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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 31 de março de 2015

Deu a Cabra.

Já havia chegada em Várzea-Alegre. Ali, como no restante da pátria amada, o jogo do bicho já era conhecido  e todos podiam jogar, livremente, fazer sua fezinha.

José Pinto, esposo de Dona Adélia  Pimpim, pai de Sérgio, Dulcéria e Lili, boas criaturas, era o único banqueiro. Eu tinha 09 anos e ia passando. Andando, fagueiro e despreocupado, como todo menino despreocupado e fagueiro. Seu Zezinho cortava uma tiras de cerca de 30 centímetros de alto por 05 de largura, as dividia em dez pedacinhos, e, com  carimbos de cajazeira fazia os dez bilhetinhos de cada bicho. 

Sentindo-me capaz de realizar tal proeza, perguntei se lhe podia ajudar. Amável e cavalheiresco, aceitou minha cooperação. terminada a coleção de 250 bilhetinhos, dez de cada um dos 25 bichos, ele tirou um deles e me deu dizendo: Se der, venha buscar seu premio. São quatro mil reis.

A corrida era as três da tarde, e, ás quatro passei por lá acidentalmente, ele me chamou, conferiu meu bilhete e, como tinha sido premiado, me deu os quatro mil reis. Era muito dinheiro.

Corri para loja para dar a noticia a papai, que, por certo, exultaria de feliz, pensei. Desfilei minha historia, ganhei quatro mil reis na cabra.

Que cabra seu José? Você tem cabra? Você vende cabra? Procurei explicar, direitinho a coisa toda. Eu ajudei a seu Zezinho, ele me deu um bilhete da cabra, o bilhete foi premiado aí ele me deu  quatro mil reis. Disse mostrando envaidecido a dinheirama.

Papai me fitando enternecidamente,  disse a certa altura. Quer dizer que cabra é numero seis, não é isto? Neste caso, o senhor vai levar seis bolos e distribuir o dinheiro com os pedintes, na rua. Tomou a régua disciplinadora e, em cada mãozinha afortunada me meteu três bolos, perguntando-me, depois de encerrar nosso amigável entendimento: quantas vezes você já viu seu pai jogando? Era festa de São Raimundo e facilmente encontrei com quem  distribuir a fortuna.
Dr. J. Ferreira.

O poste é inseparável do fabricante: Dilma será para Lula o que Pitta foi para Maluf - Augusto Nunes

Como um punguista de antigamente depois de afanada a carteira da vítima, Lula tenta afastar-se de Dilma Rousseff com cara de paisagem, assoviando um sambinha enquanto caminha nem tão depressa que pareça medo nem tão devagar que pareça provocação. A malandragem deu certo no escândalo do mensalão. O chefão caiu fora da cena do crime e a patente de comandante do bando acabou enfeitando os ombros do subchefe José Dirceu.

Mas não se terceiriza o pessoal e intransferível. A segunda-dama Rose Noronha, o prefeito Fernando Haddad e a instalação de uma usina de maracutaias nas catacumbas da Petrobras, por exemplo, são coisa de Lula. Dilma Rousseff também. Lula logo aprenderá que um poste é inseparável de quem o inventou — e um produto de péssima qualidade pode levar seu fabricante à falência política. Dilma Rousseff será para Lula o que Celso Pitta foi para Paulo Maluf.

Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação reiterados pelas usinas de pesquisas, o prefeito Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar que conseguiriam transformar qualquer nulidade em ocupante provisório do trono. Para que os escolhidos cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar até que o chefe voltasse, constatou um post de 2010, o marajá de São Paulo e o reizinho do Brasil decidiram-se, sem consultar ninguém, por figuras sem autonomia de voo nem luz própria.

O primeiro pinçou na Secretaria de Finanças do município um negro economista. O segundo pinçou na Casa Civil uma mulher economista. Ao apresentar o sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo.Mas quem arranjou o dinheiro, revelou, foi aquele gênio da raça chamado Celso Pitta. Ao apresentar a sucessora, o presidente reterou que foi Lula o parteiro do Brasil Maravilha. Mas quem amamentou o colosso, ressalvou, foi aquela sumidade político-administrativa por ele promovida a Mãe do PAC.

Obediente a Maluf e monitorado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando obviedades e louvando o criador de meia em meia hora. Como herdaria uma cidade sem problemas, sua missão seria torná-la mais que perfeita com espantos de matar de inveja a rainha da Inglaterra. Grávido de orgulho, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Obediente a Lula e tutelada pelo marqueteiro João Santana,  Dilma percorreu o atallho para o Planalto desconversando em debates e entrevistas, gaguejando platitudes e bajulando o criador a cada 15 minutos. Como lhe cairia no colo um país pronto, caberia à herdeira tocar em frente o pouco que faltava para torná-lo uma espécie de Noruega com praia, mulher bonita e carnaval. Grávido de confiança, o padrinho comunicou ao eleitorado que ele e ela eram a mesma coisa. Votar em Dilma seria a mesma coisa que votar no maior dos governantes desde o Descobrimento.

São Paulo demorou três anos para entender que estava nas mãos do pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, milhões de iludidos escorraçaram Pitta do emprego e atenderam à vontade do seu inventor: nunca mais Paulo Maluf foi eleito para qualquer cargo executivo. O Brasil demorou quatro anos para compreender que, ao conferir um segundo mandato a Dilma Rousseff, ratificara a mais desastrosa opção presidencial de todos os tempos.

Pena que as multidões não tenham acordado algumas semanas mais cedo. Mas enfim despertaram — e despertaram de vez, berram as manifestações de rua e o sumiço do único “líder de massas” do mundo que só discursa para plateias amestradas. Antes do fiasco de Alexandre Padilha nas urnas de outubro, Lula caprichou na ironia presunçosa: “De poste em poste estou iluminando o Brasil”, repetia.

O terceiro poste afundou a muitas léguas do Palácio dos Bandeirantes. O segundo, Fernando Haddad, pedala no mundaréu de ciclovias para fugir do naufrágio inevitável. O poste inaugural vai sendo tragada pelo mar de corrupção e incompetência. Dilma Rousseff debate-se furiosamente milímetros acima da superfície. Lula quer que afunde sozinha. Mas não escapará do abraço de afogado.

segunda-feira, 30 de março de 2015

CEGO POR 20 ANOS.

Há muito tempo, um casal de idosos que não tinham filhos, morava em uma casinha humilde de madeira, tinham uma vida muito tranqüila, alegre, e ambos se amavam muito.
Eram felizes. Até que um dia.. Aconteceu um acidente com a senhora. Ela estava trabalhando em sua casa quando começa a pegar fogo na cozinha e as chamas atingem todo o seu corpo.
O esposo acorda assustado com os gritos e vai a sua procura, quando a vê coberta pelas chamas e
imediatamente tenta ajudá-la. O fogo também atinge seus braços e, mesmo em chamas, consegue apagar o fogo. Quando chegaram os bombeiros já não havia muito da casa, apenas uma parte, toda destruída. Levaram rapidamente o casal para o hospital mais próximo, onde foram internados em estado grave.
Após algum tempo aquele senhor menos atingido pelo fogo saiu da UTI e foi ao encontro de sua amada. Ainda em seu leito a senhora toda queimada, pensava em não viver mais, pois estava toda deformada, queimara todo o seu rosto.
Chegando ao quarto de sua senhora, ela foi falando: Tudo bem com você meu amor? Sim, respondeu ele, pena que o fogo atingiu os meus olhos e não posso mais enxergar, mas fique tranqüila amor que sua beleza está gravada em meu coração para sempre. Então triste pelo esposo, a senhora pensou consigo mesma:
"Como Deus é bom, vendo tudo o que aconteceu a meu marido, tirou-lhe a visão para que não presencie esta deformação em mim. As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro. E Deus é tão maravilhoso que não deixou ele me ver assim, como um monstro.
Obrigado Senhor!"
Passado algum tempo e recuperados milagrosamente, voltaram para uma nova casa, onde ela fazia tudo para o seu querido e amado esposo, e o esposo agradecido por tanto amor, afeto e carinho, todos os dias dizia-lhe:
COMO EU TE AMO.
Você é linda demais.
Saiba que você é e será sempre, a mulher da minha vida!
E assim viveram mais 20 anos até que a senhora veio a falecer.
No dia de seu enterro, quando todos se despediam da bondosa senhora, veio aquele marido comos olhos em lágrimas, sem seus óculos escuros e com sua bengala nas mãos. Chegou perto do caixão, beijou o rosto acariciando sua amada, disse em um tom apaixonante:
-"Como você é linda meu amor, eu te amo muito".
Ouvindo e vendo aquela cena um amigo que esta ao seu lado perguntou se o que tinha acontecido era milagre. Pois parecia que o velhinho parecia enxergar sua amada. O velhinho olhando nos olhos do amigo, apenas falou com as lágrimas rolando quente em sua face:
-Nunca estive cego, apenas fingia, pois quando vi minha amada esposa toda queimada e deformada, sabia que seria duro para ela continuar vivendo daquela maneira. Foram vinte anos vivendo muito felizes e apaixonados! Foram os 20 anos mais felizes de minha vida. E emocionou a todos os que ali estavam presentes.
CONCLUSÃO
Na vida temos de provar que amamos! Muitas vezes de uma forma difícil... E, para sermos felizes, temos de fechar os olhos para muitas coisas, mas o importante é que se faça única e intensamente com AMOR!

063 - Uma palavra amiga - Padre Juca

Deus continua no esquecimento. Mas as angustias e inquietações do homem de hoje são realmente cada vez mais profundas. Nada o satisfaz. O desejo, a sede do infinito estão cada vez mais latentes em seu coração. Por isso faz-se necessário conscientizar-se de que Deus não atrapalha a felicidade de ninguém, mas completa e dá sentido a própria existência humana.

Deus se oculta nas coisas simples e humildes do dia-a-dia. Jesus se revela a nós para que o aceitemos e vivamos como  ele viveu. Difícil? Nem tanto. Com a graça de Deus chaga-se lá. A religião deve ser importante sempre. A gente deve crer em todas as horas e não somente nos momentos  de perigo e sofrimentos.

Revista-se da forma divina, volte-se para Deus e você renascerá. Ainda que todos o desprezem, que todos os seus sonhos se acabem, que todas as portas se fechem, ele continua a amar você. Também está a sua disposição de braços abertos. Mesmo que todas as esperanças se desfaçam, Deus continua a ser a sua  e nossa ultima esperança.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Congresso aproveita a fraqueza do governo para impor sua agenda - Ricardo Noblat

O governo da presidente Dilma Rousseff enfraquece à medida em que o tempo passa – e aparentemente passa ligeiro, embora o governo sequer tenha completado três meses de vida.

Dilma defendeu outro dia a criação de 39 ministérios. Antes de Lula assumir seu primeiro mandato, eram 20.

Ontem, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, voltou a defender a redução para 20 do número de ministérios. Em breve, um projeto nesse sentido será votado no Congresso.

Não passa pela cabeça de Dilma extinguir uma parcela dos cargos em comissão – aqueles ocupados sem a necessidade de concurso público. O Congresso planeja extinguir uma parcela deles.

Dilma repetiu que o ajuste fiscal, para pôr em dia as contas públicas desarranjadas para que ela se reelegesse, não será mudado.

Renan retrucou dizendo que do jeito que está, o ajuste não será aprovado pela Congresso. Se a sociedade não quer, o Congresso também não quer.

No meio da tarde de ontem, Dilma anunciou que não será possível renegociar o índice de correção das dívidas estaduais e municipais. À noite, por 389 contra duas abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou o que Dilma negou que fosse possível.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, chamou o governo de “agiota”. Ninguém defendeu o governo.

Em segundo turno, o Senado atropelou o governo e aprovou a Proposta de Emenda à Constituição que a acaba com as coligações em eleições proporcionais. Ou seja: para deputados federais e estaduais, e vereadores.

A CPI da Petrobras, para desgosto do governo, convocou para depor Vaccari Neto, tesoureiro do PT, suspeito de envolvimento com a roubalheira da Petrobras, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

Por último, Comissão do Senado aprovou a convocação de Thomas Traumann, Secretário de Comunicação da presidência da República, para explicar documento de sua autoria sobre os problemas que o governo enfrenta nessa área.

Chega ou quer mais?

E o mais curioso: tem aliados do governo dizendo que o pior já passou.

sábado, 21 de março de 2015

Com amigos como esses, Dilma não irá a lugar nenhum - Por Ricardo Noblat


Com aliados como esses, de que maneira a presidente Dilma Rousseff poderá enfrentar os duros anos que se avizinham?

Afinal, que interesse eles têm? O de fortalecer a presidente como dizem? Ou a de enfraquecê-la como negam?

Ontem foi dia de João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Sem Terra, aquele cujo “exército” Lula ameaçou convocar para sair às ruas em defesa de Dilma.

No assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre, Sétille repreendeu Dilma sem o menor pingo de vergonha.

Primeiro atacou Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Num discurso quase do mesmo tamanho do discurso de Dilma, Stédile, recomendou humildade a Levy.

Ser mais humilde não é para ir para o céu, é para ouvir o povo, as nossas organizações, para saber onde tem problema. Por que o seu Levy não vem discutir conosco? Não é só cortar e cortar. Podemos baixar a taxa de juros. Chame o povo para baixar a taxa de juros.

De quebra, Stédile malhou a classe média que no último domingo protestou contra Dilma, o PT e a corrupção. Tudo o que Dilma quer é se reconciliar com a classe média. Stédile atacou-a sem piedade.

Por que querem derrubar a Dilma, que é quase uma santa? Vocês acham que a Dilma cometeu algum crime? Querem é dar um golpe nos programas sociais. A classe média não aceita assinar carteira de empregada doméstica, nem ver filho de agricultor na universidade. Não é contra o governo, é contra os pobres.

E emendou:

Companheira Dilma, não se assuste. Deixe o (Miguel) Rossetto [ministro da Secretaria-Geral da presidência da República] cuidando do Palácio e venha para as ruas, onde vamos derrotar a direita e seu plano diabólico.

Dilma respondeu constrangida:

Ele tem a concepção dele, eu tenho a minha. A concepção de um movimento é uma, a de um governo é outra., É absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre ser democrática e a gente aceitar, há uma pequena distância.

Na quarta-feira, Cid Gomes, então ministro da Educação, resolvera peitar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, mesmo sabendo que isso criaria problemas para Dilma.

Sugeriu que ele é achacador – um dos 300 ou 400 que existem na Câmara, e que só querem extrair vantagens do fato de apoiarem Dilma.

Eduardo antecipou que ele seria demitido. Dali a menos de 10 minutos, o governo anunciou a demissão de Cid. Que saiu de herói diante de uma parcela dos brasileiros, ávida por quem enfrente políticos picaretas. Dilma ficou mal.

Dilma está mal depois que Lula, uma vez mais, deixou vazar os conselhos que lhe deu, e que ela hesita em seguir.

Lula cobra de Dilma uma reforma ministerial ampla. Que tire Aloizio Mercadante da Casa Civil, transferindo-o para o Ministério da Educação. E que entregue a Secretaria de Comunicação do governo a um nome do PT. A Secretaria nada em dinheiro. E o PT...

Ora, o PT se sente atraído por dinheiro. Como mosquito se sente atraído pela luz.

Se depender de Dilma, ela não fará nada do que sugere Lula. O que o deixará furioso. O projeto dele de ser novamente candidato a presidente em 2018 passa por um governo bem-sucedido de Dilma. Do jeito que vai, Lula acha que Dilma vai mal, muito mal.

Lula evita entrar em bola dividida. Ele tem o pendor de entregar qualquer cabeça para salvar a sua. Não se arriscará a uma derrota depois de ter sido eleito e releito, e de ter elegido e reelegido Dilma.

Que graça haveria em ter inaugurado um novo ciclo político, o do PT, e em fechá-lo?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Das aflições de uma presidente impopular. É de Dilma que falo - Por Ricardo Noblat

Qualquer meia dúzia de pessoas será suficiente para incomodar Dilma.

Daqui para frente, e só Deus sabe até quando, a presidente Dilma Rousseff viverá dentro de uma bolha para escapar do constrangimento de ser vaiada ou insultada pelos que a rejeitam.

E a se levar em conta a mais recente pesquisa de opinião pública do Datafolha, divulgada há dois dias, 63% dos brasileiros consideram o governo dela péssimo ou ruim. Só Collor teve rejeição maior (68%).

Dilma fez sua primeira aparição dentro da bolha, ontem, em Goiânia, onde esteve para autorizar investimentos do governo federal no BRT Norte-Sul. Viagem de propaganda, apenas.

A repórter Luiza Damé, de O Globo, anotou as principais medidas tomadas para que Dilma se imaginasse em outro mundo, aonde as pessoas só a aplaudem e querem posar ao seu lado para fotos.

Em um raio de dois quilômetros do Paço Municipal, local do evento, foram montados postos de triagem do público. No entorno do local, uma barreira com grades, depois um tapume com placas de ferro e novamente cerca de grades.

A segurança ficou por conta da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal. Fora, naturalmente, os agentes de segurança que acompanham Dilma em viagens.

O objetivo do esquema de segurança era impedir a aproximação dos indesejados – integrantes do movimento Caras Pintadas e Brasil Livre. Por volta das 14h30, 24 deles apareceram.

Portavam três faixas com as inscrições “Fora Dilma”, “Fora PT” e “Impeachment”. Batiam panelas. E gritavam: "Dilma vá embora que o Brasil não quer você, leva com você o Lula e a quadrilha do PT".

A pedido do pessoal de Dilma, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), havia decretado ponto facultativo para as repartições abrigadas no Paço Municipal.

A ideia era esvaziar o Paço para evitar a infiltração de manifestantes. As cerca de duas mil pessoas que festejaram Dilma foram levadas para o Paço a bordo de ônibus alugados pela prefeitura.

Mesmo assim, a revista foi rigorosa. Até mesmo para jornalistas credenciados pelo Palácio do Planalto. Dilma chegou com uma hora de atraso, acompanhada de Marconi Perillo, governador do Estado.

Perillo foi vaiado pelo público formado por simpatizantes do PT. Reagiu pedindo mais tolerância – não para ele, mas para Dilma. Que agradeceu pedindo tolerância – sem dizer para quem.

Restou provado para os que não toleram Dilma que eles não precisam atrair muita gente para constranger Dilma.

Qualquer meia dúzia de pessoas será suficiente para incomodar Dilma. E inflar a bolha que a protegerá doravante.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Pesquisa Datafolha: Reprovação de Dilma aumenta em todas as regiões e segmentos sociais do país e atinge 62% - PorRicardo Noblat


Para não dizer que não, tem uma notícia boa, sim, para a presidente Dilma Rousseff na pesquisa do instituto Datafolha publicada, hoje, pelo jornal Folha de S. Paulo: a aprovação do Congresso é menor do que a dela.

Ouvidos 2.842 eleitores em todo o país nas últimas 48 horas, apenas 9% consideram ótimo ou bom o desempenho do Congresso. Para 50% deles, o desempenho é ruim e péssimo. Quanto a Dilma...

No terceiro mês do seu segundo mandato, 62% dos brasileiros classificam como ruim ou péssima a gestão de Dilma. Somente há 22 anos, quando Collor estava perto de ser deposto, houve uma desaprovação maior. A dele chegou a 68%.

A impopularidade de Dilma subiu de fevereiro para cá 18 pontos se comparada à pesquisa anterior do próprio Datafolha. Somam 13% os que consideram o governo de Dilma ótimo ou bom.

A mais baixa taxa de aprovação de Lula nos seus dois governos foi de 28% em dezembro de 2005, ainda por efeito do escândalo do mensalão – o pagamento de propina a deputados federais para que votassem como o presidente queria.

A de Itamar Franco foi de 12% antes do lançamento do Plano Real, em 1993. Em 1999, depois da desvalorização do real como moeda, a aprovação de Fernando Henrique Cardoso desabou para 13%.

A popularidade de Dilma está indo para o buraco em todas as regiões do país e em todos os segmentos sociais.

As taxas mais altas de rejeição dela estão nas regiões “Centro-oeste (75%) e Sudeste (66%), nos municípios com mais de 200 mil habitantes (66%), entre os eleitores com escolaridade média (66%) e no grupo dos que têm renda mensal familiar de 2 a 5 salários mínimos (66%)”, segundo a Folha.

A maior taxa de aprovação está na região menos populosa do país – o Norte, com 21%. No Nordeste, que ajudou a eleger e reeleger Dilma no ano passado, agora só 16% dos seus habitantes aprovam o governo de Dilma. ¨

De 0 a 10, Dilma obteve nota 3,7.

“Com exceção dos simpatizantes do PT e de seus próprios eleitores, todos os demais segmentos socioeconômicos, políticos ou demográficos reprovam majoritariamente o desempenho de Dilma. Mesmo nos estratos mais beneficiados pelas políticas sociais do governo, a rejeição disparou”, escrevem Mauro Paulino, Diretor-Geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, Diretor de Pesquisas.

De 55% em fevereiro, passou para 60% o índice de pessimismo dos brasileiros com o futuro próximo da economia. É o índice mais alto desde 1997, no governo Fernando Henrique.

O desemprego tende a aumentar (69%). Bem como a inflação (77%).

terça-feira, 17 de março de 2015

E logo Dilma, sempre atenta a tudo, não percebeu a companhia da Velha Senhora, a corrupção - Por Ricardo Noblat

A corrupção, esta velha senhora que circula por toda parte como disse a presidente Dilma Rousseff...

Não importa que Dilma tenha se limitado a repetir o que ouviu de um assessor inteligente – a imagem da corrupção como uma velha senhora.

Fez bem em usá-la. É uma imagem feliz.

Só não sei por que os coleguinhas não aproveitaram para perguntar a Dilma, em sua versão o mais próxima possível da humildade, se ela, desde que ligou sua vida à Petrobras, nunca se deu conta da presença por ali da velha senhora.

Sim, porque na versão “dona da verdade” ou “a última palavra é minha”, Dilma jamais deixou que alguém se aproximasse da Petrobras sem a sua licença.

Foi assim como ministra das Minas e Energia. Como chefe da Casa Civil da presidência da República. Como presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E como presidente da República.

Dilma nomeou Graça Foster presidente da Petrobras para que nem uma folha de papel mudasse de lugar, ali, sem que ela soubesse.

A “velha senhora” fez da Petrobras a sua morada preferencial. Roubou algo como 2 bilhões de reais. E Dilma não se deu conta da presença dela em seus domínios.

É possível?

Possível, é. Mas isso caracteriza negligência, desleixo, irresponsabilidade.

Depenaram uma das maiores empresas do mundo, a maior do Brasil, e dois presidentes da República de um mesmo partido, aliados, portanto, não perceberam.

Contem-me outra!

Por que Dilma não confessa pelo menos que errou?

Está bem: ela não gosta de confissões como disse ontem. Troquemos a palavra.

Por que Dilma não admite pelo menos que errou?

Isso não lhe arrancará nenhum pedaço.

Quantos aos coleguinhas que se deslumbram com o Poder e que temem perder informações se parecerem incômodos...

Jornalista que não incomoda não é jornalista – é assessor.

Corrupção não está no poder Legislativo, está no poder Executivo, diz Cunha - PorJOSÉ ROBERTO CASTRO E RICARDO CHAPOLA - O ESTADO DE S. PAULO

São Paulo - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta segunda-feira, 16, em coletiva de imprensa na sede da Fiesp, em São Paulo, que "a corrupção no Brasil não está no Poder Legislativo, está no poder Executivo". Em tom de crítica, Cunha disse que não acusava o governo de conivência com a corrupção, mas por problemas de governança.

"A corrupção não está no poder Legislativo, a corrupção está no poder Executivo. Se eventualmente alguém do Poder Legislativo se aproveitou da situação para dar suporte político em troca de benefícios indevidos é porque esses benefícios existiram pela falta de governança do Poder Executivo, que permitiu que a corrupção avançasse", argumentou Cunha. "Não vou dizer por conivência, vou dizer por governança", completou o peemedebista, que foi citado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot,  e está sendo pelo Supremo na Operação Lava Jato.

segunda-feira, 16 de março de 2015

As lições do dia em que o PT perdeu o controle das ruas e o povo insultou Lula como jamais o fizera - Por Ricardo Noblat

Lição número um do domingo histórico de 15 de março de 2015, quando o Brasil celebrou com maturidade, coragem e alegria os 30 anos do fim da ditadura de 1964 e do início da redemocratização: o PT perdeu o controle das ruas.

De fato começara a perder desde que a corrupção passou a corroê-lo por dentro em 2005 – portanto, há exatos 10 anos –, tão logo o escândalo do mensalão fez o primeiro governo Lula tremer. Não caiu, é verdade. Mas perdeu a pose e nunca mais a recuperou.

Lição número 2 de um domingo histórico: Lula deixou de ser intocável. Em nenhum ato público de grande porte até aqui, manifestantes haviam ousado, em coro e por muito tempo, ofender Lula com palavras de ordem.

Os que tentaram em outras ocasiões não foram bem-sucedidos. Mas ontem foram sim. “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro” foi uma das agressivas palavras de ordem. Estamos longe da cultura nórdica que cobra boa educação a qualquer hora.

Infelizmente é assim e sempre será neste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Não foi  assim quando Dilma acabou insultada no jogo de abertura da Copa do Mundo, no ano passado? Não devemos nos julgar inferiores por isso.

Quantos países, de pouca experiência democrática como o nosso, seriam capazes de pôr mais de dois milhões de pessoas nas ruas pacificamente? Isso é quase metade da população da Noruega. É sete vezes mais do que a população da Islândia.

Atravessamos apenas 30 anos ininterruptos de Estado Democrático de Direito. A democracia por aqui está mais no papel do que na realidade das pessoas. Temos liberdade. Não temos rede de esgoto. E liberdade sem rede de esgoto não melhora a vida de ninguém.

Agravou-se a situação da presidente Dilma. Ela não pode falar ao país por meio de rede nacional de rádio e de televisão porque seria recepcionada por um panelaço. Não pode circular por aí para não ser vaiada. Muito menos confraternizar com seu povo sem medo.

À crise econômica somou-se a crise política. Roguemos para que disso não resulte uma crise institucional. No momento, Dilma nada tem a dizer aos brasileiros – nada de novo, nada que mude sua situação. E os brasileiros não desejam ouvi-la. Simples.

Como restabelecer o diálogo sem o qual o país entrará em uma das fases mais delicadas de sua história recente? O governo carece de líderes. Os partidos, idem. Por espontâneas e desorganizadas, as manifestações não têm quem as guie. E não admitem ser guiadas.

A solução não está no impeachment. Presidente só pode ser deposto se cometer um dos oito crimes de responsabilidades previstos na Constituição. Dilma não cometeu nenhum deles. O que fazer então? Eu não sei. De outras vezes pensei que sabia. Desta, não.

domingo, 15 de março de 2015

Dilma, uma presidente acuada - Por Leandro Loiola e Murilo Ramos, Epoca.


Sem força na economia, na política e, agora, nas ruas, Dilma Rousseff vive seu pior momento na presidência - e parece apoplética, sem saber como sair dele

A presidente Dilma Rousseff não estava muito confortável naquele momento da conversa com líderes de partidos aliados, ao final da tarde da última segunda-feira. Sentada à frente de uma mesa grande, no Palácio do Planalto, Dilma dizia que os protestos ocorridos durante seu pronunciamento de 15 minutos em cadeia de rádio e TV, na noite anterior, haviam sido “uma coisa concentrada em alguns bairros” de São Paulo, referindo-se a  locais de classe média alta. Acrescentou que, em Brasília, os protestos ocorreram “no Sudoeste e em Águas Claras”, também bairros de classe média. “Em Recife foi só na Aldeota (outro bairro nobre)”, disse. “Aldeota é em Fortaleza, presidenta”, corrigiu o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira.

Dilma foi então interrompida por um novato nesses encontros, o senador Omar Aziz, do PSD, ex-governador do Amazonas. “Presidenta, no domingo não vai ser assim...”, disse Aziz. Um novato permitia-se contradizer a presidente da República. Aziz prosseguiu: “Eu queria prestar minha solidariedade à senhora porque envolveram a senhora neste roubo na Petrobras, que é o maior roubo da história do Brasil. É uma vergonha fazerem isso com a senhora”. Constrangida e sem paciência, Dilma admoestou Aziz: “Governador (na verdade, Aziz agora é senador), o senhor está equivocado”.

A conversa estava tensa. Em outro momento, Dilma alertou os líderes: “Nós temos de ter cuidado porque a política está muito criminalizada”. Parecia o ex-presidente Lula falando. Ele usa esse argumento sempre que um companheiro é acusado de corrupção. Em tempos de petrolão, é quase todo dia. Dilma, então, narrou os dissabores de quem vive sob a ameaça das vaias dos contribuintes que povoam as ruas do Brasil e enxergam a criminalização na política. Contou aos parlamentares o caso da ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster, sua amiga, que deixou o cargo em fevereiro após uma temporada exposta pelas investigações do petrolão. “Ela não pode sair de casa nem para ir à padaria”, disse Dilma. Graça vive hoje uma vida de aposentada no Rio de Janeiro, mas não tem sossego.

sábado, 14 de março de 2015

Resta ao governo torcer para que chova muito amanhã - Por Ricardo Noblat


O governo estava certo. Do ponto de vista dele, é claro.

Se seu objetivo inicial fosse ajudar a presidente Dilma Rousseff, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o MST, a UNE e outros movimentos sociais não deveriam ter chamado o povo para as ruas, ontem.

Primeiro porque seu apelo certamente não seria atendido – não na dimensão desejada pelos promotores do ato. Como não foi.

Segundo porque a realização do ato daria ensejo à sua comparação com o ato de amanhã, contra Dilma. E, salvo uma surpresa, o ato de amanhã atrairá muito mais gente. 

O ato de ontem foi planejado para mostrar ao governo a insatisfação dos movimentos sociais com o ajuste fiscal do ministro da Fazenda Joaquim Levy – o “infiltrado no governo”, como o acusou João Pedro Stédilli, coordenador nacional do MST.

Dado que o ato contra Dilma ganhou expressão, os promotores do ato de ontem resolveram também defendê-la. Assim como à Petrobras.

Então o ato ficou com vários focos – o que na maioria das vezes significa ficar sem nenhum.

Ir às ruas contra o ajuste fiscal até poderia dar certo. Mas a favor de Dilma, aprovada por menos de 10% dos brasileiros? Nunquinha.

Resta ao governo torcer para que tenhamos amanhã um domingo de chuva. De muita chuva, de preferência. Do contrário...

   

sexta-feira, 13 de março de 2015

Dilma pode entrar no livro dos recordes com uma avaliação negativa. Por que não? - Por Ricardo Noblat

Será tão difícil assim para a presidente Dilma, seus principais auxiliares, o ex-presidente Lula e o PT admitirem que a insatisfação generalizada dos brasileiros se deva acima de tudo ao fato de que se sentem enganados?

Acreditaram no que ouviram principalmente de Dilma – que o país ia bem; que ela não deixaria que ele se desviasse do rumo seguro do crescimento; e que votar na oposição seria pôr tudo a perder. Tudo que fora conquistado nos últimos 12 anos.

E deu no que deu. A perda do poder dos salários só fez aumentar. Assim como aumentaram preços que estavam sendo “administrados pelo governo”.

Isso quer dizer: preços que o governo segurou para Dilma poder se eleger. Soltou depois.

É só o que basta para entender o que se passa. O resto é firula. E, no caso do PT que se esgoela para negar o inegável, o resto é mais uma tentativa de se enganar e de enganar o distinto público. Não aprende. Mente para justificar mentiras.

Anotem o que o PT e sua turma dirão se as manifestações contra o governo no próximo domingo forem um sucesso: bem, pior não poderá ficar. Daqui para frente, Dilma irá se recuperar na avaliação dos brasileiros. Esperem para ver.

A seis meses de sua queda, Fernando Collor tinha 15% de ótimo e bom. E havia metido a mão na poupança dos brasileiros, congelando-a.

Há menos de três meses de empossada, Dilma tem 7% de ótimo ou bom, segundo Merval Pereira, de O Globo.

Corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o primeiro presidente a exibir uma avaliação negativa. Faria algum sentido.

Se o crescimento do país no ano passado foi negativo, por exemplo, por que a avaliação de Dilma também não poderia ser?

quarta-feira, 11 de março de 2015

Branco, rico e golpista - Por Ricardo Noblat


Rico não pode se manifestar. A não ser por escrito. Ou dentro de casa. Ou em pequenas reuniões com amigos. Sem fazer alarde.

Caso resolva aderir a uma manifestação de massa, saiba que a desqualificará. Seu lugar não é na rua protestando.

Se for visto na rua protestando poderá ser acusado pelo PT de ser golpista. Certamente o será.

Não há nenhum dispositivo na Constituição que proíba o rico de pensar e de dizer o que pensa, mas ele que suporte as consequências.

Da mesma forma o branco. Pior ainda se ele for branco e rico.

É fato que a elite branca e rica lucrou uma enormidade com os governos de Lula e de Dilma. E que os mais ricos e brancos da elite pressionaram Lula para que ele voltasse a ser candidato no ano passado.

Não importa. A eles deve apenas ser assegurado o direito de apoiar o PT. De preferência sem condições. E de financiar o PT tirando dinheiro do seu próprio bolso ou desviando recursos públicos.

Quantos negros e pobres você vê no comando das maiores empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras?

Só vê ricos e brancos. E todos parceiros do PT. Deram mais dinheiro para o PT ganhar as eleições do ano passado do que para outros partidos.

Bem, se além de rico e de branco o cidadão morar em São Paulo, aí qualquer margem de tolerância com ele deve ser abolida.

Dilma e o PT perderam feio em São Paulo. O candidato de Lula ao governo colheu ali uma votação humilhante.

O que venha de lá, portanto, não deve ser levado em consideração. Antigamente foi a saúva. Agora, o paulista rico e branco é a praga que mais infelicita o Brasil.

Quem sabe o Congresso não aprova alguma lei que desconsidere o voto de São Paulo na hora de se contar os votos para presidente da República?

O radicalismo da proposta talvez possa ser suavizado com a restrição ao voto apenas nos bairros povoados por uma maioria branca, rica e golpista.

Burgueses!

Há quanto tempo eu não enchia a boca para chamar de “burgueses” os adversários das mudanças sociais, que só fazem enriquecer à custa dos miseráveis.

É verdade que a maior parte dos miseráveis ascendeu socialmente e compra o que os brancos e ricos lhe oferecem. E que quanto mais ascenderem e comprarem, mais os brancos e ricos se tornarão mais ricos.

Mas esse é um dilema que a esquerda corporativa, ávida por emprego público e órfã de ideologia, não sabe ainda como resolver.

terça-feira, 10 de março de 2015

Para Lula, Dilma deveria avaliar reforma ministerial já - Por Daniela Martins.

Protestos na hora do pronunciamento surpreenderam Planalto. Em conversas reservadas, o ex-presidente Lula tem dito que a presidente Dilma Rousseff deveria avaliar a possibilidade de fazer uma reforma ministerial. Para ele, o atual ministério, que tem apenas dois meses e alguns dias, envelheceu precocemente.

Uma reforma ministerial seria feita para recompor pontes com o PMDB, dando ao vice-presidente Michel Temer maior espaço no governo e até uma eventual pasta, como aconteceu com o vice José Alencar, que foi ministro da Defesa no governo Lula. Há possibilidade de Lula e Dilma se encontrarem amanhã em São Paulo.

O Planalto insistiu na ideia de que a lista de Janot dividiria a crise com o Congresso e que isso seria bom para Dilma. A crise se estendeu ao Congresso, mas piorou politicamente a situação da presidente. Ou ela recompõe de verdade a sua relação com o PMDB ou vai enfrentar uma série de derrotas no Congresso que agravarão a crise.

O governo errou ao achar que poderia empurrar a crise para o Congresso. Isso irritou os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), porque foi uma demonstração de inabilidade política da presidente Dilma e de seus ministros.

No entanto, Renan e Cunha tiveram uma reação mais política do que jurídica ao apontar suposta perseguição política do Ministério Público e uma ação do governo para colocá-los na lista. Renan e Cunha precisam dar explicações para as acusações. Ameaçar retaliar o governo no Congresso, a partir da posição de comando que eles possuem, seria um abuso político de suas atribuições. É preciso serenidade na condução da Câmara e do Senado.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Pessoas Superdotadas - Os Milagres de Deus.


Há muitos anos, eu coleciono coisas absolutamente fantásticas. Como pesquisador da música, desde os 10 anos de idade, tenho percorrido o que é humanamente possível conhecer da obra dos grandes mestres da Música, como Bach, Beethoven, Chopin, Schubert, Liszt, Rachmaninov, Mahler, Debussy, etc, etc registrando as obras desses compositores de cor e salteado, através de milhares de arquivos da minha coleção. Gosto de pesquisar não só a música, mas também a biografia dos compositores e intérpretes, e chegamos a uma das coisas mais fantásticas da natureza, que são as crianças-prodígio, ou pessoas que desenvolvem feitos extraordinários, como Mozart e Liszt, por exemplo. Eu as chamo de "milagres de Deus". Elas nascem com um dom incomum. Diferentemente do que se acredita, nem todos os seres humanos nascem iguais. Alguns nascem superdotados, com uma inteligência especial para determinadas áreas.

É o que chamamos de "talento". Ah! "talento", um termo que define tão bem os gênios como Mozart, como Bach, como Hermeto Pascoal e tantos outros. Trago hoje da minha coleção desses ditos "milagres de Deus", alguns vídeos que certamente tocarão na alma das pessoas sensíveis:

ATENÇÃO: Para evitar ouvir 2 sons ao mesmo tempo, pare o player da Rádio Chapada do Araripe, no canto superior direito do Blog.

Abaixo: O guitarrista Adam Fulara



A Pianista Aimi Kobayashi com 4 anos de idade:



A Pianista Aimi Kobayashi com 10 anos de idade:



O Baterista Jacob Armen com 7 anos de idade:






A Pianista Umi Garret aos 8 anos de idade toca Gnonenreigen de Liszt



Aimi Kobaiashi novamente:



Abaixo: O guitarrista Adam Fulara



Abaixo: O guitarrista Adam Fulara



Abaixo: O guitarrista Adam Fulara



Abaixo, o clarinetista Han Kim



E abaixo Aimi Kobaiashi toca com Orquestra Sinfônica

Governo Dilma se arrisca a acabar mais cedo - Por Ricardo Nolat


Então fica combinado assim: em outubro último, mês da eleição presidencial em primeiro e segundo turno, havia crise econômica internacional, segundo Dilma Rousseff, mas crise no Brasil nunquinha.

No passado, quando um tsunami econômico varria o mundo, o então presidente Lula dizia que tudo não passava por aqui de uma “marolinha”. Nem “marolinha” havia no país da candidata à reeleição.

Inflação? Esqueça. Estava sob controle. E jamais deixaria de estar. Sem falar em pleno emprego. Lembra como Dilma enchia a boca para falar do paraíso do pleno emprego?

E do Pronatec! O Protanec viera para ficar, prometeu Dilma também de boca cheia. Como ela parecia se orgulhar do Pronatec!

Por falar nele, está suspenso. Trombou com o país da vida real.

E a obra de integração do rio São Francisco, concebida para acabar com a seca que aflige os nordestinos há tantos séculos?

Obra ambiciosa. Gigantesca. A ser entregue no final deste ano.

Pois sim. Está atrasadíssima. Somente em Pernambuco, no final do ano passado, foram demitidas 2.300 pessoas empregadas na obra. Uma tristeza. Outra mentira da propaganda.

Nada como morar no país da propaganda do PT. Na propaganda de qualquer partido.

Nem que a vaca tossisse, Dilma deixaria que mexessem nos direitos dos trabalhadores.

A vaca não tossiu. Não foi necessário. Mexeram nos direitos. Afinal, para manter o poder, Dilma disse que faria o diabo. E fez.

Agora, pede que tenhamos paciência. Porque os problemas são apenas conjunturais. Porque eles passarão em breve, muito em breve. E ao passarem deixarão um legado de soluções perenes.

Minha nossa senhora. É mentira em cima de mentira.

Minha Casa, Minha Vida era um programa estupendo. Complementado pelo programa Minha Casa Melhor, que financiava a compra do que fosse indispensável para se viver feliz dentro de casa.

Minha Casa Melhor foi interrompido. O governo culpa por isso quem se endividou além do que poderia pagar.

O calendário gregoriano não serve para balizar certas coisas. Por exemplo: este século de fato começou com os atentados do 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos. Antes deles nada de relevante aconteceu.

O segundo governo de Dilma deveria acabar no próximo dia 31 de dezembro de 2018. Pois bem: arrisca-se a acabar mais cedo.

Planalto está perplexo com afastamento do PMDB e derrotas no Congresso - Blog do Camarotti.



Inicialmente, o Planalto trabalhava com o cenário de que a revelação dos nomes de políticos envolvidos no escândalo de corrupção na Petrobras iria enfraquecer aliados e o Congresso Nacional. E com isso, o governo iria retomar o controle da pauta legislativa. 

Mas, nas palavras de um ministro petista, está acontecendo exatamente o contrário. O PMDB tem culpado nos bastidores o governo pela inclusão de caciques do partido na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. E com isso, tem feito um movimento claro de aliança com a oposição, especialmente o PSDB, para emparedar o Planalto e o PT.

Isso ficou claro hoje na CPI da Petrobras, quando, por determinação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, houve a criação de quatro sub-relatorias, esvaziando o poder do relator petista, Luiz Sérgio. O que se viu na CPI foi mais um movimento de isolamento do Palácio do Planalto, o que tem agravado a crise política. 

O governo tem sofrido sucessivas derrotas no Congresso, como a aprovação de mais uma etapa da PEC da Bengala, que amplia de 70 para 75 anos a idade máxima para a aposentadoria de ministros de tribunais superiores. Se confirmada em nova votação na Câmara, a presidente Dilma Rousseff deve deixar de indicar cinco novos ministros do STF, já que as aposentadorias serão adiadas. 


A decisão de Renan Calheiros de devolver a MP que revê as desonerações da folha de pagamento de vários setores da economia já tinha acendido a luz amarela no Planalto. O governo teme novas derrotas, já que perdeu o controle da base aliada. Mas com uma articulação política capenga, comandada pelo chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a presidente Dilma ainda não sabe como reagir.

Inquerito atende a interesse do Planalto - Eduardo Cunha.


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), insinuou neste sábado que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, incluiu seu nome na lista de investigados da Lava Jato para agradar ao governo e garantir mais um mandato à frente do Ministério Público Federal. Investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha é suspeito de receber recursos do petrolão por duas fontes: doações eleitorais registradas e dinheiro em espécie entregue pelo policial Jayme Alves Cunha de Oliveira Filho, o Careca, em uma casa no Rio de Janeiro.

Quando saiu a lista de parlamentares que serão investigados no Supremo Tribunal Federal, Cunha afirmou que não se pronunciaria até tomar conhecimento dos indícios reunidos pelo Ministério Público. Mas na madrugada deste sábado, em sua conta no Twitter, o presidente da Câmara decidiu apresentar sua versão da história. O presidente da Câmera disse que o delator Alberto Youssef é "desqualificado" e argumentou que não pode ser punido por ter recebido doações registradas na Justiça Eleitoral. "Criminalizar a minha doação oficial de campanha, sem criminalizar a dos outros, é um acinte à inteligência de quem quer que seja", afirmou.

Dilma encabeça a lista de Janot - Por Ricardo Noblat


O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, deixou a presidente Dilma Rousseff de fora da lista de políticos supostamente envolvidos com a roubalheira da Petrobras.

Melhor para ela – e talvez para o país. A conferir mais tarde. Mas embora fora da lista, é a presidente Dilma que a encabeça. Porque ninguém enfrentará pior situação do que ela. Ninguém.

Os porta-vozes de Dilma dizem que com a divulgação da lista de Janot, a crise atravessará a rua. Sairá do Palácio do Planalto para o prédio do Congresso, entrando pela porta dos fundos.

Era o que mais desejava a presidente antes que a crise política detonada pelo PMDB no Congresso se juntasse à crise econômica. O Congresso devolverá a crise para o Palácio do Planalto. Isso é certo.

Não tem outro jeito. De resto, pior do que a avaliação dos políticos, somente a avaliação que os brasileiros fazem de Dilma. Lembra-se da mais recente pesquisa de opinião do Datafolha?

Em dezembro último, 42% dos brasileiros adultos consideravam o governo Dilma ótimo ou bom. Em fevereiro, apenas 23%. Em dezembro, ela era sincera, segundo 73% dos entrevistados.

O índice caiu para 35% em fevereiro, enquanto subiu de 13% para 54% o índice dos que a consideram falsa. Dilma é desonesta para 47% dos brasileiros.

Apenas 14% acham que Dilma não sabia da corrupção na Petrobras. A maior parte (52%) acredita que ela sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ocorresse.

Em resumo: a presidente falsa, desonesta, que sabia da corrupção na Petrobras e nada fez, e que toca um governo ruim, será a principal vítima do que atravessaremos daqui para frente.

Com uma crise econômica pelo meio. E cercada de maus gestores políticos – sem falar dela mesma, que não gosta do que deveria fazer, e não disfarça a arrogância.

Quem gosta de uma pessoa assim?

Governo algum gosta de marolas. Sonha sempre com um mar de almirante. No fim do seu segundo mandato, Lula batizou de “marolinha” o tsunami econômico que sacudiu o mundo.

Dilma não poderá fazer o mesmo. Até porque “marolinha” ou tsunami, isso é coisa nossa. Somente nossa. Como era o Guaraná Fratelli Vita, por exemplo. Como é a ararinha azul.

Para preservar a sua e escapar ao mensalão, Lula entregou a cabeça de José Dirceu, ex-coordenador de sua campanha presidencial vitoriosa de 2002, e ex-chefe da Casa Civil.

Dilma não tem cabeça valiosa para entregar.

A de Lula? A corrupção sistêmica na Petrobras começou no segundo governo Lula. Mas se ele perdesse a cabeça, Dilma perderia a dela. E o PT acabaria. Simples assim.

A presidente incapaz de se reinventar está sozinha. Perigosamente só.

sábado, 7 de março de 2015

A revolta do criador contra a criatura-Por Reinaldo Azevedo.


Lula promove ato contra o governo Dilma Estranhou o título? Pois é. Mas é verdadeiro da primeira à última palavra. Onde parece haver ironia, leitor, há apenas linguagem referencial. Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, se encontrou nesta quarta com promotores de um ato do dia 13 em, pasmem!, defesa da Petrobras. Entre os organizadores estão a CUT, o MST e a UNE. Todos de esquerda. Todos patriotas. Todos petistas. Emissários de Dilma já tinham pedido que a manifestação fosse adiada porque acham que ela serve como uma espécie de estímulo para o protesto do dia 15 contra o seu governo e em favor do impeachment.

Não deram a menor bola pra ela. E preferiram se encontrar com o chefão do PT. O manifesto de convocação ataca também medidas adotadas pelo governo. Lá está escrito: “As MPs 664 e 665, que restringem o acesso ao seguro desemprego, ao abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença, são ataques a direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora”.

Lula, o finório, avisou a seus companheiros que não poderá comparecer ao ato porque, ora vejam!, não pega bem ser a estrela de uma patuscada que ataca também medidas do governo. Ou por outra: em vez de este senhor chamar seus comandados e ordenar a suspensão da manifestação, como pediu a presidente, ele, na prática, a estimula.

Há muito tempo já escrevi aqui — e Dilma, consta, tem consciência disto — que Lula é hoje o principal elemento de desestabilização do governo.

Presidente da CPI da Petrobras diz que Lula e Dilma serão investigados. - Por Ricardo Noblat


O deputado Hugo Motta (PMDB-PB), de 25 anos de idade, presidente da nova CPI da Petrobras, disse à TV VEJA que “investigará o que for necessário” para jogar luz sobre a roubalheira na Petrobras.

A entrevistadora perguntou se a investigação poderia alcançar a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Ele respondeu que sim.

Ela quis saber se donos de empreiteiras também seriam ouvidos. Outra vez ele respondeu que sim.

Vamos devagar.

A CPI reuniu-se, ontem, pela primeira vez. E apesar de haver requerimentos para que empreiteiros sejam ouvidos em audiências públicas, nenhum deles foi votado.

Também não se votou nenhum pedido de quebra de sigilo das empreiteiras.

Sabe-se por que.

Para se elegerem no ano passado, doze dos 27 membros titulares da CPI receberam doações de dinheiro das empreiteiras. No total, algo como R$ 3 milhões.

No caso de Hugo, 60% das despesas de sua campanha foram financiados pela Andrade Gutierrez e pela Odebrecht.

Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI, recebeu 40% de sua verba de campanha das construtoras Queiroz Galvão, UTC, OAS e Toyo Setal.

O PSOL alegou que deputados financiados por empreiteiras deveriam se declarar suspeitos, caindo fora da CPI. Ocorre que nenhum outro partido concordou com ele.

O Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara considera quebra de decoro um deputado “relatar matéria submetida à apreciação da Câmara, de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral”.

E daí? Daí que ninguém liga para o que diz o Código.

Recomendo menos entusiasmo ao jovem Hugo.

Deputado Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da CPI da Petrobras (Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados)

"A vaca foi para o brejo?" - Por Marta Supkicy


É um privilégio neste momento crítico da política brasileira voltar a este espaço que ocupei em 2011 e 2012. Já colaborei na Folha, em cadernos e anos diversos, exercendo atividade diferente da que tenho hoje. Tenho consciência da importância que foi chegar a milhares de pessoas quebrando tabus, defendendo os direitos do povo, das mulheres e minorias, avançando em temas de difícil aceitação. Senadora, e com uma visão muito crítica da situação política brasileira, sinto-me no dever de exercer neste espaço a audácia e transparência que caracterizaram minha vida.

Em política existem duas coisas que levam a vaca para o atoleiro: a negação da realidade e trabalhar com a estratégia errada.

O governo recém-empossado conseguiu unir as duas condições. A primeira, a negação das responsabilidades quando a realidade se evidencia. A segunda, consequência da mentira, desemboca na estratégia equivocada. Estas condições traduzem o que está acontecendo com o governo e o PT.

O começo foi bem antes da campanha eleitoral deslanchar. Percebiam-se os desacertos da política econômica. Lula bradava por correções. Do Palácio, ouvidos moucos. Era visto como um movimento de fortalecimento para a candidatura do ex-presidente já em 2014. E Lula se afasta. Ou é afastado. A história um dia explicará as razões. O ex-presidente só retorna quando a eleição passa a correr risco.

Afunda-se o país e a reeleição navega num mar de inverdades, propaganda enganosa cobrindo uma realidade econômica tenebrosa, desconhecida pela maioria da população.

Posse. Espera-se uma transparência que, enquanto constrangedora e vergonhosa, poderia pavimentar o caminho da necessária credibilidade.

Ao contrário, em vez de um discurso de autocrítica, a nação é brindada com mais um discurso de campanha. Parece brincadeira. Mas não é. E tem início a estratégia que corrobora a tese de que quando se pensa errado não importa o esforço, porque o resultado dá com os "burros n'água".

Os brasileiros passam a ter conhecimento dos desmandos na condução da Petrobras. O noticiário televisivo é seguido pelo povo como uma novela, sem ser possível a digestão de tanta roubalheira. Sistêmica! Por anos. A estratégia de culpar FHC (não tenho ideia se começou no seu governo) não faz sentido, pois o tamanho do rombo atual faz com que tudo pareça manobra diversionista. Recupera-se o discurso de que as elites se organizam propagando mentiras porque querem privatizar a Petrobras. Valha-me! O povo, e aí refiro-me a todas as classes sociais, está ficando muito irritado com o desrespeito à sua inteligência. Daqui a pouco o lamentável episódio ocorrido com Guido Mantega poderá se alastrar. Que triste.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Dilma tem mais a perder do que Renan e Eduardo - Por Ricardo Noblat


Os áulicos da presidente Dilma Rousseff cochicham para jornalistas que a situação dela ficará agora melhor com o pedido do Procurador-Geral da República para que Renan Calheiros, presidente do Senado, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, sejam processados pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento com a roubalheira da Petrobras.

Base do raciocínio dos áulicos: Renan e Eduardo escolheram se tornar adversários da presidente da República.

Passarão os próximos meses às voltas com advogados encarregados de defendê-los e jornalistas à caça de provas contra eles.

Não terão tempo nem condições de criar sérias dificuldades para o governo. Estarão mais vulneráveis, por certo.

Raciocínio torto, a meu ver. Que subestima a inteligência de Renan e de Eduardo.

Os dois já providenciaram o discurso altamente palatável de que seus nomes foram incluídos na lista do Procurador-Geral da República por empenho do governo.

Não é verdade, imagino. Mas não importa. Se não é provável, talvez fosse possível. E como a versão vale mais do que o fato em determinadas circunstâncias...

O discurso inicial de defesa de Renan e de Eduardo os obrigará daqui para frente a se distanciarem ainda mais do governo. Até por coerência.

O distanciamento resultará em novos gestos da parte deles que desagradarão ao governo.

Com a popularidade ao rés do chão, Dilma terá mais a perder do que seus novos desafetos. Elementar, meus caros.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Renato Duque foi solto a pedido de Lula, diz jornal. Esposa teria ameaçado denunciar envolvimento do ex-presidente.


Os demais golpes do partido governante para blindar Lula e Dilma Rousseff no escândalo do Petrolão também estão resumidos passo a passo neste blog – aqui e aqui.

Mas agora estourou a ‘bomba’ que revela a atuação direta do ex-presidente no boicote à Justiça, com a cumplicidade do ministro do STF:

Isso mesmo: Duque foi solto a pedido de Lula, conforme O Antagonista apurou com três fontes diferentes. Em resumo:

1) A mulher do arrecadador entrou em desespero com a prisão do marido em novembro de 2014 e, não podendo mais recorrer ao mensaleiro em baixa Dirceu, procurou o braço-direito de Lula, Paulo Okamotto, que lhe prometeu resolver depressa a situação.

2) Cobra criada em lidar com petistas, ela não caiu na conversa e ameaçou reunir provas suficientes para demonstrar que Lula sabia e participara de todo o esquema de corrupção na Petrobras, o que acabou obrigando Okamatto a alertar o ex-presidente de que ele deveria resolver pessoalmente o problema.

3) Lula então se encontrou com a mulher de Duque e tentou convencê-la de que seu marido ficaria na prisão por menos tempo do que se imaginava, mas ela tampouco se deixou levar e voltou a dizer que o implicaria no escândalo se Duque não fosse libertado rapidamente.

4) Acuado, Lula pediu socorro a um grande amigo seu, ex-ministro do STF, que lhe sugeriu, como o melhor caminho, recorrer a Teori Zavascki.

5) O próprio amigo de Lula marcou um encontro com o ministro para lhe explicar a urgência de livrar Renato Duque, porque, caso contrário, Lula seria envolvido “injustamente” num escândalo de proporções imprevisíveis para a estabilidade institucional.

6) Teori Zavascki aquiesceu. Avisado pelo amigo ex-ministro do STF, Lula comunicou à mulher de Renato Duque que tudo estava resolvido e, passados pouco mais de quinze dias após a sua prisão, o arrecadador viu-se livre da carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Não faltam motivos para o povo sair às ruas.

Decisão da Petrobras de vender 40 bilhões em ativos mostra que Lula deveria está preso - Eliame Catanhede

'Decisão da Petrobras de vender quase R$ 40 bi em ativos mostra que Lula deveria estar preso'

"A manobra, que tecnicamente pode dar uma dose de fôlego à companhia, faz com que a Petrobras despenque no ranking de petrolíferas mais valiosas do planeta. A Petrobras, que em 2010 chegou a R$ 360 bilhões em valor de mercado, derreteu perto de 70% e hoje vale pouco mais R$ de 110 bilhões. Número que a coloca entre desconhecidas empresas do setor.

Instantes após o anúncio feito pela empresa, na noite de segunda-feira (2), a repercussão da decisão foi enorme e avançou pela madrugada em conversas entre profissionais do mercado e em postagens em redes sociais. Isso mostra que o impacto provocado pela crise na estatal é muito maior do que imaginam os integrantes do governo petista de Dilma Vana Rousseff, que tenta salvar a empresa das garras do Petrolão por meio de acordos espúrios nos bastidores e manobras jurídicas absurdas.

Independentemente da decisão da Petrobras de se desfazer de parte dos seus ativos, que serão vendidos com certa facilidade, é importante voltar no tempo e estacionar em meados de 2006, quando o então presidente Luiz Inácio da Silva, agora um bem sucedido lobista de empreiteira, dava os primeiros passos em sua campanha pela reeleição. À época, Lula, que tinha Geraldo Alckmin como oponente na corrida presidencial, determinou à camarilha petista que “moesse” politicamente o candidato tucano.

A saída encontrada pelos aduladores de Lula foi “vender” à parcela incauta da população a falsa ideia de que uma vitória dos tucanos representaria a imediata privatização da Petrobras, o que nem de longe aconteceria, por mais adeptos que os tucanos sejam da teoria que prega a diminuição da participação do Estado na economia.

O tempo passou, a mentira lançada covardemente pelo PT caiu na vala do esquecimento, mas é preciso ressuscitar a fala insana de Lula e seus camaradas, pois naquele momento o que ficou patente, as desavisados, é que somente os petistas seriam capazes de manter intacta a Petrobras. À época, o esquema de corrupção que funcionou durante uma década na Petrobras completava seu primeiro ano e Lula não queria desmontar uma cornucópia alimentada pela maior empresa nacional, propriedade do povo brasileiro.

Em países minimamente sérios e com autoridades igualmente responsáveis, Lula e sua horda já estariam atrás das grades por vários crimes, a começar pelo de improbidade administrativa. Fora isso, os dirigentes da empresa e os integrantes do Conselho de Administração da estatal não apenas estariam presos, mas já teriam perdido os respectivos patrimônios. Na república bananeira chamada Brasil, o que se vê é um movimento criminoso nos bastidores para salvar os protagonistas do furacão em que se transformou o maior escândalo de corrupção da história da humanidade."

quarta-feira, 4 de março de 2015

Renan reforça o isolamento do governo - Por Ricardo Noblat


Como é possível que ninguém dentro do governo soubesse que Renan Calheiros, presidente do Senado e do Congresso, devolveria a Medida Provisória assinada por Dilma que tratava do aumento da contribuição previdenciária para as empresas, anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na última sexta-feira?

Renan considerou a medida inconstitucional. Sob aplausos da oposição e perplexidade do PT, ele decretou: “O Executivo, ao abusar do uso de medidas provisórias, deturpa o conceito de separação dos poderes”.

Sempre se poderá dizer que o Executivo agiu assim até agora, e que Renan nunca reclamou. E daí? Haverá sempre a primeira vez.

O presidente do Senado escolheu a hora certa para agir, conquistando o apoio da quase totalidade dos seus pares.

Chega de o governo despachar para o Congresso tudo o que lhe interessa por meio de Medidas Provisórias.

Basta de o governo prometer que governará com os partidos, ignorando-os em seguida.

Razões menos nobres podem ter movido Renan. Do tipo: ele ainda não conseguiu empregar no governo quem queria. Ou Dilma não ajudou com dinheiro Renanzinho, o novo governador de Alagoas.

Ou o governo não se mexeu para evitar que o nome de Renan fosse citado na lista de políticos envolvidos com a corrupção na Petrobras.

Assinada por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, a lista desembarcou no Supremo Tribunal Federal.

Fazem parte dela 54 nomes – entre eles o de Renan e o de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Por mais que soe absurdo, Renan acha que o governo poderia, sim, ter dado um jeito de poupá-lo do vexame.

Não importa. Renan foi de um raro oportunismo. E é isso o que distingue um político arguto de um não arguto.

Se por acaso for aberto no Conselho de Ética do Senado algum processo para cassar Renan por quebra de decoro, o time de senadores capaz de derrubar a medida cresceu no rastro do episódio de ontem.

Quanto ao governo de Dilma...

Ou providencia uma nova articulação política ou continuará levando sustos. Ou muda de comportamento ou ficará cada vez mais sozinho.

terça-feira, 3 de março de 2015

Sergio Moro - Lava Jato


O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, disse, nesta segunda(2), em aula inaugural da Escola da Magistratura Federal no Paraná, que para chegar aos chefes dos esquemas é preciso "seguir o dinheiro". "Não é o chefe quem suja as mãos. Ele é último beneficiário da atividade criminosa. O dinheiro certamente vai chegar a quem tem controle sobre o grupo criminoso", afirmou.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Lula, de esperança a forte ameaça à democracia - Por Ricardo Noblat

O que leva Dilma, aos 67 anos de idade, a ser tão rude com seus subordinados? A pedido de quem me contou, não revelarei a fonte da história que segue.

No ano passado, ao ouvir do presidente de uma entidade financeira estatal algo que a contrariou, Dilma elevou o tom da voz e disse:

- Cale a boca. Cale a boca agora. Você tem 50 milhões de votos? Eu tenho. Quando você tiver poderá ocupar o meu lugar.

Dilma goza da fama de mal educada. Lula, da fama de amoroso. Não é bem assim. Lula é tão grosseiro quanto ela. Tão arrogante quanto.

Eleito presidente pela primeira vez, reunido em um hotel de São Paulo com os futuros ministros José Dirceu, Gilberto Carvalho e Luís Gushiken, entre outros, Lula os advertiu:

- Só quem teve voto aqui fui eu e José Alencar, meu vice. Não se esqueçam disso.

Em meados de junho de 2011, quando Dilma sequer completara seis meses como presidente da República, ouvi de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, um diagnóstico que se revelou certeiro.

“Dilma tem ideias, cultura política. Mas seu temperamento é seu principal problema”, disse ele. “Outro problema: a falta de experiência. E mais um: tem horror à pequena política. Horror”.

Na época, Eduardo era aliado de Dilma. Nem por isso deixava de enxergar seus defeitos.

“Dilma montou um governo onde a maioria dos ministros é fraca”, observou. “Todos morrem de medo dela. No governo de Lula, não. Ministro era ministro. Agora, é serviçal obediente e temeroso. Lula não pode fingir que nada tem a ver com isso. Afinal, foi ele que inventou Dilma”.

Lula não perdoa Dilma por ela não ter cedido a vez a ele como candidato no ano passado. Mas não é por isso que opera para enfraquecê-la sempre que pode.

Procede assim por defeito de caráter. Com Dilma e com qualquer um que possa causar-lhe embaraço.

Se precisar, Lula deixa os amigos pelo meio do caminho. Como deixou José Dirceu, por exemplo. E Antonio Palocci.

Pobre de Dilma quando Lula se oferece para ajudá-la.

Na última quarta-feira, ele jantou com senadores do PT. Ouviu críticas a Dilma e a criticou. No dia seguinte, tomou café da manhã com senadores do PMDB. O pau cantou na cabeça de Dilma.

Tudo o que se disse nos dois encontros acabou se tornando público. Em momento de raro isolamento, Dilma precisa de muitas coisas, menos de briga.

Pois foi com o discurso belicoso de sempre, do nós contra eles, do PT e dos pobres contra as elites,  que Lula participou de um ato no Rio em favor da Petrobras.

Sim, da Petrobras degradada nos últimos 12 anos pelo PT e seus aliados.

Pediu que seus colegas de partido defendessem a empresa e se defendessem da acusação de que a saquearam.

E por fim acenou com a possibilidade de chamar “o exército” de João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem Terra, para sair às ruas e enfrentar os desafetos do PT e do governo.

Washington Quaquá, presidente do PT do Rio de Janeiro e prefeito de Maricá, atendeu de imediato ao apelo de Lula. Escreveu em sua página no Facebook:

- Contra o fascismo, a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda. Está na hora de responder a esses filhos da puta que roubam e querem achincalhar o partido que melhorou a vida de milhões de brasileiros. Agrediu, damos porrada.

É o exemplo que vem de cima!

Para o bem ou para o mal, este país carregará na sua história a marca indelével de um ex-retirante nordestino miserável, agora um milionário lobista de empreiteiras, que disputou cinco eleições presidenciais, ganhou duas vezes e duas vezes elegeu uma sem voto, sem carisma e sem preparo para governar.

Lula já foi uma estrela que brilhava sem medo de ser feliz.

Foi também a esperança que venceu o medo.

Está se tornando uma forte ameaça à democracia.

domingo, 1 de março de 2015

A ajuda dos americanos pode garantir o final exemplarmente feliz de um filme sobre o Petrolão: nenhum bandido escapa da cadeia - Augusto Nunes

“A Petrobras é como a Seleção, um símbolo do Brasil em qualquer lugar do mundo”, disse Lula em 2007.  “Com o pré-sal, a Petrobras vai ser uma das empresas mais fortes do  mundo”, avisou em 2008. “Eles querem privatizar a Petrobras porque nunca antes neste país o Brasil teve uma potência conhecida no resto do mundo”, festejou em 2009. “Eles não se conformam com o governo de um nordestino que fez a Petrobras ser respeitada no mundo inteiro”, cumprimentou-se em 2010, pouco antes de entregar a Dilma Rousseff uma estatal infestada de incompetentes, gatunos e vigaristas.

A presença da palavra mundo em todas as frases acima reproduzidas informa que o ex-presidente é um megalomaníaco sem cura. As quatro falácias entre aspas identificam um governante sem compromisso com a verdade. A soma das duas disfunções confirma aos berros que um farsante patológico foi presidente da República durante oito anos e continua exercendo os poderes de único deus da seita que se apossou do governo. O Brasil Maravilha registrado em cartório só existe na cabeça baldia do chefe supremo e nos cérebros semidesertos de sacerdotes e devotos.

Até o começo do século, a Petrobras foi marcada pela solidez financeira e pela eficiência administrativa. Em 12 anos, o governo lulopetista reduziu a empresa a um viveiro de corruptos. O colosso inventado pelo palanque ambulante só figurou entre os campeões dos petrodólares na imaginação dos nacionalistas de galinheiro. A empresa admirada no mundo inteiro nunca produziu barris suficientes para assombrar o mundo. Mas conseguiu produzir um caso de polícia que vai, agora sim, torná-la mundialmente conhecida.

O que já se sabe do Petrolão comprova que em nenhuma empresa do ramo um bando de delinquentes roubou tanto, por um período de tempo tão longo e com tamanha desfaçatez. Com a entrada em cena do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a história tem tudo para virar roteiro de um filme. Semanas a fio, multidões de brasileiros lotarão as salas de cinema do país inteiro. Ninguém vai perder a chance de ovacionar o final exemplarmente feliz: graças à ajuda dos investigadores americanos, nenhum bandido - nenhum - escapa da cadeia.