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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 31 de julho de 2011

Resultado melhor postagem do Mês de Julho - 2011.

Foram 49 acessos, 16 deles comentando o tema e os demais com as indicações a seguir:

Escritores de Varzea-Alegre - 14

Desafios do Blog do Sanharol - 13

Sexta de Textos - 3

Historias de varzealegrenses- 1

Verso de pé quebrado - 1

Confronto Rimado - 1

Venceu "Escritores de Várzea-Alegre", iniciativa recente da Magnolia Fiusa que com certeza premiará este Blog com arquivo valioso da historia cultural e literária de nossa terra. Parabens.

Uma boa noite.

Blog do Sanharol.

VOTAÇÃO DAS POSTAGENS - Por Mundim do Vale.

Estou postando esse comentário na raiz do Blog, Para tentar apagar uma fogueira.

Concordo plenamente com o Vicente, com o Morais e outros, que de uma forma sensata estão fazendo o papel de mediadores.

Não há nada mais democrático do que o direito de expressar opiniões. Há bastante temas para que cada um possa escolher a melhor postagem do mês.

Assim sendo eu peço que a administração do Blog retire as minhas postagens da eleição, para diminuir os candidatos e assim facilitar os comentaristas a exercerem seus direitos soberanos de escolha.

Num passado não muito distante, eu ví um filme parecido com este e posso jurar que não foi salutar para ninguém.

Abraços a todos

Mundim do vale.

RESPOSTA AO POETA MUNDIN DO VALE – Por Sávio Pinheiro

MOTE

Quando sugeri o mote
Eu o fiz por simpatia,
Pois lançava a melodia
Da saudade, em tom de xote.
Você, que deu o pinote
Achando sê-lo do mal.
A sua prisão é legal
Como é a minha, aqui,
FICASTE PRESO EM JATI
E EU, AQUI, NESTE HOSPITAL.

A prisão que me refiro
É o sofrer do coração
Machucado de emoção
Sob o manto de um retiro.
Porém, sei e, até, prefiro
Vê-lo um profissional,
Pois nas páginas de um jornal
Não seria bom pra ti
FICASTE PRESO EM JATI
E EU, AQUI, NESTE HOSPITAL.

Não existe contradição
No mote que eu te enviei,
Já que a prisão, que falei
Não algema o cidadão.
Eu mantenho a retidão
E a reputação moral.
Todavia, é ilegal
A interpretação daí,
FICASTE PRESO EM JATI
E EU, AQUI, NESTE HOSPITAL.

Encerrando esta peleja
Eu confesso os meus intentos:
O sofrer de dois detentos,
Onde tanta dor, lateja.
Eu quero que o leitor veja
A nossa prisão real,
Que pra muitos é normal,
Mas tem sofrimento ali,
FICASTE PRESO EM JATI
E EU, AQUI, NESTE HOSPITAL.

Fim.

NOTICIAS DE PORTUGAL.

NO SEXO:
Manuel, você gosta de mulher com muito seio?
Não, pra mim dois já tá bom.

sábado, 30 de julho de 2011

MOTE DO SÁVIO - Por Mundim do Vale.

Esse mote em trocadilho foi desenvolvido pelo poeta acadêmico Sávio Pinheiro, eu espero que o bom poeta faça alguma coisa, desmanchando a contradição.
Mundim do Vale.

FICANDO PRESO EM JATÍ
CONSTRUÍ UMA PRISÃO.

Chegou do Sávio Pinheiro
Um mote cheio de abuso,
Eu nunca ví um recluso
Construir nem galinheiro.
Só vejo prisioneiro
Fazendo rebelião.
Daí a contradição
Do mote que tenho aquí.
FICANDO PRESO EM JATÍ
CONSTRUÍ UMA PRISÃO.

Minha prisão na verdade
Não é prisão de detento,
Estou livre como o vento
Mas preso pela saudade.
Eu queria abrir a grade
Desta minha solidão,
Para vê a procissão
E a salva que sempre ví.
FICANDO AQUÍ EM JATÍ
CONSTRUÍ UMA PRISÃO.

Se o Flávio Cavalcante
Me arranjar uma fiança,
Impetro com segurança
Porque não sou meliante.
Esse mote extravagante
Me deixou em confusão,
Sem meio de contenção
Contra a saudade daí.
FICANDO AQUI EM JATÍ
CONTRUÍ UMA PRISÃO.

Uma coisa que eu queria
Nesse mote tão polêmico,
É que o poeta acadêmico
Rimasse com garantia,
Sem deixar que a poesia
Gerasse contradição
Porque o mote em questão
Se contradiz logo aí.
FICANDO PRESO EM JATÍ
CONTRUÍ UMA PRISÃO.

A DIVINA COMÉDIA - Canto XXIV - Por Vicente Almeida

I N F E R N O

Vala dos ladrões

Virgílio, visivelmente irritado, nada falou até que chegamos diante das ruínas da ponte. Lá, imediatamente recuperou o seu semblante amável e otimista. Estudou por um instante as ruínas e abriu os braços para que eu me apoiasse nele para realizar a subida. E assim subimos, lentamente, ele me erguendo, e eu abrindo caminho.

- Segura aquela pedra ali - ordenou o mestre -, mas tenha cuidado! Veja antes se ela te sustenta.

Foi dura e difícil a escalada. Fosse o aclive mais íngreme ou mais longo eu certamente seria vencido pelo cansaço. Em Malebolge, cada poço é mais baixo que o anterior, portanto, a altura da subida deste lado era bem menor que a altura da nossa descida do lado oposto.

Chegamos, enfim, à derradeira pedra da ruína. Eu estava tão exausto que assim que paramos, aproveitei a oportunidade para me sentar. O mestre não gostou:

- Precisas deixar o cansaço de lado - disse ele -, pois estirado sobre a pluma ou a colcha, a fama não se alcança. E sem ela a vida passa sem deixar qualquer vestígio. Levanta! Vence o cansaço e anima-te! Mais longa escada nos aguarda. Com ânimo se vence qualquer batalha, quando o corpo pesado não atrapalha.

Com esse incentivo prontamente me levantei, falante, para me mostrar valente e destemido. Mas minha fala foi interrompida por uma voz que surgia já do outro fosso.

Não dava para entender o que a voz dizia. Nem no meio da ponte. Era uma voz apressada, irritada. Eu me inclinei para olhar mas não dava para ver coisa alguma.

- Mestre - pedi - que tal atravessarmos até o outro lado e descermos o muro? Aqui onde estamos eu só ouço e nada entendo. Olho para baixo e nada vejo.

- O que pedires eu faço sem reclamar - respondeu Virgílio.

Descemos pela testa da ponte, pela oitava ribanceira que margeia a sétima calha, e lá vimos uma vasta multidão cercada de terríveis serpentes das mais diversas espécies. Só de pensar naqueles répteis terríveis meu sangue gela, pois eu nunca vira nada igual.

Vala dos Ladrões
Pintura de Giovanni Stradano - Século XVI

No
meio das serpentes corriam almas nuas, horrorizadas, com as mãos amarradas às costas por outras cobras que as apertavam, envolvendo seus corpos. Assistimos quando uma serpente perfurou um dos espíritos que estava próximo a nós. Ela atravessou seu colo se inseriu no seu busto. Imediatamente ele se incendiou e foi reduzido a um amontoado de cinzas. Mas aquelas cinzas espalhadas começaram a se mexer, e, lentamente, a se unir. Foram se juntando sozinhas até que haviam formado um homem. Ele se levantou como se acordasse de um sono profundo. Estava pasmo e suspirava aflito.

Vala dos Ladrões segundo entendeu Paul Gustave Doré
Século XIX

Meu guia então se aproximou e perguntou quem ele era. O condenado respondeu:

- Eu chovi de Toscana faz pouco tempo neste abismo. Eu gostava mais da vida bestial que da vida humana, como a mula que fui. Sou Vanni Fucci, a besta. Pistóia era a minha toca.

- Mestre - pedi -, pergunta a ele por que ele sofre nesta vala. Eu achava que ele estaria mergulhado no rio de sangue, como os outros violentos.

O pecador ouviu e não dissimulou. Virou-se para mim com um rosto envergonhado, e disse:

- Maior é a dor de teres me encontrado nesta miséria que a dor que senti quando perdi minha outra vida. Mas agora não posso negar-me em te responder. Eu estou aqui por que eu fui um ladrão. Fui eu quem roubou aquela sacristia onde outro levou a culpa. Mas para que não fiques feliz por ter me encontrado aqui, se algum dia escapares, abre os ouvidos e escuta minha profecia: Pistóia perderá todos os seus Negros e Florença renovará gente e modos. De Valdimagra virá um raio envolvido por nuvens negras, trazendo uma tempestade amarga sobre o campo de Piceno, onde destruirá as nuvens claras, e todo Branco será então ferido. Esta previsão eu fiz para que sofras!

No Canto XXV veremos a transformação de almas em répteis

30/07/2011

Humor na medicina.

O psiquiatra para o paciente:
Meu amigo, eu tenho uma boa e uma má notícia para você. A má é que você tem fortes tendências homossexuais.
Meu Deus, doutor! E qual e a boa notícia?
A boa notícia é que acho você um gato

Sabe como diferenciar o psiquiatra do seu paciente?
O psiquiatra é aquele que tem a chave do consultório.

O paciente chega ao Psiquiatra tímido, cabisbaixo:
Doutor, eu tenho dupla personalidade.
Esquenta não, meu filho. Senta aí e vamos conversar nós quatro...

Quando chega um paciente babando e fazendo sons esquisitos no consultório do neurologista, ele exclama:
Ai, meu Deus! O que eu faço?
Já quando chega um paciente babando e fazendo sons esquisitos no consultório do neurocirurgião, ele exclama:
Ai, meu Deus! O que foi que eu fiz?

No consultório psiquiátrico:
Paciente:
Doutor, vou lhe contar um segredo: eu sou um galo!
O psiquiatra resolve aprofundar a anamnese:
E desde quando o senhor acha que é um galo?
Paciente:
Ah, desde que eu era um pintinho.

Sabem qual a diferença entre um clínico, um cirurgião-geral, um psiquiatra e um patologista?
O clínico: Sabe tudo e não resolve nada.
O cirurgião: Não sabe nada mas resolve tudo.
O psiquiatra: Não sabe nada e não resolve nada.
O patologista: Sabe tudo, resolve tudo, mas sempre chega atrasado

O cara sofria de amnésia e procurou o médico:
Doutor, estou com uma terrível amnésia.
Desde quando?
Desde quando, o quê, doutor?

Psiquiatra para o paciente bebum:
O senhor vai parar de beber cerveja, durante um ano só vai beber leite.
Outra vez, doutor?
O que, o senhor já fez esse tratamento?
Já, durante os primeiros meses da minha vida....

sexta-feira, 29 de julho de 2011

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

CONTO DO MUGIDO

O êxodo rural não levou as pessoas apenas para os grandes centros. Os pequenos aglomerados urbanos também abrigaram grande parte dos rurícolas que tiveram de deixar os seus lares por causas diversas. A necessidade de acompanhar os filhos que se profissionalizavam foi a razão principal da saída de muitas outras viúvas daquele recôndito sertão.

- Está bem, minha mãe, eu irei chamar o médico para lhe atender! Mas, desta vez, não vá deixar de seguir os seus conselhos, combinado? A senhora insiste em tomar decisões precipitadas, colocando a sua vida em risco – falou sério, o filho mais velho de dona Zulmira, com muita convicção.

Esta indomável senhora deixou o seu habitat natural para viver uma experiência completamente nova e cheia de regras, na cidade. O cumprimento de novos horários e uma rotina repleta de novidades, a fez transfigurar-se. Vive infeliz e demonstra o seu mau humor nos momentos mais inconvenientes, tornando a vida dos que lhe amam mais difícil e complicada.

- Quero que a senhora se troque após um bom banho de chuveiro para esperar o doutor - falou gentilmente o dedicado primogênito, consertando um eletrodoméstico, na oficina instalada na sua própria residência. O empréstimo bancário para a construção civil levou muitos profissionais a construírem os seus estabelecimentos comerciais nos mesmos imóveis residenciais, dando-lhes, assim, uma certa garantia, caso não conseguissem quitar, a tempo, os débitos adquiridos.

O médico demorou um pouco, mas chegou. Estava operando uma senhora, que os filhos siameses, de bifurcação superior, haviam morrido momentos antes, nas mãos de uma parteira leiga. Se o caso tivesse acontecido em um grande centro, também teriam sucumbido, já que era um só corpo para duas cabeças. Um caso raro, porém presente.

- E aí, dona Zulmira, o que a senhora está sentindo? – Perguntou o médico, com voz mansa, porém aliviada, após o inesperado estresse daquela complicada intervenção cirúrgica, realizada sem anestesista e pediatra, prática comum nos anos oitenta, do século vinte, em hospitais de pequenas cidades interioranas do Nordeste.

A intransigente senhora, de setenta e dois anos, debulhou o seu rosário de sintomas, trazendo queixas de um passado longínquo, com riqueza de detalhes, que de melhorar a relação médico-paciente, complicou, ainda mais, o raciocínio do esculápio para um diagnóstico correto. Mesmo assim, o representante de Hipócrates conseguiu agregar os sintomas e produzir um tratamento satisfatório.

Nesse ínterim, o seu filho, que presenciava a consulta com atenção, e que notou uma certa empatia entre o profissional da medicina e a sua paciente, leva-o a um canto da casa e faz-lhe um pedido, quase sussurrando.

- Doutor, eu gostaria, que o senhor aproveitasse essa oportunidade, que é rara e oportuna, para tentar demover, da cabeça de minha querida mãezinha, o seu desregrado hábito de ingerir leite mugido. Aquele consumido cru, no raiar do dia, ainda quentinho, recém-saído do peito da vaca. Se o conseguir convencê-la, ficarei muito agradecido ao senhor e à medicina.

O médico retorna à sala, de mansinho, arquitetando uma estratégia para conseguir o seu intento, sem desgostar a paciente e os seus familiares. Concentra-se, mergulha num passado distante onde essa prática era realidade, rever os fantasmas de sua infância num ambiente familiar e dispara a sua artilharia intelectiva.

- Dona Zulmira, para que a sua doença tenha cura, faz-se necessário que a senhora coopere, procurando se alimentar da melhor maneira possível. O leite é um alimento muito saudável e necessário. Ele é rico em proteínas e cálcio, além de ter um excelente aporte calórico, ou seja, é um alimento bastante forte. Promete-me consumi-lo com frequência, para o sucesso do nosso tratamento?

- Claro doutor! O alimento que mais gosto e que consumo, diariamente, é o leite cru, no romper da aurora. Tomo uma leiteira, inteirinha. Pois ele, além de forte, traz sustança e muita saúde. Pode ficar despreocupado. - Responde a paciente.

O médico, satisfeito, observa que a manobra foi válida para entrar neste polêmico tema, que já havia produzido tantos dissabores familiares, quanto tentavam dissuadi-la da prática de tal costume.

- Creio eu, que a senhora tenha morado muitos anos no interior do sertão e que conheça os detalhes da vida do homem do campo e os seus hábitos... - Rebate o médico, tentando mergulhar na mente daquela consumidora de leite não pasteurizado, o qual transmite tantas doenças para a nossa população.

- Conheço como ninguém! – Responde dona Zulmira, animada. – Pois bem, continua o médico: A senhora sabe perfeitamente, que o tirador de leite é um homem simples, que mora em uma singela moradia, geralmente sem banheiro e água encanada, e que nunca teve a oportunidade de estudar ou adquirir algum conhecimento sobre medidas básicas de higiene, não sabe? Então... Imagine aquele homem acordando pela manhã com os olhos repletos de remelas, após ter feito amor com a sua estimada patroa, saindo para o mato, a fim de fazer as suas necessidades fisiológicas. Claro, que ele fez a sua higiene matinal, após o ato defecatório, com folhas rasteiras e frágeis, sujando os seus longos dedos, que foram limpos num pedaço de sabugo, próximo. Continuou a sua trajetória até o curral, onde as vacas se encontravam deitadas com as tetas atoladas no esterco recém-eliminado. Ele as cutuca com vara curta e elas o obedecem levantando-se para a ordenha. Faz a limpeza daquelas tetas sujas, com a própria cauda do animal, ainda úmida da sua própria urina. Dá continuidade a retirada do leite, cuspindo em ambas as mãos, para lhe facilitar o manuseio. Some-se a isso, uma provável infecção no peito da vaca, que chamamos de mastite, ou uma doença pré-existente naquele animal que delicadamente nos oferece o sustento, com a sua rica substância orgânica. Lembre-se, que o delicado animal pode está com tuberculose, brucelose ou qualquer outra doença nociva ao homem. A senhora acha, que deve continuar tomando o tão saboroso, poético e maravilhoso leite mugido?

Após um breve momento, no recinto daquela silenciosa casa, ela retruca endiabrada:

- Eu não tomo mais leite, é de jeito nenhum! – Fala de dentes serrados.

O médico, percebendo que a sua estratégia falhara e sem coragem de encarar mais àquela família, sai rapidamente, antes mesmo de receber os seus tão sofridos honorários.

Fim.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A DIVINA COMÉDIA - Canto XXIII - Por Vicente Almeida

I N F E R N O

Vala dos hipócritas - Frades gaudentes

Caminhávamos sem companhia: um na frente e o outro atrás. Durante a caminhada voltei a pensar naqueles demônios. Se por nossa causa eles sofreram dano, eles devem estar irados. Considerando os seus maus instintos, certamente não deixarão de vir atrás de nós. Esses pensamentos deixavam meus cabelos em pé e por causa do medo eu olhava para trás o tempo todo.

- Mestre - disse -, se não tiveres como nos esconder, eu temo que os Malebranche poderão nos encontrar. Eu os sinto; eu os ouço como se estivessem vindo.

- O teu temor agora juntou-se ao meu, e então vou procurar uma maneira de escaparmos. Se o declive a direita permitir nossa descida à próxima vala, teremos como escapar do ataque imaginado.

Dante e Virgílio conseguem escapar da escolta dos dez demônios
Ilustração de Paul Gustave Doré - Século XIX

Mal tinha terminado de expor o seu plano, eu os vi chegando com suas asas abertas, não muito longe, para nos pegar! Meu guia tomou-me no colo de repente e se jogou na rocha escarpada até escorregar na calha, rasteiro. Quando chegamos lá embaixo os diabos já nos observavam do alto do precipício. Eles nos amaldiçoavam, irritados. Descer, eles não podiam, pois eram proibidos de ultrapassar a quinta vala.

Os hipócritas vestidos em capas brilhantes pesadas como chumbo
Pintura de Giovanni Stradano - Século XVI

Deixamos os diabos para trás e caminhamos pela quinta vala. Vimos gente colorida, de capuz, caminhando lentamente e usando capas de ouro brilhante por fora, mas pesado chumbo por dentro. Eles sofriam e choravam, cansados pelo peso intenso.

- Meu guia - falei - enquanto caminhamos por esta vala, olha em volta e dize-me se vês alguém, cujos feitos ou nome me seja conhecido.

- Mais devagar, tu que correis por este ar escuro! - gritou um espírito, que ouvira minha fala toscana - Talvez eu possa conseguir o que tu queres.

Parei e vi duas almas que se aproximavam lentamente. Quando chegaram, me olharam e conversaram entre si:

- Ele parece vivo o que mexe a garganta, e se os dois estão mortos, qual privilégio permite que andem despidos da pesada manta? - conversaram, e depois, a mim se dirigiram - Ó toscano que vieste visitar o colégio dos hipócritas, dize para nós quem tu és.

- Eu nasci e cresci na grande cidade banhada pelo Arno e tenho o corpo que sempre possuí - respondi. - Mas quem sois vós, destilando lágrimas de dor que correm pelas vossas faces?

- Frades gaudentes fomos - respondeu o primeiro, - e bolonheses. Eu sou Catalano e este é Loderingo. Tua terra nos deu um cargo que se costumava dar a um homem só, para manter a paz, e nós fizemos mal uso dele.

Caifás, cruxificado no chão por toda a eternidade
Pintura de Giovanni Stradano - Seculo XVI

Eu ia começar a responder aos frades quando me chamou a atenção um outro que sofria intensamente crucificado ao chão. O frade Catalano, que me observava, falou:

- Este que tu vês crucificado disse aos fariseus que era mais oportuno sacrificar um homem que atormentar todo o povo. Nu, ele jaz no caminho, e como vês, sente o peso de cada um que passa sobre ele. Todos os outros do seu conselho estão aqui também.

- Poderia nos dizer, se vos for permitido - perguntou Virgílio ao frade - se há, à direita, alguma passagem conhecida pela qual nós dois possamos sair, sem que seja necessário invocar os diabos para nos tirar desta vala?

- Mais perto que imaginas - respondeu o frade - há uma ponte que une todos os anéis, mas nesta parte ela está destruída. Porém, embora a ponte esteja quebrada, é possível subir escalando suas ruínas.

Ao ouvir a explicação do frade, Virgílio ficou parado, cabisbaixo. Depois disse, irritado:

- Ele
mentiu, aquele demônio desgraçado! Mentiu! Não havia outra ponte, era mentira!

- Uma vez em Bolonha - interrompeu o frade -, fiquei sabendo dos vícios do diabo. Um deles é que ele é falso e é o pai da mentira.

Virgílio se afastou em passos largos, mostrando irritação no seu rosto. E eu parti também atrás dele, seguindo o rastro de seus pés.

No Canto XXIV veremos a vala dos ladrões
28/07/2011

Bom inissio de cemana para voçe.

Jornau do Brazil - Carlos Eduardo Novaes
Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!

A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.

A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.

Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

AGENDA DE JOÃO DINO - SHOW CONFIRMADOS:

Dia 30.07 - Sábado - AABB - Cajazeiras (PB)
Dia 31.07 - Domingo à Tarde - Associação do Sítio Roçado de Dentro - Várzea Alegre (CE)
Dia 05.08 - Sexta-Feira - Casa de Show Terreiro de Casa - Iguatu (CE)
Dia 06.08 - Sábado - Clube Luar do Sertão - Solonópole (CE)
Dia 07.08 - Domingo à noite (RESERVADO) - Praça da Matriz - Joca Claudino (PB)
Dia 13.08 - Sábado - Esporte Clube de ITAPORANGA (PB)
Dia 14.08 - Domingo Tarde/Noite - Distr.Melancias - Sta.Helena (PB)
Dia 20.08 - Sábado - Centro Comunitário - Lastro (PB)


Democracia é isso.

Ministro de Dilma diz que votou em Serra em 2010. Nelson Jobim, ministro da Defesa, afirmou em entrevista que votou em José Serra na disputa presidencial do ano passado. Na avaliação dele, se o tucano tivesse derrotado Dilma Rousseff, o governo "seria a mesma coisa" no manejo das recentes crises políticas, como a do combate à corrupção no Ministério dos Transportes. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo Jobim, Dilma sempre soube de sua escolha eleitoral. Questionado se o tema azedou sua relação com a presidente, Jobim disse que não, pois não esconde. "Eu não costumo fazer dissimulações, então não tenho dificuldades". O assunto foi esquecido nas conversas entre o ministro e a presidente depois das da eleição. "Não se toca no assunto".


NOVA E FOGOSA - Por Xico Bizerra.

Remexeu o armário e deparou-se com aquela foto. Ele com 18, ela com 36, mas parecia muito menos. Fora sua primeira namorada e ensinara-lhe tudo sobre o amor. Nunca se importou com o dobro da idade. Isso não fazia diferença, apesar da diferença. Mas passou. Foram-se, cada qual para o seu lado, ela mais dengosa, professora competente, ele mais experiente, bom aluno que era. 42 anos se passaram. Dela não mais tivera notícias até que soube, por um amigo, estar morando numa cidadezinha do interior, ali bem próximo. Seria fácil encontrá-la, bastava querer. Não quis. Deu-lhe vontade, mas não quis. Guardaria no álbum da memória a imagem da moça de quase 40, parecendo 20. Hoje, ela está com quase 80. Preferiu não vê-la. Guardou-a na lembrança, nova e fogosa, diferentemente da fotografia, meio amarelada, desbotada pelo tempo. Hoje, ela deve estar aparentando, no máximo, 60 anos.


069 - Historias de varzealegrenses.

José Bitu Filho - José Bitu do Inharé.

No final da decada de 40 do seculo passado, Pedro Batista de Morais e Jose André do Sanharol fizeram uma viagem a cidade do Crato. Meio de transporte lombo de animais. Sairam de Varzea-Alegre por volta das quatro horas da manhã e chegaram a Palmeirinha, na casa de Duquinco de Brito as 17 horas. Soltaram os animais na roça e jantaram baião de dois com costela de porco torrada e banana maçã até não querer mais e se recolheram. No outro dia cedinho foram ao Crato visitar parentes e receber uma imagem de Nossa Senhora da Paz deixada ha pouco tempo para restauração.

De volta a Palmeirinha, já se preparando para o retorno, se encontraram com José Bitu Filho, que solicitou dos amigos aguardar até o meio dia, pois pretendia viajar em companhia dos mesmos, sugestão aceita. No almoço entre outras guloseimas tinha uma farta tigela de fava com mocotó de porco, batata doce, farofa acebolada bem afeita a uma bela gaseficação. Jose Bitu exagerou na degustação.

Sairam da Palmeirinha ao meio dia, e, por volta das 19 horas estavam no sitio Lenços na casa de Vicente Pitá, onde se arracharam. Jose André muito sabido armou a rede no alpendre enquanto Pedro Batista e Jose Bitu puseram-nas em um quarto fechado da casa. Mal se deitaram Jose Bitu começo a atirar em toda direção. Pedro Batista não suportando a inhaca de fava azeda saiu para o terreiro e ao vê Jose André disse: compadre, vamos pegar os animais, continuar nossa viagem e botar Jose Bitu para bufar na estrada que ele não está respeitando nem Nossa Senhora da Paz.

aam


terça-feira, 26 de julho de 2011

Parabéns Dr. José Bitu - Por Isabel Vieira Oliveira

Tamanha a minha alegria, enorme a minha emoção ao tomar conhecimento do lançamento do livro "CAMISA NOVA, SEU DOUTOR?" de autoria do nosso ilustre conterrãneo, DR. JOSÉ BITU MORENO.

Tive a honra de com ele caminhar em alguns momentos da sua vida, quando estudante nas séries ginasiais no COLÉGIO SÃO RAIMUNDO NONATO, eu como professora na década de l970. Ele menino/garoto, meigo, estudioso, ativo, dedicado, inteligente, em cujo comportamento, já se podia prever, confiar, na probabilidade de muitos sonhos, desafios, conquistas...até pelas influências benéficas das suas origens, a valiosa educação dos pais, o aplausível convívio familiar.

Uma esplendente "trajetória de vida " pautada na garra, na determinação, na auto-confiança, na sabedoria... Um varzealegrense que, como vemos acima, ultrapassou fronteiras, horizontes, e em "solo longínquo", fez "HISTÓRIA", tanto como profissional, como pessoa humana enaltecendo e engrandecendo o nosso povo, a nossa querida VARZEA ALEGRE... Destacando-se, com méritos, no campo da saúde, da educação, e agora no campo literário.

Um dos nossos grandes TALENTOS... Descendente das nobres e tradicionais famílias: BITU, MORENO e BATISTA. Com certeza, nos trará uma "brilhante" obra literária resgatando, enumerando, ressaltando, registrando fatos, momentos, lembranças, pessoas...realizações...que nos fará felizes ao conhecê-la.

Salve o nosso MÉDICO/EDUCADOR/ESCRITOR...!!! Uma POTÊNCIA varzealegrense... ORGULHO para todos nós... Com ansiedade, aguardamos o evento.

PARABÉNS ao DR. BITU, a sua FAMÍLIA, e a todo o povo de V.ALEGRE !!! Com todo carinho, um FORTE ABRAÇO!!!

ISABEL VIEIRA DE OLIVEIRA SILVA

Humor na medicina.

Doutor, quando eu era solteira tive que abortar seis vezes. Agora que casei, não consigo engravidar.
Seu caso é muito comum: você não reproduz em cativeiro.

Doutor, tenho tendências suicidas. O que faço?
Em primeiro lugar, pague a consulta.

Doutor, sou a esposa do Zé, que sofreu um acidente; como ele está?
Bem, da cintura para baixo ele não teve nemum arranhão.
Puxa, que alegria. E da cintura para cima?
Não sei, ainda não trouxeram essa parte.

Após a cirurgia:
Doutor, entendo que vocês médicos se vistam de branco. Mas por que essa luz tão forte?
Meu filho, eu sou São Pedro.

No psiquiatra:
Doutor, tenho complexo de feia..
Que complexo que nada.

Doutor, o que eu tenho?
Ainda não sei, mas vamos descobrir na autopsia.

Meu médico é um incompetente. Tratou do fígado de minha esposa por vinte anos e ela morreu do coração.
O meu é muito melhor. Se trata você do fígado, você morre do fígado..

Um psicanalista no consultório de outro:
Doutor, venho ao colega para me aconselhar em um caso impossível.
De que se trata, colega?
Estou atendendo um argentino com complexo de inferioridade!

O psiquiatra incentiva o paciente:
Pode me contar desde o princípio...
Pois bem, doutor! No princípio eu criei o céu e a terra...

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A DIVINA COMÉDIA - Canto XXII - Por Vicente Almeida

O INFERNO

A escolta de 10 demônios

Dante e Virgílio tentando fugir de sua escolta
Pintura de Giovanni Stradano - Século XVI

Seguimos com os dez demônios. Durante a nossa jornada eu pude ter uma noção melhor de todo o vale e do breu fervente. Observei que, como os golfinhos que mostram suas costas acima da água, eventualmente um pecador mostrava as suas para aliviar por um instante seu sofrimento, e logo tornava a mergulhar. Outros ficavam à beira da fossa, mas submergiam assim que Barbariccia aparecia.

Vi então um pecador que, vacilante, demorou para retornar à calda fervente. Antes que o coitado pudesse submergir, Graffiacane o capturou agarrando-o pelos cabelos. Os diabos gritavam:

- Ó Rubicante! Enfia tuas garras nas costas dele! Esfola! Rasga a pele!!

Enquanto os demônios gritavam, eu voltei-me para o mestre e perguntei:

- Mestre, se puderes, descubra quem é este desgraçado que caiu nas mãos de seus adversários.

Meu guia se deslocou até o pecador, perguntou de onde viera, e ele respondeu:

- Eu nasci e fui criado no reino de Navarra. Depois fui servo do bom rei Tebaldo e lá aprendi a arte da barataria. Agora pago a conta neste caldo quente.

Ciriatto, que tinha duas presas no rosto que nem javali, fez-lhe sentir como uma só poderia rasgá-lo. Mas Barbariccia interveio, agarrando-o.

- Aproveita enquanto eu o seguro! - disse Barbariccia a Virgílio - Se quiseres que ele fale mais, continue a interrogá-lo antes que os outros o dilacerem.

- Então dize-me - continuou Virgílio - conheces algum latino lá embaixo?

- Eu estava com um agora há pouco. Queria eu estar lá embaixo com eles para não receber estas garfadas.

- Já esperamos demais! - gritou Libicocco, que com um garfo arrancou-lhe um pedaço do braço. Draghinazzo já ia furá-lo com o quinhão mas desistiu assim que percebeu que o decurião Barbariccia olhava para ele, irritado.

- Mas quem é aquele com quem disseste estar há pouco no caldo fervente? - continuou o mestre. - Era o frei Gomita de Gallura, soberano especulador. - respondeu o condenado - Vive ele a conversar com Dom Michel Zanche sobre a Sardenha. Ai! Mas olha só o diabo como ri! E apontava para um demônio bem próximo olhando para ele. Eu poderia te falar mais, mas temo que esse demônio se zangue e venha me torturar!

Mas Barbariccia virou-se para Farfarello, que já avançava, gritando:

- Te afasta, ave de rapina nojenta!

- Se quiseres ver toscanos e lombardos - continuou o pecador -, eu os farei vir aos montes! É preciso, porém, que os Malebranche se afastem, pois eles os temem. Eu, sozinho, sem sair deste lugar, farei vir sete deles com um simples assobio. É o nosso sinal para indicar que algum de nós está fora.

- Olha só a trapaça que ele armou para escapar! - disse Cagnazzo, rindo e sacudindo a cabeça.

- Trapaceiro eu sou - respondeu o esperto -, especialmente se for para trazer desgraça aos meus companheiros.

Mas Alichino queria ver para crer e o desafiou:

- Se tu mergulhares eu não correrei atrás de ti, pois tenho asas para te alcançar. Nós te deixaremos livre e ficaremos atrás do vale. Veremos se és mais rápido que nós.

E então todos tomaram o rumo do vale, começando com o que se opunha àquele jogo. Astuto, o corrupto saltou e conseguiu fugir. Alichino não conseguiu alcançá-lo. Calcabrina, irado, correu atrás também, torcendo que o danado escapasse para armar uma briga com Alichino. Assim que o pecador submergiu ele saltou em cima do seu irmão, e ambos se enroscaram no ar sobre o piche. Os dois começaram a se mutilar com suas garras até que caíram na pez fervente. O calor foi suficiente para separá-los, mas não conseguiam sair do poço, pois suas asas estavam encharcadas. Saíram então todos os outros diabos para os socorrer.

E lá os deixamos, naquela confusão, e continuamos sozinhos.

No Canto XXIII veremos a vala dos hipócritas

26/07/2011

SÓ O COURO E O PAU - Por Mundim do Vale.

Jorge Taveira Soube que um irmão estava doente e resolveu mandar seu filho Chagas, até o sítio onde o irmão morava, para que trouxesse notícias, Chamou o filho e recomendou:

- Chagas. Você vai até a casa do seu tío e me traga notícias.

Chagas demorou três dias por lá e quando chegou foi bombardeado por perguntas:

- Chagas, seu tío tá melhor?

-Tá não pai.

- Foi ele quem lhe recebeu?

- Foi não pai. Pruque ele tá cum as duas perna incanada cum taboca.

- E ele lhe conheceu?

- Cunheceu não, qui ele tá cego.

- Você pediu a bênção a ele?

- Pidí não, pruque ele tá cás duas mão na tipóia.

- Pois é. Eu acho que o jeito é eu mandar levar ele pra Emídio da Charneca.

- Num adianta não pai! Meu tí num açoita nem inté o fim do mês. Ele já tá intregando o couro as vara. Ói pai meu tí tá igual a tamanco.

- Igual a tamanco como?

- SÓ O COURO E O PAU!

CONFRONTO RIMADO - Parte 07/07 - Por Vicente Almeida

CONTINUAÇÃO

SETIMA E ÚLTIMA PARTE

E vamos finalizar
Este confronto rimado
Pois o momento é chagado
De encerrar a nossa história
Vamos guardar na memória
Pra outra hora ser lembrado.

Vicente Almeida – Visualizando um empate – 15:46

A peleja do Mundim
Com Dr. Sávio Pinheiro
Cabra de fibra e ligeiro
Nunca vi coisa assim
Leio tin tin por tin tin
Tá rimando sem parar
E o Mundim não vai ganhar
Vejam o que estou dizendo
O Sávio vai rebatendo.
Tudo que o Mundim falar.

Vai ver que essa disputa
Pode dar empate técnico
Eu que não sou cético
Já antevejo a vitória
Os dois no portal da história
Mundim do Vale Sorrindo
Lado a lado dividindo
Fama, prêmio, prestígio e dinheiro
Com Dr. Sávio Pinheiro
A taça ao meio partindo.

Vicente Almeida – Apresentando nova poetisa – 16:21

Quero
lhes apresentar;
Um poetisa diferente;
Que começou a fazer versos;
Quando viu nosso repente.

Na verdade é uma poetisa
Que tenho na minha casa
Nem eu sabia que em ela poesia
Era quente como brasa.

Magnólia, Klébia e Claude
Vocês tem nova companhia
Que agora com alegria
Acaba de entrar na história
Do Blog do Sanharol
Formando um quarteto de escol
Que ficará na memória.

Valdênia Almeida – Entrando e enaltecendo os poetas - 16:26

O meu marido Vicente
Antes não rimava nada
Estou muito admirada
De versos tão competentes

Quando era meu namorado
Era muito apaixonado
Fazia quadra pequena
Como as quadras de morena
Do poeta seu Elói
Cuja saudade nos dói.

Hoje está contagiado
Disputando com os amigos
Cada um mais destemido
Imitando o Patativa, o poeta mais amado.

Não me canso de dizer;
A rima é contagiante;
Aqui estou neste instante;
Rimando até sem saber.

O meu compadre Morais
Dizia que não rimava
Botou as unhas de fora
Agora rima demais.

O que mais me impressiona
O filho de dona Tonha
Sem um pingo de vergonha
Está APATATIVADO.

Francisco Gonçalves – Comentando as poesias - 21:48

Se é poeta ou poetisa
A mim não cabe julgar
Mas, se perder meu lugar
E quem é amigo avisa
Vou tentar improvisar
E garantir versificar
Não vou perder a camisa
Começo a rima com isa
Que é pobre de lascar
Mas,pior é o dedo entrar

Dia 26 de abril – Início do 4º dia – Reiniciando – 01:09

Claude Bloc – A INDORMITÁVEL - Comentando as rimas do Mundim – 01:09

Quando brinca com a rima
Mundim fica assustado
Sem querer fazer desfeita
Com verso de pé quebrado
Capricha de todo jeito
Faz um poema perfeito
De ficar arrepiado

Atiça toda cambada
A escrever bem direito
Num tem mote, num tem nada
Bem livre, de qualquer jeito
E até de madrugada
Na rua, ou na calçada
O verso cala no peito.

Um verso fala da vida
E outro do coração
Um verso mata saudade
Outro brinda a emoção
E pra falar a verdade
Escrever bem à vontade
É uma boa distração

A Morais eu agradeço
A prenda que recebi
Meus versos apareceram
De repente por aqui
Foi uma surpresa boa
Pois não escrevi à toa
A prosa do Cariri

Dia 27 de abril – Início do 5º e último dia – Reiniciando – 14:21

Wilson Bernardo – Entrando para fazer um comentário – 14:21

parecendo mais uma epopeia dos vales caririense, e que tal compilar tudo e transformar em livro uma peleja de quadras,versos,rimas e condutas...
um livro eternizaria esses comentários lúdicos. abraços

Vicente Almeida – Dando as boas vindas ao Wilson Bernardo – 17:53

Graaande Wilson Bernardo;
Que bom tu aparecer;
Agora tu podes ver;
Nosso confronto rimado;
Que está bastante animado;
Poeta de todo jeito;
Muitos amigos do peito;
Num encontro fraternal;
Num empenho colossal;
Pra aqui mostrar o seu feito.

Seja bem vindo amigo;
Senta naquela cadeira;
Vai naquela geladeira;
Pega uma gelada cerveja;
Mas, não me diga, ora veja!
Tu prefere é um café?
Então home se quiser;
Pode entrar lá na cozinha;
Senta naquela mezinha;
E pede lá pras muié.

Obs: Como disse o Francisco Gonçalves, a ortografia poética possui regras próprias.

meguelim sertum sertum – (que parece ser o mesmo Wilson Bernardo) Entrando e dando o seu recado – 19:52

Poi fico muito envaidecido
pelo convite do amigo
café não tomo, mas me abraço
com pinga que é coisa fofa
adormece em colo de menina.
Aprochegado já estou pois conheci
morais e o prefeito da jumenta
pois prefeito não tá em falta
a falta mesmo é de uma egua
pra gostar os fatos, assim me relatou morais
as peculiares conversas
de uma Várzea Alegre
de belas mulheres rimadas.

wilson bernardo
abraços a todos

A Morais – Conversando com o Wilson – 20:20

O amigo Wilson Bernardo,
Outro dia conheceu,
O senhor João Francisco
Que logo se ofereceu
Para levá-lo na terrinha
Saborear um guisado
Com farofa de galinha.

João Francisco é gente boa
O Povo todo comenta,
Por isso não foi a toa
E a historia não aumenta,
Na briga dos dois jumentos,
Que alguém pra chatear,
Disse falta um prefeito,
Ele quase não se agüenta,
Respondeu para encarar,
Tá faltando é uma jumenta.

Dia 28 de abril – Final do 5º e último dia - Reiniciando – 08:50

Wilson Bernardo – Desenquadrando as rimas – 08:50

Grande amigo Morais
Fraterno João Francisco
Que do dinheiro da prefeitura
não sabia em que cumbuca
mas do seu que era de bom fruto
cá nos seus bolsos e lhe era sabedor
coisa que o matuto eleitor os ói
arregalou e nas brenhas se findou.
São essas historias da Várzea
de homens bons e honestos que
Várzea Alegre cultiva e guardou.

Poliana Lima de Almeida – Entrando no confronto - últimos instantes – 13:47

Por falar em poesia;
Eu não sei mexer com isso;
Mas se vejo já me atiço.
Se meu pai pode com o feixe;
Afinal filha de peixe;
Sempre herda o seu feitiço.

Não quero ser atrevida;
Encarando assim um doutor;
Que rima com tanto louvor;
Com palavras sob medida.

Mas pra não causar transtorno;
Vou saindo de mansinho;
Afinal sou um peixinho;
Lidando com um trovador.

Poli - São Paulo 28 de Abril de 2010

Final do Confronto Rimado

Fecho a porta do passado
Ninguém entra, ninguém sai
O leitor agora vai
O confronto relembrar
No Google fica guardado
Digite Confronto rimado
Para rever os momentos
Os versos são alimentos
Que nutrirão nossa história
Guarde tudo na memória
Junto aos seus conhecimentos.
26/07/2011

O Cego e Tres Aleijados.

Composição: Pepe Moreno / D.Coelho.

Pepe, seja bem-vindo na minha humilde casa
Puxa a cadeira e escuta o que eu vou falar
Minha situação é muito complicada
Será que é pecado e eu tô aqui pra pagar?
Pepe, minha mulher diz que somos culpados
Somos primos e não deveríamos ter casado
Me xinga todo dia e me joga na cara
Nosso amor que deu nossos filhos aleijados
Pepe, meus filhos te amam e por isso eu te escrevi
Chorando eles me falam que você vai ajudar
Tudo é difícil, até pra ir pra escola
Difícil três aleijados pra um cego criar
Choro, choro pedindo perdão
Me filma, Pepe
Me filma, põe na televisão
Choro, choro pedindo perdão
Me filma, Pepe
Me filma, põe na televisão
Difícil três aleijados pra um cego criar, Pepe
É difícil
Tudo é tão longe, tudo é escuridão
Todo dia eu me ajoelho e peço a Deus o perdão
Pros meus pais eu fui desprezo, nasci sem enxergar
Pra minha mulher eu fui tristeza, dei os filhos sem andar
Sei que três aleijados pra voltar ao normal você não vai conseguir
Ajude ao menos meus filhos a sonhar e sorrir
Pois a minha mulher toma conta de mim
Seja um pai para eles pra não viverem assim
Obrigado por ter vindo até aqui
Você é famoso e veio aqui me ouvir
Vem cá, me dê um abraço, deixa eu tocar em ti
Deus vai te dar em dobro o que fizeres por mim
Choro, choro pedindo perdão
Me filma, Pepe
Me filma, põe na televisão
Choro, choro pedindo perdão
Me filma, Pepe
Me filma, põe na televisão
Choro, choro pedindo perdão
Me filma, Pepe
Me filma, põe na televisão
Eu choro, choro pedindo perdão
Me filma, Pepe
Me filma, põe na televisão
Me filma, Pepe
Me filma, põe na televisão
Pepe, seja bem vindo na minha humilde casa.

Veja o video.

Terça - Blog em Prosa - Premio da ESURD - Por Geovane Costa.


A comunidade de Roçado de Dentro, que fica na Sede Rural deste município, se inscreveu em 2010 para concorrer a um projeto cultural implantado no governo do ex-presidente Lula e gerenciado pela Secult- Secretaria de Cultura do Ceará.

Chamado de Ponto de Cultura, o projeto destina verba para o desenvolvimento de atividades artísticas, culturais e artesanais para alguns municípios brasileiros.

A Esurd - Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro, foi beneficiada com uma verba de R$ 180.000,00, dinheiro que será repassado para escola de samba em três parcelas iguais, durante três anos.

Deyse Diniz, da direção da Esurd, informou que o dinheiro do projeto será aplicado em cursos de instrumentos musicais, artesanato, e que será criado o museu da agremiação carnavalesca. Ela disse que o Ponto de Cultura funcionará na sede da Esurd.

O projeto será fiscalizado anualmente pela Secult, com integrantes da secretaria conferindo, na comunidade, a aplicação das suas ações.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

CONFRONTO RIMADO - Parte 06/07 - Por Vicente Almeida

CONTINUAÇÃO

SEXTA PARTE

E vamos continuar
Nosso confronto rimado
Que se deu no Sanharol
Em abril do ano passado
Se não viu, que veja agora
A continuação da história
Neste Blog registrado.

Claude Bloc comentando com Sávio sobre a morte da pata – 12:16

Dr. Savio, o senhor
Da moça tem que cuidar
Será que a morte da pata
Vai a moça endoidar?
O motorista coitado
Apesar do seu cuidado
Não pode a moça curar.

A agonia foi grande
A pata de estimação
Não viu a cobra na moita
Pisou na "bicha" e então
A cobra toda enfezada
deu-lhe logo uma dentada
e a pata caiu no chão.

A menina quando viu
A pata desacordada
Pegou logo a bichinha
E tentou reanimar
Soprou na venta da pata
Mas a pata muito ingrata,
Nada de se acordar.

Foi ai que a menina
De repente percebeu
Que a pobre da patinha
Envenenada morreu
E para seu desespero
Chorou com muito exagero
E depois adoeceu.

Mundim do Vale – Divagando – 12:19

Tomar onde a pata toma
Eu garanto que não vou,
Mas o Sávio já tomou
E fez o exame da goma.
Na vida o poeta soma,
A função de andarilho
E a tempo perdeu o brilho.
Nesse confronte que faz
Lembra que a tempos atrás
Foi o rei do trocadilho.

Paulo Viana – Entrando no Confronto – 12:24

Quando vejo todo mundo
Dizendo verso rimado
Sinto um orgulho profundo
Desse povo abençoado

Começou com o Mundim
Desafiando em cordel
E Zé Sávio disse sim
E cumpriu o seu papel

Os dois se engalfinharam
Em versos metrificados
Poetas que exemplaram
E nos deixaram espantados

De repente uma explosão
De poetas lá da terra
começou a confusão
O Blog virou uma guerra

Mas foi uma guerra sadia
Uma contenda em versos
Disputada em poesia
De cantadores diversos

Varzealegrense que sou
Não podia ficar de fora
Fiz meus versos nessa hora
Por isso que aqui estou

Agradeço a atenção
E o espaço aqui me dado
E digo de coração
Foi bom ter participado.

Sávio Pinheiro – Respondendo a Claude bloc – 12:51

O Mundim já perguntou
Por missa de sétimo dia
Onde o vigário anuncia
Tanto hino de louvor.
A pata não sentiu dor
Porque morreu de repente.
E agora ficando ausente
Mostra uma enorme saudade
Deixando toda a cidade
Com um pesar comovente.

A pobre dessa menina
Ficou com a mente agitada,
Mas ela será curada
Pela equipe de rotina.
A sua história fascina
As pessoas do lugar.
Todas vão lhe ajudar
E alegrar a sua mente
Para deixá-la contente
Se a pata no céu chegar.

Sávio Pinheiro – Respondendo ao Mundim do Vale – 13:07

Eu lhe boto um bigorrilho
Quando você se sentar
Pois não gosto de apanhar
Mesmo quando saio do trilho.
Na vida desse andarilho
Tem um homem sonhador.
Eu sonhei com o senhor
Rimando com Israel
Na garupa do corcel
Seu cavalo corredor.

A Morais – Comentando sobre a conduta de Israel – 13:17

O Amigo Israel,
Deve está apaixonado.
Foi deixar seu comentário,
Valioso e razoado,
Numa outra postagem,
Fica aqui o meu aplauso,
Ao seu procedimento,
Que Deus ajude e conceda,
Um bom relacionamento.

Sávio Pinheiro – Enaltecendo Paulo Viana – 13:20

A todos,

Paulo Viana encantou
Com bonita melodia
E rimou com maestria
Da maneira que pensou.
A todos vangloriou
De um jeito bem bonito.
Para nós lançou seu grito,
Sua maneira de pensar
E agora faz-se popular
Esse escritor erudito.

Mundim do Vale – Comentando a ausência do Israel – 13:37

Israel apareceu
Numa postagem seguida,
Mas tá com orelha ardida
Do confronte que se deu.
Não sabe o que aconteceu
Nos dias que teve ausente,
Não debateu com a gente
Mas deixou a revelia.
E agora a grande folia
É procurar o Vicente.

Mundim do Vale – Enaltecendo os mais de cem comentários – 13:58

que passamos dos cem
Eu fiquei muito feliz,
Porque a Claude Boris
Fez os seus versos também.
E eu voando no além
Com o senso fora da base,
Passei um boa faze
Curtindo arrependimento.
Porque disse num momento
Que ela era paparazzi.

Francisco Gonçalves – Também sobre o volume histórico de comentários – 15:10

Cento e dois comentários
Veja só que maravilha
E sem perder minha trilha
Vou fazendo os corolários
Aqui o poeta brilha
Cada qual com sua cartilha
Defendendo os ideários
Não se falou dos políticos
Que formando a sua matilha
ficam presos à sua camarilha.

FIM DA SEXTA PARTE

Volte outra hora lhe peço
Para ver mais um pouquinho
Do cutucão do Mundinho
Neste vespeiro aloprado
De poetas e poetisas
Rimando ao sabor das brisas
Deste blog abençoado.

**************************
Amanhã postaremos a sétima e última parte

25/07/2011

003 - NADA SE CRIA, TUDO SE COPIA.

Muita gente chia e grita contra as musicas de má qualidade que atualmente dominam as paradas. Na verdade na atualidade pouco se cria e, tudo se copia. Quando surgem grandes valores nascem copiando musicas antigas. O publico é o maior responsavel por todo este mal gosto. Diz que não presta e compra o disco, fala que é ruim e lota os shows. Por esta razão a musica que não tem qualidade se sustenta e faz dos nossos ouvidos pinico. Musica antiga, talento atual.

Devolva-me - Adriana Calcanhoto.

domingo, 24 de julho de 2011

CONFRONTO RIMADO - Parte 05/07 - Por Vicente Almeida

CONTINUAÇÃO
Quinta Parte
E vamos continuar
Nosso confronto rimado
Que se deu no Sanharol
Em abril do ano passado
Se não viu, que veja agora
A continuação da história
Neste Blog registrado.

Sávio Pinheiro - Comentando com Claude Bloc – 08:19

Agora tomei ciência
Da história da patinha
Pois a paciente tinha
Um desmaio com demência.
Ela deu impaciência
No motorista em ação.
Ele, com forte emoção
Gritou alto, endiabrado:
A marchar fui obrigado
Distante do batalhão.

Mundim do Vale - Retornando ao confronto - 08:39

O meu cavalo parou
Por falta de ferradura
Mas me montei na cultura
E de volta aqui estou.
Teve um vate que falou
Que não serei o primeiro.
Mas ele tá é com medo,
Do confronto com o dedo
Do Dr. Sávio Pinheiro.

Mundim do Vale –Defendendo Claude - 08:44

Claude chegou atrasada
Mas trouxe muita bagagem,
Já teve até a coragem
De cutucar a cambada.
Mas tem certo camarada
Na área da medicina,
Que usa a rima assassina
Sem pensar na conseqüência.
Mas eu tomo a providência
Se ele agredir a menina.

Mundim do Vale Admirado da quantidade de poetas - 08:49

O confronto virtual
Já cresce mais que fuchico
Tem comentário do Chico
E até de Portugal.
Claude manda de Sobral
E assim ninguém abusa.
já veio também da lusa
Lusa de brincadeirinha,
Porque nasceu na terrinha
A prima Klébia Fiuza.

Mundim do Vale – Se vangloriando - 8:52

tem um poeta aflito
Pensando em quem vai ganhar,
Eu tou calmo em meu lugar
Porque sou o favorito.
Logo após o veredito
Eu vou mostrar aos doutores,
Poetisas e escritores
O troféu que vou ganhar.
Depois eu vou dedicar
Para todos perdedores.

Sávio Pinheiro – Replicando Morais - 08:58

Vocês só falam no dedo
Desse humilde doutor,
Porém, sem ser sedutor
Não necessitam ter medo.
O nosso grande segredo
Eu não posso revelar.
Contudo, devo educar
A população tristonha,
Que se mata de vergonha,
Se na prevenção falar.

Sávio Pinheiro – Felicitando a todos - 09:13

O cavalo não parou
E o Mundim apareceu
Um arrebite lhe deu
E ele, aqui, retornou.
A população gostou
E o blog engrandeceu.
Eu confesso que me deu
Um pensamento esquisito,
Pois Vicente estava aflito
Porém, não menos que eu.

Sávio Pinheiro – Enaltecendo a Klébia Fiúza - 9;27

A Klébia com muita ação
Detonou de Portugal
Uma poesia legal
Promovendo a reação.
A tanta superação
Devemos valorizar.
Ela veio pra ficar
Demonstrando o seu direito
Fazendo muito bem feito
Um poema popular.

Sávio Pinheiro – Justificando sua conversa com a Claude sobre a pata - 10:03

Mundim eu uso a poética
Sem dar cabo do humor,
Porém detenho o valor
De utilizar bem a ética.
Pra não perder a estética
Não vou aqui me explicar.
Todavia, ao escutar
Que a garota padeceu
Porque a pata morreu
Fui logo a Claude contar.

Mundim do Vale – Mangando do Sávio - 10:59

Meu caro Sávio Pinheiro
Não tire o seu da reta,
O confronto é pra poeta
E não para cozinheiro.
Não estamos em galinheiro
Nem pata é muita sadía.
Dentro da gastronomia
Em pata não boto fé.
Mas me diga quando é
A missa de sétimo dia?

Francisco Gonçalves de Oliveira – Entrando no confronto - 11:15

Por que será que me atrevo
Nessa peleja entrar
Às vezes eu penso se devo
Nessa plêiade continuar
Leio sempre o que escrevo
Combino pra não errar
Quando encontro algum entravo
Eu procuro me apoiar
No pouco que sei e gravo
E que possa me auxiliar.

Licença poética o correto é auxiliar-me.
Mas o bom português do povo diz: Me de um cigarro ai.

O Israel não vai participar
E o que devemos fazer
É a ele respeitar
Mas, vamos o convencer
Que melhor pode ficar
Se com seus versos dizer
E seu estilo próprio de rimar
Que é preciso perceber
O valor da cultura popular
Agora é orar e esperar pra ver.

Sávio Pinheiro – Replicando o Mundim do Vale – 11:41

Relembrando o galinheiro
Este é lugar de galinha
E eu não vivo na cozinha,
Pois sou galo de terreiro.
Não quero ser pioneiro
Em tirar a sua goma
Só pretendo ver a soma
Daí, ter de anunciar
Que o Mundim, vou mandar,
Tomar onde a pata toma.

Mundim do Vale – Criticando a ausencia do Israel – 11:46

Francisco espere deitado
Que Israel não vem não,
Tá com medo da pressão
Nesse confronto rimado.
Quer saber do resultado?
Eu vou agora contar
Israel vai inventar,
Que a C.P.U. tá no prego.
Eu asseguro e não nego
Que é medo de me enfrentar.

Claude Bloc – Estimulando a peleja - 12:02

De rimar não tenho medo
Rimo até de madrugada
Com os olhos se fechando
Com a mente apagada
E quando pego no sono
Penso que tô acordada

Mundim voltou pra peleja
E Sávio vai pelejar
Não importa o resultado
Pois todos vamos ganhar
A rima passou de lado
O verso nasceu quadrado
O jeito é versejar.

Mundim
pegou o cavalo
E se pôs a galopar
Mas o cavalo teimoso
So queria esquipar
E no "xoto" se danava
e o "pobe" se lascava
de tanto sacolejar.

com "os bofe" pra fora
Mundim resolveu parar
Desceu do cavalo e disse:
"Arre égua" tô pebado
Esse cavalo danado
Sacode de todo lado
Num dá mais pra caminhar.

Morais acordou bem cedo
E no "Sanharol" chegou
Olhou pros versos da gente
Olhou pro sol e pensou:
"Não sei o que é mais quente
Se essa "briga" da gente
Ou o sol que Deus criou".

FIM DA QUINTA PARTE

Volte outra hora prezado
Para ver mais um pouquinho
Do cutucão do Mundinho
Neste vespeiro aloprado
De poetas e poetisas
Rimando ao sabor das brisas
Deste blog abençoado.

24/07/2011

Arquibancada do Flamengo.

Um Flamenguista entra no Cartório com seu remelentinho , para registrá-lo ...

Na hora em que é chamado, ouve a pergunta do Escrevente:

E aí, já sabe o nome que vai colocar ?

Ele responde...

Sei.
Será uma homenagem ao meu time e será "Arquibancada do Framengo"!
O quê ? Desculpa, mas este nome não pode ... não existe este tipo de homenagem ...
E o Flamenguista, usando de todo o seu neurônio, responde:

Aí sangue-bão... craro que tem sim, maluco!
Afinar de contas, se meu vizinho se chama, GERAL-DO-SANTOS, purquê num posso chamar meu pivetinho de ARQUIBANCADA DO FRAMENGO ???!!!


ENCANTADO CORDEL - POR SERGIO GOMES

Enviado por Antonio Primo Emidio.

Se falo certo,
Tô errado,
Se falo errado,
Tô diplomado,
Porque nesse Brasil,
O bom é ser analfabetizado...

Se sou hetero,
tô errado,
Se sou gay,
Tô valorizado,
Porque nesse Brasil,
Anda tudo meio afrescalhado...

Se elogio uma mulher,
É assédio, tô errado,
Mas, se ignoro, coitado
Tô lascado, me chamam de viado
Porque nesse Brasil,
Anda tudo muito politizado...

Se faço brincadeira na escola,
Tô errado,
Se não faço, fazem comigo
Tô lascado,
Porque nesse Brasil,
Anda tudo bullynguizado...

Já não sei o que fazer,
Se posso me virar ou me mexer,
Se devo andar de frente ou de lado,
Êta que paisinho danado!

sábado, 23 de julho de 2011

De "João Cotoco" ao Obelisco do Centenário, a trágica história dos monumentos de Crato -- por Armando Lopes Rafael



Hoje passei em frente aos tapumes que escondem as obras de reforma da Praça Juarez Távora, mais conhecida como Praça São Vicente. É nisso que dá os vereadores ficarem mudando denominações de logradouros já batizados pelo povo. Os nomes oficiais não caem no gosto da população e sempre prevalecem as denominações populares. Outra praça de Crato – a de Cristo Rei, também conhecida como Praça dos Pombos -- é outro exemplo. Ninguém a conhece pela denominação oficial, que é Praça Francisco Sá.
Mas, voltemos à reforma da Praça São Vicente, ou Juarez Távora como foi denominada pelos vereadores cratenses há mais de sessenta anos. Quem passa por lá, apesar dos tapumes, já vê, novamente, o Obelisco do Centenário -- um dos poucos monumentos desta bicentenária cidade – tão pobre em monumentos públicos. O obelisco, lá existente, estava -- há longos anos -- escondido pelos galhos de duas mal localizadas mangueiras. Quando a reforma for concluída o teremos de novo visível, alvacento e altaneiro, como lá foi erguido no já distante 1953...

É comum ouvirmos esta reclamação: Crato, com 247 anos de existência, possui poucos monumentos públicos. Parece até uma maldição! Criada como vila em 1764, somente em 1903, 140 anos depois, foi erguido, na Cidade de Frei Carlos, o primeiro monumento público. Tudo aconteceu assim: em 1903 o governador do Ceará, Pedro Borges, enviou a todos os prefeitos cearenses um pedido para que a tentativa de colonização do Ceará – ocorrida em 1603, epopeia feita por Pero Coelho – fosse solenemente comemorada.

O então prefeito de Crato, Coronel José Belém de Figueiredo, mandou construir um busto do colonizador do Ceará – Pero Coelho – e o colocou na Praça da Sé. Como artista contratou, para tal empreitada, o Mestre Santos, artesão bastante conhecido nesta cidade, àquela época.

Deixemos com a palavra o escritor e poeta José Alves de Figueiredo, que publicou crônica a este respeito, inserida no livro “Ana Mulata”, de sua autoria:

“A obra de Mestre Santos, executada talvez, sob mau signo, veio coberta de azar, traduzindo perfeitamente a fatalidade que pesou sobre a cabeça de Pero Coelho, em vida, e que vem influindo sinistramente, no destino do povo cearense. Exposta aos olhos do público, um moleque batizou-a com o nome pouco reverente de João Cotoco, e a maledicência da rua adotou-a com satisfação.
Com este pouco auspicioso começo, rápido e funesto foi o seu fim. Logo nos primeiros meses de inverno, o choque de duas eletricidades contrárias produziu um raio que, desprezando os dois

prédios próximos, muito mais altos, e a elevada torre da Matriz, caiu sobre João Cotoco, deixando-o, com o seu pedestal, em fragmentos”.
Eis aí a história do primeiro monumento público de Crato!
(Texto: Armando Lopes Rafael)

QUANDO SETEMBRO VIER - Por Mundim do Vale.

Eu sinto muita saudade
Do aconchego do meu lar,
Tou pensando em retornar
É essa a minha vontade.
A tristesa me invade
E faz de mim o que quer,
Mas se o divino quiser
Atender esse cristão
Vou até de caminhão
QUANDO SETEMBRO VIER.

Não é que eu esteja mal
Na cidade de Jatí
Tou muito bem por aquí
O povo é muito legal.
Mas não acho natural
Esteja eu, onde estiver,
Viver longe da mulher
Dos meus filhos e minha neta,
Vou até de bicicleta
QUANDO SETEMBRO VIER.

Vou botar nesse destino
Um dia no Sanharol
Para tomar uma Skol
Com meu primo Neto Aquino.
No bar de Jesus Sabino
Tem cana pra quem quiser,
Mas se Cláudio lá tiver
Querendo botar boneco,
Nós vamos lá pra Alberto
QUANDO SETEMBRO VIER.

Mundim do Vale.

A DIVINA COMÉDIA - Canto - XXI - Por Vicente Almeida

INFERNO
Vala dos corruptos - Malebranche (demônios)

De cima de outra ponte paramos para ver a próxima fissura de Malebolge, que era incrivelmente escura.

embaixo um grosso breu fervia. Eu olhava mas nada via a não ser as bolhas de piche que a fervura levantava. Enquanto meus olhos procuravam alguma coisa naquela escuridão, meu guia gritou:

- Cuidado, cuidado! - e logo me arrancou do lugar de onde eu estava.

Diabo atirando um pecador no piche fevente
Ilustração de Gustave Doré

Voltei-me e vi logo atrás um diabo preto que corria em nossa direção. Ai, mas como ele tinha um aspecto feroz! Com suas asas abertas ele corria ligeiro com os pés. Levava um pecador no seu ombro pontiagudo, que pelos tendões dos pés tinha seguro. Parou diante da pez fervente, e gritou:

- Ó Malebranche, aqui está mais um daqueles anciões devotos de Santa Zita. Cuida dele pois eu vou buscar outros. Quase todos naquela terra são corruptos, exceto, é claro, Bonturo! Lá, com dinheiro, qualquer não vira um sim.

Depois que falou, soltou o pecador das alturas, que submergiu no líquido espesso. O diabo voltou correndo pelos recifes e sumiu na escuridão. O pecador ainda tentou ressurgir na superfície, mas vários demônios que estavam sob a ponte saíram e o perfuraram com mais de cem garfos, levando-o a outra vez submergir.

Demonios aneaçadores na vala dos corruptos
Ilustração de Paul Gustave Doré

- É melhor que te escondas. - sussurrou o mestre, preocupado com a presença de tantos demônios - Não é bom que saibam da tua presença. Fica aí atrás daquela pedra e não saias tu de lá até que eu te chame!

Fui e obedeci. Seu temor tinha sentido. Quando o mestre chegou ao outro lado da vala, eles surgiram. Saíram todos de baixo da ponte e quando viram o meu guia, apontaram arpões na direção dele.

- Nenhum de vós seja inimigo! - gritou Virgílio - e antes que me ataquem, que venha um de vós e me ouça!

- Vai Malacoda! - gritaram todos.

E então, um dos diabos se separou do grupo e se aproximou, rosnando:

- De que lhe adianta falar comigo?

- Crês tu Malacoda - falou o mestre -, que eu teria chegado até aqui se não fosse por vontade divina? Me deixa seguir pois no céu a vontade é que eu guie alguém por este caminho.

Com isto o orgulho dele caiu, assim como o seu arpão que parou a seus pés, e gritou para os outros:

- Não toquem nele!

O mestre então gritou, ordenando que eu saísse do meu esconderijo. Eu obedeci e corri na direção dele. Vendo todos aqueles diabos voando na minha direção, temi por um instante que o pacto não fosse cumprido.

- Vou tocá-lo! - gritou um - Aonde? - perguntou outro. Mas Malacoda voltou-se rapidamente para eles e os afastou, gritando:

- Fica quieto Scarmiglione! - e depois virou-se para nós, dizendo - Esta ponte sobre a sexta vala está em ruínas. Se vocês quiserem prosseguir, devem continuar por esta beira e mais adiante irão encontrar outra ponte. De ontem, cinco horas mais que agora, já são 1266 anos desde que esta via foi destruída. Para lá mandarei alguns dos meus guardas que irão fiscalizar os pecadores no fosso. Podem ir com eles. Eles se comportarão.

Escolta infernal, instituída para conduzir os visitantes
pela vala
dos corruptos
Ilustação de Paul Gustave Doré

E então Malacoda designou 10 diabos para nos escoltar, chamando-os um a um pelo nome: Calcabrina, Alichino, Cagnazzo, Libicocco, Draghignazzo, Graffiacane, Ciriatto, Farfarello, Rubicante e Barbariccia, o chefe da expedição.

- Meu mestre, o que é que eu vejo? - falei, assustado - dispensa a escolta e vamos embora sozinhos, pois eu não quero seguir na companhia deles. Se prestas atenção, como é o teu costume, vê como eles mostram os dentes e piscam uns para os outros.

- Não há o que temer - respondeu o mestre - deixa que eles mostrem seus dentes à vontade. Eles o fazem para as almas que fervem e não para nós.

Antes de seguirmos pela beira à esquerda, os demônios saudaram Malacoda soprando, com a língua firme entre os dentes, fazendo um som obsceno. Esperavam um sinal para partir. O demônio então, os respondeu de volta com o ânus em som de trombeta.

No Canto XXII, veremos ainda a escolta dos dez demônios

23/07/2011