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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 15 de outubro de 2011

Um pouco da historia de nossa religiosidade

Em fins da década de 20, inicio da década de 30 do século passado, a matriz antiga de Várzea-Alegre foi demolida para se erguer em seu lugar o templo atual. Os trabalhos eram realizados  em forma de mutirão. Para  envolver a população no projeto de reconstrução foram criados dois partidos: Sanharol e Cajazeiras, dois dos mais prósperos sitios do nosso município a época.

O envolvimento da população foi tamanho que os ânimos chegavam a se acirrar. Como sempre o Sanharol foi o vencedor, foi quem mais  arrecadou material e teve maior participação.

Cada partido tinha suas equipes centrais na organização  das tarefas, das promoções. A poetisa Raimunda de Morais Rego, Mundinha do Sanharol  apresentava estas equipes em verso:

As cajás são Adelina,
Antónia Leite e Zulmira
Louzinha e Dona Mimosa
Clarinha e Dona Cira.

Em resposta a advetência de Tonha Piau, escreveu Mundinha:

Dona Tonha Piau,
Não sei se ela é cajá, 
Não digo nada com ela,
Só respeitando Dadá.

Ela mandou me dizer
Cuidado com o Sanharol
E eu respondi pra ela
Não se importe que é melhor.

Dadá do São Cosme ou Leonarda Bezerra do Vale era  a penúltima filha de José Raimundo do Sanharol, portanto tia de Mundinha, autora dos versos. Assim, sob a protecção de São Raimundo Nonato, e o espírito de religiosidade de nossa gente foi edificada a atual igreja matriz de nossa cidade.

4 comentários:

  1. Dedico esta postagem ao meu primo e irmão Mundim do Vale.

    Prezado Mundim.

    Os versos da Mundinha do Sanharol, sobre esse tema, não eram só estes. Estes consegui salvar, os outros se perderam na imensa e profunda vala do esquecimento.

    Antonio Morais

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  2. É Morais, eu que nasci nas Cajazeiras, ouvi muitas estórias a respeito mas infelizmente já caiu no esquecimento.
    Abraços!

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  3. Morais,
    quase todos os dias mãe canta estes versos. Mas ela só sabe estes mesmos.naquela época as pessoas não tinham o cuidado de passar para o papel e guardar uns versos destes. ainda hoje não consegui o ABC da Fome, de Manuel Antônio.

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  4. o nosso querido Sanharol sempre teve vez e voz. No futebol também levávamos vantagens com os da cidade. Para essa grande alegria contávamos com os esforços do nosso saudoso José André.

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