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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 2 de junho de 2017

091 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antônio Morais.

Hoje, eu estou com muita saudade de Raimundo Menezes. Permiti-me contar uma historinha dele, quem sabe assim eu consiga enganar a saudade.

Na década de 80 do século passado Raimundo Menezes estava com todos os filhos em Fortaleza. Ficaram só ele e Risomar em Várzea-Alegre. 

Um dia, por volta de 09 horas da noite Luiz Justino  o avisou que no dia seguinte, as quatro da manha estaria viajando para Fortaleza e se ele tivesse alguma encomenda para os meninos ele levaria. 

Raimundo preparou uma caixa com o que dispunha em casa : Queijo, manteiga, pão de arroz e de ló, sequilhos, doce de leite, linguiça caseira etc. Mas, Raimundo tinha um lastro de milho plantado no monturo da casa dos compadres Leandro e Francisca que estava no ponto de ser consumido : cozido ou assado. Era uma novidade. 

Sem ter como avisar ao Picoroto para colher o milho, ele mesmo foi ao Sanharol às três horas  da madrugada. Escuro de meter o dedo no olho. 

Em lá chegando seguiu a carreira do milho, escolhendo as espigas maiores. Com a zoada do estalo da espiga dona Francisca despertou, abriu a janela da casa com uma lamparina acesa na mão e gritou a toda altura : Ei ladrãozinho sem futuro, largue de roubar o milho de seu Raimundo se não eu vou contar pra ele.

Raimundo estava calado e calado continuou, a comadre nunca soube que era ele. 

Ele contava e ria da prosa.

Um comentário:

  1. Raimundo Menezes tinha um pouco do humor do Tio Mundim do Sapo.

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