Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 28 de fevereiro de 2015

A história esquisita do suposto perigo que corre a vida do Procurador-Geral da República - Por Ricardo Noblat

Nem a presidente Dilma Rousseff – ou somente ela – seria capaz de mobilizar para uma viagem sua o aparato de segurança que ontem, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, protegeu Rodrigo Janot, o Procurador-Geral da República.

Ali, Janot participou do ato de repúdio ao atentado contra o promotor Marcus Vinícius Ribeiro Cunha, atingido nas costas por três tiros no último dia 21, na sede local da OAB.

Foram mobilizados 80 policiais militares – entre eles, atiradores de elite. Um esquadrão antibombas compareceu ao local, bem como um helicóptero da polícia mineira.

Na última quarta-feira, Janot e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, tiveram uma longa conversa em Brasília.

Janot está a poucos dias de encaminhar à Justiça a lista de políticos que deverão responder a processos por envolvimento com a corrupção na Petrobras. Ou pedirá apenas a abertura de processos contra eles ou os denunciará.

Para escapar à suspeita de que pudesse ter trocado ideias a respeito com o ministro, Janot contou que o encontro serviu apenas para que Cardoso lhe dissesse que sua vida corre perigo.

Há um mês, a casa de Janot, no Lago Sul, em Brasília, foi arrombada. E quem lá esteve permaneceu por apenas oito minutos. Foi embora levando o controle do portão, nada mais. Esquisito!

- Eu não sou uma pessoa assombrada, mas alguns fatos concretos têm me levado a adotar regras de contenção - disse. E acrescentou:

- Transformei minha casa em um presídio, até com concertina (arame farpado elétrico e espiral). De lá para cá, tenho recebido relatórios de inteligência e os últimos aumentaram um pouquinho o nível do risco, por isso, as precauções que eu tomei.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a polícia de Brasília trabalha com a hipótese de que foram ladrões comuns os invasores da casa de Janot.

A casa fica dentro de um condomínio de casas protegidas por seguranças e altos muros. Janot dispensou o trabalho da Polícia Federal para investigar o que disse ter ocorrido por lá.

O ministro da Justiça afirmou que “setores da inteligência” registraram ameaças à segurança de Janot.

O único setor de Inteligência ligado ao Ministério da Justiça é a Polícia Federal. E ela não incluiu em nenhum dos seus relatórios informações sobre ameaças contra o procurador-geral.

Depois dos políticos, Dilma se atrita com ministros do Supremo Tribunal Federal - Por Ricardo Noblat



Não me lembro de ter ouvido algum ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) dizer o que disse, ontem à tarde, Celso de Mello, o mais antigo deles, a respeito do presidente da República.

Celso classificou de “omissão irrazoável e abusiva” de Dilma o fato de ela ainda não ter indicado um nome para preencher a vaga aberta no tribunal há sete meses com a aposentadoria de Joaquim Barbosa.

Mais claro, direto e destemido impossível. Disse Celso:

- Essa omissão irrazoável e abusiva da presidente da República já está interferindo no resultado dos julgamentos. Novamente, adia-se um julgamento. Nós estamos realmente experimentando essas dificuldades que vão se avolumando. É lamentável que isso esteja ocorrendo.

São 11 os ministros do STF. É o presidente da República quem os indica, mas a aprovação cabe ao Senado.

Assim como sente desprezo pelos políticos, Dilma se nega a ver com simpatia os membros do Poder Judiciário. Ao fim e ao cabo, por temperamento, ela se acha superior a todos eles.

No caso da atual composição do STF, Dilma não perdoa os ministros que indicou, bem como os indicados por Lula, que não votaram no caso do processo do mensalão como ela e seu tutor queriam.

Dilma esperou que eles julgassem os mensaleiros com mão leve em agradecimento por sua indicação para o tribunal. Não foi assim.

Então Dilma resolveu castigar o STF demorando a apontar o substituto de Joaquim. Isso começou a criar problemas para o tribunal.

O número impar de ministros é justamente para evitar empates. Ontem e um dia desses houve empates e os julgamentos acabaram suspensos.

Daí a reação de Celso e, em seguida, a do ministro Marco Aurélio Mello. Que afirmou:

- Veja como é nefasto atrasar-se a indicação de quem deve ocupar a cadeira [do ministro que se aposentou].

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Centrais preparam protestos para a próxima semana contra mudanças trabalhistas - Por CARLA ARAÚJO - O ESTADO DE S. PAULO


Força Sindical promete série de paralisações pelo País se o governo federal mantiver novas regras para acesso a benefícios

As centrais sindicais preparam para a próxima segunda-feira, 2 de março, uma série de protestos em diversos pontos do País contra as Medidas provisórias 664 e 665, que alteram as regras do seguro-desemprego, abono salarial, seguro-defesa, pensão por morte, auxílio-doença e auxílio-reclusão.

As mudanças começam a valer na segunda-feira.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dilma, a anti-Sócrates, a Moody’s e a Teoria do Conhecimento


Dilma Rousseff afirmou nesta quarta que “rebaixar a nota é falta de conhecimento do que está acontecendo na Petrobras”. Que coisa! Quem está cuidando da, vá lá, “comunicação” da governanta? A presidente vir a público para acusar “falta de conhecimento” da Moody’s quando a estatal não consegue nem fechar o seu balanço é piada involuntária, não é mesmo? Aliás, ela não costuma se dar conta das pilhérias que diz. Como pode acusar a agência de “falta de conhecimento” se o rebaixamento se dá, entre outros motivos, porque a nem a Moody’s nem ninguém conhecem o balanço da empresa?

É Dilma!”” Esta senhora nunca foi socrática. Ela nunca soube o que não sabe.

A propósito: a piada que circula há tempos na Internet ainda acaba virando a realidade. Como é mesmo? Eike Batista dizia que as ações da sua petroleira ainda valeriam tanto quanto as da Petrobras. Pois é…

Por Reinaldo Azevedo

Enquanto Lula arrota ações da petrobras derretem.


Parecia roteiro de filme barato, mas era verdade. Nesta terça, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, cercado por milicianos truculentos, comandava um ato no Rio contra a Operação Lava Jato, contra a imprensa e contra a decência, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixava uma vez mais, a exemplo do que fizera em janeiro, a nota da estatal, que já estava em Baa3, o último patamar do chamado grau de investimento. Agora, na Moody’s, a estatal está no grau especulativo — ou por outra: a agência está dizendo aos investidores do mundo inteiro que pôr dinheiro na Petrobras não é seguro. A agência está dizendo ao mundo inteiro que emprestar dinheiro para a Petrobras é arriscado.

Desta feita, não foi uma queda qualquer: a Moody’s botou a Petrobras dois degraus abaixo de uma vez só. Em vez de cair para Ba1, o que já seria catastrófico, a empresa despencou para Ba2, e a agência ainda cravou um viés negativo no caso de uma futura avaliação. Só para vocês terem uma ideia: acima dessa nota, há outras… 11. Abaixo dela, apenas 9. Na Fitch e na Standard & Poor’s, a Petrobras está também a um rebaixamento apenas de passar para o grau especulativo.

A partir de agora, tudo se torna mais difícil para a empresa. A maioria dos fundos proíbe investimento em empresas nessa categoria. Pior: em alguns casos, a ordem é se desfazer dos papéis, ainda que amargando prejuízos. Para se financiar dentro e fora do Brasil, a Petrobras terá de pagar juros mais elevados. E isso se dá num momento em que a empresa já teve de reduzir ao mínimo seus investimentos na área de exploração e refino de petróleo, suas atividades principais.

O mais impressionante é que o rebaixamento veio duas semanas depois de Dilma trocar toda a diretoria da Petrobras. Isso reflete a confiança do mercado na nova equipe. A operação foi desastrada. Com ou sem razão — e nós veremos —, o juízo unânime é que a governanta escolheu um presidente para maquiar no balanço as perdas bilionárias decorrentes da corrupção e da gestão ruinosa do PT.

E não se enganem: atrás do rebaixamento da nota da Petrobras, pode vir o rebaixamento da nota do Brasil. Na própria Moody’s, já não é grande coisa. O país é “Baa2”. Ainda é “grau de investimento”, mas bem modesto. Se o país cair mais dois, vai para a categoria dos especulativos. O mesmo acontece na Fitch (BBB): um próximo rebaixamento (BBB-) poria o país a um passo da zona vermelha. Na Standard & Poor’s, a posição do país é mais preocupante: rebaixado em março, caiu de “BBB” para “BBB-“, mesma nota da Petrobras. Nessa agência, uma próxima queda conduziria o país para “BB+”, primeiro nível do grau especulativo. Foi o que já fez a agência britânica Economist Intelligence Unit na semana retrasada:  o rebaixamento, de BBB para BB, lançou o Brasil no grupo dos potenciais caloteiros.

Não obstante, naquele espetáculo de pornografia desta segunda, Lula vituperou contra a investigação e contra a imprensa e conclamou João Pedro Stedile a pôr seu exército na rua — sim, ele empregou a palavra “exército”. Aquele que a ex-filósofa Marilena Chaui disse “iluminar o mundo” quando fala ainda encontrou tempo para especular sobre a situação no Iraque. E disparou: “Já tem gente lá com saudade do Saddam Hussein, porque no tempo dele se vivia em paz”.

Lula, este celerado, tem uma noção muito particular de paz. Pelo menos 300 mil pessoas, árabes, foram assassinadas pelo regime de Saddam. Nessa conta, não estão pelo menos 100 mil curdos, vítimas dos gases mostarda, sarin e tabun. É o que Lula chama de “viver em paz”.

Foi o regime criado por esse cara que quebrou a Petrobras. Agora os brasileiros começam a pagar a conta de sua irresponsabilidade, de sua ignorância e de sua estupidez.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Enviado Por Amigos de Deus.

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia se sentar na sua cama durante uma hora, todas as  tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.  A sua cama estava junto da única janela do quarto. 

O outro homem tinha que ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas e horas. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela. 

O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos.

Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte. Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia passar:  Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas

 Dias e semanas passaram. Uma manhã , a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida, o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. A enfermeira ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo! O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.

A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas passar alguma coragem pra ele... Moral da História:

Existe uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.  Se você quer se sentir rico, conta todas as coisas que você tem que o dinheiro não pode comprar.

'O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente.'

Autor: Desconhecido


De volta ao palco, Lula - o mistificador de sempre - Por Ricardo Noblat

O mistificador número 1 do país reapareceu em público – mais precisamente na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, ontem à noite.

Lula fez o que mais gosta: falar sem ser contestado para, em seguida, colher os aplausos e louvaminhas dos admiradores que o escutam em estado de graça.

O pretexto para o encontro foi a defesa da Petrobras. Lula se disse pronto para ir às ruas em defesa da Petrobras, da reforma política e da democracia.

Como de hábito, falou muito, valeu-se dos lugares comuns que sempre pontilharam sua oratória, e abusou da credulidade de um auditório disposto a acreditar em tudo o que ele diria.

Enganou, iludiu, burlou. Lembra-se de quando ele citava a mãe analfabeta? Dessa vez citou mãe e pai:

- Sou filho de uma mulher analfabeta. de um pai analfabeto. E o mais importante legado que minha mãe deixou foi o direito de eu andar de cabeça erguida e ninguém vai me fazer baixar a cabeça neste país. Honestidade não é mérito, é obrigação. Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também.

Quais os que querem guerra? Ele não os apontou. Como no auge do escândalo do mensalão em meados de 2005, quando se disse traído, mas não disse por quem.

Valeu-se do truque manjado de afirmar uma mentira para depois responsabilizar os adversários por ela. Assim:

- No caso da Petrobras, se parte do pressuposto de que tem que acabar com ela e criminalizar a política.

Quem quer acabar com a Petrobras? Lula não disse quem. Quem quer criminalizar a política? Também não disse.

Foi ele que em 2006 nomeou diretores da Petrobras que passaram a desviar dinheiro para o Caixa 2 dos partidos e também para os bolsos de políticos. Como pode querer culpar os outros?

Por fim, s sacou da velha carta descolorida pelo tempo e pelo uso:

- Estamos vendo no Brasil a criminalização da ascensão social de uma camada da população brasileira. A elite não se conforma com a ascensão dos mais pobres.

Blablablá...

Lula terá coragem de se arriscar a uma derrota na eleição presidencial de 2018? Ou ele estará certo em apostar nos seus poderes de prestidigitador? E, porta, na ignorância alheia?

Façam suas apostas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Várzea Alegre é uma das cidades mais felizes do Brasil - Matéria publicada no "Diário do Nordeste" deste domingo.

Segundo o Ipea, o Nordeste é destaque no ranking brasileiro, quando o assunto é a satisfação de vida

Várzea Alegre. A região Nordeste é destaque no Brasil em ranking sobre satisfação de vida. Quando o assunto é felicidade, o povo nordestino obteve o melhor desempenho, em recente avaliação elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Se fosse um País, a região ficaria em 9º lugar.

A Lagoa de São Raimundo Nonato e o Parque Cívico são excelentes equipamentos públicos de diversão e lazer, onde a população local, entre jovens, crianças e adultos faz caminhada e aproveita as tardes ensolaradas fotos: Honório Barbosa

O cearense é conhecido nacionalmente por ser um povo alegre e cheio de tiradas de humor. É gente festiva. Um exemplo vem do município de Várzea Alegre, localizado na região Centro-Sul do Estado do Ceará.No nome desta cidade já há um forte indicativo. Basta uma visita rápida ao município para perceber que é uma terra de gente feliz, com seus personagens típicos e muita musicalidade.
"Não foi uma feliz coincidência. Historicamente essa terra desenvolveu-se, transformou-se em cidade, mas sempre manteve o espírito de felicidade em sua gente, daí o nome Várzea Alegre", afirma o secretário de Cultura, Milton Bezerra. "Aqui se brinca o ano todo com muita euforia e paz", completa.
A agenda cultural da cidade de Várzea Alegre começa na quarta-feira e se estende até o domingo, com música ao vivo, shows e apresentações de artistas locais. Erivan Show, Júnior Clementino e Antônio Carlos (Sanfoneiro Fuleragem) são exemplos atuais dos que vivem da arte. Mas em um passado não tão distante, músicos como Chico de Amadeu, Pedro de Souza, mestre Chagas e seu Prejo animavam as festas do município.


O vendedor de pão-de-queijo, Amadeu Siebra Neto, desperta a atenção dos consumidores com seu jeito peculiar de trabalhar. Ele oferece o produto cantando músicas, assobiando o hino do padroeiro do município e imitando pássaros

Até os velórios são marcados por presença de músicos e um cerimonial que inclui locutor-apresentador, que informa o tempo restante para o fechamento do caixão, e intercala com músicas religiosas e de Música Popular Brasileira, na casa onde o corpo está sendo velado.

Personagens

Atualmente, três personagens destacam-se na cidadede Várzea Alegre. O músico Antônio José de Souza, mais conhecido por Pelé, é um deles. Ele está há dez anos fazendo divulgação volante pelo município.Pedalando uma bicicleta equipada com som e um pistão, instrumento de sopro, desperta a atenção dos consumidores com publicidade musical cheia de alegria. O diferencial, segundo ele, é que as mensagens musicais são elaboradas em público.
"Sou contratado para mensagens de aniversário, declaração amorosa e tentativa de reatar relações entre os casais. Nem sempre dá certo e tem cada história interessante", revela.
Outra figura conhecida em Várzea Alegre é o ambulante Amadeu Siebra Neto. Conduzindo uma caixa de isopor, desperta a atenção dos moradores, como vendedor de pão-de-queijo e o seu jeito peculiar.
Ele oferece o produto de forma indireta, cantando músicas, assobiando o hino do padroeiro de Várzea Alegre (São Raimundo Nonato) e imitando pássaros.


O ambulante Pelé, como é conhecido Antônio José de Souza, percorre as ruas fazendo publicidade volante há dez anos, com músicas variadas. O diferencial, segundo ele, é que as mensagens musicais são elaboradas em público

O palhaço palito é mais uma figura engraçada que percorre as ruas da cidade durante todo o dia. O personagem é incorporado por João Mendonça da Silva. Como o nome do lugar sugere, alegria não lhe falta.Também sobra criatividade para driblar as dificuldades da vida e disposição ao trabalho. "Fui embora em 1990, corrido, com medo de morrer", conta com muito humor.

Na época, Mendonça era funcionário público municipal e trabalhava como fiscal. Ele prendia os animais que perambulavam pelas ruas do município. Após prender um jumento, o dono não gostou e o ameaçou."Tive medo, fui embora e passei cinco anos até melhorar do trauma",revela. De volta à cidade, surgiu a ideia de criar o personagem palhaço palito. Em um triciclo, vende sucos e salgados, desde 1997.

O Brasil está a beira do precipicio - Reinaldo Azevedo.

Presidente de uma das maiores e mais influentes consultorias do mundo, que costuma ser prudente sobre o Brasil, diz que país está à beira do precipício.  

Ian Bremer, presidente da Eurasia, uma das consultorias políticas mais importantes e influentes do mundo, com escritório também no Brasil, escreveu um artigo para a revista Time em que afirma que o país vive a “tempestade perfeita”. Ele elenca cinco motivos que apontam para um futuro sombrio. Titulo do texto: “Cinco razões que conduzem o Brasil à beira do precipício”. Abaixo, faço uma síntese do que ele escreve, mas, antes, quero chamar atenção para um dado importante.

A Eurasia não se deixa impressionar facilmente e não pode ser acusada de fazer análises só para deixar o PT amuado. Nada disso! Querem um exemplo? Para o seleto grupo de clientes que recebiam suas análises durante todo o processo eleitoral, a consultoria jamais deixou de apontar Dilma Rousseff como a franca favorita. E assim foi até nos momentos mais difíceis da campanha. Eu mesmo vivia torcendo para que chegasse o dia em que me diriam: “Ó, a Eurosia está dizendo que Dilma deve perder…”. Isso nunca aconteceu.

São cinco os fatores que empurram o país o país para perto do abismo, segundo Bremer:

1 – Economia: O autor destaca que o real perdeu um décimo do seu valor ante o dólar nos dez primeiros dias de fevereiro, que a inflação está em alta e que o país deverá crescer apenas 0,3% neste ano. Nota à margem: com dados mais atualizados, Bremer teria destacado que o país terá é recessão em 2015, o que já deve ter acontecido também no ano passado.

2 – Seca: O Brasil passa por uma seca histórica, que poderá acarretar racionamento de água e luz, num país em que 70% da energia derivam de matriz hídrica. A decisão do governo de cortar os subsídios do setor deve levar a um aumento de 40% na tarifa — na verdade, esse reajuste já aconteceu.

3 – Mal-estar: Bremer destaca que, desde a virada do século, milhões de pessoas passaram para a classe média, com redução considerável da pobreza extrema. Não obstante, no ano passado, o governo teve de anunciar um aumento do número de pessoas que vivem na indigência. Mais: a classe média passou a reclamar da qualidade dos serviços públicos. O autor cita os protestos de 2013 e os de 2014, contra a Copa do Mundo, lembrando que, em 2016, o Rio sedia os Jogos Olímpicos. Parece sugerir que novas ondas de descontentamento vêm por aí.

4 – Corrupção: A corrupção toma conta do país, e o escândalo da Petrobras se agiganta a cada dia. O Ministério Público aponta o pagamento de pelo menos US$ 730 milhões em propina; segundo um dos delatores, 3% dos contratos eram destinados ao PT e aliados, havendo 232 empresas sob investigação. A corrupção é endêmica no país, e pagar propina é uma prática comum entre aqueles que precisam negociar com o setor público. Bremer observa que, no país,  há 20 mil cargos federais de confiança, contra apenas 5.500 nos EUA, por exemplo.

5 – Dilma nocauteada : O presidente da Eurosia diz que esses fatos nocautearam Dilma e que, desde a eleição, ela perdeu metade da popularidade. Ele cita os números do Datafolha, segundo os quais, em três meses, os que consideram seu governo ruim ou péssimo saltaram de 24% para 44%. Nota que os brasileiros estão perdendo a fé na petista, já que 60% acreditam que ela disse mais mentiras do que verdades na campanha e que 77% acham que ela sabia da corrupção na Petrobras.

Eis aí. Esse é o presidente de uma consultoria que costuma ser bastante prudente. Dá para imaginar o que andam dizendo a seus clientes os mais afoitos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Dilma fica mal na foto ao duelar com FHC - Por DANIELA MARTINS

Depois de dois meses sem dar entrevista aos jornalistas credenciados no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff disse que, se a corrupção na Petrobras tivesse sido investigada nos anos 90, não haveria agora o escândalo descoberto pela Operação Lava Jato. Dilma ficou mal na foto e despertou uma reação dura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC afirmou que a presidente está tentando esconder sua responsabilidade pela corrupção na Petrobras. Afinal, o PT está no poder desde 2003. Seria tempo suficiente para ter acabado com a corrupção na estatal. Mas, ao contrário, a corrupção teria sido elevada a um grau partidário desde então. Ele ainda lembrou que Dilma teria sido no mínimo descuidada ao aprovar a compra da refinaria de Pasadena.

Até petistas consideraram um erro o uso de um argumento com tom eleitoral. Para eles, a presidente deveria ter falado sobre o futuro e dito que a corrupção será combatida, que os culpados serão punidos e que a Petrobras dará a volta por cima.

Fracassou uma tentativa de acordo consensual entre o Ministério Público Federal e as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. As empresas chegaram a negociar um documento em que pagariam multas e reconheceriam culpa. Mas acharam alto o valor pedido e recusaram o acordo.

O Ministério Público, então, fez um cálculo em que a indenização é dez vez maior do que o valor que teria sido desviado da Petrobras pela corrupção. Tiveram início, hoje, cinco processos judiciais para cobrar até R$ 4,5 bilhões de reais das empreiteiras acusadas.

As empresas dizem que essa indenização pode quebrá-las. Agora, a Justiça decidirá se mantém o valor estipulado pelo Ministério Público ou se o reduz.

DA COLUNA DE FELIPE MOURA BRASIL



O engenheiro baiano Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e coordenador do cartel de empreiteiras no esquema de corrupção da Petrobras, fez chegar à VEJA um resumo do que está pronto a revelar à Justiça caso seu pedido de delação premiada seja aceito:

1) O esquema organizado de cobrança de propina na Petrobras foi montado em 2003, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, então amigo do empreiteiro. O operador era o tesoureiro do PT Delúbio Soares, réu do mensalão.

2) A UTC financiou clandestinamente as campanhas do hoje ministro da Defesa, Jaques Wagner, ao governo da Bahia em 2006 e 2010. A campanha de Rui Costa, em 2014, também foi financiada com dinheiro desviado da Petrobras.

3) A empreiteira ajudou o ex-ministro e mensaleiro petista José Dirceu a pagar despesas pessoais a partir de simulação de contratos de consultoria. Dirceu recebeu 2,3 milhões de reais da UTC somente porque o PT mandou.

4) O presidente petista da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, sempre soube de tudo.

5) Em 2014, a campanha de Dilma Rousseff e o PT receberam da empreiteira 30 milhões de reais desviados da Petrobras.

Ricardo Pessoa pode demonstrar que esse dinheiro saiu ilegalmente da estatal, através de contratos superfaturados, e testemunhar que o partido conhecia a origem ilícita. Também pode contar que o esquema de propinas foi montado pelo PT com o objetivo declarado de financiar suas campanhas eleitorais.

O presidente do BNDES (mantido no cargo), Luciano Coutinho, avisou Pessoa que o tesoureiro de Dilma, Edinho Silva, o procuraria para pedir dinheiro, conforme VEJA revelou três semanas atrás. Pessoa confirma que deu mais 3,5 milhões de reais à campanha presidencial petista após ser procurado por Edinho e a revista acrescenta agora que a conversa entre eles teve duas testemunhas.

6) O suposto ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ciente de que Pessoa estava prestes a denunciar Lula, Dilma e Dirceu, procurou os advogados do empreiteiro, e o acordo de delação premiada que ele negociava com os procuradores da Operação Lava Jato foi suspenso.

Ao contrário do que pregam OAB, Kennedy Alencar, Ricardo Noblat e o próprio ministro, as reuniões secretas não partiram dos advogados, mas sim de Cardozo, disposto a cometer qualquer tipo de abuso para obstruir o inquérito.

Em suma: se Ricardo Pessoa, em vez de ceder à pressão petista, denunciar à Lava Jato toda essa máfia infiltrada na máquina pública, e se os investigadores conseguirem demonstrar item por item, então o impeachment de Dilma na base legal do artigo 85, inciso 5, ou a cassação de seu mandato na da lei federal nº 9.504 são muito pouco para o bem do Brasil: o PT tem de ser extinto e os mandantes do esquema têm de apodrecer atrás das grades.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

BOAS RESPOSTAS - Por Antonio Morais.

Boas respostas, com notável valor pedagógico. No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta: Quantos rins nós temos? Quatro! - responde o aluno.
Quatro? - replica o professor, um arrogante, daqueles que sentem prazer em gozar com os erros dos alunos.
Tragam um fardo de palha, pois temos um burro na sala. - ordena o professor ao seu auxiliar.
E para mim um cafezinho! - pediu o aluno.
O professor ficou furioso e expulsou-o da sala. O aluno era Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), o 'Barão de Itararé'. Ao sair, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o irritado mestre:
O senhor me perguntou quantos rins 'NÓS TEMOS'. 'NÓS' temos quatro: dois meus e dois seus. 'NÓS' é uma expressão usada para o plural.Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.

Moral da história:

A VIDA EXIGE MUITO MAIS COMPREENSÃO DO QUE CONHECIMENTO. Às vezes as pessoas, por terem um pouco a mais de conhecimento ou acreditarem que o tem, se acham no direito de subestimar os outros...

E haja palha!!!

O que o dono da UTC sabe é dinamite pura - Por Daniel Pereira e Robson Bonin.

Ricardo Pessoa, presidente da UTC, preso na PF em Curitiba, quer fazer delação premiada e contar tudo. As manobras para convencê-lo do contrário seguem o padrão do ciclo petista no poder: o ministro da Justiça vira advogado de defesa do governo e tenta evitar que os escândalos atinjam o Planalto

Muito se discute sobre as motivações que um empreiteiro há três meses preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba teria para contar o que sabe — não por ter ouvido falar, mas por ter participado dos eventos que está pronto a levar ao conhecimento da Justiça. O engenheiro baiano Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, tem várias. A primeira, evidente, é não ser sentenciado pela acusação de montar um cartel de empreiteiras destinado a fraudar licitações na Petrobras, quando a festa pagã de que ele tomou parte na estatal foi organizada pelo PT, o partido do governo. A segunda, também óbvia, é atrair para o seu martírio o maior grupo de notáveis da política que ele sabe ter se beneficiado das propinas na Petrobras e, assim, juntos, ficarem maiores do que o abismo — salvando-se todos. A terceira, mais subjetiva, é, atormentado pela ideia de que tudo o que ele sabe venha a ficar escondido, deixar registrado para a posteridade o funcionamento do esquema de corrupção na Petrobras feito com fins eleitorais. Antes dono de um porte imponente e até ameaçador, Pessoa está magro e abatido. As acusações de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa que pesam sobre ele poderiam ser atenuadas caso pudesse contar, em delação premiada, quem na hierarquia política do país foi ora sócio, ora mentor dos avanços sobre os cofres da Petrobras.

“Vou pegar de noventa a 180 anos de prisão”, vem dizendo Ricardo Pessoa a quem consegue visitá-lo na carceragem. Foi com esse espírito que fez chegar a VEJA um resumo do que está pronto a revelar à Justiça caso seu pedido de delação premiada seja aceito. A negociação com os procuradores federais sobre isso não caminha. Pessoa reclama que os procuradores querem que ele fale de corrupção em outras estatais cuja realidade ele diz desconhecer por não ter negócios com elas. Já os procuradores desconfiam que Pessoa está sonegando informações úteis para a investigação. O impasse só favorece o governo, pois o que Pessoa tem a dizer coloca o Palácio do Planalto de pé na areia do mar de escândalos. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Dilma reaparece zombando da inteligência alheia - Por Ricardo Noblat

De que adiantou a presidente Dilma ter ficado quase dois meses sem responder a perguntas de jornalistas para ao fim e ao cabo romper seu silêncio dizendo um monte de sandices? Perdeu uma oportunidade de ouro de permanecer calada.

A maioria dos brasileiros não a perdoa por ela ter mentido tanto durante a campanha que a reelegeu. Tudo o que ela disser daqui para frente será recebido com desconfiança. Pois bem: assim que pôde, Dilma voltou a zombar da inteligência alheia.

O que resta demonstrado depois de tantos meses de investigação sobre a roubalheira na Petrobras? Que diretores e gerentes, alguns nomeados ainda por Lula, montaram uma formidável máquina de arrancar dinheiro de empreiteiras para financiar partidos.

Quando tudo isso começou? No primeiro governo Lula. Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, confessou ter sido subornado por uma empresa holandesa ainda no período de Fernando Henrique Cardoso na presidência. Mas esse foi um fato isolado como ele mesmo reconheceu.

A corrupção organizada e envolvendo funcionários e empreiteiras a serviço da Petrobras só deu sinal de vida na Era  PT. Daí... Daí como é possível que Dilma cometa o descaramento de atropelar a verdade para tentar repartir a culpa do PT com o PSDB de FHC?

Isso só tem um nome: desonestidade intelectual.

Como na campanha, Dilma imagina sair no lucro repetindo mentiras até que elas acabem aceitas como verdades. Não é por que o truque deu certo antes que dará certo outra vez. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Quem se importa com o dinheiro manchado de sangue que deu à Beija-Flor o título de campeã? - Por Ricardo Noblat


Um Estado permissivo e uma sociedade tolerante por natureza ajudam a entender por que foi possível a uma das ditaduras mais sangrentas do mundo, a da Guiné Equatorial, se associar à escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, 13 vezes campeã do carnaval do Rio de Janeiro, a que mais coleciona títulos na Era do Sambódromo.

Uma vez perguntaram ao prefeito Eduardo Paes o que ele achava das ligações entre as escolas de samba e os chefes do jogo do bicho, proibido por lei. Cito de memória a resposta dele:

- É chato, não é? Mas o que posso fazer? Acabar com o carnaval do Rio?

Os antecessores de Paes devem ter pensado assim, bem como ex-chefes de polícia, ex-governadores, juízes, desembargadores, empresários, socialites, artistas, e parte do distinto público acostumado a fazer sua fezinha no bicho. Se nem o Estado nem a iniciativa privada bancavam as escolas por que não os bicheiros?

Quantas vezes eles não desfilaram a frente de suas escolas, festejados por notáveis que os admiravam e tiravam vantagens de sua amizade?

Quantas vezes não foram ovacionados pelos que lotavam camarotes, frisas e arquibancadas do Sambódromo?

Quantos favores não prestaram? E a quantos não beneficiaram?

Depois que os mais importantes bicheiros foram presos em janeiro de 1993 por ordem da juíza Denise Frossard, presos novamente em 2007, dessa vez pela Polícia Federal, e condenados em 2012 pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, poucos entre eles se arriscaram a ser vistos novamente na Sapucaí. A morte tirou vários de circulação.

Mas na última segunda-feira, no desfile do Grupo Especial, uma das cabeças da máfia do jogo do bicho passeou sem constrangimento no Sambódromo pilotando um carro elétrico – o contraventor Anísio Abrahão, presidente de honra da Beija-Flor. A televisão mostrou.

Foi dele a última palavra que fechou a parceria da ditadura da Guiné Equatorial com a escola.

Mariana Sanches, em reportagem publicada, hoje, pelo O Globo, registrou a reação ao episódio de o principal defensor dos direitos humanos da Guiné Equatorial, Tutu Alicante, que vive exilado nos Estados Unidos:

- O carnaval da Beija-Flor é um insulto para o povo da Guiné Equatorial.


Alicante explicou a razão. Cerca de 75% da população de 1,6 milhão de pessoas do seu país vivem com apenas dois dólares por dia e não têm acesso à água limpa ou à saúde.

“Nada disso foi para a avenida na madrugada de terça-feira, quando a escola desfilou as “belezas” da Guiné Equatorial”, acusa.

Mônica perguntou se as pessoas por lá já sabem o que aconteceu. Resposta de Alicante:

- Não há jornais lá. Não existe imprensa livre na Guiné. As pessoas não sabem o que está acontecendo nem oficial nem extraoficialmente. Não existe nenhuma rádio ou emissora de televisão livres. O Facebook é bloqueado, assim como a maior parte dos sites de informação.

E um cidadão médio do país? Como vive? Alicante:

- Obiang [ditador há 35 anos] tem pelo menos 17 palácios. 75% da população não têm onde morar, não estuda, não têm água limpa. Se ficar doente, morre. Medicamentos básicos são inacessíveis. Há uma única universidade no país, sem alunos. Nos últimos dois ou três anos, pelo menos 60 mil pessoas foram sequestradas, executadas ou torturadas na Guiné.

Quem por aqui se importa verdadeiramente com isso?

JOSE OTÁVIO DE ANDRADE



O Saudoso e respeitável Pe. Otávio. Se a Câmara Municipal de Várzea-Alegre não lhe deu o honorifico título de "Cidadão de Várzea-Alegre". Falta lamentável, eu lhe rendo homenagem muito justa, chamando-o o "Pe. do Seculo", em Várzea-Alegre. Dos primórdios de nossa Paróquia, 1863, com o Padre Benedito de Sousa Rego, às suas despedidas solenes em 25 de março de 1969, mais de um seculo decorrido, foi ele, o Padre Otávio, aquele que mais tempo serviu, 34 anos, com dedicação que era de esperar de figura tão respeitável. Em meio as futricas da terra portou-se como um divisor de aguas, mantendo a serenidade e a compostura, como já disse, sem atiçar as brasas, sem deixar queimar as fimbrias de sua batina. 

Transcrevo, para conhecimento de quantos o estimaram, os dados biográficos essenciais:

Filho de Antônio Cristiano de Andrade e Maria Pastora de Andrade, nasceu, aos 25 de Maio de 1896, em Bebedouro, hoje Aiuaba. Ingressou no seminário de Fortaleza a 29 de Maio de 1913. Deixou os estudos, em 08 de Dezembro de 1917. Casou-se, aos 25 de Maio  de 1918, com Maria Andradina Pais de Andrade. Primeira viuvez aos 26 de Janeiro de 1926. Segundas núpcias, aos 02 de Outubro de 1927. Segunda viuvez, em 26 de Setembro de 1928. Retornou ao Seminário do Crato em 11 de Julho de 1929. Ordenação Sacerdotal, em Crato, aos 30 de Dezembro de 1934. Chegou a Várzea-Alegre em 24 de Março de 1935, para auxiliar o vigário, Padre Raimundo Dias Monteiro. Vigário Ecónomo, 02 de Julho de 1935 a 15 de janeiro de 1936. Provisão de vigário, de 15 de janeiro de 1937 até 25 de março de 1969.

Alguns anos mais nos concedeu a "Providência Divina" tê-lo como nosso boníssimo e zeloso pastor. A morte o colheu, no Recife, dia 09 de Setembro de 1972. Rendo-lhe minha homenagem, eu que sempre lhe rendi meu respeito e admiração. Seu busto, à frente da nossa matriz, é testemunho vivo da nossa imorredoira amizade. Que o vejamos com os melhores olhos, tanto nos merece, por justiça e sem favores, o Pe. José Otávio de Andrade.

Dr. José Ferreira.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sob que acusação deve-se condenar o ministro da Justiça? - Por Ricardo Noblat


É mais fácil condenar o ministro José Eduardo Cardoso, da Justiça, por ter se encontrado com advogados de empreiteiras envolvidas na corrupção da Petrobras do que absolvê-lo por não ter infringido lei alguma. Ou então reconhecer que ele cumpriu com sua obrigação.

Em nome das pessoas “honestas”, o ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), exigiu que Dilma demitisse Cardoso. O juiz Sérgio Moro, que comanda as investigações da Operação Lava-Jato, considerou a conduta de Cardoso “intolerável”.

Barbosa e Moro devem partir do princípio de que o encontro de Cardoso com advogados só pode ter servido para prejudicar as investigações. Ou então para abrir atalhos capazes de favorecer os acusados de roubar a Petrobras.

Existe alguma prova disso? Não. Alguma evidência forte disso? Não. Existe o quê? A desconfiança de que o encontro não serviu para boa coisa. Sinto muito, mas somente a desconfiança não basta para crucificar ninguém.

Cardoso é um servidor público. Obrigado a atender quem o procure. Se vira suspeito por se portar apenas como manda a lei, a conclusão óbvia é de que deveria ignorá-la para escapar de qualquer suspeição. Faz sentido? Nenhum.

Para efeito de raciocínio: digamos que o ministro estivesse interessado em facilitar a vida dos empreiteiros presos. Não teria sido mais prudente que ele recebesse os advogados dessa gente em algum lugar discreto a salvo da curiosidade pública?

Mas não. Recebeu os advogados no seu gabinete do Ministério da Justiça. Os nomes deles apareceram na agenda oficial de Cardoso.

Gaba-se Barbosa de não ter recebido advogados de defesa ou de acusação na época em que foi ministro do STF. E os colegas dele? Todos os colegas dele que receberam advogados? Foram desonestos? Ou menos honestos do que Barbosa?

Enquanto não surgir prova de que Cardoso prevaricou ao recepcionar quem bateu à sua porta, seria injusto incinerá-lo.

Quanto a Barbosa: ele não tem procuração para falar em nome das pessoas honestas desse país. E pensar diferente dele não torna ninguém menos honesto.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

023 - Por onde andam?



Gostaríamos  que publicassem no Blog - A musica "As belezas do Crato" - Com o João Dino e Banda. Grato pela atenção.

Tetê e Maiza.


Comentário do Antonio Morais

Prezado João Dino.

Obrigado por cantar e decantar as coisas boas do Crato.  Acompanho sua trajetoria  vitoriosa deste  aquela "Convenção do Lions"  que coordenei no inicio da década de 90  do século passado. O Crato recebeu delegações de todos os 184 municípios. Você foi escolhido, a época, para  recepcionar  os visitantes e empolgou a todos com sua  banda,  sua  bela voz e  o seu carisma. O Crato lhe é muito grato por tudo isto. Você é sempre muito benvindo em nossa cidade.

Paz e Bem.

Amigo, camarada e irmão.

António Morais

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Dilma e Graça Foster não escaparão da Justiça... Americana! - Ricardo Noblat


Lula está rouco de tanto repetir que o julgamento dos mensaleiros foi político e não jurídico. E que por isso eles acabaram injustamente condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Sabemos que não foi assim, mas não importa. Lula e Dilma nomearam a larga maioria dos ministros do STF. Que teria então se voltado contra eles? Foi isso o que aconteceu?

Menos, gente. Menos. Adiante.

Quando o Tribunal de Contas da União (TCU) bloqueia os bens de 10 ex-diretores da Petrobras, mas deixa de fora os de Graça Foster, ex-presidente da empresa, do que se trata?

De julgamento jurídico? Ou de um julgamento político?

O TCU também livrou Dilma, presidente do Conselho de Administração da Petrobras na época da compra da refinaria Pasadena, no Texas.

Pasadena representou um prejuízo de US$ 792,3 milhões para a Petrobras, que a comprou de um grupo belga. Os jornais de Bruxelas celebraram a venda como “o negócio do século”. Para os belgas.

Em qualquer país minimamente cumpridor de regras, e escravo do bom sem senso, seria impossível isentar a ex-presidente da empresa da compra da... Empresa.

Dá-se o mesmo com os membros do Conselho de Administração. Por ora, eles desfilam como inocentes. Mas a Petrobras já responde nos Estados Unidos a três processos.

Lá não haverá conversa. É mais do que provável que sobre para Graça, Dilma e o resto do Conselho.

Vida que seguirá.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Como chegar a Lula no escândalo da Petrobras - Ricardo Noblat

O cerco começa a se fechar em torno da Odebrecht, a maior empreiteira do país suspeita de envolvimento com a corrupção na Petrobras.

Em delação premiada ao Ministério Público Federal, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso em Curitiba desde o ano passado, disse que a Odebrecht lhe pagou propinas a “cada dois ou três meses” em suas contas na Suíça entre 2008 e 2013.

Por baixo, Paulo Roberto calcula que recebeu no total algo como US$ 31,5 milhões. Os pagamentos tiveram a ver, segundo ele, com uma política da empreiteira de “bom relacionamento”.

A iniciativa partiu do diretor da Odebrecht Plantas Industriais Rogério Araújo. Paulo Roberto confessa que ouviu dele:

- Você é muito tolo, você ajuda mais os outros que a si mesmo. E em relação aos políticos que você ajuda, a hora que você precisar de algum deles eles vão te virar as costas.

A empreiteira desmentiu Paulo Roberto.

Há uma força tarefa formada por representantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal que atua desde a fase inicial da Operação Lava-Jato investigando contratos da Odebrecht com a Petrobras e o eventual pagamento de suborno.

A empresa sabe disso. E está pronta para rebater o que lhe imputem tão logo isso ocorra. E por meio da Odebrecht que o Ministério Público e a Polícia Federal imaginam que podem chegar ao ex-presidente Lula.

Assim que largou a presidência da República, Lula passou a prestar serviços a empreiteiras com negócios no exterior. A Odebrecht é uma delas. A OAS, outra.

Lula aproveita relações que estabeleceu com governos na época em que era presidente para defender os interesses das empreiteiras.

O que ele faz não é ilegal. Imoral? Pode ser.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Câmara vai convidar 39 ministros de Dilma - Por AYR ALISKI - O ESTADO DE S. PAULO

Brasília - O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 11, convites para que todos os 39 ministros do governo Dilma Rousseff visitem a Casa. A decisão foi tomada após acordo entre os líderes partidários. A decisão significa que a Câmara vai ouvir cada um dos ministros em comissão geral, regularmente. 

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PDMB-RJ), já tinha dito que a ideia é ouvir os ministros semanalmente, às quintas-feiras. "Vamos convidar os ministros de Estado para ter, às quintas, a presença de pelo menos um deles a cada semana no Plenário para falar sobre sua pasta. Vamos fazer o calendário para o ano inteiro, acertar os convites. Cunha já havia afirmado que, caso algum ministro se recusar a comparecer sem apresentar um motivo de força maior, poderá ser convocado. O presidente da Câmara disse que o objetivo é promover o debate.

A decisão de convocar os ministros representa mais uma derrota para o Palácio do Planalto, que tem enfrentado resistência dos parlamentares da base aliada. A base ameaça posicionar-se contrária às MPs 664 e 665, que tratam de alterações nas regras trabalhistas e previdenciárias.

A sessão plenária da Câmara pode ser transformada em comissão geral para debater assunto relevante ou projeto de iniciativa popular ou para ouvir ministro de Estado. Na comissão geral, a palavra é aberta a convidados, diferentemente do que ocorre nas sessões, nas quais apenas deputados podem usar a palavra.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Os pobres e os nordestinos começam a se libertar em massa do governo do PT - Por Reinaldo Azevedo


Aponta Datafolha; Dilma leva pau e hoje, certamente, não seria reeleita. Dilma Rousseff talvez se agarre a um fio de esperança. Caso alguns boatos que andam na praça se transformem em fatos, a Operação Lava Jato, que devasta o PT, causará sérios abalos em outras legendas, inclusive de oposição. Nessa hipótese, o peso sobre os ombros presidenciais diminuiria, e Dilma tentaria se apresentar como fiadora da investigação, “doa a quem doer”.  Ou por outra: se o escândalo for jogado no ventilador, todos procurarão se salvar, e ninguém vai para a guilhotina. Mas notem: isso só impediria que Dilma tivesse a cabeça cortada. Recuperar o prestígio é coisa bem distinta. A razão é simples: os nordestinos e os pobres começaram a abandonar o governo.

Para lembrar: segundo pesquisa Datafolha publicada no domingo, o brasileiro atribui à presidente nota vermelha: 4,8. Não dá para passar de ano. Hoje, não seria reeleita. Se ela não tomar cuidado, será tragada pela crise. Em dois meses, caíram de 42% para 23% os que dizem que seu governo é ótimo ou bom, e dispararam de 24% para 44% os que afirmam ser ele “ruim ou péssimo”, uma movimentação negativa de 39 pontos. Para onde quer que se olhe, o quadro é desanimador para a presidente. Acabou a condescendência: 47% dizem que ela é desonesta, e 54% a veem como falsa. Sessenta por cento acham que ela mentiu na campanha: 46% sustentam que falou mais mentiras do que verdades; para 14%, só mentiras. O escândalo da Petrobras corrói a sua credibilidade.

Nada menos de 77% dizem que ela sabia do escândalo: para 52%, sabia e deixou rolar solto; para 25%, sabia e não tinha como evitá-lo. Tomaram conhecimento das lambanças da Petrobras 86% dos entrevistados. Pois é… Eis aí um caso que, como se diz, “pegou”. Para 82%, a corrupção prejudica a estatal.

O estelionato eleitoral praticado por Dilma — aquele negado por João Santana — pesa na sua reputação. Ora, quem a viu elevar juros e tarifas, num cenário de inflação acima da meta, e botar freio no seguro-desemprego tem motivos objetivos para considera-la falsa, não é?

É o pior desempenho de Dilma, superando em muito o de junho do ano passado. Daquela vez, chegaram a 33% os que consideravam seu governo “ótimo ou bom”; agora, só 23%. Naquele mês, obteve seu recorde de “ruim e péssimo”: 28%; agora, 44%.


Eduardo Cunha - Moralizando a Câmara Federal.


"Aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver".

Neste começo de legislatura o Deputado Eduardo Cunha tem dado um basta ao domínio que  o Governo do PT seja Lula ou Dilma exercia na Câmara Federal. Os petistas sumiram do plenário e os demais deputados perderam o medo de exercer  o seu mandato com independência.

Rebela-se o PT. PMDB impõe derrotas ao governo. Cuidado, dona Dilma! Um dia a casa cai - Por Ricardo Noblat


No momento, pelo menos, o governo parece estar à matroca.

Enquanto Dilma ainda não se recuperou do choque causado pela mais recente pesquisa Datafolha, que reduziu drasticamente sua aprovação, segue a vida no Congresso sob o comando pouco amigável do PMDB.

Para onde olhe Dilma enxerga problemas.

Somente ontem, o PMDB lhe impingiu duas claras derrotas. Ajudou a aprovar na Câmara dos Deputados o chamado Orçamento impositivo, que obriga o governo a pagar as emendas individuais dos parlamentares ao Orçamento da União.

De sua parte, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, entregou o comando da Comissão Especial da reforma política ao seu colega Rodrigo Maia (DEM-RJ), adversário do governo. Um pau mandado de Eduardo responderá pela relatoria da Comissão.

Quer mais?

O próximo líder da bancada do PMDB na Câmara será um deputado que fez campanha para eleger Aécio Neves (PSDB-MG) presidente da República.

O PT divulgou resolução aprovada por seu Diretório Nacional no último fim de semana que cobra coerência entre o discurso adotado por Dilma durante a campanha eleitoral e a prática adotada nos primeiros dias do seu segundo governo.

O PT diz apoiar o diálogo entre governo e movimentos sociais com o objetivo de "impedir" que o ajuste fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy recaia sobre direitos trabalhistas.

As Medidas Provisórias 664 e 665, que fazem parte do ajuste fiscal, criam novas regras que restringem o acesso dos trabalhadores a direitos como seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença.

Se o PT se rebela e pressiona para derrubar vários pontos do ajuste fiscal, por que seus aliados no Congresso sustentarão sozinhos o desgaste de aprovar o que o governo lhes pediu?

Nem mortos, meus caros.

O PMDB avisa que é sensível à reclamação das centrais sindicais. E que fecha com o PT no propósito de revisar as medidas do ajuste. No horizonte, nuvens carregadas. Trovões e raios.

À Dilma só resta um caminho – nem dois, nem três, um apenas: vir a público dizer com todas as letras que o ajuste será para valer. E será do jeito que o ministro da Fazenda encaminhou ao Congresso com seu prévio consentimento.

A não ser que ela esteja disposta a trocar a equipe econômica do governo.

O estrago provocado pelo ajuste fiscal na imagem de Dilma já foi feito, e nada haverá de saná-lo.

O ajuste decorre de quatro anos de desajustes, principalmente o último, para que Dilma se reelegesse.

Certamente, Dilma não imaginou que pagaria um preço elevado por ter mentido tanto durante a campanha. Isso é uma prova do amadurecimento dos brasileiros.

Antes, eles eram enganados, enganados e enganados. Agora são enganados e em seguida reagem. Menos mal.

Dilma está perdidona. Não sabe direito o que fazer. Acuada, sempre se socorre de duas entidades: Lula, seu inventor, e João Santana, seu marqueteiro.

Um dia não dá certo e a casa cai.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O confisco da verdade - Por Ricardo Noblat


Quem disse: “[A recente campanha eleitoral foi] a mais suja. Aquela em que nossos adversários utilizaram as piores armas para tentar nos derrotar. Tentaram fraudar a vontade política da maioria, usando todos os seus recursos de comunicação para manipular, distorcer e falsear”?

Aécio Neves? Fernando Henrique Cardoso? Dilma? Lula?

Claro, Lula, no aniversário de 35 anos do PT. Quem mais ousaria tanto? A metamorfose ambulante, como um dia Lula se apresentou, teve a cara de pau de dizer mais. Do tipo:

- O PT nasceu para ser diferente. A verdade é que foi o governo deles que tentou destruir a Petrobrás. E foi o nosso governo que a resgatou, retomou os investimentos que levaram à descoberta do pré-sal e fizeram da Petrobrás a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto.

Sobre a corrupção na Petrobras, nem um pedido de desculpas.

Como a vingança veio a galope, Lula, Dilma e o PT foram obrigados a amargar, um dia depois de se reunirem em Belo Horizonte, os resultados da primeira pesquisa de opinião pública aplicada, este ano, pelo Datafolha.

Despencou a popularidade de Dilma reeleita pelo “partido que veio para repelir a mentira”, segundo Lula. Dilma alcançou a pior avaliação de um presidente desde 1999.

Tinha 42% de ótimo e bom e 24% de ruim e péssimo em dezembro último. Agora, respectivamente 23% e 44%.

Metade dos que ganham até dois salários mínimos considerava o governo Dilma ótimo ou bom. Agora, 27%.

Quer dizer: 23 pontos percentuais de queda em dois meses.  Como preocupação dos brasileiros, a corrupção subiu para o segundo lugar (21%). Só perde para a saúde (26%).

Está bom ou quer mais?

Quase 80% dos entrevistados acreditam que Dilma sabia da corrupção na Petrobras. Para 52%, sabia dos desvios de dinheiro e deixou que continuassem.

Pouco menos de 50% a consideram desonesta, além de falsa (54%) e indecisa (50%). Seis em cada 10 entrevistados acham que Dilma mentiu para vencer.

Estelionato eleitoral? É disso que se trata. Chega! Basta! Fora!

Fora? Talvez exagere.

Mas quando começou o falatório pedindo o impeachment de Fernando Collor, o PT negou que fosse golpe.  Collor caiu.

O PT negou que fosse golpe a tentativa de derrubar Fernando Henrique Cardoso quando ele se reelegeu. Ora, o impeachment está previsto na Constituição. Outro dia, nos Estados Unidos, falou-se em impeachment de Obama. Como antes no de Bill Clinton. Ninguém rebateu dizendo que era golpe.

Collor ganhou acusando Lula de estar decidido a confiscar parte da poupança dos brasileiros se vencesse.

Fernando Henrique se reelegeu garantindo que não desvalorizaria o real.

Dilma está de volta depois de ter dito que seus adversários fariam a infelicidade do povo, adotando medidas que ela jamais adotaria.

Collor confiscou a poupança. Fernando Henrique desvalorizou o real. Dilma está fazendo o contrário do que disse.

O que eles têm em comum?

Confiscaram a verdade.

Em 1986, o então presidente José Sarney lançou o Plano Cruzado, que congelou salários e preços. Quase virou santo.

Naquele ano, o PMDB e o PFL de Sarney elegeram 23 governadores em 23 possíveis, 40 de 43 senadores e 378 de 487 deputados federais.

Alguns dias depois, Sarney acabou com o congelamento. De passagem pelo Rio de Janeiro, dentro de um ônibus com a sua comitiva, foi apedrejado por uma multidão.

Lula diz que há um golpe em marcha para depor Dilma. Bobagem! O golpe já foi dado. Por ele, Dilma e o PT ao encenarem a farsa eleitoral do ano passado.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Lula envelheceu. E com ele o PT - Por Ricardo Noblat


Mandava a prudência que o PT aguardasse mais algum tempo para sair ou não em defesa de João Vaccari, seu tesoureiro, acusado por três delatores da Operação Lava-Jato de ter recebido dinheiro desviado de negócios da Petrobras para encher as burras do Caixa 2 do partido.

Imaginava-se que o PT tivesse aprendido com o episódio do mensalão – o pagamento de propinas a deputados federais para que votassem na Câmara de acordo com o governo.

O PT precipitou-se e saiu em defesa de Delúbio Soares, tesoureiro na época. Depois foi obrigado a afastá-lo do cargo. Delúbio acabou condenado pela Justiça.

Lula mandou às favas a prudência. E como quem não aprendeu nada, elogiou Vaccari e aconselhou aos militantes do PT: “Na dúvida, fiquem com o companheiro”.

Como se não bastasse, convocou os militantes a saírem às ruas em defesa do tesoureiro.

Se por Vaccari o PT deve ocupar as ruas como quer Lula, se por acaso Lula acabar atingido pela roubalheira da Petrobras, o que o partido deve fazer?

Pegar em armas? Imolar-se dentro de uma jaula? Oferecer a cabeça para ser decapitado?

Pobre do político que se torna previsível. Nada é mais vulnerável do que ele. Fica fácil derrotá-lo.

Lula tornou-se previsível. Parece ter esgotado seu estoque de velhos truques e de tiradas antes espertas. Envelheceu. Como o partido que agora celebra seus 35 anos de fundação.

Janot e procuradores de força-tarefa viajam aos EUA para pedir apoio em investigação da Petrobras - Por Jailton de Carvalho, O Globo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e um grupo de procuradores da força-tarefa responsável pela Operação Lava Jato embarcam ontem para os Estados Unidos para pedir apoio das autoridades americanas nas investigações sobre as fraudes na Petrobras.

Júlya Wellisch, procuradora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Rio de Janeiro também fará parte da delegação brasileira.

Os procuradores terão reuniões no Departamento de Justiça, no FBI, no Banco Mundial e na OEA (Organização dos Estados Americanos). O Departamento de Justiça e a Securities and Exchange Comission estão investigando as fraudes na Petrobras por iniciativa própria desde o ano passado.

Mudando de lado.


Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e um dos nomes envolvidos nas investigações da Polícia Federal no escândalo da compra da Refinaria de Pasadena, que gerou um prejuízo bilionário à maior estatal brasileira.

Por algumas vezes o ex-diretor da Petrobras depôs, inclusive no Congresso Federal defendendo Dilma de qualquer responsabilidade pela compra da refinaria sucateada a preço de ouro nos EUA. Na época da compra Dilma era a presidente do conselho da Petrobras.

Segundo o colunista da Veja, Lauro Jardim, os advogados de Cerveró entraram com ação no conselho de ética da Presidência da República atribuindo a responsabilidade pela compra de Pasadena à Dilma. Para a defesa do ex-diretor da Petrobras, se houve administração temerária no que tange à compra da refinaria americana, cabe à Dilma, ex-presidente do conselho administrativo, a responsabilidade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Marcos Valério volta a assombrar Lula com uma propina de 2,6 milhões de euros - Por Augusto Nunes

Além do mensalão, do petrolão e da chanchada pornopolítica que transformou em celebridade a segunda-dama Rose Noronha, fora o resto, outro caso de polícia de grosso calibre ronda o prontuário de Lula - e ajuda a explicar o longo período de mudez que se impôs o ex-presidente. No fim de janeiro, a imprensa portuguesa noticiou que o Ministério Público daquele país investiga a denúncia feita pelo publicitário Marcos Valério: o Partido dos Trabalhadores recebeu 2,6 milhões de euros da Portugal Telecom.

Em 9 de janeiro deste ano, o executivo Miguel Horta e Costa, ex-presidente da empresa de telefonia, foi interrogado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal. Investigado do lado de lá do Atlântico por corrupção em transações internacionais, Costa também entrou na mira de um inquérito conduzido pela Polícia Federal brasileira. A história começou a ser apurada em 2012, depois que Marcos Valério, condenado a mais de 37 anos de cadeia por ter exercido informalmente o cargo de diretor financeiro da quadrilha do mensalão, denunciou o pagamento feito ao PT durante o governo Lula.

Em troca, a Portugal Telecom teria facilitada a compra da Telemig, operadora telefônica baseada em Minas Gerais. Segundo Valério, a propina foi negociada diretamente com o então presidente brasileiro. O dinheiro teria sido transferido por meio de uma fornecedora da Portugal Telecom em Macau, na China, a publicitários brasileiros que trabalharam em campanhas eleitorais do PT. Como sempre, Lula vai jurar que não sabe de nada.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Reprimenda bem aplicada - Por Antonio Morais

José André, o meu caçula, afilhado do Vicente e da Valdênia Almeida, sempre foi muito sério, aplicado e disciplinado. Apesar de ser muito mimado quando novo, jamais se aproveitou destes afagos permissivos para tirar vantagens e conseguir coisas fáceis. Teve uma só Babá. Zoraide cuidou dele como se mãe fosse. Tomou mingau até oito anos. Estudava no Colégio Santa Teresa de Jesus e diariamente - Zoraide ia levar a sua mamadeira, sempre com o cuidado necessário para não expô-lo aos colegas.

Certa feita, quando a Zoraide chegou ao Colégio os alunos estavam ensaiando uma quadrilha de São João, e, ela não teve o devido cuidado e a turma viu a mamadeira. A gaiateza foi a maior. José se danou de raiva, com o Babá e, ao chegar em casa chamou para uma conversa: Olhe Dona Zoraide, nunca mais você me exponha diante de meus colegas. 

Com medo de ser surpreendido passou a levar ele mesmo a mamadeira escondida como quem carregava mercadoria sem nota.


Dilma acabou de descobrir em Campo Grande que a primeira vaia ninguém esquece - Por Augusto Nunes.

A carranca de Dilma Rousseff, eternizada no vídeo de 25 segundos, confirmou a regra sem exceções:  a primeira vaia ninguém esquece. Nesta segunda-feira, a presidente em campanha pela reeleição baixou em Campo Grande para entregar 300 ônibus escolares, plantar promessas e colher a gratidão dos prefeitos de 78 cidades de Mato Grosso do Sul beneficiadas pela doação federal. Confiantes nas pesquisas encomendadas a comerciantes de estatísticas, os organizadores do comício esqueceram de providenciar a plateia ensaiada para aplaudir a campeã de popularidade. Deu no que deu.

Um ato de protesto que juntou centenas de produtores rurais apresentou Dilma ao Brasil real. O vídeo que já nasceu histórico só registra os apupos que sublinharam a saudação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, à “melhor presidenta do país”. A coisa foi muito pior. A vaia começou quando foi anunciada a presença da superexecutiva de araque . E permeou a discurseira de quase 50 minutos em dilmês primitivo, sublinhada por alusões à manifestação hostil que só um Celso Arnaldo conseguirá decifrar. Por exemplo:

“Tem gente que acha que democracia é ausência de uns querendo uma coisa e outros querendo outra. Não é, não. Democracia é o fato de que há diferenças e de que a gente convive com elas, procura um ponto de equilíbrio e resolve as coisas. Eu não tenho problema nenhum, podem falar sem problema nenhum, só deixem eu concluir aqui o meu finalzinho, que eu estou no fim.

O que estava no fim era mais um parágrafo sem pé nem cabeça. Para a oradora, mal começou a descoberta do Brasil real. Foi só a primeira vaia.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sabe qual é o problema da Dilma? Ela não ama as pessoas. E não é amada por elas - Por Ricardo Noblat


Por que o governo preferiu jogar todas as suas fichas para eleger Arlindo Chinaglia (PT-SP) presidente da Câmara dos Deputados e derrotar Eduardo Cunha (PMDB-RJ)?

Acreditou de fato que poderia ser bem-sucedido? Ou raciocinou com o estômago avaliando como superáveis as dificuldades que encontrou pelo meio do caminho?

Em resumo: foi um erro de cálculo muito comum em episódios como esse, resultado de uma má avaliação? Ou foi um erro provocado por uma explosão de ira ou algo parecido?

Faltou alguém de cabeça fria ao lado da presidente Dilma para aconselhá-la a se compor com Eduardo ou a se manter distante da eleição? Ou não faltou e foi ela que decidiu ir para o tudo ou nada?

Se foi uma decisão dela que contrariou vários dos seus conselheiros, menos mal. Prova, pelo menos, que há cabeças frias nas vizinhanças dela. Quem sabe não prevalecerão em outras ocasiões?

Caso a derrota colhida por Dilma tenha sido também uma derrota de quem a assessora, incapaz de enxergar o que por aqui se via com antecedência, bem... O governo vai mal, obrigado. Só tende a piorar.

O embate travado no último domingo pôs de um lado Eduardo, acostumado a enfrentar o governo, e do outro, a presidente e uma dezena de ministros. Os dois combatentes foram esses.

É certo que Eduardo contou com aliados na Câmara, mas o governo também. Notável é o fato de um parlamentar como qualquer outro ter conseguido vencer sozinho o governo.

À parte os atributos pessoais do novo presidente da Câmara, foi a pobreza de atributos por parte do governo o maior responsável pela sua própria derrota.

O que este governo tem a oferecer aos que se dizem seus aliados, mas que são capazes de largá-lo de mão na primeira oportunidade? Cargos? Favores? Miçangas do poder?

De que adiantou a presidente ter loteado o seu governo com os partidos, admitindo até como ministro quem tinha sido preso com malas de dinheiro no aeroporto de Belo Horizonte?

Quem poderá garantir que a eleição de Eduardo não passou de um caso isolado, e que os ruminantes da base de sustentação do governo no Congresso voltarão a ruminar mansamente?

(Eu disse “mansamente”. Não “mensalmente”.)

O governo costuma ser um reflexo de quem o lidera.

Dilma não ama as pessoas e não é amada por elas. É simples assim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sarney deixa política e ataca governo Dilma: 'desprezo e ingratidão - Por Carlos Madeiro

O alvo principal da crítica neste domingo (1º) foi o cancelamento, anunciado na quarta-feira (28) pela Petrobras, da construção da refinaria Premium 1, cuja obras estavam em andamento em Bacabeira (53 km de São Luís).

"O Maranhão recebeu apático uma decisão que é uma manifestação de discriminação, desprezo, ingratidão e injustiça. Que culpa tem o Maranhão pela corrupção e pela bagunça da Petrobras? Pagamos nós pela Lava Jato!", questionou Sarney, seguindo: "O Maranhão esperou 30 anos por um grande projeto de estrutura de base, para mostrar que o Brasil não pode continuar a ser dois Brasis, um rico e um pobre."

Ainda segundo o senador, é hora do Estado se unir para que as obras sejam retomadas. Ele defende uma "luta" dos nomes maranhenses pela retorno das obras.

"Eu não aceito essa decisão de acabar com a refinaria em nossa terra. Falta de dinheiro na Petrobras! Por que não abrir a empresas estrangeiras a construção? Aí estão capitais chineses, americanos, ingleses, holandeses, sauditas, árabes e tantos outros. Posso não estar mais vivo, mas sei que, se mantivermos a luta, classes empresariais, povo, governo, todos unidos, essa decisão será revertida e um dia vamos ver a refinaria do Maranhão", escreveu.

Segundo dados de balanços da Petrobras, a refinaria Premium 1 já teve investimentos federais, desde 2007, de R$ 1,8 bilhão --em valores não-atualizados monetariamente.

Além da obra no Maranhão, a Petrobras também anunciou que desistiu da refinaria Premium 2, no Ceará, que já teve mais de R$ 1 bilhão em investimentos.

Em nota, o governo do Maranhão --comandado por Flávio Dino (PCdoB), opositor histórico dos Sarney-- também criticou o governo federal e disse está "pronto a dialogar com a Petrobras para a retomada de investimentos no Maranhão, sendo sanados os erros técnicos do projeto original, que não são de responsabilidade do povo maranhense."