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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PRESENTE DESVIADO - Por Mundim do Vale


Áureo Piau era meu tío e padrinho, todas às vezes que ele vinha a Várzea Alegre, trazia um presente para mim. Uma vez foi um carneiro, mas para mim não sobrou nem a lã, depois foi cinquenta mil réis que meu pai trocou a cédula por duas de dois mil réis e eu ainda fiquei pensando que tinha saído ganhando naquela permuta.
Numa outra ocasião o meu padrinho mandou um recado que vinha para me abençoar e entregar um presente, os comentários daquele recado geraram uma grande expectativa na minha cabeça de criança.
Na data que foi marcada eu dei uma volta pela cidade e quando retornei foi mais descofiado do que condutor de matéria para exame de fese. Quem me conhecia dizia:
- O que é que esse menino tem?
E eu calado.
Minha mãe dava aulas para um pessoal do Roçado de Dentro e Sanharol e eu comecei a fazer bagunça pulando sobre as carteiras. A boa professora falou:
- Raimundo você tá atrapalhando meus alunos. Vá lá pra calçada da casa de João Bilé, para esperar seu padrinho com o seu presente.
Eu levantei a cabeça e falei:
- Mamãe! Eu acho que aquele presente não vem mais não.
- E porque é que você acha?
- É porque eu ví o burro do meu padrinho amarrado numa cerca perto da *cruz de Valdízio Correia.
- Mais ele ainda vem.
Raimundinho de Antônio do Sapo que era um dos alunos disse:
- Irací. Eu acho que o presente de Raimundo a essa altura já foi entregue a outra pessoa.
A * Cruz de Valdízio Correia, era bem próximo ao antigo frejo onde depois ficou sendo o Ingém Véi.
Dedicado a todo o cardume de Piaus.

O Preço da Vaidade.

Vou vender esta historia pelo mesmo preço que recebi do meu primo Fernando Menezes, nem por mais, nem por menos. Fala da vaidade humana, mesmo quando se trata de coisas sagradas. Aconteceu com um amigo que não revelo o nome nem sob tortura.

O Padre fazia a coleta das esmolas na ribeira e anotava num caderno. O referido devoto não sabia que o Padre fazia a leitura dos valores ofertados na radio no dia seguinte. Quando tomou conhecimento deste procedimento, correu a igreja e procurou o Padre para dar-lhe um aumento substancial na oferta anterior, ou seja doando desta feita 100,00.
Afastou-se um pouco do altar e ficou atenciosamente esperando a leitura que era feita por ordem da localização das casas na ribeira. Quando chegou sua vez o padre lascou: Fulano de tal - CEM REAIS, tinha dado UM.

016 - Uma palavra amiga - Padre Juca.

Qual é o seu ideal de vida? Quem são seus idolos? A pessoa vive conforme a sua crença. Deixe de ser macaquinho e de viver conforme tal artista ou tal fulano! Tenha pelo menos um pouco de senso critico. Não permita que façam sua cabeça. Ninguem vai assumir seus atos. É voce que responderá por eles.

A fé e o ideal hão de ser sempre as mais poderosas alavancas do progresso e da felicidade de toda pessoa humana. Ou como ensina outro pensamento: "O desgosto da vida outra coisa não é senão uma imensa necessidade de Deus".


Deficiencias - Mario Quintana.

Deficiente - É aquele que não consegue modificar a sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

Louco - É quem não procura ser feliz com o que possui.

Cego - É aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem os olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

Surdo - É aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou um apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

Mudo - É aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da mascara da hipocrisia.

Paralítico - É quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

Diabético - É quem não consegue ser doce.

Anão - É quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências, é ser miserável, pois: miseráveis - são todos que não conseguem falar com Deus.

A amizade é um amor que nunca morre.

Mário Quintana.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

ONDE EU ANDAVA - Por Mundim do Vale

Eu estva no Sanharol. Eita. Sanharol bom, Só não é no oitão da minha casa.


A Flor da Serra Verde amarrou-se naqueles dois, porque na verdade eles são muito simpáticos e acolhedores, mas a menina quebrou a cara. Eu ouví dizer que nos dois dias que ela ficou por lá, não viu fogo aceso.

Agora eu, me dei bem. Estava na companhia de outro casal também muito simpático. Por lá tinha fogo aceso era de churrasqueira. a mesa foi ilustrada com cerveja gelada, carneiro assado, lasanha, pão de arroz, fatia dourada e tapioca com manteiga da terra e chantilí ( Quem for francesa me corrija a palavra " Chantilí " ).

Allem da boa gastronomia, nós ainda tivemos a companhia das alegres crianças. Eu incorporei Patatá e o ambiente virou um parque infantil. Dr. Meneses trouxe um boiada de plástico, João Pedro ferrou um garrote, eu apartei os bezerros e Aloízio tirou o leite das vacas pra Rita fazer uma qualhada.

Depois de um conflito de geração, numa teima minha com Aloízio, as crianças resolveram armar uma arapucas. A cuidadosa mãe dise que eles só podiam ir se fossem calçados. joão Pedro não sabia onde estava seus calçados, veio me pedir a minha sandália japonesa. Logo depois ele chegou falando:

- Ei Mundim. teu chinelo ficou pequeno pra mim, eu vou levar é os do meu avô, porque a tua só deu pra Aloízio.

Onde eu estava?

Estava no meio da fartura e a outra só comeu rosário de coco e jatobá.

ONDE ANDAVA MUNDIM DO VALE??? - Por Claude Bloc

Na minha ida a Várzea Alegre, recebi alegremente a acolhida de Dr. Savio Pinheiro e Fran na casa deles... Fizemos um verdadeiro tour (turismo) pela cidade. Fomos ao evento da entrega da medalha Papai Raimundo, fomos assistir à Salva do meio-dia",  fomos a uma feijoada no encontro de "Amigos de Anos", fomos visitar a casa dos Bitus - onde se festejava o lançamento do livro de Dr. Zé Bitu - "Camisa nova, seu doutor" -  e fizemos outras visitas também... 

Finalmente, à noitinha, fomos aos festejos de São Raimundo Nonato. Visitamos o barracão da cultura onde conheci o grande pintor Maciej Babinski, encontramos também, em meio à multidão, o nosso amigo Luiz Lisboa, Vi Claudio Sousa lendo no palco um poema de Mundim do Vale... Enfim, foi uma grande peregrinação pela ciddade de Várzea Alegre o dia todo e sempre perguntando às pessoas, aqui e ali, por onde andava o famoso poeta de Rajalegre - Mundim do Vale, pois fui convidada por ele para a homenagem que foi feita a Pedro Piau, no dia 27 de agosto.

Pois é, minha gente, não encontramos Mundim. Todo mundo tinha visto, mas em canto nenhum ele estava. Parece que estava encantado ou entocado em algum lugar... Não achamos.

Dia 28, fomos ao Sanharol, visitar Morais e família.. Dr. Savio preocupado com o sumiço de Mundim foi escacaviar ver se achava o rapaz. E vejam só que surpresa: Mundim estava perdido no balde de brinquedos de Aluisio... E foi um sacrifício identificar qual dos brinquedos era Mundim do Vale... Tudo do mermo tamãim...

Aluísio, como já conhecia os demais briquedos, foi quem ajudou a tirar Mundim dessa situação vexatória... 
Quem não acreditar depois dessa reportagem... é porque tá cego.


Claude Bloc

ENCONTROS NO SANHAROL... Por Claude Bloc

A vida da gente é marcada de encontros. Várzea Alegre é uma cidade de gente acolhedora e cheia de senso de humor. Quando a gente se reúne pode contar que a gargalhada ecoa no ar e a alegria toma conta do riso de todos. Prosa boa. As orelhas dos outros podem até arder, coçar, mas no apurado das contas, todos saem inteiros, pois reina entre a gente o bem querer.

É traço certeiro no varzealegrense a criatividade e a espirituosidade. É isso que conta na hora dos causos de Mundim, de Morais, de Dr. Sávio. E a platéia se enche dessa claridade do sol de meio-dia pra encher a alma de alegria.

É a graça, é o encontro, é a vida. Amizade que se espelha na gente de forma inteira
E lá vem Mundim em meio à prosa, refrescando a memória com uma loura gelada.
E a cada encontro essa certeza de poder ser feliz com as coisas mais simples do mundo.


Claude Bloc

Terça - Blog em prosa - Por Geovane Costa.

Em 1984, eu morava no Sanharol, recém chegado da Bahia e havia por aqui um surto de roubo de galinha. Era o assunto do povo. Ontem roubaram tantas galinhas em tal casa, levaram até o galo. Em nossa casa tinha uma espingarda de cartucho, calibre 28. Meu irmão carregava uns cartuchos até a boca que era para caçar veado. Preocupado com a situação uma noite eu resolvi me precaver e pensei comigo. Se este ladrão vier pra cá hoje ele se atrapalha. Fui dormir na cozinha, sem dizer nada a ninguém, botei a arma e bornal com os cartuchos debaixo da rede. Deixei uma cadeira encostado na porta que era para subir e alcançar a brecha da porta de cima para atirar. Pois bem, quando foi altas horas, eu acordei com um grito de galinha quando é pegada: qué qué quèllllllll!

Aí eu resolvi agir: peguei a espingarda, subi na cadeira e mirei num vulto que tinha debaixo do poleiro. Nem pensei. Beiiiiiiiiii! Um tiro que destabocou no oco do mundo! Minha mãe e meu pai chegaram rapidinho na cozinha querendo saber o que tinha acontecido. Mas eu estava sem fala, porque o vulto havia desaparecido.

Passei resto da noite planejando uma fuga. Quando o dia foi clareando eu criei coragem para olhar se tinha algum cadáver debaixo daquela cajarana. Mas não tinha nada. Minha mãe levantou-se alegre, cantando, mas quando abriu da porta da cozinha correu o olho no terreiro e foi logo esbravejando: Quem foi o diabo que quebrou minha cuscuzeira que eu tinha botado na cabeça daquela estaca?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Varzea-Alegre e sua Cultura Musical.

A historia da musica em Várzea-Alegre passa por José Clementino do Nascimento como grande compositor e, com António Sousa do Roçado Dentro, Bié, Chico de Amadeu, Pedro Sousa, Chico Araújo e umas Bandas locais que fizeram ou fazem grande sucesso na atualidade.

Não me recorde de grandes interpretes locais. Com excessão do Chagas que fez parte do Conjunto Pedro Sousa não lembro outro.

Atualmente interpretes jovens despontam com bastante desenvoltura. Veja o vídeo e Identifique estas varzealegrenses talentosas e boas de voz.

Parabéns.


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CERIMÔNIA DE ENTREGA DA MEDALHA PAPAI RAIMUNDO

A CERIMÔNIA DE ENTREGA DA MEDALHA PAPAI RAIMUNDO constituiu-se num grande evento na cidade de Várzea Alegre. Acontecida dia 27 de agosto de 2011, trouxe em destaque dez nomes notáveis que, de uma forma ou de outra, abrilhantaram a vida da cidade.

Parabéns aos homenageados que certamente fizeram por mereceer a medalha que lhes foi entregue.



 01 - Dr. Pedro Satiro, a esposa  Maria Candice e o filho Dr. Evandro.

02 - Dr. Feitosinha Vilar.

 03 -  O estudante Ricardo Oliveira

04 - Dr. Jose Bitu Moreno
05 - Pedro Piau

06 - Otonite Cortez

07 - Padre Jose Mota Mendes

08 - João de Carvalho Pimpim

09 - Paulo Danubio Costa

10 - Dona Rosinha Correia Diniz o filho Luiz Helder e o Neto Carlos Kleber

Obs. O Prefeito Jose Helder e o Vice Tiburcio Bezerra estão em todas as fotos.

Os diferentes.

Tenho o maior apreço e admiração pela série " Os diferentes". Tenho conhecimento que não são mais de 15 personalidades prestimosas catalogadas até o momento. Já temos 11 no Blog, portanto faltam poucas. Conclamo os leitores e colaboradores a enviarem nomes e fotos já que são tantos a fazerem parte da historia.

BUGUI por exemplo. Você se lembra de Bugui? Estatura mediana, chapéu de palha esfarrapado, um bornal tão amarrotado quanto ele, perambulando sua demência pelas ruas, sem no entanto, a ninguém ofender, mesmo com palavrões, pois, apenas tinha grunhidos ininteligíveis. E Antonio Duvigio você lembra?



Hino de Várzea Alegre... Por Claude Bloc

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Hino de Várzea Alegre (parte) - acompanhado por Pedro Piau
Claude Bloc

A PEDRO PIAU, MINHA SINCERA ADMIRAÇÃO - Por Claude Bloc

Mundim do Vale me fez conhecer a nobreza de Pedro Piau. A nobreza de caráter desse homem que ama sua terra. 

Segui-o com atenção por todo o evento, na entrega de Medalhas Papai Raimundo, e do alto de seus mais de noventa anos percebi a vivacidade do seu olhar atento ao mundo, seu amor incontrolável à música, sua serenidade absoluta. Amei-o como a um pai. Emocionei-me com sua dignidade e sincera alegria. 

Hoje repito aqui as palavras de Mundim dedicadas ao pai pela passagem do dia dos pais. Ninguém melhor que ele para falar desse homem honrado que conheci em minha ida a Várzea Alegre e que me trouxe aos olhos sua grandeza e sua própria vida. 

Claude Bloc



Meu pai que grande alegria
Estou feliz, pode crê, 
Eu marquei para esse dia
Um diálogo com você.
Tudo que vou perguntar,
Sem querer lhe incomodar 
 Vou usar como apostilha.
Sua vida duradoura,
Sempre foi a promotora
Da união da família? 


Meu pai me diga porque 
A sua serenidade, 
Diga-me porque você 
Vive com tranqüilidade? 
Se durante a sua vida, 
Houve subida e descida 
Para você enfrentar? 
Com quem você aprendeu, 
De quem você recebeu 
Como pôde conservar?


Diga como conseguiu
Construir seu ideal,
Se você na concluiu
Nem mesmo o primeiro grau?
Porque você nessa idade,
Tem tanta vitalidade
Que nem todo mundo tem?
Diga sem pestanejar,
Se pretende ultrapassar
Dos noventa para os cem? 

Uma coisa que eu queria
E há tempo peço a Deus,
É de poder ver um dia
Os meus filhos iguais aos seus.
Se você me ensinar,
A receita de educar
Quem sabe eu posso aprender.
Só tem uma coisa mais,
Nós dois não somos iguais
Como é que eu vou fazer? 


Mundim do Vale 
(CONVERSANDO COM O MEU PAI )

domingo, 28 de agosto de 2011

GRANDE EVENTO EM VARZEA ALEGRE - Por Claude Bloc

 CERIMÔNIA DE ENTREGA DAS MEDALHAS PAPAI RAIMUNDO

Dia 27 de agosto de 2011, alguns  cidadãos varzealegrenses reconhecidos pela população foram agraciados com MEDALHAS na cerimônia de entrega da Medalha Papai Raimundo. Como convidada para o evento, me surpreendi com o público numeroso e vibrante, coisa rara nos dias de hoje. Todos ali estavam imbuídos em prestigiar os homenageados com um calor sincero de amizade e apreço.

Me comovi, em alguns instantes com as histórias de cada representante da cidade que compunha aquela mesa, pela sua participação ativa na vida de Várzea Alegre trazendo à cidade o brilho e o sucesso. 

Ouvi atenta todos os relatos. Muitas dessas pessoas, viveram uma infância humilde e mesmo assim, conseguiram com honradez galgar uma trajetória de sucesso trazendo seu nome e seu trabalho como contribuição para o engrandecimento do nome da cidade por outras plagas mais distantes.


A plateia acompanhava atenta. A cada minuto um sorriso, uma lembrança, um aplauso.


Histórias que ouvi junto  com os varzealegrenses aprendendo a admirá-los pelos seus feitos e pela sua simlicidade.


Depois da entrega das medalhas, era hora de dividir com a família as emoções do momento.


Esta é a primeira parte da história. Emoções à parte, depois tem mais.


sábado, 27 de agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

É só você querer - Nando Cordel.

É só você querer.


Fiquem com Elba e Cesinha.

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Um exemplo de vida, uma lição de fé! - por Magali de Figueiredo Esmeraldo e Carlos Eduardo Esmeraldo

* Magali
* Carlos Eduardo
Quando temos nossos pais vivos e todos irmãos com saúde, jamais imaginamos que a doença ou a morte se abaterá sobre alguns de nossos entes queridos, ainda mais na flor da idade. Só pensamos que ela ocorrerá quando todos estiverem velhinhos. Além do mais, acreditamos que tudo só acontece com a família dos outros. Mesmo sem estarmos preparados, Deus está do nosso lado para nos dar a força e a coragem de enfrentarmos uma grande dor que, é ter um irmão e uma irmã acometidos de uma doença grave e partirem com uma diferença de 14 dias. A fé em Deus e a solidariedade dos amigos muito nos confortaram.

Tendo convivido com Emília por mais de um ano, desde que ela veio em novembro de 2009 iniciar o tratamento aqui em Fortaleza, hospedando-se em nossa casa, eu e Carlos resolvemos através desse depoimento, fazermos uma homenagem a grande mulher que foi Emília. Com certeza, tanto eu, quanto Carlos aprendemos com ela e nos tornamos melhores como pessoa humana. Também crescemos na fé, graças ao testemunho de Emília. Ela queria muito ficar curada, pois desejava ver todos os filhos formados. Participou da formatura de André, o mais velho, que colou grau em Letras na URCA, recentemente. Faltou as duas filhas mais novas. Aceitou todo o tratamento, por mais doloroso que fosse, com muita resignação, sem nunca reclamar de nada. Preocupava-se achando que estava dando trabalho a mim e a Carlos. Eu respondia que, ao contrário, aquela era uma oportunidade que Deus estava nos dando para cumprirmos nossa missão de cristãos: "servir ao nosso próximo". E eu acrescentava que, ela era o nosso "próximo mais próximo".

Como eu sou onze anos mais velha do que ela, pois sou a terceira filha de uma família de oito irmãos, sendo ela a sétima, sempre me dizia que, eu estava substituindo mamãe que já tinha falecido e que, Carlos estava fazendo o papel de pai. Isso me fazia muito bem, já que era uma prova de que ela estava se sentindo à vontade e em paz em nossa casa.

Emilia era linda na aparência externa e mais bela ainda em seu interior. Sempre com um sorriso nos lábios, mesmo nos momentos pesados de radioterapia e de quimioterapia. Muitas vezes sentada na sala de espera, com ela, no Hospital do Câncer olhando para os lados, às vezes víamos pessoas muito tristes. Ela comentava que aqueles estavam tristes porque não tinham fé em Deus. Fez amizade com as pessoas que estavam fazendo tratamento e com os acompanhantes. Além de conversas agradáveis, ela fazia orações pela cura de todos aqueles doentes.

Outra qualidade que eu muito admirava em Emília era a de que ela aceitava as diferenças existentes entre as pessoas. Sendo Evangélica, entendia-se muito bem comigo e Carlos, respeitando a nossa religião católica. Dizia sempre que éramos pessoas de Deus. Cumpria com sua missão de cristã, aproveitando os momentos de tratamento para evangelizar. Presenteava médicos e enfermeiros com bíblias, e sempre tinha uma palavra doce para todos que com ela conviviam. Em todos os momentos aceitava a vontade de Deus. Mesmo lutando e orando para ficar curada, ela citou diversas vezes as palavras do apóstolo Paulo: "Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro". Disse outras vezes que estava nas mãos de Deus. Viveu seguindo a mensagem de Jesus Cristo. Foi excelente esposa, mãe, filha, irmã , amiga e sempre ajudou aos pobres. A gratidão era uma virtude impregnada na pessoa dela . A todo o momento estava a agradecer a quem a ajudasse.

Aquela tarde de 20 de janeiro de 1969 ficou definitivamente gravada na minha memória. Havia acompanhado Magali de uma aula de pré vestibular a que ela se submeteria alguns dias depois, até a sua residência. Um dia antes, começamos um namoro que ainda hoje perdura, para nossa felicidade. Na rua lateral da casa, uma ladeira que sobe para o Parque de Exposição do Crato, um grupo de crianças brincava. De repente, uma menina loura, de olhinhos azuis muito vivos sobressaindo-se de um rostinho corado e muito suado, pés no chão, aparentando menos de oito anos de idade, se aproximou de nós e fez um pedido: "Magali, me dê um picolé." Quis saber quem era aquela criança e para minha surpresa ela me respondeu que era sua irmãzinha, Emília. Paguei-lhe o picolé que ela solicitava, gesto que nos rendeu uma amizade que nos acompanhou vida afora.

À medida que meu namoro com Magali se solidificava, eu acompanhava o crescimento de suas irmãs mais novas. Ficava intrigado quando via dona Maria Eneida ralhar quando Emília chegava em casa sem os chinelos. Pensava-se que ela os perdia com enorme frequência. Mas depois, ficou-se sabendo que ela se descalçava para doar suas sandálias às crianças pobres que encontrava pelas ruas. Esse pequeno gesto já revelava a grandeza de espírito que se formava naquela criança, cuja preocupação pelos pobres e desvalidos foi uma constante durante toda a sua vida.

Quando adolescente, Emília gostava de ajudar sua irmã Magali, cuidando dos sobrinhos. Chegava em nossa casa nos dias de sábado, e após o almoço costumava dizer: "Vão descansar, dormir um pouco, que eu cuido dos meninos." Mal nós adormecíamos, ela retirava o carro da garagem e saia dirigindo pelas ruas do Crato, sem nenhuma orientação ter recebido antes. Foi assim que ela aprendeu a dirigir, firme e decidida, enfrentando riscos, lutando para conseguir o que sempre desejava. Anos mais tarde, o seu pai lhe atribuía a virtude de ser excelente motorista, fato para o qual eu e Magali muito contribuímos, embora contra nossa vontade.

Emília cresceu, constituiu família, criou seus filhos e aprofundou sua fé em Jesus Cristo, tendo sido uma seguidora exemplar do evangelho. Foi para todos nós que convivemos com ela durante seus últimos dias de vida, um exemplo de vida e uma lição de fé.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo e Carlos Eduardo Esmeraldo

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

SABORES E TABUS

APRESENTAÇÃO

Ao expor a temática de “Sabores e Tabus” não poderia deixar de citar, daí a homenagem aos protagonistas do poema, um fato ocorrido no sítio de meus avôs paternos. Num sábado de julho, o seminarista Antônio, que gozava férias no sertão, apeou o seu cavalo alazão, amarrando-o fortemente em uma das colunas de madeira que seguravam o alpendre daquela acolhedora casa.
- Tia Francisca! – Bradou o futuro Padre Vieira. – Estou morrendo de fome, o que temos para comer, aqui?
Dona Francisca Rodrigues de Freitas, feliz por rever o filho de seu grande amigo e compadre Vicente Vieira, respondeu: - Temos uma panela de coalhada, aí na mesa. Sente-se e coma!
O esfomeado estudante, vestido numa batina preta, deglute vorazmente aquele delicioso alimento em colheradas suculentas. Sem dar tempo de pensar, fala novamente o padreco: - Dá para a senhora cozinhar alguns ovos caipiras para mim, pois ainda estou com bastante fome. – Espantada com o pedido, mas já imaginando que o Antônio bebera, e sem encontrar uma saída satisfatória naquele momento de terror, concorda em colocar uma chaleira de água para ferver.
Nesse meio tempo, chegando da roça, entra o seu esposo Louso, que ao lhe ver realizando aquela tarefa, retruca: - Para que tantos ovos cozidos de uma vez, Francisca. Está havendo festa, nesta casa?
Ela, em pânico, constrangida com aquela situação, e na certeza que iria provocar uma catástrofe gastronômica, responde-lhe com convicção:
- É pra acabar de matar o padre!


No sítio Lagoa Seca,
No sopé de grande serra
Viveu distinta família,
Que a cultura desenterra,
Trazendo àquela ribeira
Uma verve pioneira
De sobreviver da terra.

Vasta Serra dos Cavalos
O horizonte, escondia,
Dando àquele lugarejo
Isolamento e magia,
Mas a sua evolução
Nascia no coração
De quem, por lá, residia.

Ali viveu minha avó,
Aluna da natureza,
Que se formou com o mundo
Esculpindo a sua certeza,
Acreditando no mito
Sem consultar nada escrito,
Vivendo na sutileza.

Também, naquele recanto,
Nasceu o Padre Vieira
Criando-se com os chás
De capim santo e cidreira,
Pois, médico, não existia
E por lá, ninguém jazia
De bronquite ou espirradeira.

Dona Francisca encantou
O mundo com o seu saber
Falando para o seu neto
Que, apesar, de médico ser,
Que fazer muita mistura
Dava medonha tontura
De gente, se arrepender.

Falava sempre pra Louso,
O seu fiel companheiro,
Que banana com café
Matava muito ligeiro.
Por causa da congestão,
Que dava no coração
Do patrão ou do roceiro.

Tomar leite e chupar manga
Era assinar a sentença,
De sofrer amargamente
Devido à grave doença,
Que não tardava a chegar
Para logo lhe matar,
Independente da crença.

Quando a febre se abrigava
Um banho, só, mataria.
Um mergulho num açude
À tumba, te levaria.
Até mesmo uma neblina,
Quando, mansinha, se inclina
Vitimar-te, poderia.

Mil conselhos, ela dava,
Ao longo da longa estrada:
- Cuidado com curimatã,
Chouriço, pinha, coalhada,
Com pato, peba, tatu,
Na mistura de urucu,
Qualquer carne carregada.

Quando via uma mocinha
Tinha-lhe grande atenção,
Não lhe deixando chupar
Um pedaço de limão,
Pois sabia do perigo
Que ardia, feito castigo
Durante a menstruação.

Sai de mim, abacaxi,
Que acabei de tomar leite!
Pois não pretendo ficar
Num hospital, como enfeite,
Para não ter que morar
E jamais ter de deixar
Uma vida de deleite.

Tomar chuva, no inverno,
Após beber café quente
Era o mesmo que cavar
Uma cova, certamente,
Ficando um cidadão fraco
Até morar num buraco
Após morrer, de repente.

Ela falou, certa vez,
De maneira verdadeira:
- Só coma frutas, do pé,
Nunca, de uma geladeira,
Pois a comida gelada
Poderá, de uma lapada,
Acamar-te numa esteira.

Porém, à colher o fruto
Confirme a temperatura;
Pois, se o mesmo, estiver quente
Sentirás grande gastura
Podendo levar-te à morte
E acabar a tua sorte,
Enfeitando a sepultura.

Outro dia, uma senhora,
Fez um grave experimento
Comendo ovo com manga
Num dia muito agourento.
Como estava menstruada,
Um corrimento emanava
Com odor bem fedorento.

No resguardo, tomar banho,
Após comer um pirão
Era o mesmo que parar
Um carro na contramão.
Se ela desobedecesse
E se, um prato, comesse
Morreria de sezão.

Durante crises nervosas
Dona Francisca dizia:
- Tome água com açúcar,
Reze pra Santa Luzia,
Pois com fé e devoção
Você abre o coração
Saindo dessa agonia.

O garoto com sarampo,
A manga, não comeria,
Nem um bom ovo estrelado,
Pois, na certa, morreria.
Não podia tomar banho,
Um fato bastante estranho,
Que a sua vida, marcaria.

Comer chouriço, doente,
Tendo um unheiro inflamado,
Era o mesmo, que ficar,
Numa guerra, desarmado.
Tendo, um dos olhos, doendo
E o outro, o pus, escorrendo
Deixava o par remelado.

Pra ela, o leite mugido,
Era um remédio certeiro,
Que curava tosse braba,
Pereba, gripe e cobreiro,
Ajudando o agricultor
A curar sua grande dor
Sem buscar um raizeiro.

A entrecasca da aroeira
Para a cicatrização,
Quando a infusão permeia
A grotesca inflamação
Vinha curar corrimento,
Outro grande sofrimento,
Que fazia assombração.

O gergelim segurava
O fruto da criação,
O chá de boldo servia
Pra não dar constipação,
Mastruz com leite sarava
E o doente se curava
De gastrite e de torção.

A babosa era pra tudo,
Que você queira saber:
Curava câncer, diarreia,
Não lhe deixando morrer.
Curava-lhe o mau olhado,
Peito aberto e ôi quebrado
Sem fazê-lo padecer.

Pra concluir, eu exponho
Um pensamento frequente,
Que simbolizava a vida
Naquele mundo valente:
- Quem tem dente chupa cana,
Quem não tem, come banana -
Versejava alegremente.

Fim.

Caloteiro usa assinatura falsa de Padre.

Mesmo em tempos de oração e louvores, quando os princípios cristãos, entre estes, a honestidade, são exaltados, alguns teimam em se aproveitar da boa fé das pessoas. Um homem tem andado pelo comércio da cidade com uma falsa solicitação de dinheiro em nome da Paróquia de São Raimundo Nonato.

O golpe foi descoberto por acaso por uma pessoa ligada à igreja que tomou conhecimento do caso. O texto informa que nos dias 29 e 30 próximos, acontecerá o II Encontro de Espiritualidade. Para divulgar o tal evento, seriam confecionados 300 cartazes e 250 panfletos para divulgação. O golpista pede aos comerciantes uma doação de R$ 20,00. E no rodapé, há ainda a assinatura falsa que seria de Padre Mota.

A Igreja Matriz de São Raimundo Nonato, através do Pe José Mota Mendes, informou que já acionou a polícia para investigar o caso e adverte que ninguém está autorizado a pedir dinheiro no comércio em nome da paróquia.

Fonte - Site Várzea-Alegre.

O EMPRESARIO E O MINEIRIM.

Num certo dia, um empresário viajava pelo interior de Minas. Ao ver um peão tocando umas vacas, parou para lhe fazer algumas perguntas:
Acho que você poderia me passar umas informações?
Claro, sô!
As vacas dão muito leite?
Qual que o senhor quer saber: as maiáda ou as marrom?
Pode ser as malhadas.
Dá uns 12 litro por dia!
E as marrons?
Tamém uns 12 litro por dia!
O empresário pensou um pouco e logo tornou a perguntar:
Elas comem o quê?
Qual? As maiáda ou as marrom?
Sei lá, pode ser as marrons!
As marrom come pasto e sal.
Hum! E as malhadas?
Tamém come pasto e sal!
O empresário, sem conseguir esconder a irritação: Escuta aqui, meu amigo! Por que toda vez que eu te pergunto alguma coisa sobre as vacas você me diz se quero saber das malhadas ou das marrons, sendo que é tudo a mesma resposta?
E o matuto responde:
É que as maiáda são minha!
E as marrons?
Tamém!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Petrucio Amorim- Parte da minha vida.


Petrúcio Antônio de Amorim, nasceu em Caruaru-PE, no bairro do Vassoural. Intuitivamente, aos nove anos de idade juntava sons e palavras e fazia suas primeiras canções. Com doze anos já sonhava tocar suas músicas nas emissoras locais.

A devoção musical veio mesmo quando começou a participar dos festivais estudantis. Em 1979 participou do Segundo Encontro Latino Americano de Folclore, realizado na Sala de Cultura Luiza Maciel, em Caruaru. Petrúcio concorre com três musicas, com as quais vence o festival. Os prêmios foram entregues por Luiz Gonzaga (o Rei do Baião). A partir desta data tudo mudou quanto ao incentivo e elogios constantemente dados somente por amigos e admiradores. Sua primeira música gravada por Azulão (Confissão de um Nordestino), era o início da realização de um sonho.

Nadia Maia

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A TABOCA DO ALUISIO

João Pedro com a avó.

Aluísio com o tio Ernesto.

Tenho dois netos homens, João Pedro e Aluísio. Sempre que termina a festa de São Raimundo compramos um cofre, um porquinho para os dois abastecerem durante o ano com as moedas encontradas nos bolsos dos avós e dos pais.

O acerto é planejado para gastar todo o dinheiro arrecadado no parque de diversões. Este ano, quando quebramos o porco encontramos exatos 176,00. João Pedro, encarregado de ir trocar na loja do tio, separou a parte dele: 150,00 e o restante foi entregue para a tutora do Aluisio, Dra Ana Micaely mãe dos dois, que foi a farmácia e comprou um pacote de fraldas e lá se foi o saldo de Aluísio.

Começo a imaginar que bom mesmo é ser filha única como a minha neta Thaysinha que manda no pai, mãe, avós e gasta o mesada sozinha. Você sabe, como existe o paidegua, o paiegua, existe também o avô égua.

A PESQUISADORA E O MINEIRIN

Uma pesquisadora do IBGE bate à porta de um sitiozinho perdido no interior de Minas.
Essa terra dá mandioca?
Não, senhora. - responde o roceiro.
Dá batata?
Também não, senhora!
Dá feijão?
Nunca deu!
Arroz?
De jeito nenhum!
Milho?
Nem brincando!
Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?
Ah! ... Se plantar é diferente..

073 - Historias devarzealegrenses.

Antonio Fiuza de Morais.

A esposa de Valentim Rocha de Morais, do sitio Chico, todo ano cevava o capão e mandava para o padre Otavio no dia do seu aniversario. Certa feita, o encarregado de levar o presente foi o filho Antonio Fiuza de Morais, que montou num burro, pendurou o capão no cabeçote da cangalha e seguiu pra cidade.

Quando passava pelo Sanharol o capão bateu com as asas, e, com o movimento o burro se assombrou, derrubou Antonio, fez bunda de ema na direção do Chico, o capão fugiu e o portador ficou batendo a poeira todo cheio de arranhões por causa do baque no chão.

Jose André vendo aquela cena engraçada se aproximou e o Antonio falou: - Zé André, depois dessa, pela fé que eu tenho no Padre Cicero do Canindé e no São Francisco do Juazeiro, eu nunca mais me monto num capão com um burro pendurado no cabeçote da cangalha.

Fonte - Fernando Menezes.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A DIVINA COMÉDIA - Sávio Pinheiro

Quero agradecer ao genial Vicente Almeida, por ter proporcionado aos leitores do Blog do Sanharol, a rara oportunidade de ler esta imortal obra de Dante Alighieri escrita há mais de 700 anos. E também, externar a minha indignação histórica de saber que os suicidas – mesmo os que sofrem de Depressão – são rotulados de pecadores por alguns segmentos religiosos.

A Divina Comédia me mostrou
O sofrer que eu tenho de enfrentar
Quando o cão resolver me castigar
No inferno que Dante eternizou.

Sei que o limbo já muito maltratou,
E que ainda haverá de maltratar
Tantas almas penadas, a vagar,
Que na terra, o bem as abandonou.

Se em vala ou em círculo deprimente,
Ou em meio a deserto incandescente,
Eu não sei do castigo que virá.

Porém, sem ter ideias suicidas
Sei que as hárpias, por mim, serão vencidas
E esta vã punição sucumbirá.

Fim.

A DIVINA COMÉDIA - Canto XXXIV - Por Vicente Almeida

I N F E R N O - F I N A L

Judeca - Lúcifer - O Centro da Terra

Morada de Lucifer
Ilustração de Paul Gustave Doré

- Estamos diante das bandeiras do rei do Inferno - disse-me Virgílio, - Olha pra frente e vê se consegues discerni-lo.

Comecei a ver, na distância, o que parecia ser um grande moinho, que provocava aquelas rajadas de vento gelado. Estávamos chegando ao lugar onde eram punidos aqueles que traíram os seus benfeitores.

Neste lugar sombrio e gelado, as almas estavam completamente submersas no gelo, transparecendo como palha em cristal. Algumas estavam de pé, outras de ponta-cabeça, outras atravessadas, outras em arco, outras curvadas e outras invertidas.

Quando já tínhamos caminhado o suficiente, o mestre decidiu me mostrar aquele que um dia teve tão belo semblante:

- Esse é Dite - disse ele - e este é o lugar que exige toda a coragem que tens em ti.

Não me perguntes, leitor, como eu fiquei fraco e gelado, pois não há palavras que possam descrever aquela sensação. Eu não morri, nem estava vivo. Tente imaginar, se puderes, como sem uma coisa nem outra eu fiquei. Vi aquele gigante submerso no gelo, despontando seu corpo do peito para cima. Só o seu braço tinha o tamanho de um daqueles gigantes que encontramos na entrada do lago.

Fiquei mais assombrado ainda quando vi que três caras ele tinha na sua cabeça. Toda vermelha era a da frente. A da direita era amarela e a da esquerda negra. Acompanhava cada uma, um par de asas como as de morcego (eu nunca vi um navio com velas tão grandes). E ele as abanava, produzindo três ventos delas resultantes. Era esse vento que congelava as águas do Cócito. Ele chorava por seis olhos e dos três queixos caía uma sangrenta baba que pingava junto com as lágrimas. Em cada boca ele moía um pecador. O da frente ele mordia mais rapidamente que os outros. Cada ceifada lhe arrancava a pele inteira.

- Esse da frente é Judas Iscariote - disse-me o mestre - que sofre pena dobrada, com a cabeça para dentro e as pernas para fora. O que é mordido pela boca preta é Bruto e o outro é Cássio. Mas em breve será noite. Está na hora de partirmos, pois já vimos tudo o que há para se ver. Agora, agarre-se em mim firmemente.

Obedeci-o e ele me carregou, se dirigindo para as costas de Lúcifer. Aguardou um pouco e quando as asas estavam altas, saltou da beira de um fosso para a escuridão, mas logo agarrou-se às costas peludas do Demônio. Descemos mais ainda. Estávamos entre as costas de Lúcifer e às crostas congeladas do Cócito. Quando chegamos à altura da junção da coxa ao tronco do gigante infernal, meu guia, já mostrando sinais de fadiga, inverteu o corpo e, sem soltar os pelos do monstro, seguiu, como se subisse, me fazendo pensar que voltávamos para o inferno.

- Segura firme - disse ele - pois não há outro caminho. Só por estas escadas poderemos escapar de tanto mal.

Abertura para o Purgatório
Ilustração de Paul Gustave Doré


E saímos por uma brecha na rocha. Virgílio, visivelmente exausto por ter me carregado, me colocou numa beira para que eu me sentasse. Olhei para cima procurando por Lúcifer mas não o achei. Encontrei-o lá embaixo de pernas para o ar. Virgílio me confundiu ainda mais, falando:

- Levanta-te
pois o caminho é longo. O dia já amanhece!

- Como amanhece? - perguntei-lhe - O tempo passou tão depressa assim? Como já pode ser dia se agora há pouco começava a noite? E me esclareças mais: onde está a geleira? E por que Lúcifer está de cabeça para baixo?

Visão do espaço celeste
Ilustração de Paul Gustave Doré


- Tu pensas que ainda estamos do outro lado. - disse-me o guia - Nós passamos pelo centro da terra, que puxa todo peso. Estamos agora embaixo do céu oposto, no hemisfério de água. Sob teus pés está uma pequena esfera, cujo lado oposto é ocupada pela Judeca. Se do outro lado anoitece, aqui o dia nasce.

Este buraco por onde passamos foi formado quando Dite caiu do céu, e ele até hoje aí permanece. Depois da queda, por medo dele, a terra que formava os continentes deste lado fugiu para o nosso céu deixando encoberto pelo mar todo este hemisfério. A terra que estava aqui amontoou-se na superfície onde formou uma montanha, deixando este caminho vazio. Aí embaixo há um lugar, tão distante de Belzebú quanto o limite de sua tumba, conhecido pelo som (e não pela vista) de um pequeno riacho que para cá descende, pelo sulco que por ele foi aberto.

Passamos então o resto do dia seguindo por aquele caminho escondido debaixo do chão, sem descanso algum. Depois da longa caminhada subimos, ele primeiro e eu atrás, passando por uma pequena abertura na pedra, para enfim, rever as estrelas. O ceu resplandecia em beleza.



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PRONTO:

Chegamos ao final da grande jornada pelo Inferno, através do poema "A Divina Comédia", do florentino Dante Alighieri.

O horror e o sofrimento, são realidades não descartáveis, às vezes bem pior do que aqui descrito, mas, nunca eternos. Na verdade, a nossa intenção era mostrar o que o nosso ser imortal poderá sofrer após a morte do corpo, como contrapasso (reflexo) a cada ato que venhamos a praticar em vida.

A continuação deste poema, - O Purgatório e o Paraíso, narram a trajetória da alma até finalmente chegar aos campos de delícias, como recompensa pelo bem praticado em vida.

Desperte
para uma leitura praseirosa, estimulante e educativa. Quando tiver oportunidade não deixe de ler algo que valha a pena.

Da nossa parte, ficamos conhecendo muitos personagens da antiguidade, graças as pesquisas que precisamos fazer para entender o poema e postar as informações com segurança. Foram oitenta e quatro dias levando a vocês a primeira parte do maior clássico da literatura universal.

As postagens se tornaram possíveis, graças ao grandioso e incansável tradutor e pesquisador Helder da Rocha que o transformou em prosa. Não fosse ele, A Divina Comédia continuaria sendo para nós, apenas um poema clásssico, cansativo e incompreensível, exceto para aqueles que se propôem a aprofundo seus estudos no tema.

É difícil explicar Dante Alighieri, mas, milhares de estudiosos se dedicam a essa incansável tarefa.

As imagens: Pinturas e gravuras, tornaram possível uma melhor compreensão do texto, e não está longe da verdade o texto que diz: "Uma imagem vale mais do que mil palavras".

24/08/2011

DESAFIO POETICO - POR XICO BIZERRA.

Em Blog local em que escrevo lancei um desafio poético que consistia em glosar o mote a seguir, de minha autoria, sem a utilização da letra “A”. Dei como exemplo a minha própria glosa e os Poetas ‘deitaram e rolaram’.

É UM NÓ DENTRO DO PEITO
SEM TER REMÉDIO QUE CURE

Pela boa receptividade, relanço o desafio aos blogueiros do Sanharol:

sorrio no meio do mundo
pelo que tenho no ninho
durmo com lençol de linho
um sono bom e profundo
moro em terreno fecundo
gente ruim, nem me procure
esqueço quem me censure
tenho, porém, um defeito
É UM NÓ DENTRO DO PEITO
SEM TER REMÉDIO QUE CURE.


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terça-feira, 23 de agosto de 2011

A DEVOÇÃO DE UM POVO - Por Mundim do Vale.

MOTE.

O TERMÔMETRO DE FÉ DA NOSSA GENTE
É A FESTA DO SANTO PADROEIRO.

Eu gostaria muito de ver esse mote desenvolvido pelos grandes poetas: Sávio, Claudio Souza, Expedito Pinheiro e Souza Sobrinho.

Para provocar:

Lá da torre São Raimundo já agradece 
Aos fiéis que de longe vem chegando, 
Padre Mota começa celebrando 
O início da festa com uma prece. 
A pracinha da igreja, mais parece 
Com a rotina de trabalho em formigueiro, 
Quem subir a escada do cruzeiro 
Já enxerga, São Raimundo e São Vicente. 
O TERMÔMETRO DE FÉ DA NOSSA GENTE 
É A FESTA DO SANTO PADROEIRO. 

Um devoto traz a esmola de feijão, 
De arroz, rapadura ou farinha 
Já tem outro que traz uma galinha, 
Um capote, um peru ou um capão. 
Quem não traz arremata no leilão 
Uma prenda para dar ao companheiro, 
Paga a conta com cheque ou com dinheiro 
E assim acontece uma corrente. 
O TERMÔMETRO DE FÉ DA NOSSA GENTE 
É A FESTA DO SANTO PADROEIRO. 

É a terra do arroz em oração 
Transformada em um grande santuário, 
As pastoras, os fiéis e o vigário 
Conduzindo o andor na procissão. 
O que era contraste, é devoção 
De um povo católico verdadeiro, 
Quando um pensa que vai chegar primeiro 
Já tem outro devoto em sua frente. 
O TERMÔMETRO DE FÉ DA NOSSA GENTE 
É A FESTA DO SANTO PADROEIRO.

Terça - Blog em Prosa - Por Geovane Costa.

O meu pai, Antônio Leandro, ficou conhecido na história de Várzea Alegre como o homem mais esquecido. Certa feita, ele andou uns três kms enfrentando ladeira, mutuca, água no riacho, etc - para tirar o leite de uma vaca no Chico. Quando voltou não trouxe o leite e minha mãe perguntou: Antóe, o que foi que houve que tu vem sem nada? Esqueci de levar a cuia, respondeu: Minha mãe deu uma cubada e observou: Mais home, a cuia não tá aí na tua cabeça!


HOJE !!! - PROGRAMA INFLUÊNCIA DO JAZZ - Toda Terça-feira 14:00 - Rádio Educadora do Cariri


Produção, Direção Musical e Apresentação de Dihelson mendonça


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No programa "Influência do Jazz" de hoje, abordamos o chamado Jazz Fusion, que é a fusão da harmonia jazzística e improvisação, com outros estilos musicais, como o Rock, Funk, Samba e até o Hip-Hop. O estilo começou com músicos de jazz que misturaram as formas e técnicas de jazz aos instrumentos elétricos do rock aliados à estrutura rítmica da música popular afro-americana, tais como o soul music e o rhythm and blues.

Os anos 70 foram o período mais produtivo para o estilo, embora o fusion tenha prosseguido com uma produção expressiva, sobretudo no final do século XX e início do século XXI, com reedições de álbuns clássicos de fusion e a gravação do estilo por artistas do jazz tradicional.

Os maiores nomes do Fusion estarão representados no programa de hoje, que está simplesmente imperdível. Personalidades como Miles Davis, Herbie Hancock, os Irmãos Michael e Randy Brecker, os grupos Tower of Power, Incognito, Lee Ritenour, Chick Corea Elektric band, o baterista Dave Weckl e muitos outros estarão no programa desta terça-feira.

Não perca! - Toda Terça-feira, às 14:00
Pela Rádio Educadora do Cariri, com transmissão simultanea e reprises pela Rádio Chapada do Araripe Internet.

www.radioeducadoradocariri.com
www.radiochapadadoararipe.com

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mal acostumado.

O Bloco-afro Ara Ketu ou Povo de Ketu fundado em 08 de Março de 1989 por moradores do subúrbio ferroviário de Periperi de Salvador na Bahia foi um dos primeiros blocos a mudar de estilo musical saindo da estética afro para o ritmo mestiço Axé no ano de 1990.

Constituído inicialmente por um bloco de percussão, Dançarinos e associados o “Ara” como é mais conhecido incorporou instrumentos de sopro, bateria e teclado para se reformular.

O bloco é comandado pela Banda Ara Ketu, que atualmente é comandada pela cantora Larissa Luz.O Bloco Araketu comemora 30 anos com uma festa em Periperi, Subúrbio Ferroviário de Salvador, Bahia

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FESTA DE NOSSA SENHORA DA PENHA - CRATO

De 21 de Agosto a primeiro de Setembro, será celebrada com jubilo a Festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira do Crato. São 243 anos de Paroquia nestas terras abençoadas do Cariri, semeando o amor de Deus e convidamos homens e mulheres de boa vontade a buscarem o Senhor. Queremos mais uma vez convidar você e sua família para abrilhantarem os festejos com a presença nas caminhadas, missas, novenas, procissões e quermesses.

Este ano a renda financeira da festa será destinada a aquisição da nova bancada da Sé Catedral. É nosso desejo oferecer a você e todos que frequentam nossa paroquia, conforto e segurança durante as celebrações.

Que a Mãe da Penha, Reflexo do Coração Materno de Deus, nos acolha em seu coração e interceda por nós.

Receita de ex-presidente - Rui fabiano.

"'Quando deixar a Presidência, vou ensinar como se deve comportar um ex-presidente. Vou vestir um calção e tomar umas cervejas com os amigos em São Bernardo'.

Pelo andar da carruagem, ou Lula ainda não se percebeu um ex-presidente, pois não cumpre nada do que recomendava, ou sua receita só vale para os outros. Continua sendo o protagonista-mor da política brasileira, embora ex-presidente.

Além de ter indicado os mais importantes ministros de Dilma – quatro dos quais já demitidos, três por corrupção -, continua dando palpites em todos os temas e ensinando publicamente como deve agir a presidente que ele mesmo inventou.

Acha, por exemplo, que ela não deve prosseguir na faxina ministerial para não fustigar a base parlamentar, o que a expõe (a base) à pecha de corrupta in totum."

Festa de arromba.

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011 - UMA PALAVRA AMIGA - PADRE JUCA.

Muita gente, aos invés de corrigir o outro para construir, põe-no mais no fundo do poço, pisa-o, magoa-o. " Você é um bêbado, um homem sem vergonha! Não seria melhor e não traria mais resultado dizer: Sua família precisa de você! A bebida pode estragar sua saúde! Posso lhe ajudar em alguma coisa? Muita coisa depende da maneira de como tratamos os outros. Valorizar a pessoa, visita-la, conversar com ela, dizer que é gente, que tem valor, que é filha de Deus, que é importante.

O mal é que, muitas vezes, nós imaginamos uma personalidade e queremos encapuzá-la nas outras pessoas. E quando alguém não pensa como pensamos ou não nos elogia, então não vale mais nada para nós. Como somos mesquinhos.

Viver não significa apenas estar presente neste mundo. É necessário qualificar o nosso existir. E uma maneira aconselhável de fazer a felicidade dos outros para que possamos ser felizes também.

domingo, 21 de agosto de 2011

A QUEDA DO PADROEIRO - Por Mundim do Vale.

Na década de 70, houve um inverno muito pesado no município de Várzea Alegre e por conta daquilo, a torre da igreja matriz desabou e lá só ficou a imagem do padroeiro São Raimundo Nonato.
Por coincidência ou milagre o santo nada sofreu, estava apenas desbotado pela ação do sol e da chuva. O vigário mandou descer o santo para fazer o serviço de pintura, enquanto faziam a nova torre, e alguns dos fiéis pensavam que o padroeiro tinha caído junto com, a torre.

O fato aconteceu a meia noite, mas quando amanheceu o dia a pracinha da igreja já estava lotada de fiéis. Com a presença dos curiosos surgiram os seguintes comentários: 
Romana: 
- Isso só pode ter sido um castigo. Quem mandou o Pade Mota pintar a igreja de verde?

João Mandu:
 - Isso daqui foi um milagre grande! Cuma é qui pode um santo se distabacar duma altura de mais de trinta metro e num quebrar nem um dedo? Apois meu subrim caiu dum coqueiro qui é muito mais baxo, mais ele quebrou as duas perna.

Rosa Pagé:
- Vixe Cuma ele é fei! Eu reparava ele lá imriba e pensava qui era mais bunitim, mais ele é mermo qui tá vendo Chico de Munda.

Maria Bela: 
- Vôte! São Raimundo cum esse amarelo impombado, tá direitim Dedé de Frazo.

O vigário aproveitou a tragédia e iniciou logo uma campanha para a reconstrução da torre. Enquanto desenvolvia os trabalhos, mandou o pintor Ildefonso Vieira Lima, renovar a pintura do santo.

Depois da torre concluída, o nosso conterrâneo Otacílio Correia, conseguiu com o governador, uma equipe do corpo de bombeiros com uma escada Magirus para colocar o padroeiro de volta no seu lugar.

A chegada dos bombeiros foi uma festa na cidade, o padre celebrou uma missa campal e benzeu a operação. 
Depois do padroeiro no lugar, os bombeiros se despediram recebendo os aplausos da comunidade cristã.

Gregório Gibão que estava no meio da multidão, tirou o chapéu, Colocou a mão na testa, olhou na direção da torre e gritou: 
- Ei Raimundão! Quando tu quiser trocar a roupa de novo, é só dispencar daí de riba.