era bem mais movimentada. Toda sexta-feira havia baile na AABB e aos sábados no Crato Tênis Clube, alem da grande vesperal de Domingo.

Na época eram poucos os automóveis, poucas famílias dispunham desse privilegio e era costume utilizar-se dos serviços do taxista. O Audisio tinha um timbre de voz bastante assemelhado a voz feminina e era costume receber trotes de pessoas imitando sua voz nos dias em que estava de plantão no posto, o que lhe deixava puto da vida.

Um belo dia, terminada a festa da AABB, já por volta das três horas da manha, uma senhora apanhou o telefone do Bar com o Aristides e ligou para o Posto Crato e o Audisio atendeu. Veja o dialogo que ocorreu entre os dois:

Audisio: alô!

A mulher respondeu: quem está falando? Com voz bem assemelhada ao Audisio.

O Audisio fulo da vida respondeu : porque você não vai imitar a puta que pariu?

Desligou o telefone na cara da mulher que ficou assustada com tamanha agressividade.

5 comentários:

  1. Bons tempos aqueles. Saudades do Audizio.

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  2. Eu tenho uma grande amiga filha de Audísio Brizeno, seria o mesmo Audísio pai de Gracinha, Aldina, Adalva...? Se for, é muita coincidência.

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  3. É sim Artemisia. Eles residem a rua Jose Carvalho em Crato. Audizio já é falecido.

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  4. Passei bons momentos na casa de seu Audísio e D. Nanzinha. Era meu ponto de apoio e de Aurinete Freitas quando íamos à Faculdade do Crato, hoje URCA.

    Abraços.

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  5. O Audisio tinha um punhado de filhos tão bons quanto ele.

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